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@roseazimmer
It’s never late for a good conversation || Rosemarie & Anna
Anna e Rose tinha algo em comum. Algo que fazia com que as conversas se tornassem super dinâmicas, ainda que nenhuma delas tivesse qualquer intenção de. Anna não gostava de falar sobre seus problemas ou nada muito pessoal. Fugia disso como Voldemort fugia de Dumbledore. Rose fazia o mesmo, então, enquanto Anna tentava deixar o foco da conversa na amiga de cabelos dourados, a outra a enchia de perguntas. Isso normalmente deixava Anna desconfortável,mas não com Rose. – Walden é um completo idiota, você sabe. – Lançou um olhar para a amiga. Não a julgava, mas não é como se não tivesse dito a mesma coisa sobre Walden tantas outras vezes.
Não conseguiu conter a risada, no entanto, ao escutar a pergunta da outra. – Sam. – Sentiu-se um pouco idiota por ter dito que Walden era um idiota, uma vez em que estava na mesma posição que ele. – Nós discutimos hoje. Anos sem nos falar e, quando fazemos, é uma discussão idiota… Argh. – Inclinou o corpo para trás, tapando o rosto com o travesseiro, como se tentasse afastar os pensamentos sobre o garoto de olhos dourados de si. Não que fosse o suficiente.
- Ele é mesmo. – a loirinha concorda, semicerrando os olhos e recordando-se da briga que tivera com Walden. Ainda estava com raiva. – Um grande e completo idiota. – mesmo assim, bem no fundo, Rosemarie de certa forma não achava tão ruim assim as interações que tinha com o rapaz. Ele fora seu amigo de infância e isso significava alguma coisa para ela. – Mas não tenho como fugir dele. Nós dois somos monitores. – com um ar de ombros, ela tenta encerrar o assunto e tirar o foco de si.
Ouvir a explicação de Anna e compreender o motivo para ela estar daquela forma faz a garota esboçar uma expressão triste. Rose tinha suas suspeitas que os sentimentos da amiga pelo rapaz não era de simples amizade, logo, a frustração dela fazia todo sentido. Além disso, Anna não merecia ficar daquela forma.
- O Sam também é um idiota. – Rosemarie, apesar da preocupação, tenta colocar um tom de brincadeira em suas palavras. Mesmo assim, boazinha como era, sente-se mal de falar que o colega era idiota. Ao contrário de quando fala que Walden é um idiota. Irônico, não é mesmo? – Por que vocês dois discutiram?
Like a cat and… a chameleon? || Rosemarie & Rapunzel
Demorou um pouco para que Rapunzel desse por falta de Pascal naquela manhã. Por mais que acordasse todas as manhãs ao mesmo tempo em que o sol despontava no horizonte – algo que ela jamais soube explicar o motivo. Apenas era assim. –, movimentava-se de modo letárgico durante a primeira hora. Caminhava pelo dormitório, bebia xícaras e mais xícaras de chá, observava as janelas e encarava o teto repleto de adornos em amarelo e negro.
Quando a euforia vinha, era de uma vez. Como se sua mente finalmente despertasse, não mais deixando o corpo vagar por entre os móveis rebuscados, estofados com veludo amarelo. Sentia a necessidade de agir, de realizar coisas. Queria montar quebra-cabeças, mas também abrir sua caixa de tintas e deixar o pincel correr por sobre uma tela branca. Queria ler, queria cozinhar, queria colocar suas velhas sapatilhas e rodopiar pelos cômodos. Queria tudo e, por isso, acabava por não fazer nada. Era quando Pascal normalmente surgia, com seus gigantescos olhos fitando-a de modo calmo. Calm down, Rapunzel, ele costumava dizer, uma coisa de cada vez, cada aventura a seu tempo. Naquela amanhã, porém, ela não teve a oportunidade de encarar o réptil verde que sempre escalava seus ombros, se vestindo de dourado, camuflado por entre os longos fios de seus cabelos. Pascal não estava em seus ombros, ou em sua mesa de cabeceira. Não se encontrava nos sofás do Salão Comunal ou até mesmo por entre suas desarrumadas cobertas. Foram horas gastas procurando por todos os cantos que seus olhos podiam alcançar. O brilho de curiosidade passou a ser de preocupação e a garota abandonou os aposentos dos alunos de Helga Hufflepuff, caminhando por entre os frios e sinuosos corredores da escola. Estava prestes a desistir, quando os pés tocaram os jardins. A grama se dobrou em um barulho abafado, úmido, por debaixo da sola de seus sapatos. Não pôde ser ouvida sob o longo suspiro da garota de cabelos dourados. Talvez Pascal não quisesse ser encontrado, afinal. Talvez precisasse de um tempo para si mesmo. O amigo sempre estivera em sua presença, mas a garota reconhecia que ele talvez precisasse de momentos consigo mesmo, reservados à suas reflexões de camaleão. Imaginou quais seriam estas tais reflexões. Caminhou um pouco, sentindo o sol tocar-lhe a pele de modo delicado. Estava prestes a retornar ao castelo, procurar por Joy ou Mavis, incomodá-las um pouco com sua inquietude logo pela manhã, quando uma leve perturbação atraiu seus grandes olhos verdes. Havia um gato correndo ao redor da árvore mais próxima, surdo aos gritos de sua dona. Perseguia algo. Algo que mudava de cor. Os olhos de Rapunzel logo se focaram no pequeno camaleão, que, assustado, passava por todo o círculo cromático em flashes rápidos. “Pascal!” ela exclamou. Correu até ele, enfiando as mãos diante do gato, no exato momento em que ela ergueu sua pata para bater em seu amigo colorido. Rapunzel soltou um murmúrio de dor ao sentir as garras felinas machucarem suas mãos, mas não se importou com os vergões vermelhos que se formaram. Lançou os grandes olhos para o trêmulo réptil “Você está bem? Eu te procurei por toda a parte.”
Rosemarie estava verdadeiramente espantada com a rebeldia do seu gato. Nunca antes ele havia a desobedecido e não correspondido ao seu chamado. Pior, mesmo sendo meio irritadiço, nunca pareceu ficar tão louco atrás de outro animal menor. Claro, Felix costumava caçar ratos por aí e, mesmo não gostando disso, Rose não era tola de achar que isso não acontecia, mas nunca esperava ver o bichano caçar algo com tanto fúria ou afinco.
- Não! – ela exclama, no momento em que vê o gato erguer a pata para atacar e uma garota, que ela reconhecer ser Rapunzel, se envolver naquela confusão. Tudo aconteceu muito rápido, pois a mais velha pega o camaleão a tempo e acaba recebendo em sua mão o ataque das garras felinas. Rose novamente exclama: – Ai meu Deus! Felix!
Aproveitando a oportunidade de o gato estar distraído e com os dentes à mostra, como se ameaçasse o camaleão, que agora estava seguro, Rosemarie rapidamente estica as mãos e pega o seu animal em no colo. Apertando-o contra o peito, para que ele não fuja, com um olhar pesaroso a loirinha foca o rosto da garota do 7th year.
- Me desculpe! Eu não sei o que deu no Felix. Ele nunca agiu antes assim... – sentia culpa pela reação do gato; ele agora estava quieto em seus braços, mas ainda tinha o olhar fixo no camaleão. – Sua mão. Precisamos cuidar da sua mão... eu sinto tanto... – Rose tinha impressão que poderia se desculpar o dia inteiro e mesmo assim se sentiria mal com a situação. Abaixando o olhar para o felino em seus braços, diz em tom bravo: – Gato malvado. – Felix nem dá atenção para a dona, afinal, ela não conseguia ser realmente brava.
Let’s pause || Rosemarie & Amelia
Após dois meses de aulas, Amie já se sentia habituada à rotina mais puxada do que os anos anteriores em disciplinas como Poções e Transfiguração. Sendo a aula da Professora McGonagall a última do dia, a setimanista estava compreensivelmente cansada. O cansaço, porém, não era o bastante para impedi-la de aproveitar o jantar com os colegas de sua casa. Aquela era uma ocasião que sempre apreciou, afinal. A mesa, como sempre, estava cheia e muito barulhenta. A menina dos Bones ajudava com a grande movimentação entre os estudantes da casa amarela.
Uma coisa, no entanto, estava incomodando a morena desde que se sentara entre Lucy Abbott e Edgar Bones, sendo uma espécie de coruja para a amiga e o irmão que insistiam em trocar recados. Ao lado de Lucy, Rosemarie, uma de suas melhores amigas, jazia muito mais quieta do que o normal para a menina demasiadamente tímida. Mais entristecida, também. Somando a irritação de sentir os dedos do gêmeo tocar seu ombro a cada um minuto à preocupação com a loira mais nova, Amelia se ofereceu para trocar de lugar com Lucille que aceitou a oferta de bom grado.
Rose não parecia ter notado a mudança ao seu lado. Mesmo assim, decidiu chamar a atenção da amiga para si. Quem sabe a mais nova não precisasse só de alguém para conversar, que a animasse? — Eu soube que teremos bolo de cenoura com cobertura de chocolate como sobremesa hoje. Chocolate! — puxou assunto animada, como se aquele anúncio fosse o suficiente para fazer a menina sorrir. Deveria, pelo menos. Quem não gosta de doces, afinal? E pelo que conhecia da garota cabisbaixa que observava com evidente preocupação, era uma de suas guloseimas favoritas. — Vamos lá, Rose! O que houve, meu bem? Por que essa carinha? — despejou inúmeras indagações depois de alguns instantes em silêncio. O cenho franzido e seu prato intocado.
Como não estava acompanhando muito bem o rumo da conversa da mesa e dos colegas de casa, Rosemarie abaixa o olhar para sue prato de comida. Estava remexendo em um pedaço de frango com o garfo, sem sentir muita fome, o que chega a ser hilário, já que a loira era uma daquelas garotas que adorava comer e sempre enchia o prato com tudo que tinha de disponível. Na verdade, ela devia agradecer os bons genes que a impedia de engordar, porque, pelo tanto que comia, Rose definitivamente não era para ser magra do jeito que era.
- Hum? – a loira ergue o olhar do prato, só então notando a presença de Amelia ao seu lado. Para a surpresa dela, a morena havia mudado de lugar e agora estava mais perto, assim como tentava chamar sua atenção, interpelando-a com aquele jeito alegre característico. A garota Bones era mesmo adorável e boa amiga, não era surpresa alguma que Rosemarie gostasse tanto dela.
Chocolate. Isso deveria deixá-la feliz, não é mesmo? Era doida com doces, mas, infelizmente, aquilo no momento não era o suficiente para animá-la. Estava tão imersa nos próprios pensamentos, tomada por um certo pessimismo, de forma que ainda mantinha a mesma expressão pesarosa de antes. Não chegou nem a falar naqueles segundos, ficado o silêncio. Ao menos agora Rose se dava conta que estava com um ar tristonho e, por isso, a amiga resolveu ir para o lado dela. As palavras seguintes de Amelia só comprovam isso.
- Ah... foi mal. – não queria ter deixado a morena no vácuo, mas a distração levou ela a fazer isso, infelizmente. – Não é nada demais, Amie. Só estou me preocupando com o que não deveria. – suspirando, Rosemarie olha em volta, de um jeito hesitante. Geralmente não se importava de conversar abertamente com a amiga, porém, naquele momento, havia muita gente por perto. A loira não gostava de se mostrar vulnerável perante os outros colegas, por isso, não tinha interesse de contar tudo enquanto estivessem na grande salão. – Mas acho que um bolo de cenoura com cobertura de chocolate é o suficiente para me deixar feliz. Como você sabe que vai ter dele hoje? Que passarinho te contou isso, hein? – questiona, finalmente abrindo um leve sorriso para Amelia.
Starting all over again || Rosemarie & Walden
— Desculpa se te assustei, little girl. — Disse quando notou a expressão estampada no rosto da loira. Depois de anos, Walden continuava com o mesmo hábito de ser presunçoso em horas indevidas. E talvez aquela fosse uma delas, contudo não deixou que o sorriso zombeteiro abandonasse o rosto dele. — Sim, saudades. — Falou sem tomar uma maior pausa para a sentença seguinte. — Sentimento de nostalgia, o que lembra os velhos tempos. Sabe o que significa, presumo ao menos. — Explicou abaixando a varinha para que a luminosidade não atingisse por completo o rosto da loira. Uma quase preocupação dele, mesmo que não tivesse nada que fosse mais do que instintivo.
Ela estava irritava com ele, restava saber por qual motivo. Ou no caso de Macnair, poderia dizer que o somatório de todos em questão bastariam para demonstrar a falta de paciência de Zimmer consigo. Ainda que, o rosto com um toque levemente rosado implicasse em outros pensamentos na visão do sonserino. Não estava tão alheia a situação como gostaria ou tentava demonstrar com a dureza nas palavras que jogava contra o loiro. — De mim, obviamente. Não acredito que tenha sentido falta do Barão Sangrento, por exemplo. — Sacolejou o ombro de forma displicente se atendo as palavras que dançam em um tom um pouco mais alto do que um sussurro pelo corredor, que parecia ecoar mais alto da forma que se propagava pelo ambiente.
Arqueou a sobrancelha observando a posição em que se encontrava a lufana, os braços cruzados tinha uma mensagem clara para que o sonserino não devesse dar sequer dar um passo em direção a ela. Assim como, era visível o desafio em que ela se apoiava pelo tom de voz usado tentando não ser diminuída por ele, além da diferença de altura. — Você está longe dos seus domínios, Zimmer. Não deveria me tratar desse jeito. Eu sou monitor, e você além da fronteira a qual deveria estar. Tem certeza que eu sairia perdendo? — Questionou dando um passo a frente, ignorando toda a prepotência da garota.
Uma caretinha atravessa a expressão da loirinha. De fato, Rose havia se assustado e se sentia ridícula por isso, especialmente porque fora o rapaz a pegá-la de surpresa. Little girl. Isso a fazia se sentir de fato pequena e infantil, como uma criança bobinha. Se era a intenção de Walden diminui-la ou apenas irritá-la, ela não sabia, mas não tinha dúvida alguma que isso a incomodava. Já era quase uma adulta não apenas na idade, mas também no corpo, que definitivamente era o de uma mulher quase formada. Não que o loiro parecesse reparar isso em Rosemarie, o que também a irrita. Ele provavelmente a via como a mesma garotinha desajeitada de anos atrás.
- Eu sei o que saudade significa. Não sou burra. – ela se apressa a dizer, mesmo sabendo que ele estava apenas a provocando. Mas não é como se Rose conseguisse ficar calada perante o sonserino. Reparando que Walden abaixara um pouco sua varinha, a menina fica um pouco a aliviada de ter menos luz em seu rosto, que no momento devia estar rubro. Por causa da pele muito branca e das sardas, quando ficava corada, a cor vermelha parecia ser ainda mais intensa do que era na realidade. – Antes o Barão Sangrento do que você. – as palavras de Zimmer, dessa vez, saem baixas e são ditas para si própria. Se tinha saudades da amizade que tivera com o loiro no passado? Sim, com certeza, por ter sido um dos poucos amigos que seus pais a permitiu ter. Mas agora era diferente, Walden estava diferente. Não era mais um garotinho, mas praticamente um homem.
De braços cruzados e posição de desafio, após mencionar a detenção, Rosemarie achava que ficaria a altura do loiro e que ele saberia que não podia mexer com ela. Exceto que estava errada. Era óbvio que ele não aceitaria aquilo calado. Tanto que, mesmo diante do ar defensivo dela, Walden deu um passo na direção dela. Isso foi o suficiente para que a própria bruxinha também desse um passo para trás, em reação automática. Mesmo que um pouco intimidada, isso não impede que Rose reaja com palavras:
- Eu também sou Monitora, esqueceu? Mas isso... – ela interrompe a própria fala, só então registrando o que ele havia dito. Rose às vezes era mesmo lerda e demorava a entender o que os outros falavam, no caso presente, isso era causado pelo nervosismo que sentia pela situação que se encontrava. Estava sim fora de seus domínios, por isso, ela muda de tática no seu modo de agir. – Você sairia perdendo, porque eu tenho motivos para estar aqui. Duvido que você também tenha. Deve só estar perambulando à toa. – ou talvez estivesse indo se encontrar alguém, não que isso fosse da conta de Rosemarie.
I need a break || Rosemarie & Rupert
Assentiu lentamente, olhando para a aluna com seu amigo. Eles estavam se dando bem, e até considerava dar passe livre para ela visitar a criatura. Loki sempre tinha a companhia de Rupert, quando esse não estava com Alexia, mas o animal adorava ser mimado e receber atenção. Uma a mais não iria o machucar.
- A nórdica, sinceramente, não é muito diferente da grega - deu de ombros, guardando a mão que não estava apoiada no hipogrifo no bolso de suas calças jeans - Deuses invejosos e defeituosos, pragas, bichos medonhos e guerras milenares - poderia preferir muito mais o povo de Odin, mas não podia negar que os dois nasceram em épocas muito próximas, e tinham as mesmas características. A verdade era que podia passar o dia inteiro falando sobre isso, explicando os diferentes nomes e as diferentes guerras. Era um passatempo seu, ler sobre essa religião. Pessoalmente, ele não possuía nenhuma crença, mas se maravilhava pelas criações do homem. Escrevia poesias, afinal, e uma religião não deixava de ser uma poesia sobre a razão da vida.
- Quer se sentar? - perguntou, olhando ao redor. Não achara nenhum banco a vista - Isso se não se importar com o chão - completou. Sabia que Loki adorava a grama, principalmente quando essa tinha neve, e que ele facilmente se deitaria entre eles, inclinando-se para quem lhe desse mais carinho. Ofereceu a possibilidade pois gostava de conversar, e a garota era portadora de uma boa conversa, aparentemente. Gostava da casualidade, das conversas de bar e de assuntos não inteiramente concretos, apenas pelo bem da comunicação. Esses tornavam sua alma mais leve, e aumentavam o sorriso em seu rosto eternamente cansado.
- Compreendo. Realmente parece ser semelhante. – a menina sorri para o professor, pensando que talvez fosse interessante pegar alguns livros sobre o tema na biblioteca para poder ler no tempo livro. Por gostar de aprender, os livros sempre foram um refugio para Rose, assim como os animais. – Acho que depois vou ler um pouco sobre os deuses nórdicos. Fiquei curiosa. – volta a comentar, novamente olhando para Loki e passando a mão pelo bico dele.
A criatura tinha olhos bastante expressivos e profundos, o que atrai a atenção da loira, levando-a se perguntar se o animal era capaz de entender o que eles falavam. Talvez sim, já que hipogrifos eram conhecidos por serem inteligentes. Rosemarie estava gostando de estar ali e já começava a relaxar, por isso, quando o homem questiona se ela queria se sentar, um sorriso surge em seus lábios. Isso queria dizer que poderia passar mais tempo na companhia de Loki. Não que também estar perto de Rupert não fosse bom, já que ele era um bom professor e também era inteligente. Seria bom conversar com ele.
- Não, não me importo. – as palavras saem apressadas e o olhar a loirinha por um instante caem no banco que ficava metros dali, aonde havia colocado sua bolsa. Poderia até de sugerir de ir até lá, mas ficava meio longe e talvez não fosse ser tão confortável para Loki. – Vamos sentar então? – agora a pergunta de Rose era direcionada para o hipogrifo, fazendo um último carinho nele. – Pode ficar no meu colo se quiser. – dito isso, a lufana dá alguns passos para trás e, com seus movimentos desajeitados, se senta no chão, ajeitando a capa que usava para ficar abaixo do bumbum e servir de proteção para que sua saia não sujasse. – Pode vir. – diz, em seguida, dando um tapinha no próprio colo e olhando para Loki. Ele era enorme, claro, mas podia repousar a cabeça sobre as pernas dela com tranquilidade. Isto é, se ele quisesse. – Quer dizer, se o senhor não se importar. – agora a menina, sem graça e com o rosto corado, interpela o professor. Por um segundo esquecera que ele talvez quisesse a criatura mais perto dele.
It’s never late for a good conversation || Rosemarie & Anna
Fora no dia anterior que toda a situação com Sam havia acontecido, tanto a discussão na biblioteca quanto o infame jogo de verdade ou desafio um pouco mais tarde. Por conta disso, Anna havia passado o dia todo com a cara fechado. Desviando o olhar do dele – ainda mais que o comum, pelos corredores e ficando levemente irritada com Delilah por tê-la visto falando com ele. Não que ela tenha entendido o real motivo, ou que Anna tivesse ficado muito tempo irritada com a amiga. Sentia-se má por ficar irritada com a pessoa mais doce que já havia conhecido. No terceiro tempo, esbarrou com Edgar Bones no corredor e praticamente implorou por desculpas. Elas foram facilmente conseguidas com alguns sapos de chocolate, o que fez com que a garota de cabelos acobreados perguntasse o porque estava tão preocupada com o que os outros haviam pensado. Só ela se importava. Só ela deixava que Samuel a irritasse daquela forma.
Naquela noite, decidiu que não ficaria na Sala Comunal. Ainda que suas amigas estivessem lá, como sempre estavam, preferiu ficar deitada em sua cama, tentando ler um livro que Elsa havia emprestado, mas não conseguia passar das primeiras páginas, tamanha a irritação. A dificuldade de se concentrar, que lhe era comum, só havia piorado. Estava sozinha no quarto. Lex havia, mais uma vez, desaparecido. O que fez com que Anna se irritasse um pouco mais. Sabia o motivo e não o aprovava de forma alguma. Se fosse um pouco mais correta, Anna já teria enviado uma carta ao irmão dela.
O silêncio, no entanto, foi interrompido pela voz de Rose. Incomunmente amarga. A sextanista vibrou internamente por, finalmente, ter a companhia de alguém que não havia presenciado toda a situação, logo se sentando na cama e fechando o livro a seu lado. – Nem me diga! – Seu tom era de desabafo, enquanto dobrava as pernas em frente ao corpo, abraçando os joelhos. – Eu sei porque a minha semana pareceu ser eterna, mas e a sua? O que houve, srta. Zimmer? – Disse, num tom divertido. Qualquer coisa para tirar Sam de sua cabeça.
Após tirar o casaco e colocar sobre a cama, Rosemarie olha direciona o olhar para amiga. O tom dela era de desabafo e, a julgar por suas palavras, ela também não estava bem. A loira no mesmo instante se vê preocupada com Anna, esquecendo-se, por um momento, de seus próprios problemas. Era esse o jeito da garota, atenciosa e com tendência de colocar o interesse dos outros antes do seu próprio. Mais uma característica que Rose tinha que a destoava de sua família, que era egoísta e egocêntrica.
- O problema não foi tanto a semana, mas o dia de hoje. – a bruxa franze o nariz, observando que Anna agora abraçava as pernas dobradas em frente do corpo. Como sua cama ficava do lado da dela, Rosemarie se senta de frente para a ruiva. – Eu me desentendi com o Walden. De novo. – revela, suspirando e revirando os olhos em seguida. Era sempre a mesma história, eles se encontravam, ele abria a boca e ela se irritava. A loira nem sabia dizer direito porque perdia tanto o temperamento quando estava perto dele, provavelmente era culpa da presunção do rapaz e do fato de parecer que ele mexia com ela propositalmente. – Você também está chateada... o que aconteceu? Quer conversar sobre isso?
A pergunta é feita com Rose olhando a ruivinha nos olhos e também com um toque de preocupação em sua expressão delicada. Inclinando o corpo pra frente e levando as mãos até os pés, a jovem Zimmer tira os sapatos que usava, apenas os empurrando para fora. Feito isso, ela repete o gesto de Anna e suspende as pernas para cima da cama, porém, não as abraça, mas sim tira as meias que usava, deixando-as cair no chão em seguida. Agora sentada de indiozinho, Rosemarie destina toda sua atenção à amiga. Era muito melhor preocupara com ela do que consigo própria, tanto para ajudá-la no que pudesse quanto para esquecer de seus próprios problemas.
Let’s pause || Rosemarie & Amelia
Aquele fora um longo dia e Rosemarie estava cansada. Mas não era só isso que estava a deixando mais quieta que o costume naquele dia. Havia visto no Profeta Diário um anúncio de um evento beneficente que sua família, os Zimmer, iria promover naquele fim de semana. Ninguém se incomodara em avisá-la sobre isso ou em ao menos convidá-la. Mais do que nunca, a garota era isolada da família, que parecia vê-la como um estorvo.
Não era como se a loira fizesse questão de participar do evento, pois Rose sabia que tudo aquilo não passava de mera encenação dos pais, que na verdade não se importavam com nada além de si mesmos e da soberania dos purebloods. Porém, ter um pouco de atenção ou a mínima indicação de que eles se importavam com ela faria a menina se sentir menos indesejada. Mas não era essa a realidade e, por mais que Rosemarie já estivesse acostumada com a situação, às vezes isso a incomodava.
Quando chega o fim das aulas, tudo que ela queria era estar na companhia de amigos para poder relaxar um pouco. O problema é que Rose não tinha tantos amigos assim e os que tinha eram muito mais extrovertidos do que ela, que sempre foi muito tímida e reservada. Por isso que, durante o jantar, enquanto come em silêncio e fica mais na sua, a loirinha observa a conversa alheia, sem ter a capacidade ou a coragem de entrosar. Isso chega até ser engraçado, se considerar que em seu banco, em dois lugares após o seu, estava Amelia Bones, uma de suas melhores amigas. Ao contrário de Rosemarie, a morena era extremamente sociável e cheia de amigos. Mesmo assim, como de costume, a loirinha se sentia deslocada.
I need a break || Rosemarie & Rupert
O modo como ela era doce e animada fazia o professor rir. Não rir dela, e sim admirar o modo como ela gostava da criatura. Adorava ver a paixão, principalmente quando era uma que ele compartilhava. Colocou as mãos nos bolsos, observando como o hipogrifo rapidamente repetia o movimento da menina. Quase o surpreendeu como o seu amigo não hesitou, não bufou, nem nenhum de seus comportamentos típicos quando em frente a estranhos. Realmente, ela deveria ter a melhor das intenções.
Se aproximou quando Loki voltou a levantar-se, observando o brilhinhos em seus olhos claros quando estendeu a mão para tocá-lo. A criatura balançou as penas com o carinho, chegando mais perto da menina ao ouvir o elogio. Realmente, era metido e um pouco narcisista. Amava ser elogiado, e qualquer um podia ganhar seu coração quando inflava seu ego. Achava curioso como um animal poderia ter tanta personalidade, ser quase racional. Essa era uma das muitas razões pelas quais havia seguido esse ramo, pois cada criatura instigava sua curiosidade de um modo diferente. E, em sua opinião, não existia melhor incentivo que a novidade.
Assentiu com a cabeça, pousando a mão nas costas do hipogrifo - Que nem o Deus nórdico - olhou nos olhos acinzentados que o encaravam de canto, rindo - O traidor - o provocou, enfiando os dedos na divisão entre seu pelo e suas penas.
- Eu gosto muito de mitologia em geral, mas os nórdicos me interessam com o modo que eles são primitivos e cruéis - disse, se perdendo em suas próprias palavras. Balançou a cabeça, voltando a olhar para a aluna - Perdão, eu fugi do assunto. -
Quando se aproximou do hipogrifo, esticando a mão até a face dele, Rosemarie viu com alegria a criatura recebê-la bem. Ele balançou as penas com o carinho e chegou mais perto, resultando em um sorriso ainda maior da loira. Da mesma forma que gostava de animais, eles também pareciam gostar dela, até mesmo os mais ariscos. Era o caso de Felix, seu gato escuro como a noite, que parecia não se interessar em ninguém além dela; havia vezes que ele podia até mesmo ficar irritadiço com as pessoas.
- Mitologia nórdica? – a loira faz uma nova pergunta, após ter uma resposta para o questionamento do nome hipogrifo. Ela não cessara o carinho que fazia em Loki, mas desviara o olhar para o professor, enquanto escutava ele contar que gostava do assunto. – Não há problema. – Rose se apressa em dizer, quando ele se desculpa por fugir do assunto. – Gosto muito de mitologia, apesar de conhecer apenas a grega.
Esse conhecer devia ser interpretado de forma relativa, já que não era como se a bruxa entendesse muito sobre o tema. Já lera alguns livros e sua avó já havia lhe contado sobre os deuses gregos quando ela era menor, afinal, foi Lana a responsável pela criação de Rosemarie em sua infância. Como se vê, a velha Zimmer tivera o mínimo de senso de fazer algo útil para a neta, além de diminuí-la e castigá-la. Era nisso que a garota pensava no momento, o que não era algo muito bom, por isso ela empurra as memórias para o fundo da mente e volta a focar o hipogrifo a sua frente. Fora atrás de uma folga para relaxar e não para pensar em coisa ruim, era o motivo de ter pedido para ver Loki.
I need a break || Rosemarie & Rupert
- Bom, eu vou deixar suas intenções para ele julgar - disse, com um tom brincalhão e um claro riso na voz, se afastando em passos largos. Se curvou um pouco para entrar pela porta aberta da casinha, o chão coberto de grama e o teto triangular sempre o fazendo sentir-se em casa. Agachou ao lado de Loki, de modo que seus olhos estivessem na altura dos dele, e suavemente acariciou suas penas, para o acordar de seu sono profundo. O hipogrifo negro abriu os olhos cinzentos, abrindo o bico laranja para cutucar o ombro de Rupert. Não com a intenção de o machucar, apenas reclamar de ter sido acordado, como uma criança que resmunga e volta a dormir. Passou os dedos pelas pontas brancas de suas penas pretas, como um pedido para ele abrir os olhos de novo.
- Bora, Loki, tem uma pessoa lá fora que quer te ver - e, como se tivesse entrado em contato com fogo, o animal de alarmou, levantando-se e balançando o corpo para sacudir a grama que havia grudado em seu pelo. O humano também se levantou, abaixando em uma breve reverência, apenas para não perder o costume. Se a criatura pudesse sorrir em sarcasmo, provavelmente era isso que estaria fazendo agora, com o que suas pupilas se tornaram menores e ele soltara um bufo de satisfação. Após Loki se abaixar brevemente, continuou a o olhar, como se o perguntando onde estava essa tal pessoa que incomodou seu cochilo da tarde. Saindo primeiro da casinha e abrindo caminho para o hipogrifo, Rupert elevou a voz para avisar sua aluna.
- Eu estou quase aí! - falou, a criatura o encarando com interesse. Você realmente acha que eu vou arrancar a cabeça dessa humana? ele quase podia ver o pensamento escrito no rosto estranhamente expressivo de Loki, acariciando seu pescoço enquanto ria.
- Sim, eu acho -
Com um leve sorriso nos lábios e uma expressão de ansiedade, como quem está prestes a ganhar um presente de aniversário, Rosemarie acompanha com o olhar seu professor se afastar dali em direção a casa do hipogrifo. Quando ele entra lá, a menina caminha até uma banco que havia sido montado dentro do cercadinho e ali coloca sua bolsa, na qual carregava seu material escolar. A intenção de Rose era ficar com as mãos livros para poder acariciar a criatura mágica.
Novamente na posição anterior, a loira vê Rupert voltar a surgir em seu campo de visão. Seguindo ele estava o seu belo hiprogifo, que se chamava Loki, pelo que o homem dissera em certa aula. Os olhos de Rose chegam a brilhar ao ver aquele animal vir em sua direção, enquanto uma expressão de admiração tomava sua expressão. O hiprogifo era lindo e majestoso, dono de um trotar elegante.
- Ok. – Rosemarie responde as palavras do professor, desviando o olhar para este apenas por um segundo. No momento seguinte ela já voltava a focar Loki, atraída pela beleza dele e também pela fofura. Para a loira, todos os animais e criaturas eram fofas e lindas, até mesmo os testrálios; havia algo de atraente na obscuridade desses seres que sempre encantara Rose. – Posso me aproximar agora, professor?
Após ter a anuência de Rupert, a menina direciona toda sua atenção para o hipogrifo a sua frente, que ainda estava alguns poucos metros de distância. Sem tirar o sorriso dos lábios, que no momento era singelo, Rose leva uma mão até a altura do estômago e faz uma reverência para Loki. A bruxinha era um tanto quanto desajeita, mas manejou de fazer aquele gesto sair gracioso. Sem quebrar o contato visual com a criatura, ela vê o hipogrifo retribuir o gesto dela, indicando que era seguro a aproximação.
- Que menino lindo esse. – a voz da garota é doce enquanto diz tais palavras. Já se aproximava do hipogrifo, esticando a mão com cuidado para a face dele. Tocando-lhe as penas delicadamente, em um carinho, Rosemarie direciona o olhar para o professor e lhe questiona: – O nome dele é Loki, certo? – tinha quase certeza que a resposta seria positiva, porém, assim mesmo questiona por questão de segurança. Sentia que o animal não ficaria feliz de ser chamado pelo nome errado.
It’s never late for a good conversation || Rosemarie & Anna
Apesar da responsabilidade e da tarefa difícil que era para alguém de personalidade tímida, Rosemarie gostava de ser Monitora. Até aquele momento, exercia a função com cuidado e afinco, gostando de zelar pelo cumprimento das regras de Hogwarts. Alguns podiam chamá-la de careta, mas a garota era comportada e sempre fora obediente aos funcionários do colégio, assim como aos outros monitores. Já desagrada as figuras de autoridade dentro de casa, não pretendia fazer o mesmo dentro de Hogwarts.
Entretanto, naquele dia, após finalizar suas atividades como Monitora, a loira estava irritada. Usualmente, o sentimento ao fim do dia era de dever cumprido, mas não era esse o caso no momento. No fim da tarde, pouco antes do jantar se iniciar, Rose havia se desentendido com um de seus colegas de Monitoria. Walden Macnair, do 7th year, uma das poucas pessoas capazes de tirá-la do sério. Era por isso que tudo que a jovem Zimmer queria no momento era subir para seu quarto e ter um momento de paz, onde pudesse espairecer e se acalmar. Não gostava de ficar com emoções agitadas, tentando ao máximo sempre ser uma pessoa controlada.
- Oh, Anna! Não achei que você estaria aqui. – a loira comenta logo que entra em seu quarto e avista sua amiga ruiva no recinto. Lex não estava lá no momento, o que não é exatamente incomum. Com um suspiro, depois de fechar a porta no trinco, Rosemarie adentra mais o dormitório, a caminho de sua cama, e começa a tirar a capa com o emblema de sua casa. – Ainda bem que hoje é sexta-feira. Essa semana já deu o que tinha que dar. – o tom usualmente doce dela agora estava levemente amargo, ao passo que uma caretinha se esboça em seus traços delicados.
I need a break || Rosemarie & Rupert
Quem conhecia Rupert sabia que ele andava muito feliz. A triste verdade, porém, era que quase ninguém conhecia o bruxo, e o que tinha de mais próximo eram seus alunos. Uma, em particular. Mas fora esse caso, suas aulas sempre mostravam seu lado otimista e animado, pois estava fazendo o que amava. Ele era reconhecido por seu sorriso enorme e o seu juntar de mãos toda vez que ele ficava muito empolgado com alguma matéria. Nas últimas semanas, isso apenas aumentara, suas aulas se tornando cada vez mais divertidas e chamando um pouco mais de atenção do que normalmente chamaria. Ninguém se importava muito com a sua matéria, e era compreensível. As pessoas não queriam lidar com animais, ao ar livre, aprendendo sobre essas criaturas. Eles queriam ser do ministério, duelar, serem famosos ou poderosos. Fazia sentido, o adulto não os culpava, mas realmente gostava quando alguém se interessava no que ele tinha para ensinar.
E, no tópico de interesse sobre criaturas mágicas, que nós chegamos no acontecimento dessa tarde. As flores de primavera se encolhiam abaixo da camada de neve que começava a diminuir, o inverno pouco a pouco dissipando, por mais que suas botas ainda afundassem enquanto andava. O sol espiava a floresta proibida por entre as nuvens, alguns raios tímidos escapando por entre as folhas e aquecendo levemente as costas largas do professor, que se inclinava sobre sua mochila de um pano bege e desgastado, arrumando as coisas da sua última aula, com o que ela havia chegado ao fim. Era um fim de tarde calmo, um pouco mais claro que os dias anteriores a esse. Todos usavam casacos um pouco mais leves que os que estavam usando antes, o próprio moreno com apenas uma jaqueta pesada, marrom e de couro por cima da camisa branca. Ele assobiava uma canção qualquer de um trouxa qualquer, que havia sido obrigado por Lex a escutar por aqueles fones esquisitos que ela enfiava nas orelhas, e o forçou a enfiar nas dele. Era incrivelmente fofo como ela conseguia ser madura sem perder o seu brilho de criança, ser séria sem deixar de ser divertida. Ela era o perfeito balanço entre leveza e seriedade, o perfeito equilíbrio para ele. Riu sob sua respiração, uma nuvem translúcida saindo de sua boca por causa do frio.
Estava prestes a jogar a mochila nas costas quando uma voz o pegou de surpresa. Ele não havia reconhecido o timbre, mas reconhecera o rosto quando girou em seus calcanhares para a encarar. Era uma de suas alunas, uma das únicas que o olhava com interesse durante as aulas, sorrindo, se alarmando com as criaturas grandes que ele mostrava, anotando várias coisas que ele falava. Ela era impressionante na matéria, um real talento. Nunca haviam se falado, porém, fora algumas perguntas soltas que ela fizera em uma aula ou outra. A loira o encarava em silêncio, só então o adulto percebendo que ela lhe fizera uma pergunta.
- Senhorita Zimmer, certo? - perguntou, se curvando um pouco e soltando um estalo com a sua bochecha. Olhou para a casa de Loki, onde ele dormia sonoramente, apenas suas patas traseiras visíveis de onde ele estava. Pensou um pouco, tinha medo do qual mal humorado ele poderia ser quando acordado. Mexeu a cabeça de um lado para o outro, pensativo por um momento, antes de assentir - Claro! Por que não - bateu uma mão contra a outra, dando um sorriso caloroso a ela - Fique aqui que eu já volto com ele. Lembra de tudo que eu disse na aula? - ele sabia que ela se lembraria, mas apenas queria ter certeza. Ele não precisava de outro motivo para ser mandado para azkaban.
Zimmer era uma boa aluna e, por ser estudiosa e esforçada, mesmo não obtendo o status de melhor da turma, se notava por seu afinco perante os professores. Quando se tratava de Trato das Criaturas Mágicas, entretanto, a situação mudava um pouco de figura. Rosemarie realmente era boa naquela matéria, anotava tudo que o professor dizia, lia vários livros daquela área e era uma aluna ativa na aula, fazendo perguntas e sempre buscando aprender o máximo que podia com o professor Prewett.
Tomada pelo interesse por criaturas mágicas e também pela necessidade de fazer algo que a deixaria feliz, Rose interpelou o professor e pediu para poder ver o hipogrifo que pertencia a ele. Na verdade, entre as várias criaturas que existiam estes eram um dos que mais agradavam a loira. Ela achava os hipogrifos elegantes e inteligentes, sem contar que adorava a forma como eles eram capazes de reconhecer quando as pessoas tinham boas intenções. Um dos sonhos de Rosemarie era poder criar um desses, tinha certeza que o faria bem, pois o encheria de amor como sempre fazia com os animais que tivera. Só era uma pena que seus pais nunca permitiriam que a filha tivesse bichinhos de estimação. Mataram os que ela teve no passado e não tinham conhecimento do gato que agora pertencia à garota.
- Sim, senhor. – a menina responde, após alguns segundos sendo encarada por Rupert. Ele devia estar distraído e, por isso, se surpreendeu com a presença dela. Rose aguarda na expectativa por uma resposta ao seu pedido. Esperava que o homem não achasse ruim e que ela fosse inoportuna, pois era isso que algum outro professor menos amigável acharia, ainda mais que o horário de aula havia acabado.
O professor parece pensativo com o pedido lhe feito e Rosemarie observa quando ele olha na direção da casa do hipogrifo. O olhar dela observava o mesmo que ele, isto é, patas traseiras da criatura que eram visíveis de onde estavam. A resposta veio poucos segundos depois, acompanhada de uma bater de mãos e um sorriso caloroso.
- Oba! – agora era a vez de Rose exibir um sorriso largo e alegre por ter a anuência do professor. – Lembro sim, professor. Devo manter contato visual com ele e devo fazer uma reverência, demonstrando que eu tenho boas intenções. – sentindo um pouquinho de liberdade naquele momento, a loira emenda em tom divertido: – E pode ter certeza que tenho apenas boas intenções, professor. Amo hipogrifos.
Starting all over again || Rosemarie & Walden
A noite encontrava-se calma, até o momento em questão que Macnair encarava os corredores gélidos e vazios. Não tinha visto nenhum estudante aventurando-se, o que fez com que o sonserino ficasse mais aliviado. Não que ele não gostasse de tirar sarro ou até mesmo de ralhar com outro colega de castelo, dependendo da casa que pertencesse. No entanto, as chances de existir alguém de outra casa andando tão longe, por assim dizer pelas Masmorras. Era ao menos o que a mente do sonserino julgava ser plausível, no entanto viu-se enganado na perspectiva quando ouviu um ruído vindo de outro corredor.
Não pensou em iluminar o caminho, pelo motivo de não chamar atenção ou até mesmo incomodar os poucos quadros pendurados na parede do local. Talvez estivesse dentro de uma pista de um aluno desavisado, então com toda a cautela para não elevar o barulho dos passos que poderiam ecoar pelo corredor. Na verdade, nem tinha a varinha em mãos. Não imaginava motivos para utilizá-la, até porque somente pela a presença do sonserino já era o bastante intimidadora para outros alunos. A voz indicava que era uma aluna, que se aventurava pelos corredores.
Continuou o percurso no encalço da jovem, até finalmente se fazer presente diante a outra. Iluminou o ambiente com a ponta da varinha seguindo passos vagarosos, até que desse de encontro com a loira no caminho. Ele a conhecia tinha sido parte de alguns anos da infância do loiro. — Está um pouco tarde para perambular pelos corredores. Mas, isso não parece ter muita importância para você, não é mesmo Zimmer? — Disse calmamente enquanto um pequeno sorriso alargava pelo rosto de Macnair. — Qual é a sua explicação? Vamos, eu não quero ter que lhe dar detenção sem nem ao menos saber por que está tão longe. Sentiu saudades? — Perguntou em um tom levemente debochado de acordo com o que falava.
Já havia alguns minutos que Rose estava naquela busca inútil. Era tolice pensar que tinha alguma chance de encontrar seu gato durante à noite, após o horário de recolher, e por corredores que ela não tinha muito costume de passar. Seria muito melhor deixar a preocupação de lado, voltar para seu quarto e aguardar que Felix aparecesse no dia seguinte. Gatos eram assim, não é mesmo? Sempre conheciam o caminho de casa e voltavam para seus donos.
Rosemarie estava para desistir de procurar pelo felino quando vê uma sombra se mover poucos metros a sua frente. Ela é tomada pela surpresa, o que em conjunto com o temor de ser pega por algum funcionário do colégio, a faz reagir num susto. Uma mão de Rose vai até a boca, para abafar um gritinho feminino de surpresa e a outra que segurava a varinha se afrouxa, de forma que o objeto mágico cai no chão em um baque surdo, levando a ponta da varinha a se apagar. Tudo acontece muito rápido, pois, no instante seguinte, a sombra a sua frente é revelada pela iluminação de outra varinha. Walden Macnair. O sonserino que, quando mais novo, fizera parte da infância da loira.
Comprimindo os lábios e escutando as palavras dele, a garota se abaixa para pegar a própria varinha que caíra. Ótimo, de todo mundo que podia pegá-la naquela situação tinha que ser logo o rapaz que costumava mexer com o temperamento dócil dela. Erguendo o corpo, agora com a varinha em mãos, Rosemarie direciona o olhar para o loiro. Ela era uma garota alta, mas perto Walden ela precisava elevar a face para poder visualizá-lo melhor. Isso sempre a impressionava, já que não imaginava que ele fosse ficar tão alto.
- Saudades? – Rose repete, sentindo suas bochechas arderem, um sinal de que elas deviam ter corado com a insinuação dele. – De quem? Porque de você não é. – a resposta é um tanto quanto brusca, ao passo que a voz da garota indicava um toque de irritação. Walden sempre a provocava e ela sempre caia como um patinho, deixando-se levar pelas palavras dele. Era incrível como ele era capaz de tirá-la do sério. – E você não pode me dar detenção. Se está tarde para eu perambular pelos corredores, também está para você. – o tom de Rosemarie é petulante ao dizer aquilo; seus braços agora estavam cruzados e sua expressão era de desafio.
I need a break || Rosemarie & Rupert
Aquela havia sido uma semana barra na escola. Rose teve testes surpresas e trabalhos difíceis que a obrigaram usar muito do seu tempo livre em estudos, inclusive o fim de semana. Juntava com isso a tarefa de Monitora do 6th year, que a loira ainda estava se acostumando. Era muita responsabilidade e ela precisava adequar sua personalidade tímida com uma mais profissional, afinal, tinha que impor uma certa autoridade perante os outros alunos. Até o momento estava dando certo, mas definitivamente não era fácil, afinal, tinha que superar o próprio jeito reservado para tal tarefa.
Era por isso que, no fim daquela sexta-feira, ela decidiu ir atrás de algo que pudesse distraí-la e diverti-la. Decidiu caminhar pelo campus e passar um tempo ao ar livre, por isso, naquele momento, ela andava no lado externo do castelo e cantarolava baixinho uma música. O humor dela já estava melhorando só de poder ficar a esmo e sem preocupações. Quando se deu por si, já estava próxima da Floresta. Era logo no início desta que aconteciam as aulas da matéria favorita de Rose: Trato das Criaturas Mágicas. Rupert Prewett era o professor dessa matéria e alguém que a loira admirava, afinal, ela sempre teve um apreço maior por pessoas que, como ela, gostavam de animais e criaturas mágicas.
- Oh... – a jovem exclama baixinho e para si mesma, quando avista o professor alguns metros adiante. Ele estava dentro do cercadinho circular onde lecionava e, considerando que fazia pouco tempo que as aulas do dia acabaram, parecia estar arrumando o local. Pensando nos animais que pertenciam ao professor e como muitos deles a deixavam feliz, Rosemarie se aproxima de onde o homem está. – Professor Prewett? – ela chama, em tom educado, logo que se encontra no campo de visão dele. – Olá! Estava pensando... se não for um incômodo, será que eu poderia ver o seu hipogrifo? – apesar do jeito mais quietinho que tinha, geralmente, quando havia algo que queria ou desejava fazer, Rose costumava ser mais direta. Era isso que acontecia no momento, deixou de lado a timidez para buscar a folga e a diversão que gostaria de ter naquele fim de dia.