TO DE OLHO NESSA POUCA VERGONHA
Pouca vergonha? Não sei do que está falando.

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TO DE OLHO NESSA POUCA VERGONHA
Pouca vergonha? Não sei do que está falando.
Starting all over again || Rosemarie & Walden
Já havia alguns minutos que Rose estava naquela busca inútil. Era tolice pensar que tinha alguma chance de encontrar seu gato durante à noite, após o horário de recolher, e por corredores que ela não tinha muito costume de passar. Seria muito melhor deixar a preocupação de lado, voltar para seu quarto e aguardar que Felix aparecesse no dia seguinte. Gatos eram assim, não é mesmo? Sempre conheciam o caminho de casa e voltavam para seus donos.
Rosemarie estava para desistir de procurar pelo felino quando vê uma sombra se mover poucos metros a sua frente. Ela é tomada pela surpresa, o que em conjunto com o temor de ser pega por algum funcionário do colégio, a faz reagir num susto. Uma mão de Rose vai até a boca, para abafar um gritinho feminino de surpresa e a outra que segurava a varinha se afrouxa, de forma que o objeto mágico cai no chão em um baque surdo, levando a ponta da varinha a se apagar. Tudo acontece muito rápido, pois, no instante seguinte, a sombra a sua frente é revelada pela iluminação de outra varinha. Walden Macnair. O sonserino que, quando mais novo, fizera parte da infância da loira.
Comprimindo os lábios e escutando as palavras dele, a garota se abaixa para pegar a própria varinha que caíra. Ótimo, de todo mundo que podia pegá-la naquela situação tinha que ser logo o rapaz que costumava mexer com o temperamento dócil dela. Erguendo o corpo, agora com a varinha em mãos, Rosemarie direciona o olhar para o loiro. Ela era uma garota alta, mas perto Walden ela precisava elevar a face para poder visualizá-lo melhor. Isso sempre a impressionava, já que não imaginava que ele fosse ficar tão alto.
- Saudades? – Rose repete, sentindo suas bochechas arderem, um sinal de que elas deviam ter corado com a insinuação dele. – De quem? Porque de você não é. – a resposta é um tanto quanto brusca, ao passo que a voz da garota indicava um toque de irritação. Walden sempre a provocava e ela sempre caia como um patinho, deixando-se levar pelas palavras dele. Era incrível como ele era capaz de tirá-la do sério. – E você não pode me dar detenção. Se está tarde para eu perambular pelos corredores, também está para você. – o tom de Rosemarie é petulante ao dizer aquilo; seus braços agora estavam cruzados e sua expressão era de desafio.
— Desculpa se te assustei, little girl. — Disse quando notou a expressão estampada no rosto da loira. Depois de anos, Walden continuava com o mesmo hábito de ser presunçoso em horas indevidas. E talvez aquela fosse uma delas, contudo não deixou que o sorriso zombeteiro abandonasse o rosto dele. — Sim, saudades. — Falou sem tomar uma maior pausa para a sentença seguinte. — Sentimento de nostalgia, o que lembra os velhos tempos. Sabe o que significa, presumo ao menos. — Explicou abaixando a varinha para que a luminosidade não atingisse por completo o rosto da loira. Uma quase preocupação dele, mesmo que não tivesse nada que fosse mais do que instintivo.
Ela estava irritava com ele, restava saber por qual motivo. Ou no caso de Macnair, poderia dizer que o somatório de todos em questão bastariam para demonstrar a falta de paciência de Zimmer consigo. Ainda que, o rosto com um toque levemente rosado implicasse em outros pensamentos na visão do sonserino. Não estava tão alheia a situação como gostaria ou tentava demonstrar com a dureza nas palavras que jogava contra o loiro. — De mim, obviamente. Não acredito que tenha sentido falta do Barão Sangrento, por exemplo. — Sacolejou o ombro de forma displicente se atendo as palavras que dançam em um tom um pouco mais alto do que um sussurro pelo corredor, que parecia ecoar mais alto da forma que se propagava pelo ambiente.
Arqueou a sobrancelha observando a posição em que se encontrava a lufana, os braços cruzados tinha uma mensagem clara para que o sonserino não devesse dar sequer dar um passo em direção a ela. Assim como, era visível o desafio em que ela se apoiava pelo tom de voz usado tentando não ser diminuída por ele, além da diferença de altura. — Você está longe dos seus domínios, Zimmer. Não deveria me tratar desse jeito. Eu sou monitor, e você além da fronteira a qual deveria estar. Tem certeza que eu sairia perdendo? — Questionou dando um passo a frente, ignorando toda a prepotência da garota.
[Flashback] Something to talk about — Selwyn & Macnair
Respeito sobre o que pensava quase sempre não correspondia bem sobre a situação atual de Macnair. O rapaz tinha passado grande parte da noite ouvindo os diálogos mais chatos possíveis sobre os negócios da família. Sebastian — pai de Walden — o tinha levado para dialogar — melhor dizendo, assistir o momento em silêncio — sobre como eram os lucros da empresa que dividia com irmão gêmeo. Macnair limitava-se a carregar um copo de firewhiskey por todo canto, enquanto sorvia goles generosos da bebida âmbar observando o quanto era cansativo prestar atenção nos números e estatísticas.
Quando finalmente conseguiu se livrar das milhares de conversas monótonas, perambulou um pouco pela mansão dos Nott. Tinha outras pessoas conhecidas, as quais Walden não fazia a mínima questão de perder um tempo maior. Ainda mais, se fosse para continuar a desperdiçar tempo com palavras banais. Os movimentos geralmente articulados do loiro, já pareciam um pouco atrapalhados ou não tão coordenados como deveriam ser. A resposta estava clara para qualquer um, que o álcool corria pelo sangue do sonserino. Os passos vacilantes e decididos tomavam um rumo. A percepção nem toda estava afetada, e em partes impulsionava Walden caminhar entre alguns convidados até que alguém lhe chamasse atenção.
As coisas seriam mais fáceis caso a prima estivesse no local, com ela ele nunca via nada por outra perspectiva diferente. Continuou embalado pelas vozes sussurradas ao ambiente, quando avistou uma cabeleira loira e de longe enxergou de relance o rosto de uma mulher. Decidiu que pela noite não iria muito longe, e atravessou parte do local desviando de algumas pessoas, até chegar próximo a ela. Contudo, fora atrapalhado pelos próprios passos e traído pelo equilíbrio. A jovem que estava de costas para ele, deveria soltar algo nada agradável pelo pequeno baque do corpo de Macnair nele. E muito menos pelo atrevimento de segura-la na altura do abdômen em questão de reflexo. — Perdão. — Pediu sem maiores delongas, não retirando a mão, enquanto a outra segurava mais baixo o copo pela metade.
Starting all over again || Rosemarie & Walden
Estava tarde e o toque de recolher já passara fazia alguns minutos. Rose olha o relógio analógico em seu pulso, com um olhar ansioso, e comprime os lábios; por mais que fosse Monitora e tivesse uma certa liberdade, não gostava de abusar das regras. Estas foram feitas para serem cumpridas, era o que ela acreditava e costumava dizer para seus colegas, quando estava no papel de pessoa de responsabilidade. Mas aquela não era uma situação qualquer, Rosemarie realmente tinha motivos para estar fora da cama nquela hora da noite. Ou melhor, um motivo, cujo nome era Felix.
- Droga. – ela pragueja baixinho, andando de forma mais silenciosa possível pelos corredores de Hogwarts e erguendo um pouco mais sua varinha, que tinha a ponta iluminada por um feitiço. Diminuindo ainda mais a voz, Rose chama pelo seu gato: – Felix! – nenhuma resposta como esperado. Do jeito que sussurrava, nem mesmo alguém que estivesse ao lado dela escutaria a voz suave dela. A loira tinha ciência que aquela era uma tarefa quase impossível de se realizar, isto é, procurar pelo felino tarde da noite, mas ainda sim tinha que tentar.
Felix estava com a garota desde que ela visitou Hogsmeade pela primeira vez. Ela o havia encontrado escondido embaixo de uma árvore, abandonado e com fome. Rosemarie não hesitou em pegá-lo para si e de cuidar do pequenino, que pareceu gostar dela quanto ela gostara dele. Muitos a questionaram por pegar um animal agourento como aquele, uma vez que Felix era negro como a noite e irritadiço com todos, exceto a dona. Como justificar a amor por animais? Depois que sua avó Lana matou todos os bichinhos de estimação que ela teve, Rose não tivera a permissão para ter outros animais. Assim, Felix estava com ela em segredo, o que dava um gostinho ainda melhor de ter o bichano. Não que a moça fosse admitir que o ato, mesmo que simples, lhe soava como rebeldia.
A loirinha conhecia bem seu gato e sabia como ele costumava passar a maior parte do tempo, quando não estava com ela, circulando pelas masmorras. Para Rosemarie, ele apenas gostava de lugares altos. É por isso que a jovem se encaminhava naquela direção, sentindo a apreensão crescer dentro de si à medida que se aproximava do local. Podia ser pega a qualquer segundo, especialmente porque os minutos se passavam cada vez mais. O que iria dizer se algum adulto a visse andando pelos corredores após o horário de recolher? Que seu gato sumiu e isso era estranho, porque ele sempre dormia com ela? Rose podia ser boazinha, mas não era idiota, sabia que aquela justificativa não era boa o suficiente para evitar uma penalização. Mesmo sabendo disso, a jovem não conseguia lutar contra a preocupação que sentia com seu gato de estimação. E se algo tivesse acontecido?
A noite encontrava-se calma, até o momento em questão que Macnair encarava os corredores gélidos e vazios. Não tinha visto nenhum estudante aventurando-se, o que fez com que o sonserino ficasse mais aliviado. Não que ele não gostasse de tirar sarro ou até mesmo de ralhar com outro colega de castelo, dependendo da casa que pertencesse. No entanto, as chances de existir alguém de outra casa andando tão longe, por assim dizer pelas Masmorras. Era ao menos o que a mente do sonserino julgava ser plausível, no entanto viu-se enganado na perspectiva quando ouviu um ruído vindo de outro corredor.
Não pensou em iluminar o caminho, pelo motivo de não chamar atenção ou até mesmo incomodar os poucos quadros pendurados na parede do local. Talvez estivesse dentro de uma pista de um aluno desavisado, então com toda a cautela para não elevar o barulho dos passos que poderiam ecoar pelo corredor. Na verdade, nem tinha a varinha em mãos. Não imaginava motivos para utilizá-la, até porque somente pela a presença do sonserino já era o bastante intimidadora para outros alunos. A voz indicava que era uma aluna, que se aventurava pelos corredores.
Continuou o percurso no encalço da jovem, até finalmente se fazer presente diante a outra. Iluminou o ambiente com a ponta da varinha seguindo passos vagarosos, até que desse de encontro com a loira no caminho. Ele a conhecia tinha sido parte de alguns anos da infância do loiro. — Está um pouco tarde para perambular pelos corredores. Mas, isso não parece ter muita importância para você, não é mesmo Zimmer? — Disse calmamente enquanto um pequeno sorriso alargava pelo rosto de Macnair. — Qual é a sua explicação? Vamos, eu não quero ter que lhe dar detenção sem nem ao menos saber por que está tão longe. Sentiu saudades? — Perguntou em um tom levemente debochado de acordo com o que falava.
[Flashback] Particles that burn it all because they aim for each other — The Macnairs.
O tagarelar de Walden não costumava ter o efeito irritante que estava tendo naquele momento em Morgaine. Uma palavra a mais vinda do rapaz poderia despertar uma ira há muito tempo não vista da slytherin de cabelos negros. Ainda mais quando o objetivo do primo mostrava-se tão claro a cada cuspir de palavras; ele desejava lhe insultar, como se os dezessete anos que se conheciam não fossem suficientes para que soubesse que Morgaine não tolerava aquele tom de voz. Se não admirasse as formas do rosto de Walden, sem a menor sombra de dúvidas, teria atirado o cigarro aceso na cara branca do outro, com a exata finalidade de marcar-lhe a face.
Havia desistido de argumentá-lo novamente, tamanha sua impaciência com o ente. Dar-lhe as costas, sem uma resposta devida, continuando seu caminho ao dormitório pareceu a melhor saída quando o garoto insistia em lhe atirar os deboches um atrás do outro. Porém, Morgaine não contava que, antes mesmo de conseguir se dissipar da zona de alcance de Walden, o deixando sozinho no corredor escuro, seu pulso foi tomado, a atenção da setimanista voltando-se novamente à figura mais alta. Aquele era um contato completamente diferente do que ela esperava, de um todo surpreendente, ela tinha de admitir. O olhar decaiu sobre a mão do primo envolto do seu pulso, ainda relutante em se soltar. E por um segundo, Morgaine sentiu os batimentos cardíacos desacelerem, e a vontade automática de sua personalidade explosiva de trotar Walden de sua frente desapareceu, sendo tomado uma não tão nova vontade de tocá-lo. Mais. — Às vezes você fala demais. — A voz feminina voltou a ecoar no corredor, mas os movimentos dos lábios de Morgaine vieram juntos de um empurrão contra Walden na solidez em suas costas. Ela era muitos palmos mais baixa que o primo, muito mais fraca também. No entanto ele pareceu corresponder ao que ela queria com tamanha maestria. Seu pulso conseguiu se soltar da mão do primo, agora ambas as mãos livres para alcançar o rosto ao alto e trazer-lhe até onde pudesse encostar seus lábios nos dele.
Mesmo com toda a sequência de palavras que poderiam ter sido caladas, e nem ao menos proferidas por ele a morena foi embora. Ela tinha a intenção de fazê-lo, contudo o pequeno estalo dentro de si faz com que segurasse o pulso de Morgaine. Merlin sabia o quanto idiota poderia ser cego por todos os pensamentos atordoados que lhe invadiam, já que na verdade era incapaz de lidar com a independência da prima. Nunca fora e provavelmente nunca seria, pois a morena não fazia o tipo de garota fácil de manipular. As cartas estavam em jogo, e ele tinha dado a cartada que antecedia o fim do jogo. Ou o começo deste, não saberia definir bem quando escutou a frase mais óbvia que a morena poderia dizer descrevê-lo tão bem em uma simples sentença.
Ele concordou em silêncio, quando a voz de Morgaine ecoou pelo corredor deserto em sequência deixando ceder pelo empurrão dela. Sentiu as costas cederem com o baque contra parede gélida. Ele não oferecia resistência quanto a isso, pois sabia muito bem do que queriam. Ela e ele também não poderia negar para si mesmo. Não empregava mais força sobre o pulso da morena, já que parecia que não estava declinada a ir embora tão rapidamente. Este soltou-se deixando a mais baixa com as mãos livres que elevaram até que alcançassem o rosto de Macnair, o trazendo para perto de si até que os lábios encostassem nos dele.
O contato era ainda calmo, assim como os leves batimentos dentro de Macnair que aceleravam gradativamente com o contato de Morgaine. O beijo não tinha medidas urgentes até o momento, enquanto Walden escorava-se na parede deixando a prima livre no instante inicial. Antes a mão que segurava o pulso da sonserina, elevava-se em direção ao pescoço da jovem entrelaçando os dedos nas madeixas negras. Segurando-os de forma firme, sem o intuito de machuca-la. Aumentando o ritmo do beijo, pouco a pouco.
can we be friends?
I don’t have friends.
já teve a oportunidade de sentir os cheiros que uma poção do amor transmitem pra você? quais foram?
Infelizmente sim, em uma aula de Poções.
Tive a sensação de sentir cheiro de grama fresca, um perfume adocicado e o cheiro de quando uma vela está queimando. Não que isso vá mudar a vida de alguém…
[Halloween Party] Your black heart is on fire but you're cold to the touch — Morgaine & Walden.
Os lábios extremamente vermelhos curvaram-se em um sorriso carregado de deboche. Habituado a encontrar-lhe de outras formas, that’s right. Achava que pela mesma razão ele deveria reconhecê-la até mesmo fantasiada como aquelas mulheres do Oriente Médio, completamente coberta, da cabeça aos pés. — Por isso mesmo deveria me reconhecer. — Desta vez Morgaine virou-se para o ente ao seu lado e olhou-se displicentemente de cima a baixo, as orbes translúcidas estacionando no rosto do primo por alguns segundos. — Pensei em desistir, mas você disse que vinha… espero que não tenha combinado com outra pessoa. — Continuou a se explicar, seu tom de voz desvirtuando-se animado e tornando-se um pouco feroz nas últimas palavras. Ele não seria louco em ter marcado com outra garota, principalmente quando ela havia deixado claríssimo que atenderia ao evento de Halloween independente se era ou não comum de sua personalidade. Poderia esganar qualquer uma que se atrevesse a lhe roubar Walden naquela noite. Poderia matá-lo. A Mulher Gato se vingaria devidamente, disso ela sabia.
No mais, estava impressionada com os trajes do garoto. Uma mistura dos gêmeos Macnair, respectivos pais de Walden e Morgaine, empresários, fabricantes de móveis de especificações mágicas, grandiosamente procurados pelo público bruxo interessado em ornamentar suas salas de estar com peças únicas, sob medida, possuídas de magia negra. O primo carregava as características de ambos os irmãos, tão iguais mas ao mesmo tempo muito diferentes. Os trejeitos de mau-caratismo de seu pai, junto da seriedade com os negócios do tio. — Vejo que você veio vestido de gangster. Só faltou uma arma de fogo, se tivesse falado comigo tinha te emprestado uma das minhas. — Se fosse permitido, ela teve de se lembrar, contrariada, o foco de seu assunto com o primo tomando um rumo completamente oposto à pergunta do garoto alguns segundos atrás. Aproveitou a brecha para admirar algumas figuras que entravam no Salão Principal, colegas de Casa e pessoas que ela não desejava que lhe visse. Por isso, viu-se contornar o primo sem que deixasse perceber, atraindo a atenção do mais alto para que se afastassem da entrada principal da festa. — Respondendo sua pergunta… eu estou de Mulher Gato. — Os dizeres da garota misturaram-se com o alto volume da música, que se tornaram quase inaudíveis até mesmo para ela. Era óbvio que Walden não sabia quem era a Mulher Gato. Tampouco deveria se importar com a probabilidade dele saber; ser julgada pela fantasia e trotada da família purista era uma opção inexistente. A forma que pensava e as peças que vestia se referiam unicamente à ela, o primo não tinha qualquer efeito sob sua forma de pensar. — Mulher Gato. — Repetiu, dessa vez pode se virar para o slytherin, gesticulando com uma das mãos cobertas de couro os movimentos que ela imaginava pertencer a um gato literal. — Do you like it?
Arqueou uma das sobrancelhas no mesmo instante em que ela dissera que ele deveria saber quem era ela, não importasse as circunstâncias. — Certo, talvez você tenha alguma razão quanto à isso. — Confirmou, mesmo sabendo que a dizer tal coisa poderia ficar ouvindo pelo resto da vida que estava admitindo que ela estava certa. Recordava-se bem de outras vezes que isso tinha lhe acontecido, e não poderia dizer que eram os momentos mais felizes e de paz que poderia desfrutar com a prima. — Desistir? Sabe muito bem que não dou do tipo de cancelar idas ou vindas. Compromissos em um modo geral. Sempre honrei estes. — O tom animado em relação ao tom de voz usual da sonserina, distorceu rapidamente quando salientou a questão de não ter combinado com ninguém caso tivesse desistência de Morgaine. E ele sabia exatamente bem sobre o que ela estava se referindo, e não partiria de um modo a desafiar a morena. Este não era o objetivo, o máximo que fizera fora cumprimentar algumas colegas de casa presentes ao local. Mas, trocar a companhia da prima por alguma delas seria um deslize que ele não cometeria. Não por receio dela, e sim por uma oportunidade perdida caso fizesse isso.
— Sim. — Confirmou acenando positivamente prestando atenção nas feições da morena perto de si. Refletiu um pouco e quebrou parte da fala continua da prima. — Uma das suas? Você só tem espingardas ao que me lembro. E eles não usam esse tipo de arma de fogo. — Questionou e mesmo que fosse assim, não era permitido a entrada de tais objetos no castelo. Mesmo que considerasse outros ornamentos do castelo serem tão perigosos quanto as armas brancas que certas estátuas possuíam. Um novo movimento de Morgaine fez com que se afastasse da entrada principal, retomando a atenção do loiro quando esta voltara a falar com ele retomando o questionamento de Macnair. A princípio o nome de tal personagem o quem quer que fosse não lhe trouxe memória alguma consigo, e se tornava mais difícil assimilar os dizeres da prima em função da música alta. Viu-a gesticular e novamente repetir o nome dito anteriormente. Seja lá quem fosse era uma boa escolha, ao menos para a visão que ele tinha dela.
— Sem sombra de dúvidas. — Comentou primeiramente, retornando a fala rapidamente em questão de segundos. — Não sei se deveria deixa-la andar assim pelo castelo. — Disse em um tom leve de brincadeira em contraste com a expressão séria que mantinha. — Aliás, o que é isso na sua mão? — Perguntou um tanto curioso com o que a sonserina segurava em uma das mãos.
Scars & Stories | Lestrange and Macnair
Deveria considerar a droga, ah, se deveria! Talvez ajudasse a amenizar a pressão, ou mesmo inebriasse lembranças e pensamentos que haviam se tornado corriqueiros. Mas fumaça lhe lembrava fogo – e fogo ainda o assustava, de certo modo. Nada que diria em alto em bom som, nada que fosse deixar explicito de qualquer modo. Mas sim… Ele ainda deveria considerar o fumo – a droga ainda parecia tentadora durante os anos e quase todos em sua época pareciam adeptos. Porém Rabastan sequer havia segurado um cigarro entre os dedos, quanto mais saber o gosto. Só que o aroma tampouco lhe incomodava então por isso havia se aproximado.
— Agradeço, mas recuso. — A voz se mostrara casual, e o olhar fora do maço para o rapaz.— Embora acredite que meus pulmões já estejam negros de tanta fumaça que exalei por ai… — Logo se voltando, novamente, para paisagem que escurecia cada vez mais. Não era um critica, sequer havia dado entonação suficiente para que fosse considerado como tal. Na realidade, parecia ser um vício comum entre os adolescentes de sua época, que duvidava que os professores desconhecessem que muitos dali carregassem um maço escondido nas vestes. Não adiantava proibir. —… Aliás, não estou reclamando. — Concluíra o que havia começado. — Apenas não sou adepto. — E não era nem questão de saúde.
Por mais alguns instantes ficara em silencio, esperando qualquer comentário. Então debruçou na janela e observou os poucos alunos que corriam de volta à segurança dos muros de pedra, prontos para o toque de recolher e… Se ele próprio não se apresasse, perderia o jantar? Só que também ainda não estava interessado. Sem fome, por assim dizer: — Já notou como Hogwarts é alheia ao mundo lá fora? — Perguntou, num pensamento alto, na realidade. — Penso se é só aqui… Ou se funciona da mesma forma nas outras escolas. — Os murmúrios sobre uma possível guerra começava, e ele acompanhava no que conseguia. Acreditava que outros alunos também, talvez querendo se juntar a causa? O fato é que, as vezes, também parecia que ninguém queria falar sobre o assunto.
Macnair assentiu quando o colega de casa recusou o maço, sabia que que não eram todos os estudantes adeptos ao vício. Uns eram excessivamente dependentes da droga que emanava uma fumaça translúcida sinuosa com o contato do ar. — Como quiser. — Disse de forma normal, voltando com o maço para dentro de um dos bolsos da calça que trajava. Soltara uma mínima risada em concordância ao que Lestrange dissera, pois passava muito mais do que verdade sobre aquilo. Em função de muitos dos sonserinos, e outros pelo castelo utilizaram muito aquele artifício. Fosse para descontar a raiva ou por outro motivos, em função de relaxar mesmo. A atenção de Walden fora modificada com a questão de Rabastan voltasse para face escura do céu, pouco estrelado naquela noite.
— Não precisa se explicar, Lestrange. Eu entendi perfeitamente bem. — Falou não se importando com aquilo, mesmo que fosse uma reclamação do outro sonserino. Macnair não se importava minimamente com a situação. Afinal, estava acostumado com o desagrado de alguns que o rodeavam em função disso. — Não era adepto, mas o tempo deixou com que eu ficasse dependente. — Confessou, em grande parte tinha um exemplo bem perto de si. Ao contrário do que Walden estava acostumado, o progenitor costumava fazer o uso do tabaco. Fumando charutos importados, desde que ele tinha uma mínima ideia de existir. Talvez fosse por isso que já estivesse acostumado a exalar o cheiro do tabaco queimado. Deveras mais forte do que os efeitos da nicotina nos pulmões.
O questionamento sobressaltou o loiro, que novamente tragou o cigarro soltando aos poucos a fumaça. Enquanto deixava as palavras do colega de casa refletirem dentro de si, sobre quais visões ele estaria falando. A verdade, era que Hogwarts era apenas parte de um sociedade. Fechada onde as regras eram limitadas, ao contrário do mundo lá fora. Estavam acostumado aos limites do castelo e não com a imensidão que o mundo bruxo estava pronto para proporcionar. O que fazia com que Macnair lembrasse das viagens que fizera em torno de alguns países, tudo em torno dos negócios da família. — Lá fora é bem diferente daqui. Digo. Não estamos sempre sobre a redoma e olhares atentos dos professores. Uma realidade alternativa. Não sei bem quanto os outros institutos de ensino, mas olhando por um lado. Deve ser diferente, da educação rígida de Durmstrang.
Scars & Stories | Lestrange and Macnair
Era aquele tipo de pessoa silenciosa, que mais observava do que dizia. Não convinha dividir todos os pensamentos vez que poucos iriam fingir escutar, em menor número seria aqueles que realmente se importariam com a sua opinião, ou com qualquer opinião. Achava realmente interessante como os jovens – ele incluía-se nessa turma – não despertavam tanto interesse a certos assuntos (o futuro, principalmente). Convinha mesmo era estudar na ultima hora, no último ano, finalmente prestar atenção às matérias nos últimos meses. Afinal, eram jovens. O sentimento de eternidade e imponência pulsava. Mesmo os mais esforçados ou inteligentes, mesmo ele, que era piamente cobrado, tinha seus deslizes vez ou outra facilmente disfarçados.
De certo, às vezes sentia uma pontada de inveja de todos aqueles que não tinham um futuro traçado como a maior parte dos sangues-puros – não todos os puros, mas sua grande maioria. Aqueles podiam ser jovens inconsequentes e aproveitar toda aquela liberdade. Pensamentos como aquele, no entanto, eram perigosos. Divagar era perigoso, porque era fácil perder-se nas indagações e confirmações, e o tempo passava quando ele ainda não possuía todo o tempo do mundo. Ainda deveria ater-se a regras como retornar no horário para evitar detenções por estar fora da cama.
Se pudesse ouvir aos próprios pensamentos – e às vezes acontecia, era quando perdia-se ainda mais – estes soariam com sons dispersos, e ele os escreveria. Podia ouvir a música turbulenta que existia dentro do peito e que queria sair. Mas preferia escrever a que já estava do lado de fora, e por vezes o rabiscar da pena no pergaminho do caderno era mais interessante. Caderno este que guardar no bolso assim que havia terminado de transpassar tudo o que pensava em notas. Não era preciso que alguém entendesse.
— Um pouco alto para um slytherin, não acha? — Perguntou referindo-se a torre de Astronomia, sendo a voz era baixa naturalmente, as palavras bem articuladas, acreditava que naquele silencio não era preciso de uma tonalidade muito mais alta para se fazer ouvido. De qualquer forma não tinha muito o que falar a respeito já que ele mesmo gostava de subir numa das torres mais altas do castelo. Poderia ver a paisagem do local, mas o que lhe agradava realmente era o silêncio. Embora as masmorras dessem aquela sensação de solidão, eram escuras e frias – rodeadas pelo lago negro; ainda tratavam-se de sensações diferentes. Havia escorado-se logo ao lado, na outra janela. Mas diferente de muitos que conhecia, não era adepto ao tabaco – porém, tampouco se importava com o aroma da fumaça.
Absorto ao momento, sentindo apenas a brisa gélida que o local lhe proporcionava. Ainda mais a vista em que a Torre de Astronomia tinha, ainda que fosse um aluno pertencente aos locais mais baixos do castelo, sentir-se no tempo do mundo fazia com que Macnair ficasse bem. Um dos lugares favoritos do loiro, não só pela quietude deveria dizer. O único companheiro que era lhe presente no recinto era o cigarro entre os dedos finos, enquanto que pelo curto espaço dos lábios semicerrados saía à sinuosa fumaça clara que contrastava com o ambiente pouco iluminado.
Era um instante o qual estava livre de parte das pressões e pensamentos que ficavam martelando dentro da mente o resto do dia, e parcialmente preparava-se psicologicamente em sair de ronda pelos corredores do castelo, apenas aguardando o toque de recolher. A atenção estava voltada em parte do céu levemente estrelado, e enegrecido. Levou novamente o cigarro até os lábios tragando lentamente e soprando a fumaça em círculos brancos que dançavam ao ar. A atenção por outro lado tinha se desviado a pequenos passos que se aproximavam, no entanto não deixou de desviar as orbes claras ao olhar mais abaixo o gramado em um pequeno movimento de alunos que corriam apressados em direção ao castelo.
No instante seguindo o silêncio fora quebrado por outra voz que embalou por dentro do local, fez um leve menear com a cabeça para encarar o novo habitante do ambiente, ao identificar-lhe obviamente por alguém conhecido. Rabastan Lestrange, um rapaz do mesmo ano e casa de Macnair. Com quem ele não trocara mais do que palavras polidas pelos corredores, emitiu um mínimo sorriso ao rosto pela insinuação do outro. — Digo o mesmo, Lestrange. Digo o mesmo. — Respondeu curtamente ao jovem de cabelos escuros que se apoiava em outra parte da torre, parecendo tão alheio quanto Walden no momento. Levou uma das mãos até o bolso da calça do uniforme, tateando o conteúdo com os dedos até encontrar o maço quase no fim de cigarros. Não era muito comum que ele tão rapidamente criasse alguma empatia com outra pessoa para que compartilhasse do vício que o dominava. — Quer um? — Questionou brevemente ao oferecer-lhe o maço.
whispers in the dark fanmix: there's a flame that leads our souls astray. [listen]
Se bem que o brilho dela nem se compara ao seu. Deixa eu te dar um beijo, vou mostrar o tempo que perdeu.
Que tal eu lhe dar algo em troca disso? Uma azaração?
Se você me pedir, eu vou buscar só pra te dar.
E pra quê diabos eu ia querer a Lua?