|Flashback| I'm just dreaming of tearing you apart {Rumancek brothers}
Assentiu com as palavras do irmão, satisfeito por saber que os desejos dele eram compatíveis aos seus. Geralmente eram, porém algumas raras vezes viam-se atraídos por vítimas diferentes, o que gerava um impasse e certamente mais indivíduos mortos durante a calada da madrugada. E, com o assentir e um sorriso divertido erguendo-se de seus lábios, Neptune Rumancek afastou-se de seu irmão, caminhando a passos rápidos em direção à vítima da vez.
De tez alva, ela dançava como uma dama, dotada de destreza em seus passos que beiravam o celestial. Tamanha graça merecia atenção especial, pensou Neptune ao aproximar-se da dama e seu parceiro, pedindo licença e perguntando se ela lhe concederia a dança. A mulher assentiu e o homem de outrora partiu, dando lugar à Neptune nos braços da aparente donzela. Deixou-se tocar, então, a cintura da mulher, afagando gentilmente o local enquanto a musica dava por iniciada. Os olhos fitavam intensos o da companhia feminina, enquanto ele esperava o momento para deixar-se corteja-la. Primeiramente, sabia bem Neptune, vinham os olhares, os sorrisos singelos e dotados de falsa vergonha, depois as palavras. Palavra, a mais poderosa arma da persuasão, ganhava destaque por último, obviamente. E, após alguns flertes mudos no primeiro minuto de dança, o cigano deixou-se conduzir a mulher ainda mais veemente. Passos belos, dotados da destreza que o pirata demonstrava durante suas lutas. A dança beirava o combate, e se tinha uma coisa que Neptune Rumancek dominava, certamente era arte de batalhar e, por conseguinte, a arte de conduzir uma dama no salão. Bailaram, então, enquanto o pirata murmurava alguns cortejos sutis, nada muito depravado, porém nada inocente demais. De estúpido nada possuía, o maldito vampiro, e com tal conhecimento, deixou-se apoderar do papel que lhe era mais cabível. - Devo dizer que você chamou minha atenção desde que pisei nesse salão. - A mão que segurava a cintura da mulher fez leve pressão, trazendo o corpo feminino mais próximo do seu, enquanto ainda bailavam em círculos pelo local. Neptune inclinou-se em direção ao pescoço da mulher, deixando-se sussurrar ao pé de seu ouvido. - Você acredita em amor a primeira vista, mademoiselle? - O sotaque francês era puxado, como se ele realmente houvesse nascido no país dos perfumes. - Eu nunca acreditei até o dia de hoje. - E, com isso, os olhos desviaram-se dos dela, como se seu âmago estivesse dotado de vergonha por tal afirmação. Deixou-se umedecer os lábios sutilmente, enquanto sentia a batida do coração da mulher ficar mais veloz, tornando ainda mais forte o desejo por verter o sangue da donzela goela abaixo. A música, porém, extinguiu-se. Isabel parecia encantada com a presença do rapaz, com sua sutileza, e Neptune facilmente o havia notado. Porém, ao fim da canção, ele afastou-se com um pedido de desculpas. - Uma mulher foi prometida à mim, Isabel. - Ele murmurou, antes de deixar a companhia da donzela. - Não posso deixar-me pertencer a outro alguém. Foi estupidez de minha parte. Não incomodarei-a mais. - E, com tal desculpa, afastou-se de vez, fitando atentamente Ocean enquanto o fazia. Os olhos colados aos do irmão, como se afirmassem que tudo havia ocorrido de acordo com os planos.
Era a vez de Ocean agora.
O irmão pareceu demorar mais tempo com a mulher do que o próprio Neptune. O Rumancek mais novo já havia vertido muitas taças de vinho goela abaixo quando viu a donzela enfim sozinha. Aproximou-se, então. Ela tinha as bochechas coradas agora, e um leve sorriso banhando-lhe as feições. O cigano não deixou de perguntar-se o que diabos Ocean havia dito à ela para deixá-la tão aprazível. Neptune ganhou destaque em seu olhar, então, porém desta vez não a conduziu-a numa dança, muito pelo contrário. Fitou-lhe intensamente, o olhar quase apaixonado transparecendo em suas feições bem marcadas e belas. Passou as mãos pelos cabelos. - Eu não consigo. - Disse ao aproximar-se. - Me acompanhe à ver as estrelas, mademoiselle Isabel. O ar aqui está muito abafado. - Suas palavras soavam como a súplica de um homem angustiado. - Já tentei afastar-me, quase cheguei a partir, porém sua presença cativou minha atenção. - Sussurrou, enquanto aproximava-se da donzela, deixando roçar as mãos por sua cintura sutilmente, por seus quadris. Estavam ante muita gente e certamente qualquer movimento de extrema sedução atrairia olhares indesejados. - Você está me deixando delirante, Isabel. - Murmurou ao pé do ouvido da moça. E, com isso, ganhou atenção da mulher. Caminharam juntos para fora do salão, e o cigano lançou um olhar ao irmão, como se o chamasse para festa particular que ocorreria em instantes.
Do lado de fora, a lua cheia se perfazia no céu. No momento em que se encontraram sozinhos, a máscara nobre do cigano se desfez. Ele puxou a mulher contra si, que não relutou ao toque, e beijou-a. Os primeiros toques de lábios certamente foram prazerosos para ambos, porém quando as mãos de Neptune ganharam lugar nos seios da donzela, ela relutou, empurrando o rapaz com força. Ele manteve seu agarrar violento, forçando-a a continuar presa em seus braços. Tocou-lhe as pernas e mordeu-lhe o pescoço, enquanto tapava a boca feminina com a mão. - Oh, querida. - Murmurou, a voz dotada de prazer cruel e pútrido, enquanto nos lábios Neptune carregava um sorriso afetado e devasso, certamente pervertido. - Não há porque lutar. Você não vai voltar para casa esta noite. - E, com tais palavras, ele a soltou, ficando diante do caminho entre os jardins e o salão, obrigando-a a correr mais fundo entre os arredores dos jardins. E foi exatamente isso que a estúpida fez, enquanto Neptune deixava escapar de seus lábios uma risada vil.
Foi então que a figura de Ocean abandonou os arbustos e postou-se diante da rota de fuga de Isabel. “Não tão rápido, mulher”, murmurou o pirata mais velho e Neptune sentiu a satisfação preencher-lhe o corpo. Eram os irmãos Rumancek, afinal, e sangue era o que clamavam por.
Observava o irmão cortejar a garota e deduzia as parvalhices que ele sussurrava em seu ouvido, percebia cada vez mais coisas na postura da garota, quanto mais analisava-a, mais a conhecia. Seus passos eram leves e dotados de uma delicadeza assombrosa, tentava abafar seus risinhos com uma incompetência admirável e corava mais do que seu pai quando ficava bêbado. Basicamente conseguia perceber que seu irmão estava fazendo um bom trabalho cortejando-a. Ocean teve vontade de soltar uma gargalhada quando se aproximou da garota e a viu completamente ruborizada, não era nem como se ele tivesse vindo logo após a dança dela com Verme, depois de seu irmão ainda vieram outros três homens e lá estava ela com suas bochechas coradas, sabia que esse não era o efeito de nenhum dos outros homens, pois todos eram velhos e imensamente gordos. - Senhorita, você me concederia essa dança? - perguntou olhando-a intensamente e oferecendo-a sua mão, deu um sorriso alegre quando ela aceitou, pretendendo que aquilo havia sido uma grande realização. - Tu és bela de mais para que apenas dance com homens já casados e vetustos. - disse ao pé de seu ouvido, dando uma risadinha logo após.
Dançaram habilidosamente e cada vez mais que ela falava com ele, mais enjoado ele se sentia, porém também com mais sede de sangue. Ela era inocente e pura como uma criança, mas tinha tudo para ser uma disputada prostituta e parecia não notar isso, não se incomodar com isso e ele sentia vontade de acabar com sua inocência ali e naquele instante, mas não o faria, seria pego se o fizesse e tinha certeza que seria mais prazeroso se esperasse. Sussurrava e confidenciava elogios e cortejos em seu ouvido, enquanto ela apenas ria e corava, foram poucos os momentos em que ela retribuíra com algum elogio envergonhado. - Isabel, um nome muito belo, mas não faz jus à tua beleza. Espero que eu volte a vê-la novamente ainda esta noite. - falou quando a dança terminou, beijando sua mão. A garota ruborizou e murmurou alguma coisa sobre também esperar o mesmo. Então quase que logo após Ocean dar um paço para longe da garota, Neptune estava de volta. Quando Ocean se deu conta estava seguindo os dois pelos jardins, observara os dois pararem em um lugar completamente deserto, onde qualquer mulher começaria a suspeitar de qualquer coisa, mas Isabel não era qualquer mulher e se deixou levar até que as mãos de Neptune ganharam lugar em seus seios, sabia que a garota tentaria correr para o outro lado, então foi para lá que ele se direcionou. Quando a viu correndo em sua direção, saiu de dentro dos arbustos, impedindo sua passagem e falando para ela não ir tão rápido.
Ele a segurou e pressionou seu corpo contra o dela. - Quantos anos você tem, Isabel? - perguntou olhando fixamente em seus olhos, a garota não respondeu. - Eu perguntei: quantos anos você tem? - ele perguntou, agora agressivamente e apertando suas bochechas com uma mão, a garota murmurou um "quinze" com a voz falha e fina por causa do medo. - Ah, acabou de virar uma mulher! Então já está na hora de fazer o que as mulheres fazem de melhor: ser fodida. - falou como se fosse algo obvio de mais. Estava sendo demasiadamente agressivo, normalmente não era assim, mas algo na inocência da menina que jazia em sua frente fazia-o querer ver ela tremendo de medo, fazendo tudo que eles pedissem com a esperança de que se o fizesse voltaria para casa, queria vislumbrar o terror em seus olhos quando ela percebesse que por mais que tivesse se comportado como uma menina exemplar, ela não sairia dali viva. Olhou para seu irmão e em um movimento rápido pegou a garota e jogou-a sobre seu ombro. - Não ouse soltar nenhum pio, nós não gostamos de barulho, mas mesmo se você gritar, não se preocupe, ninguém irá ouvir. - disse a mais completa verdade, estavam nas entranhas do jardim, apenas a ouviriam se alguém estivesse pelas redondezas, mas era pouco provável que isso viesse a acontecer. Foi caminhando tentando encontrar um lugar bom o suficiente para se esconderem, então ao lado de um laguinho, realmente no fundo do jardim, eles encontraram uma gruta, que não era muito profunda, mas era profunda o suficiente para quase ser considerada uma pequena caverna.









