One step ahead | @Edith&Asher
Quem eles pensavam que eram para manter a garota que desde o berço era acostumada a explorar o mundo, presa, justo em sua época mais aventureira? Era jovem o suficiente para conseguir correr, suas pernas e pulmões aguentavam uma longa jornada sem reclamar, e era também velha o suficiente para saber se virar sozinha. Já estava em Fatales há um tempo considerável, e por mais que já tivesse tentado algumas fugas, nunca foi longe demais. Porém, hoje, Edith havia acordado com seu espírito aventureiro mais sedento do que nunca. Mal levantou da cama, já vestiu-se com sua roupa de caçada, diferentemente dos habituais vestidos e peças adoráveis, cheias de rendas, que qualquer garota daria a vida para usar. Calçou as botas já fazendo a curva do corredor ao sair pela porta do quarto, passando pegar uma fruta como café da manhã, e antes mesmo de alguém conseguir vê-la e impedi-la de sair, a garota sentiu a brisa matinal balançar seus cabelos, revigorando-a. Ao ver o horizonte limpo, a flama de ansiedade se incendiou, fazendo com que ela avançasse correndo para o que tinha mais próximo de liberdade dentro do Instituto. Conforme foi avançando, a floresta começou a ficar mais densa, mais interessante. Um sentimento de nostalgia dominou-a, lembrando de quando era uma pequena criança, explorando pela primeira vez algum lugar. Ela já conhecia os arredores do Institutos, já tinha feito outras “fugas”, mas a paisagem nunca era a mesma. Suspeitava ela que aquilo se tratasse de mágica, um truque para que nenhum plano de fuga desse realmente certo, pois era extremamente fácil perder-se por ali.
Assim se passou a manhã da filha mais nova dos Fitzherbert; cheia de adrenalina e liberdade, territórios explorados, caminhadas relaxantes e nostalgia.Quando estava sentindo seu estômago começar a reclamar de fome, pedindo por comida, procurou por alguma árvore com frutos. Porém, quando achou o que procurava, encontrou também o que não procurava. Ali, diante dela, a alguns metros, estava uma espécie de cachoeira, brotando entre altas paredes rochosas. Mais perto do que o lago que a água formava, estava uma cabana. Esta era simples, sem pintura, com a cor da madeira da qual havia sido feita. Não parecia abandonada, porém, também não parecia estar sendo habitada por ninguém. Por sua mente, passou a ideia de que ali poderia morar uma bruxa, mas essa ideia logo foi desconstruída, já que era difícil de se pensar que Fatales teria uma espécie de ameaça em seu terreno. A ingenuidade e a curiosidade herdadas da mãe tomaram conta de seu ser, fazendo com que a garota de cabelos loiros batesse à porta da cabana, esquecendo momentaneamente da fome que lhe trouxera até ali. Após alguns segundos sem resposta, ela resolveu forçar a porta, e para sua surpresa, foi mais fácil do que imaginava, pois estava destrancada. Entrou na cabana escura, onde a única iluminação existente era fruto de pequenas janelas e fendas na parede, provavelmente obras do próprio tempo. Estava tão absorta explorando o lugar que sequer percebeu quando a porta fechou-se com o vento, começando assim seu problema. Não tardou muito a constatar que aquele lugar estava vazio a não ser por alguns móveis, nem mesmo possuía algum tipo de comida. Mesmo com a pouca iluminação, era possível constatar que o sol se punha do lado de fora, e como ela não pretendia se perder na floresta ao anoitecer, resolveu voltar.
Entretanto, sua volta foi impedida. A porta que antes havia se aberto tão facilmente para ela, agora parecia ter não só emperrado, mas até mesmo trancada com magia. A pouca luz que restava ia se apagando, escurecendo o lugar, e com a luz, ia junto a calma de Edith. Já não enxergava quase nada quando começou a berrar por ajuda e jogar o corpo contra a porta, mas seu esforço mostrava-se cada vez mais inútil. Depois de um tempo, a jovem já não tinha mais forças, desistiu e sentou-se com o as costas contra a porta. Bem, pelo menos estaria um pouco mais segura ali do que na floresta para passar a noite que se aproximava, não é mesmo? Nem isso era o suficiente para confortá-la. De onde estava sentada, podia ver pela minúscula janela o sol se pondo no horizonte, e imaginou que as seis horas da tarde se aproximavam. Ocupava sua mente pensando se alguém no castelo daria falta dela, talvez seu irmão ou uma das amigas mais próximas… Quando estava quase caindo no sono, ouviu o barulho de cascos de cavalo batendo contra o chão, parecendo se aproximar. Levantou-se tendo certeza de que alguém vinha ao seu encontro ao ouvir os comandos de quem cavalgava, junto com o tilintar dos ferros das rédeas e outros equipamentos. Não esperou nem um pouco, começou a berrar novamente, socando a porta e pedindo por ajuda. Não sabia se estava imaginando aquilo, mas acreditava que alguém do castelo, talvez funcionários, estavam vindo resgatá-la. “Socorro! Eu estou presa aqui! Socorro! Alguém me ajude! A porta emperrou, não consigo sair!” sua voz já ficava rouca de tantos gritos, mas ela não se importava, faria de tudo para sair dali ainda hoje.