Just Forget // Ryan&Heather
Aquele era mais um dia em que Heather saia junto do irmão gêmeo para cumprir suas tarefas diárias, mas acabava voltando para o chalé logo que se separavam. Ela sabia que Henry provavelmente pensaria que ela estava na floresta treinando sua magia, ou ajudando campistas mais novos com arco e flecha, mas na verdade ela ia direto para o chalé vinte, sua nova casa e ficava ali até achar que ele poderia estar a sua procura novamente.
Era começo de tarde, Henry estava provavelmente treinando com sua lança, enquanto a morena por sorte encontrara um horario livre em sua grade, não que isso fosse impedi-la de ir até o chalé, porque realmente não iria. As lembranças, as vozes, as visões voltaram mais uma vez quando tudo parecia estar finalmente melhorando. Ela se perguntava se isso nunca iria acabar, e pelo visto a resposta claramente era não, Heather Sawyer nunca iria se livrar das imagens de seu passado, de quando ela agredida por seu pai, ou quando ele expulsou a única pessoa que ela se importava de casa, ou pior quando ela mesma viu aquele cão infernal ultrapassar a porta e matar o homem que lhe criara. Ela não se importava realmente com esse homem, a quem chamava de pai, mas não pode deixar de se culpar pelo que havia acontecido. Ainda ouvia a voz dele chamando por ela, a voz rouca por conta do cigarro e das fortes doses diárias que ele consumia. henry não sabia mas por muitas vezes ela acordava no meio da noite vendo o rosto pálido e sem remorso algum do pai, e quando ouvi sua voz sentia um frio na espinha, um calafrio obscuro dentro de si. Heather sabia que aquilo era o medo que nunca sairia dela, a insegurança e a incerteza de que tudo aquilo realmente havia acabado.
Heather sentia as lágrimas escorrerem por seus olhos, começava a ficar difícil respirar com normalidade, abafava os soluços involuntários com os braços que apoiavam a cabeça em seus joelhos. Estava sentada no chão frio do chalé, no canto da parede contrária a de onde ficava sua cama. O cabelo negro deveria estar preso por um coque malfeito, mas naquele momento já estava praticamente desfeito. vestia um short jeans comum, com all star preto de cano longo e uma blusa azul marinho larga e de manga cumprida que chegava a quase cobrir seu short quando estava de pé.
Ryan nunca tinha nada para fazer, aquilo não era novidade para ele. Sempre estava perto de algo que tenha água ou deitado na sua cama tendo que ouvir os meio irmãos brincarem de algo. Considerava poucas pessoas de amigos, umas duas ou três, no máximo, a maioria eram apenas seus colegas de acampamento. Pode não parecer, mas é muito difícil se tornar um amigo do garoto e ganhar sua confiança e claro, tudo isso por causa das decepções do passado, nada poderia dizer que não fosse acontecer novamente, então o modo de se proteger era ter poucos laços de amizade.
Um desses seus amigos é Henry e como Ryan estava completamente entediado, fora procurar o amigo para conversar que fosse, mas isso o deixaria mais animado. Foi andando com passos lentos naquele dia nublado até o chalé 20, o do amigo. Ryan pensava que o amigo estivesse no local pois também nunca fazia nada da vida, o principal motivo pelo qual começaram a conversar. Chegou até o chalé e primeiramente pensou que não tivesse ninguém presente, tudo estava fechado e escuro, mas como a curiosidade de Ryan sempre fora muita, ele não resistira e adentrou no local.
– Ahn, tem alguém ai? – perguntou o garoto procurando algum interruptor para conseguir enxergar. Sabia que tinha alguém, ouvia algo que deduziu ser alguns soluços. Uma pessoa chorava, ele não sabia quem era, quase nunca entrara no chalé 20 e não fazia ideia de quais outros eram seus moradores. Viu um vulto correndo, indo se esconder e, finalmente, ele conseguiu achar o interruptor. Viu uma garota parecida com o amigo, tinham aparência idêntica a Henry, porém nunca tinha ouvido o garoto falar de alguma irmã ou o que fosse, mas não tinha outra explicação.













