Edward se lembrava das vezes que Celaena falou sobre esse mundo antes mesmo do homem ser puxado pela maldição. Sempre foi curioso pra saber mais, já que era um lugar que seu chapéu-portal nunca foi capaz de atravessar. Agora que estava ali, queria sair imediatamente. Talvez sua visão negativa fosse por estar preso em uma maldição, até porque ele sabia que havia muita coisa que desejava explorar naquele lugar… só que não podia — e Edward odiava se sentir preso. A aurora boreal, no entanto, tinha lhe chamado a atenção quando Celaena mencionou da outra vez e a forma que ela falava fazia o olhar azulado brilhar tanto que o Chapeleiro realmente queria fazer aquilo se tornar realidade pra ela. “Aposto que eu vou gostar mesmo.” Eram promessas que Edward não sabia se seriam cumpridas por conta da maldição… e também do fato de que eles nunca se davam bem assim por muito tempo. Mas ele ainda queria tentar. “Dizem que as imagens do Google nunca são tão boas quanto a coisa real, mas eu vi algumas. Realmente parece mágico.” Comentou, olhando para o café ainda em suas mãos. Era óbvio quando ele sentia falta de Wonderland, ainda incapaz de esquecer-se do lugar totalmente destruído. Encontrar um pouco de mágica, ou um pouco de cor nos céus daquele mundo, era sempre satisfatório porque havia esperança de que eles pudessem reconstruir em algum lugar. Seu olhar se voltou para Celaena, franzindo um pouco o cenho com a sugestão dela sobre os chás e cafés. Era estranho para Edward se sentir ansioso para algo tão… simples. Experimentar chás sempre vinha junto a uma grande festa para o Chapeleiro de Wonderland. Tudo sempre foi um grande espetáculo para Edward, até mesmo os encontros que combinava com a ex-namorada quando ia a visitar em Tenebris. Nunca achou que seria um homem interessante se lhe tirassem essas festas ou o seu chapéu, e certamente não era um homem interessante se lhe tirassem as ideias excêntricas ou as promessas de viagens. Sempre teve que lutar para ser lembrado com o tempo que passava, e imaginava que depois de alguns séculos Celaena não se lembraria de um chá que tomou com ele em uma tarde comum de Storybrooke. Mas, de novo, ele não queria pensar no futuro. “Você faria isso mesmo?” Ele perguntou, deixando um novo sorriso nos próprios lábios escapar, acompanhando a risada dela. Havia realmente algo diferente em Celaena, e até mesmo no sonho do outro dia ele notou; estava mais sorridente, com um brilho especial que nem mesmo o Chapeleiro chegou a ver no passado. Ele não sabia sobre o sangue, e a ideia de que ela estava bebendo nem passou pela sua cabeça, talvez porque Edward queria acreditar que ela não faria algo assim. “Eu sempre sou divertido!” Ele dramatizou a sua fala, fingindo por um momento que estava ofendido. Acabou soprando uma risada com o trocadilho dela ao dizer que era gelada, e por enquanto Edward apenas deu um gole em seu café, inicialmente fazendo uma careta com o gosto forte da bebida. Isso logo mudou quando engoliu, saboreando um pouco mais só para testar. “Ok, esse não é nada mau.” Admitiu, deixando o copo em cima da mesa, já que estavam ali para experimentar as duas bebidas e aquela era a vez de Celaena enquanto ele ficava com o chá. Ao se aproximar dela, se surpreendeu com a sua resposta; se antes já era óbvio que o tal sonho realmente aconteceu… agora pelo menos tinha sua confirmação; mesmo que já soubesse no fundo. Acabou rindo de novo da fala dela. “Playlists realmente podem dar medo. Eu realmente não entendo aquelas que são só barulhos esquisitos.” Provavelmente estava soando como um velho que odeia música eletrônica, mas apenas deu de ombros, pronto para pegar o copo de chá das mãos de Celaena. Não sabia como realmente agir agora que ambos estavam cientes do sonho… deveria se desculpar por beijá-la? Ela parecia quase que orgulhosa por ter conseguido aquele beijo dele, como se esperasse de alguma forma que Edward admitisse que queria mais. Quando ela abaixou o copo para ele não segurar o objeto, o olhar de Edward caiu novamente para os lábios dela. Edward não queria ceder tão fácil. Tinha que constantemente se lembrar que ela era uma vampira. E pior, sua ex. Mas ao mesmo tempo… ele já estava cedendo. “Sabe…” Edward levou a mão até o rosto alheio. “Você nunca foi gelada pra mim.” Voltou àquele assunto porque… era verdade. Talvez a pele da vampira fosse gelada, apesar de mostrar um pouco de cor agora, mas Celaena sempre foi quente. Fosse pelo namoro que tiveram, os beijos que trocaram, os toques sempre tão intensos, o sonho que demorava a se esvair da mente do homem… até mesmo as brigas que tiveram eram quentes. O efeito que ela tinha sobre ele era quente; e era por isso que Edward estava cedendo tão fácil. O Chapeleiro não quis perder mais tempo, finalmente se aproximando para juntar os lábios da mulher nos dele. Se isso fosse um erro, então se preocuparia depois que o gosto apimentado do chá deixasse os lábios de ambos.
Sabia que estava fazendo merda. Talvez a pior delas, se é que fosse possível. Eram tantos anos evitando o homem que se tornara melhor amigo de Roxy, eram tantos anos consumindo raiva por ele, ódio até. Eram tantos anos se lembrando como ele havia feito com que suas barreiras se abaixassem, apenas para que fugisse depois. Celaena havia aceitado que o passado era irreversível, mas deveria ser focada e esperta o suficiente para não repetir seus erros no futuro, não era? Mas não parecia que sua consciência, que suas centenas de anos de experiência estavam fazendo qualquer efeito ali. Ela apenas parecia estar cedendo novamente. Mais uma vez, pouco a pouco. E a impulsividade que o sangue lhe trazia era óbvio - era como se o corpo ansiasse por seus desejos com mais voracidade. Não havia espaço para muitos sentimentos por vez, era apenas um que ardia por cada pedacinho de seu corpo. E naquele momento, só sentia vontade dele. Vontade de realizar aquelas viagens que sempre falavam, vontade de fazer o que ela tinha certeza que se arrependeria depois. Nem imaginava como ele regiaria se descobrisse que vinha bebendo sangue. Nem imaginava como a maioria das pessoas o faria - mas sentia que dele a decepção seria óbvia. Era mais fácil se afastar. Era mais fácil manda-lo embora. Esquecer da noite em que beberam vinho e dormiram no sofá. Esquecer daquele sonho estranho que fora real demais e que acabou com um beijo clichê. “Acho que o Google dá um bom gostinho pra gente, não é? Mas aposto que ir até lá deve ser algo completamente diferente. Talvez seja tão mágico que você se lembre de casa.” ela se referia a Wonderland, é claro. Mas sinceramente, não tinha ideia do que conseguiriam fazer primeiro. Ir embora daquela cidade ou ir para o mundo mágico de fato. Lembrou-se do natal, de como havia o encontrado em meio aos campos de Wonderland, que era totalmente diferente do que ela havia imaginado. Sabia que ele sentia falta. E por algum motivo era como se quisesse surprir todas as faltas dele - como se realmente se importasse. Ótimo, era tudo que precisava. Além de querer salvar o mundo tudo, ainda queria salvar seu ex. “Faria.” ela murmurou, encarando os olhos claros dele, atentamente, tentando analisar por dentro deles. Tentando analisar sua alma - ao menos um deles ainda havia algo vivo por dentro. Ela riu quando Edward admitiu que o café não era nada mal e arqueou as sobrancelhas. “Você deveria ser menos teimoso, sabe? Eu disse que era birra sua.” ela falou em um tom baixo “Deveria me ouvir mais, também, sabe? Não faria mal algum” agora abusava das alfinetadas, apenas para diversão própria.
Agora estava fodida, de fato. Ele estava perto demais. Ela havia deixado claro o que queria, mesmo sabendo que não devia. A vampira não parecia estar em condições de pensar direito, não. Parecia estar se tornando um imã de fazer merda - e não sabia se aquilo era bom, de forma alguma. Mas no momento que ele tocou seu rosto, sabia que não havia como voltar atrás. A fala fez com que sua nuca se arrepiasse - sensação rara para alguém como ela. Poucas eram as coisas que a surpreendiam. Talvez ele não odiasse tanto assim o fato dela ser vampira, não era? Talvez não fosse terrível. Não teve como hesitar. Ele apenas se aproximou e ela fez o que queria - deixou que os lábios se envolvessem nos dele, como se precisasse daquilo. Talvez precisasse mesmo. Talvez ele fosse capaz de trazer a motivação que precisava para voltar a si mesma, talvez fosse ele quem a fizesse parar com o que o sangue vinha despertando nela. Conforme sua língua deslizava pela dele, seus dedos buscaram os fios de cabelo de sua nuca, apertando ali, puxando os fios. Sentia-se menos vazia. Sentia o coração bater mais forte a cada segundo. Celaena sugou o lábio inferior dele, mas não abriu os olhos. “Você me faz queimar.” ela murmurou, antes de tomar sua boca mais uma vez, deixando que o beijo fosse se intensificando. A mão livre escorregou por suas costas, chegando a sua lombar, e ela pressionou ali com força demais, fazendo com que o corpo dele se chocasse ao seu. Apoiava o quadril na mesa do escritório, mas o importante era ter ele colado a si. Os dedos apertavam mais do que planejava, esquecendo da própria força, tanto na nuca, quanto nas costas dele. Mas era só mais uma demonstração do quanto o queria.