leviana grimhilde tem vinte anos e é legado da rainha má. produz perfumes e produtos de skincare* junto à marca de sua mãe, com sua própria linha intitulada poison apple, mas existe algo obscuro sobre os seus produtos. leviana os faz à base de seus venenos lunares! seu poder é manipulação lunar e ela energiza a si mesma, e aos seus venenos, através das fases da lua. é muito boa com química e sabe preparar poções por isso, mesmo não tendo chegado ao módulo ii ainda, porque aprendeu com a mãe. esconde uma personalidade manipuladora, totalmente moldada pela rainha má; por trás dos sorrisos charmosos e palavras doces que distribui por arthurian, ela esconde um coração ruim e pensamentos distorcidos. ou seja, é tão falsa quanto os seus produtos e quer se vingar de tudo e todos pelo que fizeram com a sua preciosa mamãe.
🌙 𓂃 𝒆𝒙𝒕𝒓𝒂.
ABOUT & INFO abaixo do read more!
*Leviana vende seus perfumes e produtos para todos na academia! Feitos à base de venenos mágicos, eles têm efeitos negativos, mas o alvo não percebe que os seus problemas estão vindo do produto que comprou de leviana, afinal, ele também está fazendo o efeito positivo. Então, sim, você estar com uma dor de cabeça horrível há duas semanas é culpa da loção hidratante que, ao mesmo tempo, está deixando sua pele tão macia quanto a de um bebê.
HABILIDADE MÁGICA: manipulação lunar/menecinese.
Leviana manipula a energia lunar ao seu favor, podendo realizar alguma influência mágica a partir desta, e se energiza através da lua. É apenas com ela, abundante no céu, que consegue produzir os seus venenos e poções que transforma em perfumes, loções, shampoos e produtos de beleza mágicos. Ela usa a energia lunar para fazê-los e, por isso, são mágicos.
Logo que a lua aparece no céu, Leviana já é capaz de se energizar, mas uma forma de ficar mais poderosa, ou seja, com os poderes em potência máxima (dentro do que ela é capaz, apenas, é claro), é se banhando no lago da Academia à meia noite porque a água banhada pela lua ajuda a fortificá-la. É o seu banho de lua.
Durante a lua cheia é quando fica realmente poderosa e ela é capaz de controlar alguém a partir da lua, podendo usar a energia da mesma para seduzir/hipnotizar um alvo e atraí-lo para alguma situação de perigo que esteja à disposição, como por exemplo, induzi-lo a se afogar em um lago ou se atirar na fogueira do luau... não que ela vá fazer isso, claro... haha...
Fica fraca no sol. Desenvolveu poções que a ajudam a suportar o calor e a luz solar, mas ainda assim, não traz o efeito desejado e ela sente dor de cabeça.
Não é capaz de mover a lua, controlar os seus ciclos ou de criar energia lunar, de modo que o seu poder não é, de maneira alguma, uma ameaça de maneira geral (apenas se torna perigoso na lua cheia). Ela só é capaz de manipular a energia que a própria lua lhe concede, por isso, pode se tornar mais fraca ou mais forte dependendo de sua fase.
ABOUT.
Os boatos se espalharam como fogo em palha pelas vielas do Castigo. Havia uma garotinha abandonada no orfanato cuja beleza e inocência amolecia e encantava até o mais duro dos corações. Na época, ela não tinha nome — ou melhor, não se lembrava dele — então um apelido surgiu: Neve. Afinal, ela lembrava a todos do início de uma conhecida história...
Agora imagine se isso não chegou aos ouvidos da Rainha Má! Tão logo ouviu sobre Neve, ela colocou as garras na garotinha. A rainha já vivia o seu inferno pessoal naquele lugar de pouco luxo e nobreza, nada digno de uma soberana como a Grimhilde, não podiam estar querendo castigá-la ainda mais com o potencial de uma futura Snow White perambulando por aí.
Ah, e claro que ela não agarrou a garota sem um objetivo! Havia um, tão claro quanto a neve: a Rainha Má corromperia a sua nova filha e provaria para todos — e principalmente para si mesma — que um ser humano nunca é puro como todos naquele reino gostavam de acreditar; que qualquer coração, por mais vermelho que fosse, poderia apodrecer tão rápido quanto uma maçã. Ora, a ideia de que a pureza e bondade intrínseca de Snow White era inquebrável, toda aquela história de amor verdadeiro, de salvação sempre anojou a rainha.
Então foi assim que Leviana — nome devidamente mudado no primeiro dia na residência Grimhilde — cresceu. Não como a filha de uma mãe, mas como a aprendiz de uma mestre. A Rainha Má fez questão de manipular cada aspecto da vida de Leviana para assisti-la escolher o caminho reverso todas as vezes. Sussurrava conselhos que machucavam. Assegurava-lhe que todos os seus amigos estavam contra ela. Ensinava-a a manipular as pessoas, clamando que se não fosse Leviana a tirar proveito delas, então seriam eles que tirariam proveito de si. Amedontrava-a com suas histórias de corações partidos e do seu passado; de como um dia a Grimhilde também fora uma menina doce, também tivera um amor... e perdera tudo para Snow White.
Leviana não desfazia de nada que a mãe lhe falava. Era extremamente grata à mulher que lhe adotara e lhe dera uma vida com condições melhores que muitos no lugar onde estavam. Entre ensinamentos profanos e um amor de mãe que a envenenava, era como se Neve nunca tivesse existido.
Hoje em dia, há apenas Leviana, com sede de vingança e muito boa com manipulações, sejam cosméticas ou emocionais. Ou seja, exatamente como a sua mãe.
DETALHES EXTRAS.
Apaixonada por Química, começou a ajudar a mãe a fazer os produtos da Fairest ainda adolescente. Hoje em dia, produz a sua própria linha de perfumes e produtos de skincare dentro do negócio da mãe, a Poison Apple.
É muito vaidosa, especialmente com a parte de maquiagem e cuidados pessoais, e seu guarda-roupas contém tons de preto e roxo em sua maioria.
Sente muita raiva, embora não demonstre porque precisa se mostrar simpática e querida e vender a sua imagem de boa samaritana por aí. Mas é vingativa e teve, de fato, o seu coração apodrecido pela influência da Rainha Má. Deseja se vingar de tudo e todos, mas especialmente dos Charmings.
Aquela era uma das tardes de calor que Leviana precisava sair do dormitório gelado para estudar antes do sol se pôr e sem nenhuma proteção — o que significava que ela não estava de bom humor (não que algum dia estivesse). Apesar do ar condicionado ligado em forte intensidade na biblioteca, e a pouca quantidade de luz solar que penetrava as janelas do ambiente, ainda sentia a dor de cabeça crepitante que a acompanhava todas as vezes que saía durante o dia sem tomar as poções (esquecera-se de pepará-las por puro descuido e agora estava sem). O vestido lilás, apesar de ter mangas longas e finas, de tule, não era o melhor aliado para proteção contra a exposição ao sol, mas era o seu preferido da estação. Ao se aproximar do corredor de livros de Química, ela percebeu alguém encará-la. Precisou apenas de um olhar de esguelha para saber de quem se tratava. “Que foi? Nunca viu alguém que se veste melhor que você?” Perguntou em tom grosseiro, provocando Apple propositalmente. Então virou o rosto na direção da Charming e fingiu tê-la reconhecido só naquele momento, mudando a expressão para a de quem fica surpresa. “Ah, Apple, desculpa! Eu pensei que você fosse um daqueles wonderlanders!” Curvou os lábios em um sorrisinho debochado. “Eles se vestem tão mal... Chega a dar pena.” O estalar da língua no céu da boca foi seguido de um suspiro. Não era como se ela precisasse fingir ser boazinha perto daquela Charming; Apple nunca caíra em suas tentativas e Leviana decidira simplesmente fazer outro jogo com ela.
Ser vizinha de dormitório de um Charming — e um dos tontos, ainda por cima — vinha com a sua parcela de vantagens. Enquanto receava que Roxanne poderia estar começando a desconfiar de sua bondade, e Apple já não caía na dela, sobravam apenas os outros três para Leviana brincar, esforçando-se para vender a personagem boa moça para os irmãos a fim de um dia chegar perto de Snow e David como a mãe tanto almejava. Com Cedric era... complicado, mas ele não era uma ameaça para ela nesse sentido. Agora com Patati e Patatá (Charmont e Rome) era tão fácil que chegava a ser ridículo, mas isso não significava que ela não deveria continuar no jogo. Especialmente não agora que sentia estar na mira de Roxanne (era paranóica? Talvez). O seu contato com Charmont, apesar de dividirem a mesma ala de dormitórios, era pouco. Adulterava os produtos de cabelo e beleza dele quando visitava Andrew, mas precisava de mais. Enquanto terminava de ler um livro no sofá de gelo da sala, ouviu a voz dele invadir o cômodo através das janelas abertas que permitiam a energia lunar de entrar no lugar. Deveria estar falando no iWish no jardim que dava para a sacada de seu dormitório, e então, Leviana teve uma ideia. O que seria melhor para vender a sua personagem de mocinha para os Charmings do que agir como uma tão caracteristicamente mocinha que não teria como as cabeças ocas duvidarem? Largou o livro e se apressou para trancar a porta do dormitório, escondendo a chave. Depois, correu até a sacada e se apoiou no parapeito de gelo esculpido. Esperou que ele terminasse de falar sozinho (ou no telefone) e suspirou alto, estampando um semblante de falsa tristeza. “Não acredito que fiquei presa dentro do meu dormitório e agora não consigo sair! Me sinto com tanto frio, tão sozinha... E, por Merlin! Como vou chegar à tempo para a minha aula assim? Se eu reprovar de novo, a minha mãe malvada vai me envenenar! Quem me dera um príncipe lindo, corajoso e muito encantado estivesse por perto para me resgatar...”
Nenhum veneno que Leviana produzia para conseguir suportar os raios solares funcionava tão bem quanto a presença de Kiraz. Era irritante, embora útil, e às vezes a Grimhilde desconfiava que a Excalibur fizera aquilo de propósito apenas para que Merlin pudesse se divertir às custas delas com aquela história toda. Opostos que se complementam, como o próprio sol e a lua. Uma maldita piada — afinal, era Leviana que sofria com isso; sendo obrigada a aturar a mais velha quando precisava sair durante o dia porque as obrigações pediam e não queria sofrer tanto com as consequências. Não se esforçava tanto assim para tornar as horas que passavam juntas agradáveis, porém, podendo usar o mau humor e a falta de disposição decorrentes da abundância de energia solar como desculpa para não precisar forçar muita simpatia ou ficar de sorrisinhos. Sob a sombra de um enorme guarda-sol listrado, ela esperava Kiraz terminar de conversar sabe-se lá o que com algum conhecido. O chapéu preto de aba larga e os óculos escuros redondos cobriam-lhe o rosto, a blusa de manga longa e a calça jeans salientando o quão deslocada Leviana estava naquela praia. Quando a ruiva enfim voltou, a Grimhilde inspirou e expirou o ar lentamente, a fim de manter a calma para não ser mais grosseira que o disfarce pedia. Ela odiava esperar. “Demorou.” Disse, erguendo as sobrancelhas. “Cheia de segredos por aí?” Não poderia dar a mínima se fosse o caso. “Que seja, não estou interessada.” Suspirou, transparecendo o mau humor. “Preciso que caminhe comigo até o prédio da Magitech. Prometi encontrar com o professor Thatch por lá hoje à tarde.”
Se estivesse dividindo o dormitório e sendo obrigada a conviver com um arthuriano qualquer, Leviana já teria tido algum surto. Yves não agregrava à estatística de "quaisquer" simplesmente, porém, e para uma filha da Rainha Má tão vaidosa quanto era, se precisava dividir o seu espaço então graças à Lua o dividia com alguém útil. Ademais, o La Bouff não era tão ruim assim — as personalidades não entravam em conflito, o que a permitia não ter que fingir. Ele a interessava, o que já era dizer muito de alguém para Leviana. Saiu do quarto com o modelo que Yves trouxera do closet da revista para ela, parando diante dele na sala e dando uma voltinha. O rapaz tinha a convidado para ir com ele a um coquetel do Princess Life naquela noite, e não seria a Grimhilde que negaria a chance de desfrutar o luxo e de quebra se infiltrar num lugar onde poderia obter informações valiosas para a mãe. Snow White definitivamente estaria lá. "Então?" Ergueu as sobrancelhas, esperando a aprovação do artista (não que ela julgasse precisar, mas aquele era um vestido diferente dos que sempre usava, em tons escuros e com o toque Grimhilde. Era dolorosamente arthuriano). "Posso considerar o vestido que vou usar hoje à noite ou não está princesa o suficiente para o seu gosto?"
Leviana percebeu o que estava acontecendo na primeira lua cheia. Talvez essa fosse uma das grandes vantagens de sua conexão com a lua; era durante a noite que as coisas mais impressionantes aconteciam, segredos eram revelados, e monstros vinham à tona. Se fosse honesta, achou a descoberta até divertida — para ela, pelo menos. Sua desavença com Tumay se dava desde as ruas do Castigo; e como todas as pessoas que um dia a irritaram, Leviana desejava o pior para ele. E que ela fosse o pior. Não duvidava que o mais velho fosse assimilar certo envolvimento dela na piora de sua condição assim que abrisse os olhos; mas também não podia perder a chance de acabar por cima. Mostrar que sabia, que o vira. Faltavam alguns minutos para o amanhecer depois de uma longa madrugada de lua cheia, e eles eram os únicos na borda do jardim amaldiçoado; o corpo dele no chão após voltar ao normal. “Oi, Wolf.” Sorriu, encarando-o de cima. “Se divertiu hoje?”
Não era incomum que fosse até a área dos jardins durante a noite, perto do lago que refletia a lua e trazia efeitos místicos. Também não deveria ser incomum encontrá-la ali encenando alguma cena digna de filme de terror indie, ainda assim, preferia a solidão do que companhias indesejadas. Saiu do lago quando o viu parado ali. Sebastian Darling, embora tivesse fama de rebelde, ainda era filho de uma das integrantes mais rígidas da Ordem, o que significava que a Grimhilde precisava se comportar perto dele se não quisesse acabar com um alvo no meio da testa; o que era péssimo para Leviana. Só que, por um lado, ele não era tão indesejado. Valia a pena descobrir algo sobre o paradeiro de Wendy que fosse substancial para levar até a mãe, mesmo que duvidasse que a mulher fosse estar tão desinformada assim. Decerto sabia muito mais do que dizia à filha. “Admirando a paisagem?” Indagou ao se aproximar, cruzando os braços contra o tórax depois de se enrolar na toalha que deixara em uma das cadeiras do jardim. Conheciam-se de algumas aulas em comum do Módulo I, mas nunca tinham interagido propriamente. Péssimo cenário para uma primeira interação, mas ela teria que fazer funcionar. “Prefiro o lago. Não é tão agitado à noite, especialmente na lua cheia.” Disse, como se precisasse se explicar por estar tomando um banho no lago noturno e não no mar; embora se quisesse, poderia tentar o oceano. A lua a protegeria da maré perigosa que ela mesma influenciava. “Sebastian, não é? Sou a Leviana, caso tenha se esquecido. Nós fizemos uma aula juntos.”
A biblioteca de maldições era proibida para legados que ainda não haviam atingido o Módulo II, como Leviana, mas isso não significava que ela não fosse dar o seu jeito durante a madrugada; quando a lua cheia estava alta no céu e ela se sentia no topo do mundo. A mãe havia mencionado precisar de um velho livro de poções que provavelmente se encontrava empoeirado em algum lugar da Academia, entre os pertences confiscados dos vilões castigados que serviam agora para estudo. O livro, porém, era muito mais do que parecia ser — escrito em um sistema de códigos único para a compreensão da Rainha Má e apenas dela, de modo que os acadêmicos da Ordem poderiam quebrar as cabecinhas tentando decifrá-lo e não conseguiriam. Havia boatos de que a fórmula do veneno usado em Snow White estava naquele livro, e que se caísse nas mãos erradas, poderia ser aprimorada e chegar a matar, sendo irreversível, mas ninguém podia lê-lo. A primeira tentativa de Leviana em encontrá-lo a pedido da mãe, então, foi na biblioteca do Módulo II. O prateado da lua penetrava as janelas do corredor da Torre Maldita. Ela concentrou a energia que recebia do astro na barreira de proteção que a impediria de atravessar a entrada da biblioteca, esperando conseguir quebrá-la temporariamente. Interrompeu-se ao escutar o barulho de passos às suas costas. Ela praguejou mentalmente, preparando-se dar de cara com o Feiticeiro, Merlin, ou algum dos outros caretas da Ordem, no momento em que se virou na direção de sua companhia indesejada, mas a visão de Roxanne Charming diante dela a surpreendeu. Leviana arqueou as sobrancelhas, estampando um sorriso cínico. Ela não podia tê-la seguido até ali, certo? “Que surpresa agradável, Charming. Veio estudar tão tarde assim?”
Aos quinze, Leviana era um projeto incompleto. Com a filha mais velha na Academia, a Rainha Má tinha tempo necessário para trabalhar nela, moldando-a ao seu gosto por fora e a envenenando em pequenas doses diárias por dentro. Muitas coisas haviam mudado desde que Neve saíra do orfanato que não envolviam apenas a maturidade (ou imaturidade) da adolescência, ela já tinha uma mentalidade diferente; já agia, falava e se vestia diferente, porém, não era o que a mãe almejava. Faltavam três anos para que chegasse lá, para que estivesse pronta para ir até a superfície e continuar o que a Rainha Má havia começado há muito tempo atrás — e que não poderia falhar outra vez.
Mas era por estar incompleta que as coisas entre ela e Maviella ainda não haviam mudado drasticamente. Aquele seria o primeiro final de semana que a irmã mais velha voltaria da Academia para visitar à ela e Sunny, Sendo a família que vivia melhor dentro das condições do Castigo, os irmãos Grimhildes que restavam na cidade baixa podiam se dar ao luxo de prepararem um jantar para recebê-la. Leviana estava em seu quarto, arrumando o cabelo para a janta, quando ouviu o barulho de passos. Ela largou o modelador sobre a penteadeira, saindo na direção do corredor com metade dos fios ondulados e a outra metade lisos. O sorriso se alastrou pelo rosto, iluminando as feições delicadas, ao ver a irmã pela primeira vez em todos aqueles meses. “Ella!” Correu até ela, envolvendo-a pela cintura em um abraço longo. “Eu não sei nem por onde começar a te fazer perguntas.” Confessou assim que se afastou, aproveitando para esticar o braço e dar duas batidinhas na porta do quarto de Yoonseon; avisando-o par sair e ver a irmã. “Sei que você me contou as melhores coisas por mensagem, mas eu preciso saber mais! Você trouxe a sua varinha? Quantos corações você já quebrou? Muitos? Poucos? Já deu golpe em alguém? Ou melhor: já deu golpe em um Charming?” Fez uma careta ao mencionar aquele sobrenome naquela casa. “Como eles são pessoalmente? Feios? Espero que sejam super feios.” Revirou os olhos, rindo.
Enquanto os efeitos da poção se esvaíam, o loiro sentia a crescente onda de dor de cabeça chegar. Era como se fosse abrasivo em seu cérebro, lhe impedindo de ter qualquer interação sociável com qualquer um, pois sentia como se a cabeça fosse explodir! No entanto, passava por seu trajeto até a torre de seu dormitório e foi notificado por Bentinho sobre a presença de Leviana no lago, bem próximo de onde estava, algo que fez com que ele abrisse um sorriso de prontidão e caminhasse até ela. Mesmo que fosse silencioso ou que ela estivesse absorta em pensamentos, o susto que a outra tomou fê-lo rir baixinho, mas logo decaiu quando a escutou. Não foi repreensão da parte alheia, pois conhecia a Grimhilde e eles eram amigos, só que sentiu o pássaro em seu ombro lhe dizer para recuar sutilmente, dando a liberdade da outra de falar para que, em seguida, ele se explicasse. “Eu quem peço desculpas. Não quis te assustar.” Coçou a nuca rapidamente e então deu um passo a mais, apenas para se libertar da recente reprovação de Bentinho sobre a postura alheia. Da mesma forma, ele alisou o próprio rosto enquanto o braço ainda estava livre do contato alheio, para que poucos segundos depois a sentisse tocá-lo. “Na verdade eu ‘tava indo pro meu dormitório agora. ‘Tô com um pouco de dor de cabeça e não lembro bem o que ia fazer antes disso.” Encolheu os ombros brevemente com desdém, estalando a língua no céu da boca. “É, eu sei, mas… Those Wonderland peaks look like a perfect place to cry.” Recitou em contraste a letra da mesma música. Como um bom fã secreto da Saylor, ele não podia deixar de memorizar cada sucesso da cantora castigada. “Não que eu tenha vindo aqui pra chorar ou você pra morrer… certo?” Embora fosse uma retórica, a sobrancelha que arqueou no processo foi pelo ceticismo de que ambos estavam ali por um motivo que não era aquele das letras.
Leviana precisava lembrar de agir o mais natural possível por conta do maldito pássaro. O toque delicado no braço de Billy era o gesto de alguém que se preocupava; o aperto dos lábios enquanto ele explicava que não se lembrava onde deveria ir demonstrava toda a sua apreensão com a segurança do rapaz, é claro. “Bem, alguma coisa te trouxe aqui, Westergaard, chame do que quiser: acaso, destino... Um pássaro. Ou a lua.” Que horror, pensou enquanto fazia uma daquelas referências bregas dos grandes casais arthurianos. Sinceramente, só as conhecia assim porque se esforçava no papel que fazia na Academia de boa moça, amiga dos mocinhos, a favor do amor verdadeiro... blá, blá, blá. “Você conhece a letra.” Riu, dessa vez com um toque genuíno. Pequeno, mas presente. Não conseguia imaginar alguém como Robin Westergaard sentado em seu quarto escutando Saylor Smith, mas não era como se Leviana Grimhilde pudesse julgar alguém (embora julgasse mesmo assim). Quem diria? Na defesa dela, sua Era preferida da cantora era a Piratation. “Ah, na verdade, I'm setting off, but not without my prince. No, not without you.” Complementou, cantarolando de leve. “Estou brincando. Eu vim para...” Olhou para o frasco quebrado e suspirou discretamente para evitar o julgamento, ou whatever, do pássaro. “entrar no lago. Não para morrer. É só algo que eu faço na lua cheia.” Não estava mentindo com a informação, fazia tudo perto do lago porque a conexão com a lua ficava mais forte ali. E usava a água para receber a energia em maior intensidade. Era como colocar uma bateria para carregar; em noites de lua cheia, nem precisava se preocupar em acordar tão cansada pelo nascer do sol no dia seguinte. “Quer me acompanhar?” Indagou de repente em um tom bastante suave, deslizando a mão até a dele e induzindo-o a apontar na direção do céu. “Talvez ela ajude com as suas dores de cabeça.” Engraçado. Era a culpada. “Prometo que não é perigoso de verdade. E o que temos a perder? Ainda tá cedo para voltar para os dormitórios.” Entrelaçou os dedos nos dele, começando a andar devagar para trás.
“Você não sabe o que aconteceu hoje.” Se aproximou de Leviana sem a mínima consideração com o que a garota já fazia, se sentando ao seu lado. Era desconfiada por natureza, ainda mais se tratando de uma Castigada (e o nível de Castigada, nada menos que uma Grimhilde), mas Maravilha ignorava essas barreiras quando o assunto era Leviana, não tão secretamente mais por curiosidade do que por qualquer possível afeto. Se desentendiam vez sim, vez não, as interações das duas mais compostas por implicâncias do que qualquer outra coisa, mas continuavam conversando, passando tempo, às vezes sentando juntas nas aulas. A Grimhilde até lhe presenteava com loções especiais, e apesar de ter dito que não as usaria em hipótese alguma (vai que Leviana tinha posto veneno ali, nunca se sabe), os frascos de Maravilha stavam na metade, e ela já pensava em um jeito discreto de comprar mais quando acabassem. “Tive um descontrole, o dormitório tá parecendo Zootopia, não sei direito. O que importa é…” Tirou as mãos das costas para revelar a brilhante maçã vermelha que segurava, quase gargalhando de rir. “Surgiu isso aqui. E mais alguns morangos, mas esses já tiveram um destino. Achei que você gostaria, sabe como é.”
Maravilha era uma das pessoas que Leviana amava odiar. Enquanto fingia ser uma boa moça para a maioria, sua relação com a Adormecida ficava mais no patamar de gato e rato. Ela não caía pela falsidade da Grimhilde e a Grimhilde não poderia se importar menos com a família dela para que isso fosse um problema (a mãe lhe instruíra a não brincar com os brinquedinhos de Malévola). Assim, acabavam provocando uma a outra para passar o tempo, até sentando juntas em aulas. Claro que Leviana não deixava de envenená-la, mas isso era um detalhe à parte. “Quero tanto saber!” Debochou, esperando para ver o que a garota escondia. Quando ela parou com o suspense e puxou uma maçã de trás das costas, Levi teve que conter uma risada. “Uma maçã vermelha para uma Grimhilde. That’s sooo hilarious.” Leviana abriu um sorriso de escárnio. “É só isso que você quer? Me dar uma maçã como se eu fosse a sua professora da escolinha?” Pegou a fruta da mão dela, revirando os olhos. Não diria que caía no clichê de gostar de maçãs, embora realmente gostasse; e era melhor que Maravilha nem imaginasse quantas referências à maçãs Leviana costumava fazer em seus produtos porque, caso o contrário, a postura estressadinha seria instantaneamente invalidada. Ela se recostou na cadeira, ficando em uma posição mais confortável. “Que história é essa de Zootopia? Eu não ligo, mas também não tenho nada melhor para fazer.” Mordeu a maçã, fitando Maravilha com as sobrancelhas erguidas. Então ela sentiu. O suco doce, a explosão do sabor na boca. Aquela era a maçã mais suculenta que comera em sua vida — e isso que a mãe era basicamente uma sommelier de maçãs. “Pela Lua...” Murmurou, encarando a fruta antes de voltar o olhar para Maravilha. “Você precisa fazer mais dessas! Agora.”
Cailín é uma mulher muito próxima dos seus quatro irmãos, e os ama cada qual de uma maneira diferente, e sempre do seu jeitinho. Sem prendê-los em amarras, sem colocá-los expectativas demais, e confiar o futuro deles a eles próprios (como gostaria que fizessem consigo, mas infelizmente nem sempre era o caso). Com uma relação familiar tão sólida, achou muito esquisito quando começou a se aproximar de Leviana e considerá-la praticamente uma irmã mais nova. Então percebeu que via nela a vilã perfeita e má que todo o seu lado caótico mau apreciava. De forma genuína, acabou trazendo Levi para sempre mais e mais perto a ponto de, como naquele instante em que observava a garota de longe no luau, praticamente saber o que estava pensando enquanto olhava tão sonhadora para um grupo de pessoas específico. Dando uma risada para si mesma, Cailín puxou dois drinques coloridos do bar e adiantou-se até ela.❛❛ —- Eu consigo ver os chifres do diabinho de lá longe. ❜❜ apontou para o lugar que estava antes de oferecê-la a bebida. ❛❛ —- Tá sorrindo besta assim por quê? Quem foi a vítima hoje? ❜❜
Quando a sua irmã de verdade fora rebaixada do cargo, Leviana encontrara Cailin para se apoiar. A amizade antiga das mães facilitara uma relação pacífica com os Souls, e enquanto tinha Rhys como um melhor amigo, também tinha Cailin como parte das poucas pessoas por quem sentia o mínimo de consideração. Não a enxergava como costumava ver Maviella, com toda aquela admiração e devoção de querer ser exatamente como a irmã, é claro, porque agora não precisava disso; tinha a si mesma para admirar na frente de um espelho. Mas ela ainda não era feita só de espinhos e solidão, e às vezes, precisava de alguém ao seu lado. A Soul estivera ali em todas as vezes até então. “Eu estava sorrindo?” Pegou a bebida oferecida, curvando os lábios ao se fazer de desentendida. “Nada. Ainda.” Corrigiu-se no final, erguendo as sobrancelhas antes de levar o canudinho até a boca e dar um gole no drinque. Ela se aproximou da mulher, perto o suficiente para que não precisasse usar um tom alto, mesmo com o show acontecendo atrás delas. “Tá vendo aqueles três ali?” Com a mão que segurava o copo, apontou discretamente na direção do grupo. “Nico, Roger e Laura. Chegou até mim que eles brigaram no baile. Aparentemente, a garota é doida pelo Nico, que namora uma colega minha e nunca deu bola pra tal Laura. Mas adivinha? Roger, o do meio, é apaixonado por ela. Os dois se pegaram no soco, algo assim, porque Laura rejeitou o convite de Roger para o baile esperando que Nico largasse a namorada para convidá-la.” Leviana estalou a língua no céu da boca, teatralmente. “Eu amo essas histórias! Então energizei as bebidas deles. Assim que der meia noite, Nico vai cair de amores por Laura e beijá-la. Enquanto Roger... Bem, você já deve imaginar.” Virou-se para Cailin com um sorriso no rosto. “Você não adora uma briga na praia? Cheia de emoções, traições e corações partidos?”
@sailormoondetaubate escolheu ☣️ na praia de seatopia !!
Que Rome era uma pessoa extremamente influenciável, isso era algo de conhecimento público. Que o garoto era tão trouxa a ponto de cair de novo e de novo e de novo nos esquemas de Leviana… Poderia ser algo previsível, mas ainda assim, surpreendente. O garoto podia jurar por tudo que ela era uma ótima pessoa, oras. Principalmente com ela sendo tão prestativa com seus produtos para cabelo que ela vendia para ele! Estava fazendo um excelente trabalho na Briar Productions graças a eles (apesar de estar tendo que usar muito mais fixador e grampos que o normal). Por isso já chegava na maior intimidade com Leviana, acreditando que já haviam estabelecido uma maravilhosa conexão de amizade que passava dos negócios. ❛❛ —- Leviiiii! ❜❜ ele a cumprimentou, abrindo o sorriso que era capaz de cegar o sol quente. ❛❛ —- Menina, queria te falar. Muito bom aquele hidratante que me vendeu semana passada. As maquiadoras começaram a me amar lá no Briar, porque a pele das modelos ficaram perfeitas! Você é um poço de genialidade, sabia disso? Eu devia te comprar um drinque ali no bar, pra te agradecer. ❜❜
Leviana revirou os olhos só de ouvir a voz que vinha por trás de seu ombro, mas assim que se virou na cadeira na direção dele, estampava um sorriso nos lábios digno de um ExcaliAward de atuação. “Rome!” Enquanto alguns Charmings dificultavam o seu trabalho, Rome era um alvo tão fácil que se tornara a sua cobaia de venenos sem que soubesse. Ela sentia que precisava urgentemente pensar em algo mais criativo do que adulterar os produtos que vendia para ele, porém, por uma questão de vendetta familiar. A mãe começava a ficar impaciente com a falta de prejuízos reais nas vidas dos Charmings. Imaginava que se chegasse vestida de velha na frente dele, oferecendo-lhe uma maçã envenenada que o faria engasgar até entrar em coma, Rome aceitaria de bom grado — mas também não podia ser tão óbvia, nem tão não-original. “Eu te disse que elas iam adorar. Deixa a pele tão linda! Você experimentou também? Porque não parece...” Tombou a cabeça para o lado, passando os olhos pelo rosto dele enquanto mantinha o sorriso nos lábios, como se não tivesse acabado de dizer que a pele dele estava feia. “Aceito a bebida.” Se levantou, deixando o seu material de estudo sobre a mesa para que buscasse depois e parando ao lado dele. “Então, como estão as coisas? Um dia desses pensei bastante em você...” enquanto listava os Charmings em ordem de qual seria mais fácil de matar. “E me inspirou a fazer um perfume em sua homenagem! Estava até querendo ir até o Novo País das Maravilhas e pegar os ingredientes que me lembram você por lá.” Conhecia-o tão bem! “Podíamos ir juntos, né? Roadtrip.”
Esquecendo todas as responsabilidades com o jogo, só abaixou para recuperar a bola que voltou a bater em seu pé e voltou a encarar a garota, a mínima ideia de ter machucado alguém não lhe fazia bem e por isso, tentou examinar muito por cima, mas era complicado dizer. — Tem certeza? — Reforçou. Precisava daquilo para não ficar se remoendo depois, infelizmente se preocupava demais com terceiros, quando nem era necessário. — Foi sem querer, não notei que tinha gente ao redor. — Tratou de se explicar, longe dele ser interpretado de modo negativo, vai que pensavam que fez de proposito. Retribuiu o sorriso, um pouco mais aliviado por ver que nada de ruim tinha mesmo acontecido, sem contar o sorvete que já estava no chão e aquela história acabou pegando no fundo de sua alma, Deece sabia que sua gentileza podia ser considerada ingenuidade por muitos e que estava propenso a ser alvo de aproveitadores, uma pena que não notava e acabava caindo na maioria das coisas, após uma história comovente. — Não, claro que não. Foi minha culpa também! — Murmurou, olhando para trás ao caçar onde tinha deixado sua mochila, se uma habilidade conseguia ser mais chata que a sua, a ponto de deixar uma pessoa fraca, não tinha nem discussão, iria pagar um sorvete para a outra. — Que nada, eu posso jogar depois e nem precisa me pagar de volta, não tem cabimento! Foi culpa minha ter perdido seu sorvete. — A olhou por cima do ombro, ainda exibindo um de seus sorrisos antes de atirar a bola em direção aos colegas que jogava antes. — Vou buscar minha carteira e pago quantos sorvetes quiser! Pode até ir escolhendo, minha mochila está ali mesmo.
Não precisava fingir não ter se machucado, porque de fato a bola passara raspando, mas era necessária toda a sua força de vontade para não surtar visivelmente e descontar no filho dos Kings ali. “Tenho. É um chapéu grande.” Tentou fazer a brincadeira, soprando um riso que disfarçava um bufar irritado, e apontando para as abas largas do chapéu preto. “Tudo bem! O jogo parecia estar divertido. Se eu pudesse ficar, assistiria você jogando só para provar que não há ressentimentos.” Mas havia. E ela certamente prepararia um produto especial para o garoto. Só precisava esperar pelo despertar da lua. Enquanto estava longe do anoitecer, porém, ela ainda poderia tirar algum proveito da oferta alheia. Ouvi-lo se desculpar tantas vezes depois da pose de coitadinha era música para os ouvidos de Leviana: era assim que os fazia caírem na sua. “Obrigada, então.” Ela sorriu de volta quando o rapaz a fitou por trás do ombro, aproveitando para tirar o chapéu e arrumar o cabelo escuro, colocando uma mecha para trás de cada orelha. O sol forte a pegou desprevenida, e ela precisou se apoiar no balcão de madeira e fechar os olhos para apaziguar a sensação de vertigem. Realmente precisava daqueles sorvetes — e por um motivo maior do que simplesmente fazer o arthuriano pagar. “Maçã caramelizada. Com bastante caramelo.” Pediu para o sorveteiro que cuidava do quiosque Sorvetes Caracol, um tal de Gary, que foi prepará-los. Quando o garoto voltou, Leviana se virou em sua direção e procurou agir com toda a naturalidade de sua falsidade. “Leviana Grimhilde, aliás. E você é...?” Sabia a família que vinha; só não lembrava o nome dele. Mas ao entregar o seu sobrenome, quase esperava vê-lo ter alguma reação aversa a estar tendo que pagar sorvetes para a filha da Rainha Má porque isso lhe arrancaria um sorrisinho satisfeito. Não que isso fosse realmente acontecer — ele parecia ser gentil. Gary retornou com o seu sorvete e Leviana pegou o cone, levando o doce até a boca antes que acabasse desmaiando de cara na areia. “Vou me sentir mal se não te pagar de volta pelo sorvete.” Mentiu. “Posso pelo menos te dar de desconto em algum dos meus produtos? Acabei de lançar uma linha de perfumes masculinos! É da marca da minha mãe, e acho que a Sra. King gosta muito dos nossos cremes hidratantes.” A menção da mãe dele fazendo compras na Fairest, assim como muitas das princesas, era uma alfinetada que Leviana adorava dar em arthurianos. “Se quiser experimentá-los, podemos ir até o meu dormitório e eu tento te vender algo lá. Até prefiro sair daqui. Ficar no sol está me matando.” Agora não era uma mentira.