O mito do fim premeditado
Eu costumava dizer que se soubesse exatamente qual era a última vez que eu estivesse fazendo algo, eu aproveitaria muito mais aquele momento.
Como se o fim premeditado mudasse o fato de ser o fim. Eu tinha essa convicção tão cravada, que atravessava o peito.
Mas eu me lembro do nosso último momento, da última vez que não cabia a nós pensar sobre o depois. Da última vez que eu pude fingir que você era só minha e eu era só sua.
E nossa, como eu aproveitei. Cada segundo como se não fosse existir nenhum depois dele.
Eu te vi nos detalhes, te vi no que você não me mostrava, te vi no silêncio, te vi no abraço apertado, na respiração profunda de pesar.
Eu te vi e te senti com tudo que eu tinha e com tudo que eu era. E bem ali, no meio de toda a imensidão de te ter, eu vi também que era a última vez que te sentiria dessa maneira.
O sol estava indo embora naquele fim de tarde, e nosso amor ficaria bem ali também. Intocável, e imutável.
E aí eu entendi o quanto o meu pensamento de fim premeditado era só mais uma ilusão que eu mesma criei para aliviar o fato de que tudo que é bom, quando acaba, dói.
Que dirá o que foi extraordinário…
RF.














