ENCONTRO VERMELHO
Nós nos conhecemos no bar. Ela tinha longos cabelos ruivos, olhos verdes penetrantes, estava com um vestido preto, de couro, e um coturno preto. Do alto das minhas cervejas eu olhei pra ela, e ela olhou de volta. Eu perguntei seu nome, ela disse que se chamava Jeniffer, Eu disse o meu e nós começamos a conversar. Eu entendi que ela não era como uma mulher qualquer que eu conheço aos montes nos bares e que só querem um pouco de atenção. Ela se mostrou interessada, com conversas profundas demais para eu conseguir raciocinar estando afetado pela minha embriaguez. Enquanto ela falava eu observava quieto, boquiaberto porque ela era mais inteligente que qualquer pessoa que eu já havia conhecido. Ela conhecia qualquer assunto que eu tentasse falar, desde a evolução das espécies até teorias sobre o comportamento humano.
Nós nos beijamos após uns 16 minutos de conversa. O beijo dela era intenso, eu sentia cada parte do corpo dela presente em um beijo. Cada vez que eu segurava com força o cabelo dela, ela parecia ter mais domínio sobre mim, e sobre o que eu queria fazer. Ela mordeu minha boca várias vezes, com todo o cuidado necessário para não deixar marcas e nem constranger as pessoas presentes no bar. Fomos embora, no carro ela já se mostrava interessada em tudo que poderia acontecer. O vestido dela um pouco acima das coxas dava uma visão privilegiada da calcinha dela. Uma lingerie preta, com renda nas bordas. Tenho quase certeza que ela deixou eu ver de propósito. Quando chegamos ao prédio, ela tirou a calcinha e me convidou a entrar, eu não pude resistir. Enquanto subíamos com o elevador, ela segurou minha mão e mostrou o quando estava molhada naquele momento. Entramos no apartamento dela e eu a agarrei com vontade, colando ela na parede e quase a dominando por completo. Mas uma mulher assim nunca é dominada, ela dá a falsa impressão de que eu estamos no controle. Eqla sabe o que eu gosto e o que ela pode usar para me fazer ficar vulnerável a cada toque em meu corpo. Eu estava com sede, pedi um copo d’água e ela prontamente foi buscar para mim. Então fomos em direção ao quarto, e eu apaguei.
Tudo está escuro. Eu acordo e em meio a tontura vejo uma imagem embaçada de uma mulher. Cabelos vermelhos, um avental e uma máscara para higiene. Tento me movimentar mas descubro que estou algemado a cama. Olho em volta e vejo alguns tubos que vão direto ao meu braço. Tento olhar para as minhas pernas. Elas estão amarradas também. Tem algum curativo no meu saco escrotal. Sinto uma dor aguda vindo de lá. Olho para o lado e reconheço a figura que antes era só um vulto. Era a Jeniffer. Ela puxa a máscara para baixo, me olha com um sorriso e diz que já estava em tempo de eu acordar. Pergunto o que estava acontecendo, ela faz sinal para eu ficar quieto e coloca alguma coisa na minha boca.
Onde isso vai parar ? O que ela quer comigo ? Serpa uma vingança individual contra todos os homens que já abusaram de mulheres num primeiro encontro ? Será que eu sou vítima de um comportamento típico dos meus genes ? Qual o sentido de me manter algemado ? Nós apenas nos conhecemos no bar, trocamos uns beijos, ela me masturbou e eu acordei algemado em uma cama. O que está acontecendo ? Eu não sabia, mas a tortura estava para começar. Primeiro ela me fez ficar excitado, e com uma linha apertou meu pau até que escorresse um pouco de sangue. Ela enfiou agulhas entre meu saco e minha bunda. Eu não conseguia gritar, estava amordaçado e eu sentia estar sob efeito de alguma substância que tinha me dopado. Com uma faca ela cortou minha barriga, parecia estar fazendo desenhos aleatórios. E quando eu olhei para o meu braço, meu sangue estava sendo drenado para ela fazer uso em algum momento oportuno. Após algum tempo de tortura eu já havia desistido de qualquer reação. Ela tinha total controle sobre meu corpo e eu estava a mercê dos desejos de uma mulher insaciável.Com algo que parecia ser uma concha de sorvete, ela tentou arrancar um olho meu. Os meus gritos de dor foram abafados pela mordaça, eu senti que já não tinha controle do meu corpo, e ao final desta sessão de tortura só me restava aceitar o meu destino.
As coisas tomaram um rumo diferente quando alguém bateu à porta do quarto. Uma outra mulher, mais alta, loira, com uma camisola branca, olhos azuis e uma expressão diabólica adentrou o cômodo. O que poderia ser um pouco de esperança pra mim se tornou um pesadelo. Com uma faca, ela rasgou minha barriga até o peito. Eu vi meus orgãos internos pulsando enquanto ela se banhava em meu sangue. Jeniffer se aproximou e deu um beijo lascivo na mulher loira enquanto meu sangue as banhava como em um ritual. Neste momento eu estava morto, eu vi meu corpo deitado na cama, as mulheres se beijando e se banhando em meu sangue. Eu vi tudo. As roupas sujas de sangue no chão, as duas mulheres tendo orgasmos em cima do meu corpo, enquanto a pele clara delas era tomada pelo vermelho que corria em minha veias. Desta perspectiva, todas as coisas se tornam menores, apenas o contato carnal entre duas mulheres parecia ser real enquanto meu corpo estava deitado, algemado, torturado, mutilado em cima de uma cama.
Tudo pareceu piorar quando ouvi um choro. Era algo que vinha de dentro. Não entendia muito bem o que estava acontecendo. Esta vida era muito nova para mim. Quando eu consegui ter uma noção de espaço, olhei para o lado e vi Jeniffer, que me abraçou.
“Bem vindo, filho.”













