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Capítulo 155 - Cabeça cheia de merda
Quando me vi embaixo da cama e sem roupa, tive certeza de que tem coisas que só acontecem comigo. Senti meu coração bater na minha cabeça enquanto respirava a poeira do chão de madeira e tentava me esconder atrás das minhas roupas, que a Helo tinha chutado pra debaixo da cama. Nos primeiros minutos, eu tava surtando de medo do irmão dela entrar no quarto e me ver. Mal conseguia respirar por medo de me ouvirem. Mas depois de algum tempo, eu já tava até me acostumando com o som da voz dele vindo do corredor. Até a Helo parecia menos nervosa enquanto tentava enrolar o cara com qualquer história. E logo o nervosismo foi dando lugar a uma sensação de relaxamento. Afinal, por pior que eu estivesse, eu tinha acabado de transar. E até que não tinha sido ruim pra uma guria virgem. Ela tinha um corpo bem bonito e parecia bem a fim. O problema da primeira vez é que a mina costuma ficar tensa, preocupada, com vergonha, sei lá, e não consegue curtir o momento. Apesar de eu estar longe de ser um príncipe encantado, a Helo pareceu estar bem decidida da escolha dela, e curtiu. Ou fingiu muito bem. Não vou entrar nesse detalhe. As pessoas tem essa mania de ficar procurando problema onde parece estar tudo bem. “Como assim tá tudo bem? Não é possível.” Não vou fazer isso. Mas é claro que aquele Thom relaxado não existiu por muito tempo. Não depois de ter feito a quantidade de merda que fez, e ter caído na realidade de que ele e a Alícia não tem mais nada a ver. Fechei os olhos e fiquei tentando pensar em qualquer coisa, qualquer coisa que fizesse a cara da Alícia sair da minha cabeça. Faculdade, a treta da Raíssa com o Matt, o Fred comendo a Vicky, a festa do Fred, o que o Gab poderia estar fazendo, Beatles, os dentes tortos daquela guria bonita, o Ringo, um pedaço de pizza, qualquer coisa. Mas parecia que tudo que eu pensava tinha alguma relação com ela. A faculdade me lembrava que ela tava se mudando por causa do curso, a treta com a Raíssa me lembrava da treta com ela, o Fred comendo a Vicky me lembrava de nós dois juntos, a festa do Fred me lembrava do que eu tinha feito depois dela, toda e qualquer porra de música dos Beatles me lembrava ela, os dentes tortos da guria eram substituídos em segundos na minha cabeça pelos dentes pequenininhos dela, me lembrava dela brincando com o Ringo, os desenhos que ela fazia de mim com o Ringo… Até o caralho do pedaço de pizza se transformava numa cena nossa comendo depois de sairmos juntos de alguma festa de madrugada. Caralho, como é difícil ter que lidar com a nossa própria cabeça. E é isso. Olhei em volta. Agora somos só eu e minha cabeça. Não posso sair daqui, nem falar, nem fazer nada. Não tenho escolha além de ter que lidar comigo mesmo. O problema de ficar sozinho é que tu é obrigado a lidar consigo mesmo. E essa pode ser uma das coisas mais difíceis de se fazer. A minha dificuldade de ficar sozinho com meus pensamentos só me indicava uma coisa, e bem claramente: as coisas não tavam nada bem. O que se passava na minha cabeça não condizia nem um pouco com a realidade, com o que eu tava fazendo. Eu queria enxergar o término como algo bom pra caralho, ou como algo sem importância. Tocar o puteiro, pegar todas as gurias da face da Terra, tirar a virgindade de uma novinha e sair contando vantagem, superar a Alícia do dia pra noite. E por algum tempo, eu consegui me convencer de que conseguiria fazer tudo isso - e rápido. É fácil se convencer de algo quando tua cabeça tá ocupada demais pra refletir sobre aquilo. Ali, sozinho, eu saquei que tava me entupindo de coisas pra fazer e pensar pra não ter que lidar com o que tava acontecendo de verdade: eu tava na bad por uma mina. Sim, aquilo que eu evitei a todo custo quando eu comecei a ficar com a Alícia tava finalmente rolando. Ela sempre deixou claro que gostava de mim, desde o início. Hoje eu percebo que eu também sempre gostei dela, desde a primeira vez em que reparei naquelas pernas fininhas e no sorriso largo. Mas eu evitava. Evitava falar com ela, pegar ela, sair com ela e, acima de tudo, evitava gostar dela. E isso foi ficando cada vez mais forte em mim, cada vez que a minha vontade de ficar com ela aumentava. Na época, eu não sabia exatamente o porquê. Até ela me chamar de covarde. “Tu tem medo de gostar dos outros”, ela disse, logo depois de ter soltado um “seu covarde escroto”. Sinto que as pessoas precisam ser meio incisivas comigo pra eu prestar atenção. Eu tinha medo de gostar dela, porque eu sabia que em algum momento eu teria que parar de gostar. Às vezes eu sinto como se sempre soubesse que uma hora ela iria embora. Ela não tinha motivos pra ficar. Tão bonita, tão esperta, tão cheia de sonhos. O que eu mais amo na Alícia é o quanto ela se ama. O quanto ela é fiel às coisas que ela gosta: seja eu, seja a arte. Se naquela época ela sentia que o que a faria feliz era eu, ela aguentava todas as porradas pra ficar comigo. Me aguentava sendo um completo babaca covarde. E ela gostava tanto da gente que me convenceu a gostar também. Me fez pensar que, por mais que eu soubesse de toda a merda que tava por vir, eu deveria aproveitar enquanto as coisas iam bem. Foi o que eu fiz. E se agora o que a faz feliz é morar em outro país, estudar e o caralho a quatro, é isso o que ela vai fazer. Pois é. Eu tinha certeza de que, em algum momento, ela encontraria algo do qual iria gostar mais do que de mim. E não digo isso pra terem pena de mim. É apenas um fato. Eu sabia que não era legal o suficiente pra segurá-la por tanto tempo. Ela se entedia fácil. Eu só espero que eu tenha a entretido enquanto durou. Era bem isso que eu queria falar pra ela: espero que eu tenha te entretido. Estremeci quando ouvir o som de uma porta se abrindo. Mas pro meu alívio, não era a porta do quarto. Considerando o silêncio que rolou logo depois daquilo, cheguei à conclusão de que a Helo e o irmão dela tinham saído de casa. Não se ouviam mais vozes, passos, nada. Esperei mais alguns minutos pra ter certeza, depois saí debaixo da cama, respirando com alívio. Finalmente vou conseguir ir embora dessa porra! Já devia ser tarde pra caralho, mas eu não conseguia saber, porque a janela tava fechada. Vesti minha camiseta, minha cueca, calças e tênis com muita pressa. Me lembrei dos tantos dias em que eu acordava atrasado pra ir pra escola e já tinha estourado em faltas fazia muito tempo. Enfiei meu celular no bolso e saí do quarto com cuidado. Olhei para os dois lados do corredor antes de colocar os pés pra fora do quarto. Não vi ninguém. Caralho, a Helo foi muito ninja nessa ideia de tirar o irmão de casa. Assim fica fácil de vazar. Só espero que ela tenha se lembrado de deixar a porta destrancada. Meu coração se acelerou quando pensei naquilo, mas eu não podia perder as esperanças. Eu precisava muito ir embora. Se eu fosse obrigado a ficar mais um segundo ali, imerso nos meus pensamentos, eu iria acabar saindo pela janela num suicídio. Mas como eu sou idiota. Por que eu to andando com tanto cuidado se claramente não tem uma porra de uma pessoa em casa? Assim que relaxei, tirei um cigarro do bolso e o coloquei na boca enquanto tateava meus bolsos à procura do isqueiro. Cheguei na porta da sala e, claro, tava trancada. Forcei a maçaneta algumas vezes, como se eu tivesse alguma espécia de mão mágica que fosse capaz de abrir fechaduras. Puta que pariu. Acendi meu cigarro pra me acalmar, senão iria acabar dando um chute naquela porta. Eu queria muito sair daquele lugar. E como um cigarro enviado pelos deuses, assim que dei o primeiro trago, me lembrei de que normalmente os apartamentos têm uma outra saída pela área de serviço. Saí da sala em direção à cozinha, porque sabia que a lavanderia ficava logo ao lado, e meu coração quase saiu pela boca quando dei de cara com um homem sentado à mesa da cozinha. Obviamente era o irmão dela. Devo ter arregalado os olhos mais do que o Fred, e o meu corpo todo se congelou. Fiquei parado, olhando enquanto ele ameaçava cortar um pedaço de salame com uma faca gigante, e me encarava de volta. Ele parecia tão ou mais surpreso quanto eu. Ficamos nos olhando por alguns minutos, sem mexer um só músculo. Ele me fitou de cima a baixo, ainda em choque. Ele pousou o olhar no cigarro aceso na minha mão. E, logo em seguida, fez um gesto com a cabeça em direção à porta de saída da lavanderia. Entendi aquilo como um sinal pra ir embora. Ele levantou a bandeirinha branca de paz. Eu fiz o mesmo ao apagar meu cigarro na pia e sair do apartamento o mais rápido possível. Pelo jeito, ficou combinado que iríamos fingir que aquilo nunca tinha acontecido. Pareceu que o Matt adivinhou quando eu botei os pés pra fora do prédio. Meu celular tocou, e era uma chamada dele. Antes que eu falasse “alô”, ele já começou o discurso. Matt: Ei, Thom. Eu to ligado que tu quer ficar sozinho, mas cara, o Fred é um idiota, tu sabe… Não ouve as coisas que ele diz, beleza? Eu… Eu to aqui pra quando tu, tipo, quiser conversar. Eu to ligado que tu não quer agora, mas se uma hora tu quiser, eu posso conversar contigo. Ou só ficar junto contigo. Não sei se tu quer alguém contigo… Eu: O que tu quer? Matt: Como assim? Eu: Era isso? Matt: Era… Mais ou menos. Na real, vai rolar uma palestra agora à tarde, e conta como atividade complementar. Considerando que a gente já faltou hoje de manhã e tu tá meio ferrado em todas as matérias, aculumar umas horas de atividade complementar pode te ajudar. Eu nem sabia que porra era atividade complementar. Matt: Mas se tu quiser ficar de boa, tudo bem. Só quis te avisar. Eu: Tá. … Matt: Tudo bem contigo? Eu: Eu to indo pra aí. Matt: Beleza. Eu e o Fred te esperamos aqui na república. Eu: Tá. Eu não to muito longe. Matt: Mentira, o Fred não quis esperar e já tá saindo. Ouvi a voz do Fred no fundo me xingando de qualquer nome. Matt: Mas eu posso te esperar. Eu: Não precisa se não quiser. Matt: Não, tudo bem. Eu espero. Desliguei na cara dele. Só percebi isso depois que eu fiz. Não era nada contra ele, mesmo. Eu sabia que o Matt tava preocupado comigo e tava tentando ser legal, sem invadir meu espaço. É isso o que ele sempre tenta fazer. Mas eu tava nervoso comigo mesmo, porque eu sabia que tava fazendo aquilo de novo: me enchendo de ocupações pra não ter que ouvir meus pensamentos. Eu não devia fazer aquilo, mas era mais forte do que eu. Pelo menos agora eu sabia que tava fazendo coisa errada. A tendência é melhorar com o tempo. Mas agora eu preciso me distrair. Eu sei que não to preparado pra lidar com a porra toda. Talvez eu nunca esteja. Fato é que eu não tava nem um pouco a fim de ver porra de palestra nenhuma, mas se eu ficasse em casa, sozinho, minha cabeça ia se encher de merda de novo. Então saí andando em direção à república. Próximo post: 02/11!
“Quem se apaixona pela paixão Então, para, de se crescer meu bem Pois de todo esse amor Nenhum Pedaço é teu.”
Criolo.
Budapest Pride Felvonulás / Budapest Pride March 2014.
Everything about this picture makes me so happy and makes my heart go “!!!!!”
Me sinto ansiosa por algo que não chegará. Não sinto sua falta, talvez dessa energia clara e indomável. Sempre a porra do meu dilema, meu ódio fantasiado de amor. Sempre esperei demais, culpa minha! Ninguém tem nada a ver com isso. Depois dá terceira eu já devia saber que sempre iria ter mais. Me senti disposta e louca pra continuar. Sugou meus pensamentos e vontades, bons e maus amigos ou mais que isso. Nunca um casal, mas brigando como um. Sempre sofria em cada briga inútil que iria terminar comigo indo até sua casa, porque meses longe eram anos, e o medo da ausência era diário. Talvez eu sinta sua falta sim, e sei que nunca vou te entender. Nem te esquecer. Você vai procurar por mim, em cada mulher. Alguns amores foram feitos pra existirem, não aconteceram. queria eu não saber de fato o que é isso. Estou bem, não sei direito se isso é sobre mim ou você. Já fui melhor com pensamentos e palavras. isso não importa mais. De qualquer forma não me arrependo de ter ouvido meu coração todas as vezes que ele berrava. Você é um erro, e erros foram feitos para serem cometidos. Não quero terminar isso com uma conclusão, Não temos conclusão. Só acho que somos bons em sermos ruins. Eu te amo PS. Amigos não fazem o que você fez, passar bem.
Novidsky, pecê
Alma. Queria voltar, Voltar de onde ninguém devia sair, voltar pra cor dos dias, voltar correndo sentindo o coração saindo do peito, voltar mesmo com chuva, mesmo com raio, mesmo em prantos. Talvez voltar com o rabo entre as pernas, ou com a fé erguida. Voltar com cansaço mas com aquela sensação de que fez tudo. Mesmo que não foi o suficiente. Até a derrota é uma vitória, mas qual é o nosso limite? Eu tenho certeza que não conheço meus limites, por isso não sei se os ultrapassei. Louco, perturbador. Deve ser por isso que me sinto um fracasso, como se meu esforço não seja bom. Eu me esforço tanto... Nem sei o que tô pensando; na verdade sei, mas não esclarecer. Me importo com coisas que não parecem relevantes para outras pessoas, esqueço disso, e elas não sabem que sou louca, meus cabelos de 65cm não dizem isso, nem minhas piadas. Até me acham louca, mas do jeito "bonitinho" da coisa, talvez a parte menos pior dessa bagagem. Sigo me individualizando de mentes ignorantes limitadas a tal ponto.
Pecê
Contaminada, me sinto contaminada pelo desamor. O mundo anda me assustando, é como uma cidade mal frequentada. Me pego odiando algo que mal conheço, mas também amo rápido, me engano rápido. A anos não consigo terminar um poema e isso é mais que um reflexo, me tornei poemas incompletos. Sinto falta! Sinto medo. Sinto muito, e tudo.
Pecê
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