Quem observava o piano assim, no pé da areia, sem qualquer outro instrumento a sua volta, não imaginava o quão difícil fora arrastá-lo até lá — gerar portais com um destino inusual exigia mais habilidade que o normal. Fora que desconsiderar o fator climático de Seatopia atrasou seus planos matinais e extremamente saudáveis, o vento que atravessava o pequeno vórtex se formando o desconcentrava. Tudo bem, embora demorado, ele conseguiu retornar a postura necessária para que não somente ele passasse (já atravessou portais minúsculos uma vez que estava com fome e não conseguiu deixá-lo de um tamanho adequado), mas também o piano que requeria mais de um metro e meio de altura. E então chegou a parte mais difícil: empurrá-lo. O hopps preferia que toda a parte anterior não apagasse o brilho de seu show na areia; que não era show nenhum, nada disso, tudo devia-se a entretenimento próprio. E como um nativo maravilhenses, ele nem tinha muito o que explicar, somente gostaria de tocar seu excêntrico piano com adesivos irados na praia, entreter os pássaros, os peixes, o que desse na telha. Depois de ouvir uma ou duas vezes uma música, ele memorizava os acordes e podia reproduzi-los; e assim o fez com aquela música que, de alguma forma, encantava-o mais toda vez que tocava. E havia o feito incansáveis vezes depois que assistiu um filme quando criança. Pigarreou ao notar MUSE, desconsertando-se com a presença não planejada, fazendo um som estrondoso ao final da canção ao apoiar o cotovelo nas teclas do piano. “Oi, você por aqui!” Saudou com um tom que tentava ser casual, mas exagerava um pouco. “Isso parece aleatório, mas eu fui pago pra fazer.” Brincou, gesticulando com uma das mãos. Levantou os ombros em seguida, a aura despretensiosa o envolvendo. “Sabe, tá bem cedo. Isso nos faz duas pessoas que terão um bronze legal sem insolação. Eu trouxe meu protetor solar, então você pode pegar, se quiser.” Tagarelava como o padrão, cedendo um espaço ao seu lado no banco. “Ah, você quer ouvir algo? Meus fãs vão ficar um pouco chateados.” Brincava como se aquilo realmente fizesse importância para alguém. “Mas eu te coloco no topo da minha lista!”
A corrida diária de Sinister havia tido uma mudança de localização. Por que não correr na areia, sentindo a brisa do mar e o sol queimar a sua pele? Não possuía pontos negativos para ele, então assim que a Academia magicamente mudou de lugar, o local utilizado para os treinamentos dele mudaram também. O Facilier corria perto o suficiente do mar para que as ondas molhassem seus pés na calmaria que seguia a sua quebra, momentos como aquele o colocavam em modo contemplativo, quase o fazendo esquecer de todo o mundo ao seu redor e de seus objetivos de vida. Era como se por algumas horas, Sinister pudesse sentir paz. Coisa que não se deixava ter o luxo de sentir desde que se separou de uma pessoa importante, a única que ainda conseguia acalmar os sentimentos negativos no coração rancoroso e o libertar, mesmo que temporariamente. Poderia se acostumar com tudo aquilo. O som das gaivotas e da calmaria do mar eram tudo que ele esperava encontrar naquela manhã, entretanto, foi pego de surpresa ao ouvir a melodia de um piano. Franziu o cenho, não esperava ouvir música tão perto assim do mar e acelerou o passo até finalmente vislumbrar a figura e seu instrumento. “Hopps.” Saudou assim que sua presença foi notada, buscou se aproximar de forma silenciosa para que a música não fosse interrompida, mas não poderia ficar ali sem ser percebido para sempre. “É? Você vai receber em eskals ou em comida de gaivota?” Perguntou brincalhão, afinal, não conseguia ver ninguém ali que estivesse observando o show. “Tô de boa, já passei... Valeu.” Ponderou por um momento, tentando lembrar quanto tempo estava na praia para saber se precisava passar novamente. “Você toca qualquer coisa?” A curiosidade era genuína, não imaginava que o Hopps tivesse esse talento.