(São Paulo, Brasil, 1963 - 2014)
“Se me chamam de lésbica ou safista, sinto orgulho e me envaideço: a origem dos termos é nobre. Safo, a grega, foi a maior poeta lírica da Antiguidade, cultuada por Platão e Ovídio e sucesso no Mediterrâneo cinco séculos antes de Cristo. Por acaso, fazia sexo com mulheres, vivia na ilha de Lesbos e, para tocar sua lira e manter as unhas curtas, inventou a palheta, a mesma que roqueiros usam para fazer gemer suas guitarras. Bons dedos e boa lábia. Por que me ofender se me chamam lésbica? ” *
Conhecida pela composição “Noite Preta”, a qual foi escrita em parceria com Cilmara Bedaque e tornou-se tema de abertura da novela Vamp (1991), Maria Evangelina Leonel Gandolfo foi ganhando gradativamente espaço nas mídias. Além de compositora, vocalista, baixista e tecladista, ela atuou como artista, proto-escritora (como se autodenominava) e foi uma das maiores ativistas do movimento LGBT brasileiro.
Vange Leonel assinava as colunas: GLS, da Revista da Folha, no jornal Folha de S.Paulo, e a coluna “Vange Leonel”, no Mix Brasil, também mantinha um blog (http://vangeleonel.blogspot.com.br/), publicava ativamente no twitter e respondia educadamente tod@s que a procuravam.
Em 1979, quando estreou em sua carreira musical cantou ao lado do seu primo Nando Reis, na banda de reggae “Os Camarões”, depois atuou como vocalista da banda de Rock “Nau”, sucesso da década de 80, com essa banda lançou o primeiro disco homônimo. Em 1991, lançou o disco solo “Vange”, produzido em parceria com Nando Reis. No ano seguinte, recebeu o prêmio Sharp de Música como “cantora revelação de pop/rock”. Em 1995, lançou mais um disco intitulado “Vermelho”.
Depois do sucesso musical, Vange Leonel passou a se dedicar a sua carreira como escritora, ativista ferrenha escreveu livros defendendo a causa LGBT: “Lésbicas” (1999), “Grrrls: Garotas Iradas” (2001), “As Sereias da Rive Gauche” (2002) e “Balada para as Meninas Perdidas” (2003). Teve também duas de suas peças teatrais estreadas: “As Sereias de Rive Gauche” (2000), com direção de Regina Galdino, e em 2006, “Joana Evangelista”, encenada pelo grupo “Os Satyros”.Vange Leonel foi casada por mais de duas décadas com a jornalista Cilmara Bedaque, com quem compôs a canção “Noite Preta” e compartilhou o blog “Lupulinas”, sobre cervejas artesanais, no site da Revista “Carta Capital”. Em seu texto “Ninguém vai me ofender”, Vange explicita sua admiração pelas mulheres e declara seu amor por Cilmara: “amo e admiro mulheres em geral, mesmo sendo apaixonada por apenas uma, em particular”.
Com 51 anos, Vange Leonel morreu de um agressivo câncer de ovário. No dia 14 de julho, Vange fechou os olhos e deve ter seguido cantando o seu sucesso: “Fecho os meus olhos/A caverna e o coração/Perdidos entre um sim e um não/ Na calada da noite preta/Deus, Deus, Deus/Aonde eu vim parar/À noite preta vou me entregar”.
*Texto: “Ninguém vai me ofender”.
http://vangeleonel.blogspot.com.br/
http://blogueirasfeministas.com/2014/08/vange-leonel/
http://farofafa.cartacapital.com.br/2014/07/15/vange-leonel/
http://feminismo.org.br/um-ano-sem-vange-leonel-a-guerreira-safica/