eu me sinto machucada hoje. mas não me apego muito.
tudo passa, necessariamente.
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eu me sinto machucada hoje. mas não me apego muito.
tudo passa, necessariamente.
16 de abril de 2025
café fumegante às 20h37 com chuva, vento quente e lágrimas.
um dia cético. árido apesar da chuva. e pra assombrar minha sinestesia, descobri que alguns sentimentos enterrados respiram debaixo da terra. um velho conhecido rastejando veio atrapalhar minha paz de espírito. que ridículo! justo em uma quarta-feira, pensei que essa coisa com ar de tristeza só me visitasse em dias azuis. ou nos cinzas, é claro, quando ela tenta se confundir com a melancolia. não achava que seria em um dia cor de terra.
quando nos sentamos lado a lado e isso parece um acerto de contas. preciso que os seres divinos me permitam desfrutar disso. porque sentir tristeza é um privilégio. me deixem senti-la. me deixem a sós.
hoje a tarde ouvindo meu amigo desabar suas angústias no sofá marrom e largo da minha casa, eu senti uma coisa pequena e chata rachar, e eu me sentiria muito mais digna se essa coisa fosse pela empatia ou algo assim. mas não era. era por mim mesma. e isso nada tem a ver com meu amado amigo porque eu o escutei e tentei soar acalentadora, tentei mostrá-lo que estava ao seu lado, eu partiria o mundo em dois por ele. canso meu corpo infinitas vezes pensando o quanto o mundo avança os limites daquele coração dourado, tanto que ele se tornou cheio de couraça. mas pra mim ele é uma manteiga.
a ruptura singela e triste parece ter o formato do sorriso que eu dei, percebendo dentro de mim uma carência sepulcral. meus olhos se encheram de lágrimas e graças ao tempo eu aprendi a fechá-los como se fecha a boca e engolir as gotículas como se fosse água e faltasse ao corpo ir embora. elas regressaram, não sei para onde. no meu abismal egoísmo eu quis dizer para ele que estava triste e quebrada e pensando: quando as gentilezas serão para mim?
mas não pude. então esperei ele ir embora em segurança para chorar e deixar que a rachadura tenha minha atenção. que me rompa ao meio. tanto faz o que acontece após isso. tanto faz porque o caminho segue. o mundo não para. nem a cobrança, nem a demanda. não há tempo pra isso. lamentações. se quebrou ou se acertou eu vou continuar como sobrevivente.
eu vivi assim. a rachadura não podia me parar, eu encarei todas as minhas feridas, mesmo as que eram muito maiores do que minha coragem e disse: eu não posso parar por você. que insensata.
meus demônios todos se sentindo enevoados e revoltados com minha indiferença, como você pode? como ousa?
que exaustão eu sinto.
7 de março de 2025
uma coisa estranha passou pelo meu estômago às 9h quando o professor se atrasava, e o amigo ao meu lado não servia o suficiente pra me fazer afundar na realidade, e as plantas verdes em contraste com a porta azul enjoado (e eu amo muito azul para ter que dizer isso) me traziam sensação de estar longe.
nos últimos dias é disso que tenho fugido e é também o que tenho mais experimentado.
perguntei pra alguém mais experiente que eu: quando você se sente ansioso, também sente que tudo que está fazendo (até mesmo o que fala) está equivocado?
a resposta foi: sim, era depressão leve.
mas dessa eu me esquivo até a morte. foi nesse pensamento bobo que meu professor atrasado chegou pra poupar a ladainha que se seguia na minha cabeça. o rosto de bajonas é de um senhor bastante experiente da elite carioca. toda vez que ele se dispõe a falar dos anos dourados da universidade na baixada, eu só penso em como o homem não teve um fiapo maltrapilho da vida.
e isso não é apenas meu julgamento. atualmente ele aplica uma disciplina meio esquisita de projeto de tcc e quando se depara com o terror nos olhos de alguém, ele mesmo diz: não tive nenhum trauma na universidade, não posso compreender o que está passando. eu apenas fazia e passava.
foi assim que ele ganhou um concurso de um livro de filosofia, na época, uma bufunfa de 50 mil reais. diz ele que construiu sua casa com o prêmio. lá em manguinhos. de onde ele sai toda sexta-feira e se atrasada dizendo: é que eu sou de manguinhos. quando as aulas eram nas quintas ele fazia a mesma coisa.
manguinhos é distante mesmo, mas se eu chegasse atrasada de viana na segunda ou na terça, ninguém ia entender que viana também é longe.
quando ele está girando a chave na porta azul bonito eu percebo que ele tem cheiro de protetor solar. pudera. a capital está matando nossa saúde. é muito concreto quente, por isso eu odeio universidade que parece um escritório de advocacia. os advogados que me perdoem, mas que coisinha mais sem vida. universidade pra mim tem espaços esquisitos, abertos, pintados, verdes. uma coisa misturada entre longas extensões e prédios fofos. claro que fofos vem bastante maquiado de aos pedaços, às vezes interditados. às vezes sem energia, enfim, deixa pra lá. aqui tem bastante espaço aberto e está um calor terrível.
a forma com que o professor se movimenta me lembra a capa do álbum solar power e radical optimism. azul forte que está na porta é o fundo, sol brilhante sob a sua cabeça e um corpo inquieto cheio de protetor solar.
mas ele nem deve ouvir essas coisas. é filósofo. vive descaldando o sertanejo que "transformou nossa cultura em agro". imagine o que ele não pensa do pop despretensioso.
quando entro a sala tem aquele cheiro insuportável que eu vou sentir falta quando for embora de vez. três pessoas na sala nem é mais desconforto. eu chamo de sorte. conversando e gravando nossa conversa que bajonas chama de orientação, eu deixo escapar meus objetivos e lamurias sem parar de anotar alguma coisa sobre o universal que ele tanto fala.
universal pode ser aquilo que está em comum, é claro. mas para hegel é finalidade. essa finalidade me pega. finalidade de que? aí é problema meu né. tenho que responder esse papo de maluco.
mas basicamente é para aonde a história aponta. o fazer dos sujeitos. se eu penso em crise climática, jornalismo e povos originários, talvez a finalidade seja a emancipação social. um mundo onde nossa relação com a natureza não seja de expropriação, uma nova ordem vigente. se for isso, está feito.
no fim ele ajeita a postura para falar comigo sobre algo importante: sua falta de aderência na turma. é cômico como eu sempre fico com o pior. ele fala bem baixo: recentemente o coordenador do curso comentou comigo que sua turma tem insatisfações com a aula, sabe me dizer o que houve?
ah se sei! fizeram até lista com matrícula e nome para formalizar uma queixa contra o barbudo de protetor solar e camisas apertadinhas. eu achei uma arrogância sem tamanho e jamais colocaria meu nome. se eu tivesse algo pra reclamar com ele, que pelo menos fosse honroso em sua frente.
claro que a semana inteira eu esbravejei os e-mails enormes que ele manda que no fim das contas me deixam mais confusas. mas eu devolvi na mesma moeda, mandei e-mails enormes dizendo que não ia dar pra pensar daquele jeito. é o que a turma também faz mas não se entende que fazem.
ele não fica sensibilizando ninguém para produzir, e eles respondem na mesma moeda: não produzem. não sei porque o escândalo. às vezes acho que sou grosseira, porque não entendo nada disso. se deseja tanto reclamar, venha até o barbudo e reclame!
o que esse senhor filósofo que nem ao menos cobra presença poderia fazer frente a uma crítica? ouvir, é claro. é demasiado educado para não fazer. tentei ser cuidadosa nas palavras e ele disse algo que concordo: sua turma tem um certo grau de primarismo, se comportam como ensino médio.
no 7 período eu também esperava mais. mas não tendo mais nada para pontuar...e diversas vezes eu tive que me repetir pois o barbudo não me ouvia. como ele podia falar tão baixo e se escutar, e a mim não entender nada? enfim, terminei o relato dizendo: a turma não teve muito acordo, e acabou caindo por terra essa história toda. acho que eles chegam com um julgamento da sua aula, e vão confirmando ao longo do semestre. talvez porque você deixa as coisas mais livres, sem datas acirradas e cobranças de presença.
imagine o homem sofrer por isso. que pena.
na volta pra casa eu estava quase dormindo. a tarde marquei um programa que deu todo errado e isso me desregulou. não gostei do filme que vi. em partes porque cheguei atrasada e já não quis ver mais nada. pra mim é uma loucura chegar atrasada no cinema. que tipo de gente se atrasa para um filme porque está tirando foto? não digo em voz alta para não ser grosseira.
conclui que minha maior audácia em vida ir contra as orientações de bajonas para o tcc.
de noite meu coração pesa. ele não entendeu nada, eu queria me sentir enterrada no mundo algumas horas antes, quando minha mente estava flutuando morimunda. agora eu só quero me sentir leve.
preciso ser sincera, isso nem me comove mais. é previsível.
eu aguardo entediada o dia em que não sentirei nenhuma chateação sobre; apenas indiferença mesquinha.
que deplorável da minha parte;
eu podia ser outra pessoa
quantas rachaduras;
eu podia ter saído ilesa
so how much sad did you think I had, did you think I had in me?
how much tragedy?
ficar triste e chorar e não ser da conta de ninguém. compartilhar a tristeza é um privilégio.
nenhuma boa ação sai impune.
a cor mais bonita do sol aparece quando ele está indo embora
é a saturação divina e a maldição do abandono
“Some conversations stay in your heart forever.”
dedico o álbum “caju” da liniker inteirinho para você
eu sempre quis um amor “veludo marrom”, com gosto de poesia e sensibilidade aflorada. um amor que desperta aqueles sentimentos mais profundos e difíceis de escrever. um amor com gosto do novo, que enche o coração de paz e vontade de experimentar a vida. um amor-rio, um amor-mar, um amor que percorre oceanos inteiros. um amor com gosto de saudade que nunca passa. um amor correspondente, que testemunha os medos e quedas e os voos mais altos. um amor que faz voar, que cruza cidades inteiras para pousar na concha de um abraço. um amor-casa, que te faz retornar para dentro de si mesma e se voltar para dentro do outro. um amor dialético, que se movimenta, que mora nas contradições de tudo que se revela. um amor que eu sou minha, mas que também abre espaço para que eu seja sua. um amor-cru, transparente, indecente, que molha a boca na ferida aberta. você disse uma vez que me amava sem temperos - e eu achei bonito. ali eu percebi que eu não preciso embelezar todas as coisas, pois há algo que se revela no incrível e no terrível de tudo aquilo que sentimos.
talvez seja porque o amor reside no aconchego, na paciência e acolhimento com aquilo que causa ânsia. o amor está no tempo, que corre, mas corre em direção a nós. o tempo é perspectiva: as vezes parece muito, as vezes parece nada. por vezes, eu sinto que não tenho tempo para viver tudo com você, outras vezes sinto que já vivemos vidas inteiras juntas em vários planos existenciais. e sempre quero mais. sinto que preciso conhecer mais, porque o incrível do tempo é que ele não tem início, meio e fim. ele só existe e permanece. nós, passageiros, de passagem, com pressa e vontade, desejamos que ele pare, fique mais um pouco. mas viver e morrer é parte da nossa natureza. tudo vai, e tudo fica. eu vou, mas eu fico. nosso amor permanece aqui, pra sempre gravado no tempo. como beijar de novo pela primeira vez. talvez seja isso: todo beijo é o primeiro. todo toque é único. a gente nunca toca do mesmo jeito. todo toque é descoberta. você é tecelã do céu que se abriu no meu peito quanto te amei. eu quis fotografar o amor que senti quando você me olhou nos olhos, eu quis emoldurar o seu cheiro na minha pele, gravar cada ressoar do seu coração. eu nem prestei atenção quando você arrumou a cama todas as vezes que eu estava no banho, e eu a baguncei novamente, porque só conseguia prestar atenção em você. e todas as vezes que a água tocou a minha pele, eu quis que seu toque não fosse embora. porque eu gosto do amor que se registra na pele e no corpo. eu gosto do amor que altera a química do meu cérebro, que modifica o meu corpo, que preenche as lacunas.
meu corpo é um território que eu te deixei habitar e conhecer meus lugares mais sensíveis. você me habitou e eu não fui mais a mesma. eu tive medo disso. porque toda mudança é também uma ruptura. e eu tenho medo de mudanças, tenho medo daquilo que se esvai e não pode mais voltar a ser o que era. mas eu descobri que há algo de sagrado nas mudanças, porque, veja bem, nada volta a ser o que era. tudo é novo. essa é a beleza das coisas. meu corpo não é um santuário. eu não sou intocável. eu sou imensa na minha vulnerabilidade. eu sou honesta naquilo que me faz chorar. e eu choro. e o amor é quando você beija meus medos e faz eu me sentir amada na minha vulnerabilidade, que eu sou bonita e boa.
e eu encerro aqui parafraseando a liniker:
- quando houver neblina, que eu seja um sol interno.
- quando houver deslizes, que eu saiba como voar.
é preciso ser eterno em alguma memória, como um pseudofruto que deixa o gosto gravado na boca.
eu sou eterna para você?
o que você sente quando você me beija? minha poesia toca o seu coração? que planeta eu sou? quais partes minhas fazem seu coração vibrar? quais são seus sonhos mais íntimos? quais fantasias te apetecem o coração? qual o cheiro da sua coragem? qual o tom do seu medo? qual o gosto do amor?
eu quero sufocantemente ser entendida, e isso quebra todas as minhas tentativas. eu tenho medo do momento em que você compreender quem sou e me odiar. tenho medo de quando falar aos outros que em tudo fui manipuladora, em tudo quis te ferir. que eu sou uma conversa perdida. que cada lágrima minha era pra te comover. causar em você algum estrago maior do que te fizeram. maior do que a ferida que fizeram de mim.
eu faço você sentir culpa por algo que eu deveria sentir? não me permito sair desse ciclo vicioso. vivi tanto tempo da minha vida tendo a realidade minada, que desconfio de que no fim eu seja uma máscara. sou falsa. talvez eu seja tudo aquilo foi dito. às vezes é melhor aceitar alguns fracassos. foi assim que aprendi a ceder.
eu quero sempre me desculpar por ser o que eu sou. por fazer o que faço. existe uma onda de sensações ruins sempre que eu falo sobre meus sentimentos, a parte que me toca. quando quero dizer não.
talvez esse seja o lugar que mais se pareça com amor para mim, onde eu posso dizer não sem ter medo de ser má. também onde eu posso olhar pra mim sem deixar de ser boa para o outro. onde eu não precise ceder todas as vezes, nem mudar quem sou.
é onde eu posso acreditar que não sou ruim. não sou ruim. ou tento não ser. acho que tanto faz.
mas a voz que me assegura das minhas intenções nunca é a minha. como se estivesse na menoridade, como se precisasse de tutela. eu sento e espero que você me julgue e diga o que sou. porque acho que eu não consigo mais.
Acreditariam se eu lhes dissesse que a humanidade ainda nem rompeu o ventre? Corremos um risco sério de aborto espontâneo.
uma deusa sem cabeça
um pequeno pensamento acende a centelha que ilumina minha escrivaninha: eu queria remontar minha escrita para que fosse mais mágica.
a primeira vez em que meu mundo pareceu apagar em silêncio, eu teci uma narrativa. disse para minha psicanalista que estava em um barco. sozinha. mas isso não significava que estava a deriva. eu contei uma grande aventura mágica em um barco quase náufrago, com tempestades e tesouro. ela se surpreendeu quando eu disse que dentro da caixa o tesouro era um quebra-cabeça. e respondeu que eu estava trancada no meu próprio mundo. naquele momento senti uma raiva irracional da mulher, queria dizer a ela que estava enganada, e depois fiquei feliz. quer dizer, se eu me tranquei, então pelo menos que ela ficasse do lado de fora! queria dizer que esse mundo me salvou, mas para ela eu estava morrendo.
esse é um segredo altíssono, eu sempre acreditei na magia. todo esse esforço é para confortar meu ethos e dizer que minha inadequação não passa de magia. explicações inacessíveis aos humanos. prefiro me sentir grande como circe, ou que há lugar para mim na ilha das sereias. porque quando exploro meu lugar no mundo, parece que continuo lutando com as tempestades enchendo meu barco. por isso me apego ao fantástico, sei que meu espírito se acalma quando imagina pertencer; quando conta uma história, imagina os detalhes e definha nas paixões. eu pretendo ir fundo por paixão em tudo que me sustenta enquanto ser. é o mais próximo de magia que sinto. penso na rudeza que é meu olhar de desafio para o cosmo. se mostre! eu digo. me faça entender! toque em algum lugar profundo o suficiente. faça saltar do meu corpo o pó dourado que aguça os sentidos de um outro mundo. sinto que nasci para morar nos sonhos
narrando histórias que residem em quadros antigos sobre uma travessia estreita no mediterrâneo; ouvindo sortilégios que se infiltram nos confins da terra; revelando os segredos de como vitória de samotrácia perdeu a cabeça.
meus instintos são como o lagarto que mordeu o menino desprotegido de caravaggio, antes do seu sentimento ressoar fora da tela existe ruína e amor pelo terrível. há algo em sua expressão que faria dele um deus, um lunático, um ferido, um qualquer, mas eu gosto de observar seu dedo dolorido e o busto oferecido como um convite. se eu pintasse, queria estar no reflexo dessa dor, talvez eu a sinta; se eu pintasse, seria chamada de maldita também. a arte não começa no mais luxuoso corredor do louvre, ou mesmo na aquiescência dos deuses nos melhores quadros clássicos; mas do desejo.
e o meu desejo é visceral. eu quero encontrar o acorde divino que me faça ascender, a pincelada que me estremeça, as palavras que me libertem. quero que entendam: eu vivi pela arte, em todo o tempo eu vivi para me retirar da paralisia, pelo sentimento de não cair no esquecimento. nunca esperem encontrar minha felicidade na paixão de exercer um ofício, o que reside em mim salta pelos poros para encontrar quem vibre igual. meus ossos tremem a luz solar do deus das artes.
me faz sentir como todos os tripulantes que desbravaram o Egeu, tendo a sorte contrária daqueles transformados em porcos, me faz sentir triunfante como os afortunados que receberam a presença de nike, erguida e valente. a que saúda os amantes da arte na escalinata daru, na frança. a vitória alada que perdeu os braços, dedos, cabeça e asas.
talvez a arte seja isso, mesmo na tragédia, saber como morrer.
quem plantou essa coisa pequena e destruidora que me odeia dentro de mim
eu aprendi sobretudo a perder
a por tudo a perder
sobre todo mal perceber
que o que de pior habita
em mim
sou eu.
não te sufoca a ideia de uma perversão que rodeia nossos anseios? talvez nosso maior desafio seja mesmo fingir que viver em conjunto não nos causa mal estar.
que a consciência de nós mesmos basta para sermos cordiais. o que a gente tenta esconder de ruim nos nossos rituais? odiamos nossas verdades. nós somos carnavalescos.
é às 4h da manhã que meu coração bate mais forte. acordar é sossego quando existe você. se ao menos soubesse como minha cabeça é barulhenta.
na volta pra casa tocou je te laisserai des mots. parei pra admirar o mundo pela janela do ônibus. que graça.
tem essa chuva de pessoas falando sobre o mundo que vivemos. sobre mim. e quem são eles pra dizer que você não é poesia? queria te beijar em um anfiteatro. isso seria minha boca te recitando.
com você sempre é expectativa. todo dia você mora no futuro. e santo agostinho disse que eu só tenho o presente. o resto dos tempos são outras coisas, tudo menos tempo. memória e esperança. por isso todo dia eu te pergunto se me ama, se me quer. agora.
no tempo que eu tenho. amanhã não dá mais. nunca deu.
eu gosto de quando ri alto no meio de todo mundo. às vezes me faz esquecer que existem guerras que não posso controlar.
debaixo do mesmo céu que você eu vivo e morro. tudo é sobre você mesmo quando não tem seu nome. te deixando palavras mansas e novas versões de mim. afetos
que tipo de idiotice a gente faz quando o amor basta?
você é linda. sem metáfora alguma. eu não quero perder a camada literal. é egoísmo meu sim. o mundo espera outro dia pra ser bonito.
hoje. é você.