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Capítulo 1
Estava perdida em um corredor interminável com inúmeras portas passei minutos tentando abrir várias dessas, mas não tive nenhum sucesso o que me fez ficar irritada. Fiquei parada tentando compreender aquele lugar eu estava ficando um pouco claustrofóbica cada segundo naquele lugar pareciam minutos. Tentei me estabilizar a começar pela respiração para não enlouquece, até ver minha falecida avó minha, Minha terapia de controlar a respiração acabou falhando quando sufoquei um grito de espanto. Vovó estava com uma menina que aparentava ter cinco anos pelos seus olhos dava para perceber o quão assustada estava, não era de adimirar eu também estava. Elas seguiram pelo corredor e eu resolvi ir atras delas, afinal o que eu poderia perder? Tentei ser cautelosa não queria ser vista. Seguimos pelo corredor e as coisas foram ficando mais estranhas. Parei, quando vi a menina parar seus grandes olhos azuis me fitatam sentir um tremor minha avó logo olhou para trás, mas ela não olhou diretamente para mim, mas para uma algo bem além. Soltei a respiração aliviada.
- Vovó… Eu não quero mais! Eu quero o meu pai… Estou com medo. - Disse a menina com uma voz tristonha.
Espantei-me quando ouvi “vovó” e mais ainda quando percebi que nenhuma das duas notava minha presença, então dei alguns passos mais adiante, logo em seguida minha avó se abaixou para ficar na mesma altura da garota.
- Calma querida! Já estamos chegando e logo, logo você verá seu pai.
Vovó afagou seus cabelos e lhe beijou na testa, por mais que estivesse com ela resolveu prosseguir. Caminharam mais um pouco até pararem em frente a uma das portas. Minha avó apertou a mão da garota, que assentiu e então as duas entraram. Apressei o passo, mas a porta havia batido tentei abri-la, mas estava trancada. Bati uma vez.
- Alguém… ? - Bati outra vez, mas não acontecia nada e meu autocontrole não estava me ajudando.
Forcei a maçaneta, mas nada da porta abrir.
-Vovó?… É a Cecília… - E mais uma vez não obtive resposta.
- A senhora está ai? Por favor, abre a porta! - Bati mais uma vez e nada aconteceu.
- Vovó, eu não quero ficar nesse corredor, eu sei que a senhora está ai.
Resmunguei e bati na porta mais uma vez, derrotada resolvi esperar pelas duas com certeza uma hora elas iriam sair. Escorei-me na porta e passei alguns minutos até sentir algo gelado nos pés olhei para baixo e vi sangue escorrer por debaixo da porta. Agora sim! Aquela situação tinha passado dos limites. Era melhor eu sair dali o quanto antes dei alguns passos, mas logo parei o que será que tinha acontecido com minha avó e aquela menina? Afastei aquele pensamento da minha cabeça decidi que não iria esperar para ver o que tinha acontecido. Já estava um tanto quanto distante daquela porta quando escutei um ruído e quando me virei, avistei que à porta havia sido aberta. Senti um arrepio percorrer a minha espinha e minhas pernas começaram a fraquejar, mas eu tinha que sair daquele lugar.
- Ceci… Ajude-me… Ceci! - Um tremor percorreu todo meu corpo me fazendo ficar estática.
Aquela voz…
Sem hesitar voltei, meu coração estava acelerado e eu não conseguia respirar direito a cada inspirada meu peito doía. Entrei no quarto e um cheiro horrível de mofo me fez recuar, havia pedaços de pele com cabelos por toda parte e uma maca vazia no centro. Eu não deveria ter voltado lá. Virei e fui em direção à saída até ser parada por uma barreira invisível olhei desesperada a procura de alguém, mas a unica coisa que vi foi à escuridão bati na barreira tentando quebra-la e sentir algo cair em cima de mim.
- Ai. Choraminguei.
Olhei para o chão e notei um pedaço de cerebro ensaguentado se mexendo não tive tempo para demostra reação e senti outra batida olhei para cima e senti outro pedaço cair no meu rosto. O pânico havia se infiltrado. Inutilmente comecei a chutar a barreira com todas minhas forças, mas era em vão, o medo que aquela situação me causou fez com que minhas lágrimas rolassem de maneira descontrolada.
- Por que fez isso comigo? Gritava escandalosamente enquanto chutava a barreira incansavelmente.
- Por quê? Por quê? Por que… Mãe… Dolorosamente meus gritos foram sufocados.
- Cecília. Acorde. Acorde! - Senti uma sacudida e fui puxada de volta para realidade.
Minha visão estava embaçada aos poucos fui percebendo que meu pai estava me sacudindo estava desesperada tentando controla o choro, mas era quase impossível.
- Cecília. PARE. - Sua voz foi firme o que me fez sufocar meu choro até que ele cessasse.
Meu pai era uma pessoa impaciente e enquanto ele me analisava cautelosamente, tentei respirar fundo para que ele não tivesse que aumentar seu tom de voz.
- Tendo pesadelo com a Clarisse de novo? - Ele perguntou e todas as lembranças retornaram fazendo mais lágrimas desceram. Por impulso o abracei, mas ele fez um gesto já esperado se afastou.
- Me desculpe. - Sussurrei.
Ele se levantou pegou um lenço e limpou os vestígios de lágrimas que haviam molhado o seu terno. Meu pai era um homem fechado, não gostava de abraços, beijos ou qualquer coisa do gênero.
- Licença Sr. Heitor. - Fomos interrompidos pela voz da Olivia a nova governanta da casa.
- O carro está pronto, Thomas o aguarda. Com sua licença. - Meu pai assentiu e Olivia saiu me deixando a sós com ele. Ele me analisou mais uma vez e respirou fundo.
- Tenho que ir Cecília. Encontro-te na próxima refeição, espero que fique bem. - Ele saiu me deixando pior do que já estava.
Abracei com força meu travesseiro e tentei controlar o choro, o que era complicado já que hoje fazem exatamente um mês que minha mãe se fora decorrente de um trágico tumor no cérebro. Ela havia descoberto que estava doente há mais ou meno dois anos, quando eu ainda tinha dezoito anos. Meu pai a internou em uma clínica e me mandou para Londres para que eu pudesse conhecer um pouco mais da pintura e aprimorar meu toque no Piano. De inicio eu não aceitei, quer dizer nunca aceitei, mas eu não tinha como contesta-lo. Ele nunca me disse o motivo de ter me despachado assim tão rápido meu professor de piano era um dos melhores de Paris ele mesmo fez questão de conferir isso e minhas pinturas estavam fabulosas. Segundo Edgar (Meu chofer) ele não queria que eu visse como minha mãe iria ficar, obviamente eu não me importava queria ficar com ela, mas aparentemente ele não dava a minima para isso quer dizer nunca deu a miníma para o que eu realmente queria. Ele havia comprado uma casa em Londres para que eu ficasse uma “pequena temporada” por lá, logo desconfiei que essa temporada não ia ser nada pequena, pois até o Edgar teve que vir comigo. Foi nessa época que perdi totalmente o contato com ela, procurava ligar todos os dias para saber noticias e tudo que eu descobria era que ela estava reagindo ao tratamento e ainda estava na clinica. Ele não me deixava falar com ela em hipótese alguma o que me deixava magoada, mas como disse eu não tinha poder de contestar o poderoso Heitor, ele sempre dizia que ela tava incapacitada de falar. Então dei-me por vencida. Terminei meu curso de desenhos poderia considerar que estava indo bem, quer dizer do jeito que meu pai queria, pois não parava de me ligar pedindo mais quadros. A época em que terminei o curso coincidiu com a época que ela havia piorado, meu pai resolveu me deixar mais uns tempos fora e só pude retornar quando ela havia falecido. Foi a pior época da minha vida e nunca havia sentido uma dor tão forte e surreal como aquela. Ela se foi levando uma grande parte de mim, enquanto o resto se perdeu na angustia e culpa de que eu não fiz nada para ajuda-la, nem estive presente nem nada. Até então sofro com pesadelos que me atormentam todas as vezes que me transporto para o mundo do subconsciente. Eu tinha cuidado para não deixar transparecer a dor que estava sentido, apesar de às vezes não conseguir conter o que ficava gritando dentro de mim. Bem é isso, desenvolvi o gosto pela arte em grande parte por causa dela que desenhava e pintava muito bem. Meu pai apoiava porque foi por causa da minha mãe que sua empresa atingiu o apogeu. Todos querem um emprego na Montré, Fotógrafos, Desenhista e pintores que conseguem se fixa na Montré têm a grande oportunidade de ter o trabalho reconhecido e são jogados e um mundo de prestigio social, dinheiro e fama entre as pessoas que apreciam arte. Até então estava pintando e desenhando, mas havia perdido um pouco dessa habilidade não tinha mais praticidade como antes era difícil pegar em um pincel ou em um lápis sentia arrepio toda vez que via uma tela em branco isso tudo me recordava o que havia acontecido, o que fazia com que eu não conseguisse pintar coisa Vivas, já que eu estava impregnada com a morte. Isso estava deixando meu pai furioso ele queria me apresentar a alguns “amigos” só que eu não estava em condições ele nunca marcava o encontro. Ele me deu um tempo para vê se conseguia pintar como antes, segundo ele a pintura iria me libertar, ele estava se esforçando o máximo para respeitar meu tempo mas eu sabia que esse “tempo” estava acabando. O tempo só piorava as coisas, os pesadelos eram mais frequentes, a dores na cabeça também e aquela sensação de que tudo iria piorar.
Ouvi uma leve batida na porta e limpei os as lágrimas que restavam.
- Senhorita Cecília? Era o Edgar.
- Pode entrar. Enxuguei as lágrimas e me recompus.
- Bom dia… Consegui dribla a Olivia e… Sua expressão mudou quando viu meu estado.
- Pesadelos?
Suspirei e assenti.
- Oh minha pequenina… Senti seu abraço caloroso.
- Por que não sai desse quarto? Por que não visita a Torre Eiffel ou posso te comprar Macarons Laudurée.
Vi seu rosto se iluminar na tentativa de me alegrar, não pude deixar de sorri e o abraçar com mais força. Eu adorava o Edgar o considerava como um Pai, sempre cuidou de mim e esteve presente em todos os momentos que mais precisei. Era chofer da minha mãe é agora era o meu. Ele morava na casa dos empregados enquanto sua família morava em uma Cidade perto de Londres, não sabia ao certo onde era. Seus planos era trazê-los para morar em Paris. Viramos grandes amigos quando fui morar em Londres, ele teve que me acompanhar. Vivia me perguntando por que ele não arrumava um trabalho por lá, segundo ele ninguém pagaria por ele o que meu pai paga e era com esse dinheiro que ele sustentava sua família eu não tocava no assunto dava para perceber que era muito delicado para ele e eu não era inconveniente a esse ponto. Edgar era uma das pessoas que eu mais confiava naquela casa, não que tivesse muitos. Olhei para ele e ele limpava as novas lágrimas que se formavam.
- Não fique assim Cecília… - Edgar hesitou, mas logo prosseguiu. - Eu não sei o que você está passando, mas vou te dizer que ficar em casa sozinha não vai melhorar as coisas, ainda mais agora que seus pesadelos estão mais frequentes, estou ficando preocupado com você… Você quer ficar sempre aqui, presa nesse quarto sem ver nem falar com seus amigos… Sem tocar, sem desenhar…. Sem Pintar. Sua voz falhou.
Balancei a cabeça em negação eu já sabia aonde ele iria chegar, achava que eu estava ficando depressiva, não queria admitir aquilo, mas sabia que em parte era verdade. Perdi as contas de quantas ligações rejeitei, de quantas mensagens não respondi, visitas perdi sem falar nas flores ridículas que as pessoas mandavam como consolação. Mal podia imaginar os comentários
“ah, sim ela está com inicio de depressão, não a vejo há tanto tempo…”.
“Um mês é muito para luto da própria mãe? Para essas pessoas sim.”
“Ah, Tadinha perdeu a mãe cedo”.
“Será que ela vai sobreviver ao trauma?”
“É o Heitor? Como está superando a perda da esposa e a suposta depressão da filha que não pode mais pintar?”
“Faz um mês que a não vejo, já devia ter melhorado.”
Como se melhora? Fingindo que está tudo bem só para manter as aparências? Desculpa se isso for depressão, sim eu estava depressiva preferia meu “mundinho”, meu quarto, pelo menos não tinha que aguentar tanta hipocrisia.
- Você está ficando cada dia mais fechada. Você só sai desse quarto para fazer as refeições e mais nada, isso quando come…
Olhei para ele tentando negar, mas não tinha como mentir para o Edgar ele me conhecia muito bem.
- Estava adiando essa conversa ao máximo, tentando respeitar seu Luto, seu tempo, mas não da Cecília. Não faça isso com você. Você não tem culpa do que aconteceu… Ceci não queira ser “O Capitão planeta” tentando resolver o insolúvel.
Sorri com a expressão “Capitão planeta” aquilo soava tão velho.
- Olha, mas que sorriso tão lindo… Até sumiu essa expressão de tristeza que agora está impregnada em você. Eu sei que não está sendo fácil, e muito pouco tempo para se adaptar a uma perda grande. É difícil aguentar os “amigos” do seu pai com tantos comentários e perguntas. Você que está dando motivos deles falarem. Eu sinto muito minha querida, mas como filha do Heitor você não pode ficar nesse quarto, você pode até não se importar, mas seu pai se importa.
O abracei novamente só que dessa vez com mais força.
- Sem falar na Bia, querendo subir aqui no seu quarto e a Olívia brigando com ela. Você precisa ver.
Sorri ao imaginar uma discursão da Bia com a Olivia.
- Não quero nem imaginar. Consegui soltar uma risadinha.
- Bom dia Já que não desceu para a refeição da manhã novamente tomei a liberdade de lhe trazer…
Era a Olivia estava com uma funcionária que segurava uma bandeja sua voz falhou e ela nos encarou. Edgar rapidamente se levantou da cama e se recompos.
- O que faz aqui subalterno?
- Edgar. Quase gritei.
- Esteja pronto as dez, quero ir a um lugar.
Tanto Edgar como Olivia me olharam surpresos. Forcei um sorriso e pisquei o olho para ele que sorriu e entendeu a mensagem.
- Sim senhora, era só isso?
- Sim. Conclui com um aceno.
- Com sua licença. Ele fez reverência e se foi.
Olivia estendeu os braços e logo a funcionária entregou a bandeja e com um aceno ela a dispensou.
- Senhorita Cecília quando quiser falar com o Subalterno Edgar pode falar comigo que passo a informação para ele. Estou aqui a sua disposição. Devemos evitar que empregados venham ao seu quarto sem autorização, posso informa o incoveniente ao Senhor Heitor…
- Não precisa Olivia. Falei mais alto do que o esperado. - Quer dizer, eu não conseguir falar com você pelo comunicador e chamei o Edgar.
- Não conseguiu se comunicar? Ela me olhou assustada e foi em direção ao comunicador.
- Deve ter sido alguma interferência… O que tem para o café?
Ela parou no meio do caminho, sorriu? Eu não soube distinguir. Ela me passou a bandeja.
- Espero que se alimente bem Senhorita Cecília ultimamente todas as bandejas que venho pegar estão intocadas.
Forcei um sorriso e experimente o café logo avistei uma flor horrorosa a peguei e mostei a Olivia.
- Ah, Retirei uma flor do buquê Florence Diller ela mandou um recado. Olivia indicou um cartão que estava ao lado. Tomei outro gole de café e percebi que a Olivia ainda estava lá.
- Você já pode se retirar, Não vou precisar dos seus serviços.
Ela fez novamente uma expressão indecifravel.
- Se precisar, Eu estou a sua disposição. Ela se foi e eu agradeci silenciosamente.
Eu vou confessar algo, achava Olivia bem estranha, eu preferia o antigo governante Peter que acabou se ausentando por motivos desconhecidos. Vivia perguntando ao meu pai o motivo, mas ele não me respondia o que já era esperado. Peter havia partido quando minha mãe havia adoecido. Ele trabalhou para nossa família um bom tempo, era o braço direito da minha mãe. Além de comandar os assuntos da casa colocava minha vida em ordem conseguia conciliar escola e aulas extracurriculares como Aula de dança, Aula de Piano, Aula de Pintura, Aula de Inglês, e por ai vai minha vida sempre foi muito corrida. Meu pai fazia questão de me entupir de aulas e quem me transitava entre essas aulas era o Edgar e no meio tempo para o Hospital quando não aguentava a rotina. Minha vida se estabilizou um pouco quando fui mora em Londres, pois só tinha dois cursos para conciliar. Tenho minhas desconfianças de que aconteceu algo nesse tempo que passei fora, mas não iria saber e foi ai que meu Pai arrumou a Olivia. Não conseguia me acostumar com o jeito dela, ela parecia até um robô, sem expressão nenhuma no rosto. Muito autoritária, cheia de si além de tratava mal os funcionário a famosa “Rédea curta" Não gostava da atitude dela se meu pai não se cuidasse ela iria mandar até ele pensando bem acho que Olivia perto do meu Pai não passava de um gatinho. Afastei aqueles pensamentos e tentei me alimentar iria precisa de energias já que tinha decidido sair do quarto.
Não tinha percebido que estava com tantas saudades dos meus amigos, já tinham se passado um bom tempo que não me comunicava com nenhum, não que eu tivesse muitos, mas eu tinha que ligar para eles, afinal de contas amizade não se mantêm só por um lado. Eu tinha que ligar para eles, afinal de contas amizade não se mantêm só por um lado. Tudo aconteceu tão de repente, que acabei ficando um pouco fria com eles, quer dizer, totalmente. Eu tinha que reverter isso.
Desci pelas escadas e vi que Olivia estava conversando com alguns funcionários que para mim eram novos ou seria o tempo que fiquei presa no quarto e acabei esquecendo até de quem trabalhava lá? Ela parou para me analisar e todos os outros lhe acompanharam. Confesso que fiquei constrangida com a reação deles não esperava tamanha surpresa desviei atenção para as flores e mais flores que alguns estavam segurando, balancei a cabeça em negação.
- Senhorita Cecília acabaram de chegar essas flores. Olivia pegou um buquê de um dos funcionários e caminhou na minha direção.
- Livrem-se delas. Fui um pouco rude mas não estava com cabeça para condolências de mais alguém.
- Mas Senhor…
- Já disse. Livrem-se delas e de todas as outras. Não quero mais ver essas flores. Sai em direção a porta
- Subalterna faça o que a senhorita Cecília mandou. Eles assentiram e saíram
- Deseja algo? Olivia me encarou
- Quero que fale com o Edgar vou fazer uma breve visita a Bia. Não, ele já sabe falei hoje mais cedo com ele. Completei rapidamente e sai dali o mais depressa possível antes que eu me arrependesse mais de ter saído do meu quarto.
Edgar me aguardava com um enorme sorriso.
- Está fabulosa. Ele me girou e eu sorri tentando parecer simpática
- Ah não Edgar não me olhe assim. Reclamei e ele sorriu ajeitou o uniforme.
- Não se preocupe Senhorita. Ele escondeu o sorriso e rapidamente ficou sério.
- Para onde a senhorita deseja ir?
Soltei uma risada e bati de leve em seu ombro ele sorriu mais ainda e saiu cantando eu soltei um risinho até me assusta com a Olivia que estava observando de longe, desviei o olhar e apressei o passo.
Edgar havia me deixado em frente ao Saint Louis e logo que entrei vi a Bia na recepção conversando com alguém. Ela era minha única amiga aqui em Paris, trabalhava na empresa do meu pai como uma espécie de “caça talentos” vivia viajando para ver se encontrava alguém com dotes para arte, a última vez que a vi foi na última reunião que teve na minha casa ela foi me ver no quarto (depois de eu dizer a Olívia que estava tudo bem), mas não tocou no assunto sobre a minha mãe ao contrário disse que esperava me ver logo que estava com saudades, senti compreensão nos seus olhos e no fundo me sentia culpada por não da merecida atenção a ela. Ela me ajudou a enfrentar muitas coisas além da morte da minha mãe.
- Beatriz? Chamei e ela me encarou totalmente bestializada.
- Cecília? Ela sussurrou e eu assenti novamente tentando parecer simpática quando o que eu queria era ligar para o Edgar para ele me levar para o meu quarto o quanto antes. Senti seu abraço forte e retribui desastrosamente. Ela me encarou.
- Não acredito que você está aqui. Porque não me avisou que viria? - Ela me analisou de um modo que em parte me deixava incomodada, com aquele olhar a busca de algum vestígio de tristeza. Mas ignorei, eu iria fazer o que? Teria que passar por isso já que resolvi sair do quarto.
- Ah, decidi fazer surpresa. – Sorri.
Não sabia ao certo se era mentira ou verdade. Ela abriu um sorriso de uma orelha à outra e eu comecei a me sentir um pouco culpada, não era só ela que precisava de mim eu também precisava dela, me senti muito egoísta em ignora-la.
- Estava com saudades.
- Também estava. - Sorri, tentando parece normal.
- Vêm, vamos tomar chocolate quente. - Ela me puxou e eu senti um alívio ao saber que aparentemente estava tudo normal entre a gente. Eu estava feliz em vê-la.
Vi seu apartamento todo organizado o que me deixou surpresa.
Da última vez que vim aqui, estava tudo revirado. - Ela sorriu seguindo o meu olhar;
- Tive um tempinho, estou tentando ser mais organizada ultimamente, estou fazendo entrevistas com os novatos aqui é bom manter a pose.
Ela saiu me deixando sozinha na sala. Fui em direção à varanda e senti uma brisa percorrer pelo meu corpo me fazendo sorrir. Fiquei apreciando aqueles vestígios de sol e sentindo meus poros absorvendo tudo por alguns minutos.
- Faz tempo em que não saia, não é Ceci? - Assustei-me quando a vi escorada na varanda me encarando.
Suspirei e peguei da sua mão o bule, tentando me esquivar do que viria.
- Você anda pintando? - Ela me ofereceu uma xícara e minha vontade era de pedir para ela mudar de assunto e dizer que não estava bem para falar sobre isso, esse seria o caminho mais fácil e com certeza ela iria entender mas um dia iria ter que responder essas perguntas e tantas outras.
- Não… - Falei com tristeza - Eu não consigo mais me concentrar. - Hesitei - Frequentemente estou tendo fortes pesadelos… - Não consegui mais continuar e ela tomou a vez.
-Você tem que sair dessa Ceci… Não pode deixar de lado a única coisa que te alivia. Pelo menos aliviava. - Ela completou quase sussurrando.
Abaixei a cabeça ainda é muito difícil falar sobre esses assuntos, que eu evitei tanto.
- Eu sei Bia, mas está sendo um pouco complicado para mim e é a primeira vez que saio depois de tudo o que aconteceu não consigo apagar isso da minha mente. Para você um mês de luto pode ser muito, mas para mim não é, principalmente quanto se trata da minha mãe. Não vivo de aparências. Não estou árcade, estou mais para um estilo barroquinho, e meu pai não iria gostar do que eu quero pintar.
- É uma pena Ceci… Quando você terminou o curso estava fazendo quadros fabulosos. Seu pai ainda está esperando isto de você, logo, logo ele perdera a paciência você sabe como ele é, para ele você teve tempo de se recuperar.
- É, mas ainda não estou pronta para pintar quadros para ele e nem para me encontrar com os amigos dele.
Percebi que ela iria revidar e completei: - Bia eu não quero falar nesse assunto, se não se importa.
Ela logo se calou e deu o assunto por encerrado. O clima havia ficado um pouco tenso, mas logo passou quando começamos a conversar lorotas, passamos um bom tempo assim até o Edgar chegar.
Bia me acompanhou até a porta e me pediu para não me trancar no quarto novamente. Despedimos-nos e fui ao encontro de Edgar que me aguardava com a porta do carona aberta, estávamos a caminho da torre Eiffel e no caminho minha mente transitou para outro mundo.
“Mamãe eu não consigo pintar nada…” joguei o pincel longe e cruzei os braços.
“Não faça assim Ceci…”. Ela me reprovou calmamente.
“Faz horas que estou aqui, eu ainda não fiz nada… papai não vai gostar. Tudo que fiz ficou feio… eu não consigo imaginar nada bonito…” resmunguei. Minha mãe passou o olhar para o amontoado de telas jogadas no canto da sala. Houve um tempo e minha mãe se ajoelhou para ficar a minha altura.
“Topa ir a um lugar comigo?” disse ela enquanto tirava manchas de tinta do meu rosto. Logo meu bico foi sendo substituído por um sorriso
“Claro…”
Ela tapou os meus olhos com um lenço e só tirou quando havíamos chegado a Torre Eiffel. Sorri para ela, mas não estava entendendo o que estava fazendo ali.
“Mas mãe…” percebendo minha indagação ela fez sinal para eu ficar calada e me puxou para sentar junto dela em um banco.
Fiquei observando enquanto ela tirava da bolsa, uma tela, pinceis e tintas…
“Para que…” comecei a falar, mas ela me reprovou então me calei.
“Qual cor você mais gosta?” ela me perguntou indicando a aquarela.
Olhei para ela sem entender nada então, dei de ombros.
“Eu gosto desse azul” apontei e logo ela melou o pincel.
Ela pós o pincel na minha mão, e começou a deslizar pela tela.
“Quando a gente pinta”… Não pintamos por obrigação… Ou para satisfazer alguém… Pintamos para nós Ceci… “Para nos satisfazer e principalmente para nós libertar.” Ela soltou minha mão.
“O que você sente olhando para esse lugar”
“Sinto…” ela pôs os dedos nos meus lábios me interrompendo.
“Pinte…” Sorri e deixei aquela sensação me levar…
- Senhorita? Sai daquele transe e olhei para o Edgar que estava me encarando. Ele estendeu a mão
- Cecília está se sentindo bem?
- Sim. Recompus-me. - Não se preocupe. Forcei um sorriso. Olhei para a Torre e um arrepio percorreu o meu corpo me trazendo uma sensação que eu não sabia distinguir se era boa ou ruim.
- Está recordando dela não é? Desviei atenção para encara-lo.
- É… Difícil vir aqui e não pensa nela Edgar. Ele me olhou surpreso e eu continuei.
- Tento bloquea, mas é quase impossível.
- Não bloqueie. Permita-se pensar em sua mãe sem pensar na morte dela… Pensar em coisas boas que vocês viveram… Não é possível que você não tenha nenhuma recordação boa guardada. Ele apertou meu ombro, mas logo soltou.
Olhei em volta vi crianças correndo com balões, suas risadas ecoavam com o vento me fazendo arrepiar e ri junto com elas pela primeira em muito tempo.
EduardaB.
Estava perdida em um corredor interminável com inúmeras portas passei minutos tentando abrir várias destas, mas não tive nenhum sucesso o que me fez ficar irritada. Fiquei parada tentando compreender aquele lugar pois eu estava ficando um pouco claustrofóbica, cada segundo naquele lugar pareciam minutos. Tentei me estabilizar, a começar pela respiração para não enlouquecer. Até ver minha falecida avó, minha terapia de controlar a respiração acabou falhando quando sufoquei um grito de espanto. Vovó estava com uma menina que aparentava ter cinco anos e pelos seus olhos dava para perceber o quão assustada estava, não era de admirar eu também estava. Elas seguiram pelo corredor e eu resolvi ir atrás delas, afinal o que eu poderia perder? Tentei ser cautelosa não queria ser vista. Seguimos pelo corredor e as coisas foram ficando mais estranhas. Parei, quando vi a menina parar e quando seus grandes olhos azuis me fitaram senti um tremor e minha avó logo olhou para trás, mas ela não olhou diretamente para mim, mas para uma algo bem além. Soltei a respiração aliviada. - Vovó… Eu não quero mais! Eu quero o meu pai… Estou com medo. - Disse a menina com uma voz tristonha. Espantei-me quando ouvi “vovó” e mais ainda quando percebi que nenhuma das duas notava minha presença, então dei alguns passos mais adiante, logo em seguida minha avó se abaixou para ficar na mesma altura da garota. - Calma querida! Já estamos chegando e logo, logo você verá seu pai. Vovó afagou seus cabelos e lhe beijou na testa, por mais que estivesse com ela resolveu prosseguir. Caminharam mais um pouco até pararem em frente a uma das portas. Minha avó apertou a mão da garota, que assentiu e então as duas entraram. Apressei o passo, mas a porta havia batido, tentei abri-la, mas estava trancada. Bati uma vez. - Alguém… ? - Bati outra vez, mas não acontecia nada e meu autocontrole não estava me ajudando. Forcei a maçaneta, mas nada da porta abrir. -Vovó?… É a Cecília… - E mais uma vez não obtive resposta. - A senhora está ai? Por favor, abre a porta! - Bati mais uma vez e nada aconteceu. - Vovó, eu não quero ficar nesse corredor, eu sei que a senhora está ai. Resmunguei e bati na porta mais uma vez, derrotada resolvi esperar pelas duas; com certeza uma hora elas iriam sair. Escorei-me na porta e passei alguns minutos até sentir algo gelado nos pés olhei para baixo e vi sangue escorrer por debaixo da porta. Agora sim! Aquela situação tinha passado dos limites. Era melhor eu sair dali o quanto antes, dei alguns passos, mas logo parei. O que será que tinha acontecido com minha avó e aquela menina? Afastei aquele pensamento da minha cabeça e decidi que não iria esperar para ver o que tinha acontecido. Já estava um tanto quanto distante daquela porta quando escutei um ruído e quando me virei, avistei que à porta havia sido aberta. Senti um arrepio percorrer a minha espinha e minhas pernas começaram a fraquejar, mas eu tinha que sair daquele lugar. - Ceci… Ajude-me… Ceci! - Um tremor percorreu todo meu corpo me fazendo ficar estática. Aquela voz… Sem hesitar voltei, meu coração estava acelerado e eu não conseguia respirar direito a cada inspirada meu peito doía. Entrei no quarto e um cheiro horrível de mofo me fez recuar, havia pedaços de pele com cabelos por toda parte e uma maca vazia no centro. Eu não deveria ter voltado lá. Virei e fui em direção à saída até ser parada por uma barreira invisível olhei desesperada a procura de alguém, mas a unica coisa que vi foi à escuridão, bati na barreira tentando quebra-la e senti algo cair em cima de mim logo em seguida. - Ai. - Choraminguei. Olhei para o chão e notei um pedaço de cérebro ensanguentado se mexendo, não tive tempo para demonstra qualquer reação e senti outra batida, quando olhei para cima senti outro pedaço cair no meu rosto. O pânico havia se infiltrado. Inutilmente comecei a chutar a barreira com todas minhas forças, mas era em vão, o medo que aquela situação me causou fez com que minhas lágrimas rolassem de maneira descontrolada. - Por que fez isso comigo? - Gritava escandalosamente enquanto chutava a barreira incansavelmente. - Por quê? Por quê? Por que… Mãe… - Dolorosamente meus gritos foram sufocados. - Cecília. Acorde. Acorde! - Senti uma sacudida e fui puxada de volta para realidade. Minha visão estava embaçada aos poucos fui percebendo que meu pai estava me sacudindo estava desesperada tentando controla o choro, mas era quase impossível. - Cecília. PARE. - Sua voz foi firme o que me fez sufocar meu choro até que ele cessasse.
EduardaB. (via os12baloesdececi)
Meu rosto estava coberto pelo copo de café, o vapor que pairava na minha frente prejudicava um pouco minha visão porém continuei a encara-lo DISFARÇADAMENTE por detrás da minha sacola da pães. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto… Pinta de modelo internacional, galã e dono de um sorriso que te faz querer sorrir junto com direito ainda a covinhas que lhe fazem entrar em uma parada cardíaca. Covinhas já é sacanagem… Concordam comigo? Pois é! O infeliz ainda tinha uma barba que acredito eu, tenha sido feita pelo melhor barbeador da cidade, na medida certa, aquele tipo de barba que faz uma garota como eu querer… querer… hum, atacar com mais vontade o conteúdo da minha sacola. Voltando para minha linha de raciocínio, ele ainda era ALTO, tipo MUITO ALTO! Gente, vou confessar que AMO UM CARA ALTO, tipo uns dois metros para mim está perfeito. Sou minúscula perto dos seus 1,90… Ok, quem estou querendo enganar? Meus 1,58 me deixam baixinha perto de qualquer um, mas nem é tão baixo assim é? Errr, onde eu parei mesmo? Ah…se ele é tão alto assim imagina só… DEIXA PARA LÁ. Para completar o pacote ele só andava arrumado e extremamente cheiroso… Drogava toda a padaria e claro, eu estava inclusa. Mordi meu pãozinho com força na intenção de afastar a imagem dele da minha mente, mas era em vão. Nos encontramos pela primeira vez há dois dias atrás, o sino soou indicando que alguém havia entrado na padaria e o aroma me fez levantar a cabeça do meu café para ver quem estava abusando do perfume aquela hora da manhã. Abaixei os óculos de grau para enxergar melhor… Brincadeira… Aproximei mais, queria ter certeza de que o “Afrodite versão masculina” tinha resolvido vir fazer uma visita a terra, quem sabe até fazer semideuses… OK, PAREI… Voltando. Eu e toda padaria paramos para lhe acompanhar. Ele sentou de frente para Fred e fez seu pedido. Seu olhar posou no relógio e deduzi que ele estivesse apressado, comprovei minha teoria quando ele balançou as pernas e percorreu o olhar pelo recinto e seu olhar apressado encontrou o meu curioso. EXPECTATIVA: DESVIEI, É CLARO, ESTAVA SENTADA COMO UMA DAMA ESPERANDO MEU PEDIDO, ESTAVA LENDO UM JORNAL, (A propósito, muito concentrada…) NADA, NEM NINGUÉM TIRARIA MINHA CONCENTRAÇÃO, VALEU?EU ESTAVA CONTENTE, MINHAS FOTOS TINHAM SIDO PUBLICADAS EM UMA REVISTA RENOMADA E MINHA CANÇÃO ESTAVA SENDO UM SUCESSO NA VOZ DE ED SHEERAN. EU ESTAVA BRILHANDO… Não, pera. Não sou Edward Cullen. Voltando… Senti uma mão no meu ombro. Abaixei meu óculos da prada para poder enxergar melhor… Não, pera NÃO SOU O LOBO MAL. CORTA ESSA DO ÓCULOS. Nosso olhos se encontraram e depois daí… SÓ LOVE… Ele me levou para sair no seu carro esportivo, me pediu logo em casamento e vivemos felizes para sempre. REALIDADE: NÃO DESVIEI E ENCAREI COM AINDA MAIS VONTADE… COMO UM CARA DAQUELE OLHA PARA VOCÊ E VOCÊ DESVIA O OLHAR? JAMAIS QUERIDA. NUNCA FAÇA ISSO, PODE NUNCA MAIS TER A MESMA OPORTUNIDADE. Tudo bem que seu olhar não foi direcionado para mim, oh qual é? como ele iria olhar para mim? (VAMOS DEIXAR UMA COISA BEM CLARA, NÃO TENHO PROBLEMAS DE PESSIMISMO, PELO CONTRÁRIO SOU MUITO OTIMISTA… Porém, temos que aceitar que certas coisas são IMPOSSÍVEIS, do tipo UM CARA DESSE OLHAR PARA UMA PESSOA COMO EU, ele olharia para minha EXPECTATIVA) Enfim, seu olhar não foi direcionado para mim, mas parou em mim, quero dizer PARA MINHA CARA DE ABESTALHADA, COM SALIVA ESCORRENDO DA BOCA E O ÓCULOS DE HARRY POTTER TORTO, de harry mesmo, acho fofo e combina com minha cara redonda de biscoito e meus cabelos encaracolados. Minha reação? EXPECTATIVA: DÁ UMA DE DOIDA, FAZER CARA DE METIDA, VOLTAR PARA O CAFÉ E FINGIR QUE ELE NÃO ERA NINGUÉM. REALIDADE: Derrubar café em mim… pois é, TRÁGICO! Reação dele? EXPECTATIVA: ELE NÃO VIU NADA, PEGOU SEU CAFÉ E SAIU… REALIDADE: Olhou assustado, deu uma risada que conseguiu deixar ele ainda mais lindo, pegou seu café e saiu. CONCLUSÃO: Cheguei atrasada no trabalho, levei bronca e descontaram do meu salário. TUDO ISSO PORQUE AQUELE MODELO OLHOU PARA MIM. Estou eu aqui prestes a… Senti um cheiro forte e escutei uma voz roca. - Seus pãezinhos vão cair… - O que? E lá foi minha sacola de pães de queijo no chão e ele se foi…
EduardaB.
#UMCONTOINACABADO
(via os12baloesdececi)
Abracei com força meu travesseiro e tentei controlar o choro, o que era complicado já que hoje fazem exatamente um mês que minha mãe se fora decorrente de um trágico tumor no cérebro. Ela havia descoberto que estava doente há mais ou menos dois anos, quando eu ainda tinha dezoito anos. Meu pai a internou em uma clínica e me mandou para Londres para que eu pudesse conhecer um pouco mais da pintura e me aprimorar no Piano. De inicio eu não aceitei, quer dizer nunca aceitei, mas eu não tinha como contesta-lo. Ele nunca me disse o motivo de ter me despachado assim tão rápido. Meu professor de piano era um dos melhores de Paris ele mesmo fez questão de conferir isso e minhas pinturas estavam fabulosas. Segundo Edgar (Meu chofer) ele não queria que eu visse como minha mãe iria ficar, obviamente eu não me importava queria ficar com ela, mas aparentemente ele não dava a mínima para isso quer dizer nunca deu a mínima para o que eu realmente queria. Ele havia comprado uma casa em Londres para que eu ficasse uma “pequena temporada” por lá, logo desconfiei que essa temporada não iria ser nada pequena, pois até o Edgar teve que vir comigo. Foi nessa época que perdi totalmente o contato com ela, procurava ligar todos os dias para saber noticias e tudo que eu descobria era que ela estava reagindo ao tratamento e ainda estava na clinica. Ele não me deixava falar com ela em hipótese alguma o que me deixava magoada, mas como disse eu não tinha poder de contestar o poderoso Heitor, ele sempre dizia que ela tava incapacitada de falar. Então me dei por vencida. Terminei meu curso de desenhos e poderia considerar que estava indo muito bem, quer dizer do jeito que meu pai queria, pois não parava de me ligar pedindo mais quadros. A época em que terminei o curso coincidiu com a época que ela havia piorado, meu pai resolveu me deixar mais uns tempos fora e só pude retornar quando ela havia falecido. Foi a pior época da minha vida e nunca havia sentido uma dor tão forte e surreal como aquela. Ela se foi levando uma grande parte de mim, enquanto o resto se perdeu na angustia e culpa de que eu não fiz nada para ajuda-la, nem estive presente nem nada. Até então sofro com pesadelos que me atormentam todas as vezes que me transporto para o mundo do subconsciente. Eu tinha cuidado para não deixar transparecer a dor que estava sentido, apesar de às vezes não conseguir conter o que ficava gritando dentro de mim. Bem é isso, desenvolvi o gosto pela arte em grande parte por causa dela que desenhava e pintava muito bem. Meu pai apoiava porque foi por causa da minha mãe que sua empresa atingiu o apogeu. Todos querem um emprego na Montré, Fotógrafos, Desenhista e pintores que conseguem se fixa na Montré têm a grande oportunidade de ter o trabalho reconhecido e são jogados e um mundo de prestigio social, dinheiro e fama entre as pessoas que apreciam arte. Até então estava pintando e desenhando, mas havia perdido um pouco dessa habilidade, não tinha mais praticidade como antes era difícil pegar em um pincel ou em um lápis sentia arrepio toda vez que via uma tela em branco isso tudo me recordava o que havia acontecido, o que fazia com que eu não conseguisse pintar coisa Vivas, já que eu estava impregnada com a morte. Isso estava deixando meu pai furioso ele queria me apresentar a alguns “amigos” só que eu não estava em condições ele nunca marcava o encontro. Ele me deu um tempo para vê se conseguia pintar como antes, segundo ele a pintura iria me libertar, ele estava se esforçando o máximo para respeitar meu tempo, mas eu sabia que esse “tempo” estava acabando. O tempo só piorava as coisas, os pesadelos eram mais frequentes, a dores na cabeça também e aquela sensação de que tudo iria piorar
EduardaB (via os12baloesdececi)
Gosto dos seus olhos…mesmo que eu não tenha nada, sei que neles terei você
EduardaB. (via os12baloesdececi)
Mamãe eu não consigo pintar nada…” joguei o pincel longe e cruzei os braços. “Não faça assim Ceci…”. Ela me reprovou calmamente. “Faz horas que estou aqui, eu ainda não fiz nada… papai não vai gostar. Tudo que fiz ficou feio… eu não consigo imaginar nada bonito…” resmunguei. Minha mãe passou o olhar para o amontoado de telas jogadas no canto da sala. Houve um tempo, e então minha mãe se ajoelhou para ficar a minha altura. “Topa ir a um lugar comigo?” disse ela enquanto tirava manchas de tinta do meu rosto. Logo meu bico foi sendo substituído por um sorriso “Claro…” Ela tapou os meus olhos com um lenço e só tirou quando havíamos chegado a Torre Eiffel. Sorri para ela, mas não estava entendendo o que estava fazendo ali. “Mas mãe…” percebendo minha indagação ela fez sinal para eu ficar calada e me puxou para sentar junto dela em um banco. Fiquei observando enquanto ela tirava da bolsa, uma tela, pinceis e tintas… “Para que…” comecei a falar, mas ela me reprovou então me calei. “Qual cor você mais gosta?” ela me perguntou indicando a aquarela. Olhei para ela sem entender nada então, dei de ombros. “Eu gosto desse azul” apontei e logo ela melou o pincel. Ela pós o pincel na minha mão, e começou a deslizar pela tela. “Quando a gente pinta”… Não pintamos por obrigação… Ou para satisfazer alguém… Pintamos para nós Ceci… “Para nos satisfazer e principalmente para nós libertar.” Ela soltou minha mão. “O que você sente olhando para esse lugar” “Sinto…” ela pôs os dedos nos meus lábios me interrompendo. “Pinte…” Sorri e deixei aquela sensação me levar… - Senhorita? - Sai daquele transe e olhei para o Edgar que estava me encarando. Ele estendeu a mão. - Cecília está se sentindo bem? - Sim. - Recompus-me. - Não se preocupe. Forcei um sorriso. Olhei para a Torre e um arrepio percorreu o meu corpo me trazendo uma sensação que eu não sabia distinguir se era boa ou ruim. - Está recordando dela não é? - Desviei atenção para encara-lo. - É… Difícil vir aqui e não pensa nela Edgar. - Ele me olhou surpreso e eu continuei. - Tento bloquear, mas é quase impossível. - Não bloqueie. Permita-se pensar em sua mãe sem pensar na morte dela… Pensar em coisas boas que vocês viveram… Não é possível que você não tenha nenhuma recordação boa guardada. Ele apertou meu ombro, mas logo soltou. Olhei em volta vi crianças correndo com balões, suas risadas ecoavam com o vento me fazendo arrepiar e ri junto com elas pela primeira em muito tempo.
EduardaB. (via os12baloesdececi)
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