O olhar de indignação fabricado, veio mais do que rápido, cruzando os braços. “— E o que você, cara fada dos socos aterradores, gostaria de receber? Eu posso dizer que tenho muito a oferecer.” E realmente, o tinha, apenas não mostrava tudo ou sequer deixava qualquer um saber, era questão de segurança e, principalmente, inteligência. Percebendo a movimentação da faca em sua direção, conseguiu notar uma brincadeira sarcástica seguida das palavras. “— Ah, com toda certeza. Já amaram coisas parecidas antes, não é? Agora, um nome…” Pensou, mordendo os lábios, e então, seguindo com a ideia. “— Que tal, os vencedores da arena encantada? Simples, clichê e facilmente entraria nos livros. Dizem que o narrador, se ele ainda estiver vivo, tende a gostar dessas coisas. Protagonistas que são completamente desgraçados, fazem de tudo pra sobreviver e sofrem nas mãos das traiçoeiras criaturas mágicas. Ah, mas é claro, para deixar emocionante, colocamos um sacrifício múltiplo no final. Faz parte de ser altruísta, sabe?” Oras, ela conseguia facilmente visualizar um conto com personagens dignos do heroismo que todos lutam para alcançar, aplicando os traços ruins que seriam perdoados, e depois, quando chegassem perto da gloria, morreriam. Um ótimo desfecho. “— E eu não sou convencida, apenas bem certa de minhas capacidades. Não seria interessante, treinar com alguém que não desmonta dentro de dez minutos? Claro, eu provavelmente cairia aos quinze, porém…” Não disse como cairia, mas bem, era sempre bom deixar uma imagem um pouco mais leve ou facilitar, apenas para que a subestimassem. “— Sempre achei que quase vinte dois anos banhada em caos e magia negra, fosse o suficiente. Aliás, deveria levar a sério. Você poderia ser muito mais forte, e eu sei que é capaz.” Não precisava de muito para ver isso, além de que poderia ser gentil a Elide, pois ambas compartilhavam de mesma raça e visão, sabiam bem dos percalços em comum.
“ hm... deixe-me ver... prestígio, reconhecimento, a bênção da espada de um rei e um assento na távola redonda. será que pode providenciar? ” não deixava de ser sincera, mas era evidente que mirava em coisas inalcançáveis no momento apenas para provocar nymphadora. “ é precisamente o que torna as histórias intrigantes. você também não prefere essas às de princesas em perigo? ” esta era uma crítica costumeira que nunca deixaria de sair de sua boca. talvez tivesse lido os livros errados na infância, quando devia ter sido alimentada com os escritos tradicionais. “ campeões, no lugar de vencedores, soa mais atrativo, porque enquanto lemos o título já podemos supor que são guerreiros natos e corajosos ” pontuou, recostando-se ao lado da feérica. “ se bem que eles não seriam mais que comida de bestas, certo? o sacrifício final dá um toque todo especial, tem razão. é por isso que deixo todo o roteiro nas suas mãos ” alargou o sorriso, contendo o riso para não estragar a seriedade do momento. criatividade era apreciada pelo narrador, diziam seus sacerdotes. o que estavam fazendo era quase uma espécie de prece, se nym ao menos levasse a entidade a sério. “ devem ser seus genes feéricos. sabe que humanos não duram nada... às vezes finjo que estou cansada para que se sintam motivados, mas me canso de fingir que estou cansada. não sou uma atriz muito boa ” deu de ombros, pensando que não poderia ter nascido mais privilegiada para o papel que pretendia desempenhar para o resto da vida. “ wow, isso tudo é pra me fazer correr? sabe que não mexo com magia negra, nem pretendo começar. não pretendo ser a nova morgana ”