Time grabs you, directs where to go.
Tudo que Zachary sonhara naquela noite foi esquecido rapidamente pela manhã, a parte mais agitada de seu dia. Bom, a parte mais agitada de seu dia no meio da semana. Estava de folga, e decidiu ficar na cama por mais alguns minutinhos. Até que Rufus, seu leal Rufus, subiu na cama, latindo, querendo atenção e principalmente, comida. Não era muito fã de animais, desde pequeno, mas acostumou-se aos inúmeros cão-guias que teve em sua vida. Nunca entendeu o porquê deles serem tão submissos para alguém tão… Inválido quanto ele. Se houvesse uma briga entre Zachary e um rato, o rato iria ganhar provavelmente. E isso foi algo que ele também teve que se acostumar. Saber que seria para sempre isso: um inválido. “Inválido mas nunca imprestável, certo?”, disse para o cachorro enquanto enchia-lhe o pote de ração. Caminhou para o quarto, tateando a escrivaninha até achar seu óculos e a coleira. Chamou Rufus e o encoleirou, checando em seguida se estava bem presa. Os dois iriam sair e ninguém sabia dizer se Zachary estaria levando o cachorro para passear ou o contrário, já que, volta e meia, Rufus o levava para uma direção completamente diferente da que estavam habituados.
O ambiente não estava lá muito agradável e Zachary até ouviu sem querer uma pessoa dizendo que poderia chover no fim da tarde. Seria um passeio curto, querendo ele ou não. Pensou consigo mesmo que era melhor voltar à noite. Tratou de fazer o caminho contrário e atravessar a rua, porém, parou antes de pisar na mesma. Escutara um carro se movimentando em alta velocidade e deu alguns passos para trás, mas seu cão não conseguiu o acompanhar. O cachorro grunhiu, pessoas começaram a falar, os carros pararam, e Zachary ficou desnorteado, demorando alguns segundos para perceber o que estava acontecendo. — Rufus? Rufus?! — Ao invés do usual latido, em alto e bom som, tudo o que se pôde ouvir do animal foi um ganido lânguido e fraco. O coração do homem começou a palpitar, a ideia de ter perdido seu companheiro preencheu sua mente o que logo causou um medo, uma angústia, um desconforto no peito. Sentou ali mesmo na faixa de pedestres, tateando o chão desesperadamente à procura de Rufus. Uma voz feminina se fez presente e parecia querer ajudar, apesar de seu timbre demonstrar que ela estava bem assustada. Sua mão finalmente encontrou o cachorro e após alguns carinhos no mesmo, Zachary relaxou, sabendo que seu companheiro estava vivo, ao menos. — Está tudo bem. Mas acho que ele precisa de ajuda… — Apontou para o animal, pegando-o no colo em seguida. — Se quiser me ajudar, é só me dizer aonde encontro a clínica veterinária mais próxima, não quero atrasar seu dia, senhorita… Como você se chama?
Era realmente um dos momentos mais desagradáveis para alguém, e seria muito mais se Rosemarie não fosse acostumada com coisas embaraçosas como aquelas. Afinal, era uma fotógrafa. Já fotografou nudez, animais com roupas mais apertadas do que algumas garotas em festas que também trabalhava. Imaginou se o homem que estava ali com o cachorro não estaria com uma vontade enorme de matá-la, até que prestou atenção melhor com quem lidava e percebeu que ele tinha muitos motivos para querer isso. -- V-você -- começou, assim que sua cabeça começou a processar o que via. Bem, ele estava tateando o chão, não parecia ter os olhos fixos e fez com que Rose chegasse na conclusão que era cego. É claro, não perguntaria isso. -- Você não quer ajuda? Eu estou livre, não vai me atrasar para nada -- completou. Não deixaria o homem sozinho com um cachorro machucado ir andando. Não só pelo fato daquele parecer ser seu cão-guia, mas só por ter atropelado seu cachorro. -- Ah, pode me chamar de Rose. E você?
-- Vamos, eu coloco ele no meu carro -- falou, tentando pegar dos braços do homem, mas desistindo antes de conseguir tirá-lo. Seria mais pesado do que pensava. -- Melhor, te acompanho até o banco da frente -- decidiu-se, pegando no braço do homem e direcionando até o carro. Afinal, ele estava segurando o cachorro, provavelmente não teria como guiar-se. -- O veterinário não é muito longe, mas seria se fosse a pé. Ainda mais com um animal nos seus braços -- dizia enquanto andava até o banco do motorista e ligava o carro. -- E, a propósito, faço questão de pagar a consulta. A culpa foi minha, afinal -- comentou, depois de algum tempo já no carro. Assim, teriam algum tempo para discutir caso ele protestasse. Rose era teimosa o suficiente para insistir até a hora do pagamento.






