Ainda sobre ela?
Faz sentido.
Eu passei trĂȘs anos tentando caber em um lugar que nunca foi meu.
TrĂȘs anos me moldando aos seus silĂȘncios,
me adaptando Ă s suas ausĂȘncias,
inventando desculpas para erros que eu jamais deveria ter aceitado.
Eu me convenci de que amor era esperar.
Esperar vocĂȘ mudar.
Esperar vocĂȘ me escolher.
Esperar que um dia eu recebesse de volta tudo aquilo que entregava.
Aceitei migalhas como se fossem banquetes.
Aceitei feridas como se fossem acidentes.
Aceitei ser segunda opção enquanto fingia para mim mesma que era prioridade.
E a pior parte Ă© que eu realmente acreditava.
Acreditava que, se eu amasse o suficiente,
vocĂȘ finalmente aprenderia a me amar tambĂ©m.
Mas amor nĂŁo nasce da insistĂȘncia de uma pessoa sĂł.
Hoje eu entendo que eu estava lutando por algo que existia apenas dentro de mim.
Enquanto eu construĂa futuros,
vocĂȘ ocupava momentos.
Enquanto eu entregava alma,
vocĂȘ recebia conforto.
E dĂłi admitir isso.
DĂłi perceber que passei tanto tempo tentando ser inesquecĂvel para alguĂ©m que nunca teve medo de me perder.
No fim, eu nĂŁo fui o amor da sua vida.
NĂŁo fui a escolha.
NĂŁo fui o lugar para onde vocĂȘ voltava.
Eu fui apenas um corpo disponĂvel,
um carinho conveniente,
uma presença fĂĄcil de manter por perto enquanto era Ăștil.
E talvez seja exatamente isso que mais machuca:
nĂŁo ter perdido vocĂȘ.
Ter perdido anos tentando conquistar um amor que nunca existiu.








