Émile Savitry • Dans un bar de Pigalle un "Apache" et sa protégée, Paris, 1938

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Émile Savitry • Dans un bar de Pigalle un "Apache" et sa protégée, Paris, 1938
Escrevi este texto em uma madrugada de desespero, em busca de uma gota de sono que só chegou no amanhecer.
Uma mariposa morta entre os livros. Assim que me senti ao terminar os ensaios de VirgÃnia Woolf.
O Ato de Nascer e Renascer em Mariposa
Nascer é um ato de sair de uma inércia. Renascer, contudo, é um ato de tumulto, um momento de bravura. Em uma perspectiva espiritual, o renascer é um ato de amadurecimento onde as fibras se reconstroem e ramificações perdidas tomam um novo sentido. Absorvendo essa ideia percebi que as mariposas vivem essas dicotomias em uma única vida, um manifesto próprio que é organizado por toda a espécie. Entre os casulos e as asas, seus corpos são a materialização da memória dos ciclos. O seu grande sucesso é a metamorfose.
A existência de uma mariposa é marcada pela dualidade entre morrer e renascer. Não é como uma criança que cresce gradualmente, mas sim um corpo que, dentro de uma redoma, morre para si.
Ao passar pela crisálida, suas células se dissolvem em um caos biológico e se reconfiguram em algo novo. É um manifesto de reinvenção. Destruir para elas significa reescrever o que será, se desfazer do que já não cabe mais para emergir mais leve.
Para mim, as mariposas evoluem em uma única existência. Ainda não sei se hibernam até o momento do clÃmax ou se permanecem presas dentro do casulo, mas encaro essa ideia não pelo respaldo cientÃfico, mas como uma metáfora para meu próprio fluxo de consciência.
O ápice para mim é surgimento das asas. A transformação de um inseto em um ser de beleza perfeita e simétrica. No processo, elas destroem o espaço que as restringiam, o seu próprio quarto. E aceitam viver como nômades, pela liberdade que o voo proporciona.
Uma liberdade que para mim nunca vai caber. Sartre me ensinou, viver em sociedade é uma faca de dois gumes. A essência de um destino nunca poderá ser plenamente realizada, a liberdade traz consigo a angústia da escolha. A mariposa, quando quebra os limites do casulo, se depara com um céu que não tem fim, voar é sua única escolha, e que libertaria ela é. Talvez pensar no meu corpo renascendo em mariposa reside numa dor que é inerente a mim desde de quando me botei nesse mundo, viver entre a dor e o sucesso das escolhas.
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Les deux amis (2015) dir. Louis Garrel
Jealousy (Philippe Garrel, 2013)
Louis Garrel dans La Frontière de L'aube (2008)
La crontière de Laube (2008) dir. Phillipe Garrel
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