E quando o amor rima com a dor? Monsueto cria, mas é com Caetano que essa música chega até mim. O eu lírico, em minha interpretação, parece perguntar “se seu corpo ficasse marcado por mãos carinhosas?”. Talvez, sem nenhum intuito de investigação da constituição subjetiva/psíquica, provavelmente falando muito mais de um amor… Contudo, nesse ponto vale a pena um pequeno recorte: Com quantas marcas de dor e de amor um corpo se constrói? E o quanto da união dessas duas grandes experiências, se constrói formas de se relacionar? Nesse punhado de carne e insuficiência, que somos nós, seres humanos, há uma grande necessidade de vivenciar experiências de amor, sejam elas com parceiros afetivo/sexuais, sejam elas com o trabalho, por exemplo. Sentimos a necessidade de compartilhar afeto, pelo menos, uma boa parte de nós sente. Penso que também é necessário, antes de tudo, questionar sobre de que materialidade é construído o amor, contudo deixo pra outro dia. Pelo equívoco, acreditamos achar em algum momento aquele objeto (aqui empregado no sentido psicanalítico) ideal que vai de fato nos mostrar a experiência que o amor, por vezes alivia, a da incompletude. Contudo, apesar da proximidade, o amor não supera a falta, ele não preenche, nem serve de cola e a depender de como a gente vive com nossos pequenos-grandes buracos, isso pode ser dor. Quando num poema, amor e dor rimam, ou quando na vida dor e amor rimam, há diversos resultados possíveis, dentre eles, relacionamentos adoecidos, mas também relacionamentos saudáveis. Como? No final das contas, me parece que sempre foi óbvia a constatação disso tudo morar na filosofia, como é o título da música: não há como vivenciar a experiência do amor, sem a dor e a dor é uma forma de constatar que se está vivo. Por fim, o cálculo fica dor e vida e amor. Talvez não nessa ordem. #psicologia #psicanalise #esquizoanalise #poesiaeclinica #poesiaclinica https://www.instagram.com/p/CilBTg-ucj7/?igshid=NGJjMDIxMWI=