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Prazer, sou Caroline Belchior. Tenho 34 anos, sou uma mulher adulta que ainda não se encontrou nesta vida.
Casada, mãe, tenho uma profissão, e socialmente uma vida considerada “ok”. Porém, há anos, desde que me entendo por gente, vivo em busca de algo para preencher um vazio que se instalou com a falta de autoestima.
Durante esses anos, me comparei, me coloquei para baixo, me menosprezei, desacreditei da minha capacidade e, até hoje, no auge dos meus 33 anos, ainda não cheguei lá. Ainda não superei muitos traumas, nem desatei todos os nós que permeiam minha capacidade de me amar e de elevar minha autoestima.
Há alguns anos, tomei consciência de que não queria mais continuar vivendo dessa forma, em que eu buscava meu valor no amor dos outros, e assim me frustrava cada vez mais. Decidi me lançar em uma busca constante de autoconhecimento, terapia e tudo que pudesse me ajudar nessa jornada. Ainda não cheguei ao destino, mas estou no caminho. Já faz anos? Sim, faz. Mas não vou me cansar até conseguir desbloquear meus caminhos e me olhar com o amor que só eu mesma posso me dar!
Criei este espaço com o intuito de trocar experiências com quem também está nessa mesma jornada: a de se despir das amarras que a vida e a sociedade foram nos impondo ao longo do caminho.
Aqui vou compartilhar meus sentimentos, pensamentos, ideias e reflexões sobre assuntos relacionados ao amor próprio e à autoestima. Quem desejar parar por aqui e compartilhar suas experiências comigo, será um imenso prazer!
Afinal, o desejo e a busca já são grandes passos em direção ao próprio amor.
Fico por aqui,
um abraço!
Caroline 💜
Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?
Sigmund Freud
Lúcia Helena Galvão - Nova Acrópole, sobre vínculos e profundidade.
Segundo Freud (1910), ao longo da vida, acabamos fazendo concessões e nos adaptamos, mas sempre tendendo a buscar o prazer. E, uma das maneiras de conseguir alcançar esse prazer é através da capacidade criativa e imaginativa, "as fantasias".
Psicanálise & Cinema
Quando a Tela se Torna Clínica
No cinema, assim como na vida, é a falta que nos coloca em movimento.
O cinema não é apenas entretenimento.
É um espelho do que sentimos e, às vezes, ainda não sabemos nomear.
Nesta série, proponho olhar para os filmes como olhamos para a clínica:
não para explicar personagens, mas para reconhecer algo de nós ali.
O cinema oferece imagens.
A psicanálise oferece escuta.
Quando esses dois campos se encontram, algo se revela:
o que nos atravessa na tela é, muitas vezes, o que ainda não conseguimos simbolizar em nós.
Aqui, cada filme será lido como estrutura.
Não como opinião, mas como campo de elaboração.
Porque a arte não substitui a análise.
Mas pode abrir a pergunta.
O que, nessa história, toca a minha?
A série Psicanálise & Cinema nasce dentro do projeto Autonomia Emocional, porque amadurecer não é eliminar a falta.
É aprender a habitá-la.
O primeiro filme desta jornada será:
Interestelar: O Amor como Estrutura e o Tempo como Operador
Continua no próximo post.
Damaris Parralego Souto
Psicanalista | Clínica Contemporânea
Projeto Autonomia Emocional
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Logo quando eu pensei nos primeiros textos que fariam parte do blog, eu não pude deixar de colocar na lista o conteúdo de algumas das aulas que eu assisti no ano passado, e no começo do ano, num grupo de estudos sobre os seminários de Lacan. Confesso que adiei um pouco até finalmente vir editar esse texto, que já estava escrito, mas depois de ler O perigo de estar lúcida de Rosa Montero, a ideia ganhou vida outra vez. Neste texto, discuto as relações entre a catarse que compõe o ato de contar a própria história e os objetivos de uma análise.
Criatividade e escrita em Rosa Montero
O perigo de estar lúcida, publicado em 2023 e escrito por Rosa Montero, é uma narrativa que gira em torno do que seria a origem da criatividade, e aspectos comuns que cercam o processo de criação, principalmente, de escritores. Eu adianto que ainda quero fazer um post específico sobre as condições e reflexões acerca do processo criativo do escritor que são compiladas na obra, mas reservo isso para outro momento. Conversando com outras autoras e pensando sobre mim, o que me levou e me mantém escrevendo, seja textos mais técnicos como esse, ou aqueles que ninguém que me cerca faz ideia, é a catarse da realidade que existe em todos eles. Quanto a isso, Rosa Montero reflete sobre o papel da narrativa na construção de sentido para a vida humana, dizendo:
‘’Nós humanos somos pura narração, somos palavras em busca de sentido. Epiteto dizia, com razão, que o que afeta o ser humano não é o que lhe acontece, mas o que se conta do que lhe acontece. De modo que, se você muda o relato, muda a vida, como demonstram as inúmeras terapias que, como a psicanálise clássica, se baseiam na construção de uma nova narrativa pessoal. Isso para não falar da memória, que é pura fantasia, uma história que evolui com os anos. Somos todos romancistas, escritores de um único livro, o da nossa existência. E ainda bem que podemos lançar mão das mentiras para dar certa aparência de ordem e destino a esse caos, ou então a vida seria uma verdade inabitável.’’
Nesse sentido, fica evidente a importância de expressar aquilo que é experienciado: narrar, escrever, ou qualquer ato que possibilite a revelação de nós. Esses atos nos tornam seres históricos e, assim, parece ser possível nomear, dar luz ao que foi vivido, mais do que isso, estabelecer novos sentidos e obter mudanças.
Essa perspectiva sobre a narrativa nos conduz diretamente à psicanálise de Lacan, onde recontar uma história ocupa papel central no processo de análise.
A psicanálise de Lacan
Chegando à obra de Lacan, os seminários escritos são uma série de palestras, nas quais ele desenvolveu e expôs sua teoria psicanalítica. Essas palestras abordam conceitos fundamentais da psicanálise freudiana, reinterpretados por Lacan a partir de campos como a linguística, a filosofia e a antropologia. Particularmente, eu ainda não pude me aprofundar nesses seminários, mas o primeiro capítulo discutido aqui - Os escritos técnicos de Freud - faz parte do seminário um (Os escritos técnicos de Freud), que foi base para a discussão do grupo de estudos.
O ponto a ser dito ficou na minha cabeça por dias e sempre retorna quando eu penso no objetivo de uma psicanálise.
Lacan fala sobre como o elemento essencial, constitutivo e estrutural do processo analítico é a reconstituição completa da história do sujeito, e que essa história não é o passado. O que isso quer dizer? Algumas coisas que nós vivemos antes, como traumas, continuam perturbando o presente, às vezes conscientemente ou inconscientemente, sobretudo, inconscientemente.
Entende-se que o passado não existiria, porque se o que aconteceu antes é ainda sentido no agora, então não é passado. O inconsciente é atemporal, as relações de futuro, presente e passado não obedecem uma linearidade temporal, experiências antigas podem ser vividas como se fossem atuais.
‘’O afeto desconhece o tempo’’
A história só seria o passado na medida que é historiado, narrado, no presente. Assim, reconstituir vem do falar do que foi vivido e sentido, é reconhecer o que aconteceu e assim poder obter uma mudança, um avançar. Cabe fazer uma diferenciação também de que reconstituir é diferente de meramente recordar. O reconstituir diz respeito ao constituir, formar de novo; reorganizar, restabelecer. Não tem como apagar o passado, mas enxergá-lo sob uma nova perspectiva. Já o recordar é algo no presente, que diz algo sobre o passado, ou seja, os sintomas, os atos falhos, os sonhos; num sentido muito mais passivo e de sofrimento. A mera recordação não implica progresso.
Dessa forma, a cura não vem do esquecer, mas do recordar e reconstituir essa narrativa. O processo de uma análise tem o seu objetivo, diferente do que as pessoas pensam, em tratar a história a partir do momento presente.
A obra de Rosa Montero e a teoria de Lacan, portanto, nos mostra como contar, recontar, uma história permite dar sentido à confusão da existência. Os dois, à sua maneira, colocam a importância de revisitar o vivido.
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🔍 Seus sonhos são um segredo? O inconsciente fala por símbolos — e os sonhos são uma de suas linguagens mais potentes.
Sigmund Freud, o pai da psicanálise, dizia: "O sonho é a realização (disfarçada) de um desejo reprimido." (“A Interpretação dos Sonhos”, 1900)
Aquilo que não conseguimos dizer enquanto estamos acordados, o inconsciente revela durante o sono, por meio de imagens simbólicas, desconexas ou até absurdas.
Na escuta psicanalítica, os sonhos deixam de ser enigmas aleatórios e passam a ser expressões simbólicas do desejo — uma via de acesso ao que foi recalcado, esquecido ou negado.
💭 O que os seus sonhos estão tentando te contar?