O tic-tac do relógio não é o mesmo. Ele está ofuscado. Não é a chuva. Não são as lágrimas. O tempo está diferente. Eu sei que muitos físicos poderiam ficar chateados comigo, me desculpem, não é pessoal. Mas não tem como disfarçar, a quarta dimensão falhou comigo. Só parece não existir e existir de forma sobreposta. SIM! QUE NEM AQUELE GATO!! Às vezes fico nervoso por não ter tempo para fazer tudo que preciso, às vezes (como agora) o tempo parece só não passar. Coachs organizacionais, vão para o caralho. Não sei se é culpa do filme do Adam Sandler, mas só pareço não ter controle do meu tempo. Sinceramente, não pareço ter controle de nada. Acho que nem posso ser egoísta a ponto de chamar o tempo de *meu tempo*... Ele só existe. Tanto quanto eu. Eu só existo porque o tempo existe e o tempo só existe porque eu existo. Se não existisse minha percepção de tempo, ele simplesmente não existiria. Isso é ser egoísta? Bom, o fato é que coachs são chatos e que o tempo é relativo, o que realmente não faz sentido. Quer dizer, só sobre o tempo. O tempo ser relativo quebra totalmente a ideia de um relógio existir. Se algo é relativo, como seria possível padronizar? Se o tic-tac do relógio ecoa agora de jeito X, como se estivesse ouvindo minha própria marcha fúnebre, e depois vai ecoar de jeito Y, parecendo o motor de um Gol 1.0 subindo uma ladeira, como pode ser padronizado? O tempo não é o Sol e a Terra rotacionando, não é a vibração de quartzo em um relógio atômico. Não! O tempo é uma piada, que se repete e perde a graça. O tempo é genocida. O tempo não cicatriza feridas, ele as abre. O tempo não é começo, meio e fim. O tempo sempre é o fim, o fim que passa a cada segundo e a cada segundo você perde de novo. Não tem como ganhar tempo, só se perde, perde e perde.