- Ah, obrigado. - Teve vontade de perguntar quem seria Einstein, mas após o elogio que a mesma lhe havia feito, pensou que isso só a faria mudar de ideia em relação a ele. - Eles ajudam quando tem tempo, porque eles estudam e eu sou o único que só trabalha lá. - Riu do jeito que ela falou sobre a parte da morte e se animou quando a mesma falou sobre gostar de sushi. - Então você iria adorar comer lá no nosso restaurante. Ah, qualquer dia desses, se você não se incomodar de ir na cozinha comigo, posso ver se posso preparar um sushi pra você. Sou bom pra prepará-lo - sorriu, mas logo depois se dando conta havia acabado de “convidá-la”. Tentou disfarçar o constrangimento por isso. - Eu não costumo ver televisão, a única que temos é a que fica ligada para os clientes e raramente a assisto, porque fico mais na cozinha. - Fez uma careta. - Nesse terno, como não sentir calor? - Usou o braço livre e puxou um pouco a roupa, fingindo se abanar. - Sem contar que pinica.
- Porque, convenhamos - se aproximou do ouvido da mesma - eu devo ser o único que disse a verdade. É impossível seus conhecidos não terem feito isso uma vez na vida - riu, logo depois afastando o rosto, a ajudando a sair do dormitório e seguindo para o refeitório, imaginando se todos já estariam lá. - Ah, eu não sei, nunca vivi com pessoas ricas pra saber se é legal viver com eles, aliás, eu era meio desprezado por gente com mais dinheiro. - Deu de ombros. Quando chegaram na entrada do prédio principal, ajudou a garota a subir as escadas, tentando ser um bom apoio, com medo dele mesmo cometer algum erro. Estando finalmente na entrada, o mesmo arregalou os olhos, surpreso. - Uau! - não pode conter a expressão de admiração.
- Entendi. Mas por que você não estuda como eles? É do tipo que pensa que diploma é apenas um pedaço de papel? Por que eu sou… - murmurou baixinho as últimas palavras, mais para si mesma do que para os ouvidos de Stephen. É sério?!? - empolgou-se - Eu realmente iria adorar, obrigada pelo convite. - seu sorriso alargou-se pelo rosto e ela deu-lhe um leve apertão no braço que segurava. Em nenhum momento passou-lhe pela cabeça que aceitando seria como aceitar ir à um encontro com ele. - Você deve mesmo gostar de estar na cozinha, não é? Você se concentra tanto que nem espia a TV. Mas você devia tentar a qualquer hora, assistir séries é um dos meus vícios. - Chloe riu do desconforto dele, agora não mais tão discretamente como antes. - Deu pra perceber, suas bochechas estão rosadas. E é idiota mesmo os rapazes sempre terem que usar isso tudo até no verão, sinto tanto por você quanto por mim nesses saltos altos.
Chloe paralisou no lugar e não ousou mexer nem um único músculo com aproximação súbita de Stephen. Por que ele faria isso? E de repente ele sussurrou as palavras em seu ouvido, uma primeira experiência para ela, que não conseguiu controlar o inesperado arrepio que sentiu. Ele não demorou mais que alguns segundos, mas Chloe ainda estava um tanto chocada com esta ação aleatória. - É-é… Provavelmente estavam. Mentindo. Ahn. Bem, é o máximo se você gostar de verdade de bens materiais e ostentação. Se não, é o maior saco.
Não demorou muito tempo para caminharem finalmente até o local do Baile. Observou a reação de Stephen antes de ela mesma desviar seu olhar para o que ele encarava. - Uau. - repetiu, com o lábio ligeiramente entreaberto.
- Porque alguém precisa ajudar meus pais e, como todos ali pareciam ser mais dedicados ao estudo do que eu, acabou sobrando pra mim. E eu gosto de ajudar eles, me faz bem saber que sou útil. Eu não ligo para diploma, mas é que eu queria ser menos ignorante, né. - Fez uma careta. - Sério que você acha isso? Nossa, você está me surpreendendo. Mas, mesmo assim, você parece ser super inteligente. - Ficou feliz com a animação dela. - Então qualquer dia desses preparo um delicioso sushi para você. - Quase gritou um "ai" quando a mesma lhe apertou o braço, mas apenas achou que ia ser falta de educação se o fizesse. - Ah, adoro cozinhar, principalmente porque isso ajuda meus pais e os fazem poder respirar um pouco, já que tenho mais força e agilidade que eles. Eu até veria, mas eu realmente não posso ficar saindo da cozinha, só quando algum irmão se oferece pra ficar lá e eu sirvo as mesas. Mas, desajeitado como sou, capaz de derrubar algo se ficar olhando. E, normalmente, fiz mais fazendo a contabilidade do que servindo, o que exige concentração. - Riu fraco. - Tentou fingir que as bochechas rosadas eram mais pelo constrangimento do que pelo calor, dando um pigarro fraco. - Mas você fica bem com essa roupa, eu simplesmente me sinto deslocado usando este terno. Eu nunca usei um na vida.
Estranhou ela gaguejar um pouco, mas tentou conter uma expressão confusa. - Deve ser legal ter bens materiais, digo, eu nunca tive nada que fosse só meu, tudo eu compartilhava com meus pais e irmãos, inclusive quando a cama da minha irmã quebrou uma vez, tive que dormir no chão, porque não ia deixar ela ficar lá, sendo tão pequena. Sem contar que ela teria aula no dia seguinte, não ia querer que ela não prestasse atenção aos professores devido ao sono - riu fraco, lembrando do dia que mal conseguira dormir porque só tinha um lençol fino o separando do chão. - Viu que a mesma esboçou a mesma expressão que ele e a encarou, vendo como a mesma ficava mais bonita com aquela fisionomia. Voltou a encarar o lugar e percebeu que havia desconhecidos. - Você sabe quem são eles? - questionou, com os olhos semicerrados, apontando com a cabeça para toda aquela gente estranha.