Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê.
Legião Urbana.

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Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê.
Legião Urbana.
Mas se o mundo é a guerra, talvez, seu sorriso seja a paz.
Íris. Verbiada.
Oculta consciência de não ser, Ou de ser num estar que me transcende, Numa rede de presenças E ausências, Numa fuga para o ponto de partida: Um perto que é tão longe, Um longe aqui. Uma ânsia de estar e de temer A semente que de ser se surpreende, As pedras que repetem as cadências Da onda sempre nova e repetida Que neste espaço curvo vem de ti.
Jose Saramago, Espaço curto e finito.
Se vivemos próximos demais a uma pessoa, é como se repetidamente tocássemos uma boa gravura com os dedos nus: um dia teremos nas mãos um sujo pedaço de papel, e nada além disso. Também a alma de uma pessoa, ao ser continuamente tocada, acaba se desgastando; ao menos assim ela nos parece afinal — nós nunca mais vemos seu desenho e sua beleza originais. — Sempre se perde no relacionamento íntimo demais como mulheres e amigos, às vezes se perde a pérola de sua própria vida.
Friedrich Nietzsche (via cinzentos)
Escuto, em dias de chuva, as vidas amargas, iludidas, gritando como almas condenadas eternamente ao inferno ou ao desprezo. Cada berro e cada gota de sangue infantil que se esvai, abafados por um tilintar agonizante que o céu faz descer, abafados pelo cheiro gostoso de terra molhada (que na verdade não passa do cheiro de bactérias mortas), eu escuto, eu vejo, eu sinto. Eu sinto a verdade e a agonia que aparece no céu cinzento, a verdade tão minha, o segredo tão meu, exposto como uma pintura esquizofrênica. Uma pintura esquizofrênica que é cômica e poética feito o amor de um desiludido. Eu vejo, em dias de chuva, lágrimas enormes que aparecem nas estatísticas em forma de catástrofe ou sonho. Eu vejo, em dias de chuva, as inúmeras outras lágrimas depressivas que não aparecem sequer no canto do olho. Lágrimas abafadas de vidas amargas e iludidas. Pelo vidro molhado escorre a invisibilidade e a pequenez dos humanos diante do choro de algo ou alguém que guardou dentro do peito toda a mágoa do mundo. O trânsito caótico, os guarda-chuvas coloridos que são como estrelas inúteis numa noite sem lua, a música triste, a xícara de chocolate quente, a terrível sonolência e as poças d’água refletindo uma imensidão moribunda. Eu imagino, em dias de chuva, que o infinito é algo maquiado e que todo o líquido transparente que cai ninguém sabe de onde é, na realidade, as cascas dos amores mortos que precisam ser tirados dali pra que outros possam nascer, crescer e morrer. Amores fracassados que caem nas nossas cabeças como uma vingança natural, atrasando nossos compromissos, cancelando nossos voos e enrolando cordas nos nossos pescoços, porque sim, não temos culpa de todo o amor do mundo, mas temos culpa por amar e a solidão é uma espécie de amor autossuficiente, igualmente fracassado. Igualmente fracassado, eu sei. Em dias de chuva, o universo descansa e se alivia, de todos os pesos que a humanidade o faz carregar, de toda a exigência e de toda a poesia, e chora, chora, chora, abafando os pedidos de socorro das tais vidas amargas e desiludidas, das tais almas que gritam pra se livrarem do inferno ou do desprezo. Eu penso, finalmente, em dias de chuva, que também vai chegar a minha hora de chover.
Cinzentos (via melancolua)
Tomara que a tristeza te convença Que a saudade não compensa, E que a ausência não dá paz.
Vinícius de Moraes.
No meio das noites de inverno, o frio mastiga-me sobre o vazio da cama sulfúrica. Os lençóis parecem devorar os restos de minha angústia sádica, que se esmigalham da minha pele envergada por arrepios de solidão. O remorso se derrama no travesseiro, fugindo pelos rasgos que as lembranças causaram em meu brio. Ouço o tilintar dos carrilhões do lado de fora do quarto, externo de toda depressão, dos malabares de foices afiadas que caíram sobre minha vaidade agonizada pela saudade. Meu orgulho é dobrável quando o assunto envolve você. Nenhuma guerra é muito quando o enlace do desfecho é você do meu lado, colecionando sorrisos nos meus dias sem amargura. A madrugada treme insana pelas cortinas ventosas, que parecem congelar junto ao meu coração apodrecido pela ironia de querer morrer de amor, e logo em seguida desejar suicídios pela ausência dele. É só outra mísera noite que se acumula junto às outras no passado abraçado pelo medo de olhar para trás. As horas engatinham ao invés de andar, outrora rastejam-se sem ânimo de seguir adiante. Os ponteiros do relógio desgovernam-se por minha mente cansada, e parecem regredir, voltar o tempo e me assombrar com sofrimentos repetidos. Há dias tenho me apegado ao desapego, pra que as dores da falta não me peguem por ai, distraído, olhando para horizonte ou outro, de estomago borboleteando sonhos e desejos de ter teu calor junto à minha necessidade de quentura. Nas paredes que revestem o meu isolamento pendurei nossas fotografias e boas recordações que nenhum avalanche pode destruir dentro de mim. A verdade que tento negar a mim mesmo, é que minha obsessão pelo teu cheiro, pelo teu jeito, carisma, toque, manias, é absurdamente maior do que a minha força pra lutar contra essa vontade vidrada de correr pelas avenidas à sua procura, apenas pra fitar os teus olhos hipnotizantes que me fraquejam as pernas. Pra desenhar nas nuvens do céu o quão imenso é o que sinto. Ou então de vozear aos quatro ventos que você nasceu pra morrer do meu lado, depois de toda uma vida de felicidades emolduradas nos porta-retratos da minha alma carente de ti. Essa obsessão é gigantesca, avassaladora, mas o meu maior medo é que tudo isso me traga insônias sonhantes de futuros que em seguida se estilhaçam nas profundezas da ilusão, do abandono, da chaga. Outra noite dessas, voltarei a chorar por você, desabafarei arrependimentos ao meu abajur apagado aos prantos, pois quando as luzes se apagam, e você se vai, meu mundo desaparece na escuridão dos abismos que o amor garimpa em meu coração platoniano, que não aprende a de desprender de você. …Vem, de fora, outra noite, outros ventos, nostalgias, lágrimas, lamentos que perseguem-me o riso adoecido. Outro inverno que esvai, que some, sem deixar rastros de você sobre minha cama, lacrimejada com meus granizos.
Annd Yawk
Toda vez que olho pra você, vejo algo novo que me deixa mais animado do que antes e me faz te querer mais. Não quero dormir essa noite, sonhar é uma perda de tempo, quando olho o que a vida vem se tornando, tudo se resume a amar você.
Bon jovi.
E eu quero que você venha cuidar de mim. Quero acordar e assim que abrir os olhos, ver você. Perceber o quanto sou feliz por ter você. Quero que me beije devagar, me segurando com força, e dizendo que ficaria assim até não poder mais. Quero uma vida leve e serena com você. Uma casa só nossa, um filme no frio, e até um cachorro. Quero que você me faça a pessoa mais feliz do mundo, pois eu também te farei se sentir do mesmo jeito. Quero bagunça na cozinha, a gente tentando preparar alguma coisa, e acabando no chão. Quero você, as coisas simples. Então fica. Quero viver esse amor, quero viver nessa vida.
Cabana dos Sonhos.
Por falta d’agua a flor chorou, por tanta mágoa despetalou, eu disse a ela pra não chorar, as pétalas caem pra se renovar.
Elisa Bartlett
Não importa se teu mundo tá caindo aos pedaços. Quando você começa a ter mais fé, de alguma maneira linda a vida dá um jeito de ficar melhor.
Morangos Mofados
Deixe-me falar, tudo é possível se você tentar.
Dan.