Já se fazia quatro meses que Aurora havia terminado com Korey. No começo, ela havia ficado muito mal, o garoto havia se tornado tudo que ela poderia ter, ainda mais no meio daquela confusão toda que era sua vida. Descobrir que era adotada e que sua família biológica havia sido assassinada foi um grande baque para a gryffindor, ainda mais quando os assassinos eram os pais de seu melhor amigo, Kief havia sido uma parte essencial para que a menina conseguisse passar por aquilo tudo, entretanto eles não deram certo como ela esperava que eles devessem. Korey e Aurora haviam vindo de mundos diferentes, gostavam de coisas opostas e, no final, acabaram por terminar. Apesar de ter o amado muito, Miller deixou que ele seguisse seu caminho enquanto ela seguia o dela. Mesmo tendo ficado devastada nos primeiros meses, ela já se encontrava muito bem depois de todos aqueles dias e não sentia mais tanta falta de seu relacionamento com o gryffindor. Eles ainda eram amigos, bons amigos na realidade, Korey acabou se tornando uma parte de Aurora que ela não poderia simplesmente abandonar, então não era mais namorados, mas continuavam sendo amigos e compartilhando coisas um com o outro. Da ultima vez que se falaram, ele fez uma brincadeira muito engraçada sobre o fato de que ela iria viajar com Phillip na páscoa e que isso acabaria levando eles a alguma coisa. A loira riu, disse que ele estava sendo completamente louco e que eles só iriam passar o feriado juntos porque nenhum deles estava disposto a ficar com suas famílias, porém ela já não poderia ter tanta certa dessa afirmação enquanto batia o copo vazio na mesa novamente, pedindo para que o barman enchesse seu copo com mais vodka. O slytherin estava ao seu lado, bebendo assim como ela, e os dois se encontravam no bar do hotel em que se hospedaram para o final de semana. Claro que eles poderiam estar fazendo qualquer outra coisa como, por exemplo, aproveitando a bela paisagem que a Frank dispunha para eles, mas ambos estavam tão cheios de uma carga emocional e com tantas preocupações que sentar ali naquele bar foi à melhor idéia que eles tiveram em meses.
- Outra, por favor. – Aurora nunca foi uma menina de beber, mas poderia dizer que ter tido um relacionamento duradouro com Korey havia a mudado em alguns aspectos. Um deles era o fato de que ela apreciava muito mais uma bebida em momentos complicados, outro era o maço de cigarro guardado em sua bolsa, mas esse já não era tão bom assim. O barman se aproximou novamente da bancada. Ele era novo, deveria ser apenas um ou dois anos mais velho que os dois bruxos, possuía os cabelos negros e os olhos de um azul muito claro. Enquanto ele enchia o copo de Miller, a garota se aproximou ainda mais da bancada e sorriu para ele, passando a mão pela mão dele. – Como você está? – em outras ocasiões, ela não daria em cima de um menino que nem ao menos conhecia, mas já havia bebido o bastante para se sentir um tanto quanto alheia as coisas ao seu redor e para não ligar muito para nada disso. O garoto olhou para Phillip ao lado dela com um olhar desconfiado, depois deu um sorriso sem graça e respondeu um “eu vou muito bem, senhorita” enquanto ia embora. Bufando, Aurora virou para o amigo. – Sinceramente, Phillip, você é um porre. – comentou a gryffindor, levando novamente a bebida aos lábios e sentindo o liquido queimar toda sua garganta, pegou um pedaço do limão que estava na mesa, levando-o ao lábio e sugando o liquido acido, soltou uma pequena bufada de ar pela boca antes de voltar novamente a olhar para o melhor amigo ao seu lado, jogando o limão para ele. – Ele era tãoooo gostoso e você fica me atrapalhando. – sorrindo para ele, a menina olhou por cima do ombro para poder ver o barman atendendo uma mulher já adulta, olhou-o de cima a baixo e não pode conter o impulso de morder aos lábios ao olhar para uma parte específica do garoto. Ao ver que era observado, ele corou e abaixou a cabeça, voltando a ficar de costas para a loira, Aurora revirou os olhos. – Ele parece ser aqueles que ficam só de meia antes mesmo de alguma coisa acontecer. – então, eles dois continuaram com aquilo por algum tempo, o que aconteceu foi que aos poucos as coisas ficaram mais confusas. Eles bebiam, riam cada vez mais alto e falam besteiras sobre qualquer coisa. Algumas pessoas olhavam, antes isso teria incomodado a garota ao extremo e ela teria parado, mas juntando a bebida com o fato de ter namorado o filho do primeiro ministro, Aurora já não ligava tanto para essas coisas, fora que estava se divertindo muito com Phillip ali.
Vocês terão que sair. A voz veio de um homem mais velho, que parecia ter ocupado o lugar o barman sexy que havia conquistado Aurora no primeiro momento em que ela o viu, não olhava mais para doces olhos azuis e cabelos negros, mas sim para olhos castanhos cercados por rugas e um cabelo grisalho. Fez uma careta para o homem. – Onde está aquele outro? Ele era muito mais bonito que você e a bunda dele era bem mais legal. – ela riu, tombando a cabeça para o lado, ganhou apenas uma revirada de olhos. A conta vai para o numero do quarto de vocês. Aurora mostrou a língua para o barman, que soltou uma risada fraca. Leve sua namorada daqui, garoto, ela vai acabar se metendo em problema. – Eu não sou a namorada dele! – protestou Miller, mas não adiantou muito. O velho só olhou para ela como todas as outras pessoas que afirmavam aquilo olharam e foi embora, secando com um pano velho o copo de uma senhora quarentona que havia acabado de sair. Bufou. – Você teria sorte se eu fosse sua namorada, Finn. - disse, seguindo o garoto para fora do bar. Ela não estava totalmente bêbada, conseguia andar e tinha uma visão muito boa do que estava acontecendo ao seu redor, só possuía um pouco mais de coragem para falar às coisas que sempre estiveram em sua mente. Indo atrás de Phillip, Aurora não pode deixar de olhar o menino de cima a baixo e soltar o mesmo suspiro que havia dado quando o conheceu. As costas perfeitamente alinhadas, as coxas grossas, os braços fortes, o cabelo bagunçado por puro desleixo. Ele era tão lindo e ela já havia consumido álcool demais. Subiu as escadas para o andar onde estavam hospedados, seu quarto era o 337 enquanto o dele era o 336, o que significava que estavam do lado um do outro. Ao entrar no corredor, Aurora esticou a mão para poder entrelaçar seu dedos com o dele, puxando-o para mais perto, quando ele virou para ela, a menina pode ver o rosto mais bonito que já havia visto em toda sua vida, passou os braços pelo pescoço do menino e sorriu. – Hey. - não pensou duas vezes antes de puxar o rosto dele para perto do seu, beijando-o com uma força e com uma intensidade enorme. Encostou as costas na porta do quarto dele, acelerando ainda mais o beijo e passando uma mão pelo cabelo do moreno, enquanto a outra ia para o bolso de trás dele, pegando a chave do quarto e abrindo a porta. Era engraçado o quanto aquilo parecia algum flashback do que eles já haviam feito antes, mas ela estava entretida demais com a boca do rapaz para poder rir. Afastou-se para poder entrar no quarto e fechar a porta, jogou a chave em algum lugar do quarto e o puxou novamente. Percebendo certa relutância do outro, ela sorriu passando a mão por dentro da camisa dele – C’mon Phillip, don’t turn into a good guy on me now. – ela mordeu o lábio dele com um pouco mais de força, tirando a camisa dele e a jogando no chão, desceu a mão pelo abdômen do garoto, puxando pelo cós da calça e voltando a beijá-lo com toda a vontade que sentia desde que o viu.
Desde que descobrira a verdade sobre Aurora e sua família - o que incluía a verdade sobre sua própria família - as coisas começaram a ficar mais claras e, surpreendentemente, mais confusas também. Não mais precisava seguir a fio o que seus pais pediam, podia expressar o que pensava e fazer o que bem entendesse sem precisar se justificar ou dar satisfação para ninguém. Não só isso, agora também podia manter uma relação - ainda de amizade - com Aurora, sem temer por ameaças ou qualquer coisa do gênero que poderia vir a acontecer. Sua melhor amiga havia saído de um relacionamento com o punk menos punk e mais alternativo - além de francês - da escola toda há uns quatro meses, e a amizade dos dois havia se intensificado, uma vez que ele não gostava de deixar Aurora muito tempo sozinha, com receio de que ela fizesse alguma besteira. Oras, Phillip conhecia a loira como ninguém e bem sabia das influência que Korey tinha feito nela e entre as negativas - porque embora doesse para ele admitir, as positivas de fato existiam - se incluíam a maior afinidade da grifina com as bebidas alcoólicas, e o hábito irritante e nocivo que ela tinha de fumar - muito, em dias ruins - coisa que o rapz tentava a todo custo abolir, mas que às vezes se mostrava mais difícil do que se parece.
Talvez por essa maior aproximação dos dois, não for surpresa para ninguém quando eles decidiram passar o feriado da páscoa juntos - invenção de Aurora, é claro, que passou alguns bons três dias tentando convencer o melhor amigo de ir com, com coisas como “Vamos, Finn, vai ser divertido!”; “Você vai negar isso a sua melhor amiga, sério?”; “Porque eu prefiroa sua companhia oras, amigos homens são mais fáceis de lidar, Phillip, não seja chato”; e bem, ela certamente conseguiu convencê-lo mais rápido do que ele esperava -e então, lá estavam os dois, em um lugar onde o sonserino nem lembrava mais o nome, no bar qualquer de um hotel qualquer com um barman fajuto - porque, honestamente, nenhum deles parecia estar disposto a atender nenhum cliente - e uma Aurora já alta demais para sequer perceber isso. Não que ele se importasse, pois se divertia com as cenas da amiga, mas preferia ir com mais calma e sensatez, coisa que não era realmente característico dele, mas queria ter certeza de que Aurora ficaria bem caso precisasse dele sóbrio - ou o mais perto disso possível. -
O jovem que voltou para servir Aurora logo foi alvo do interesse dela, ele possuía olhos claros e os cabelos tão escuros que Phillip se perguntou trezentas vezes se não era tintura - não obtendo nenhuma reposta concreta - o lado positivo era que, a menina não parecia estar nem um pouco pensando em Korey, porém estava bêbada demais para qualquer. Quando o novo crush da loira o olhou, o sonserino tentou avisá-lo que não estava realmente acompanhando Aurora daquele jeito, mas não obteve muito sucesso. Se fosse um tempo antes, o menino teria logo ficado enciumado - talvez pelo fato de gostar dela mais do que como melhor amigo - e protetor, mas no momento, Phillip sabia o quanto Aurora precisava daquilo, nem que fosse somente para entretenimento da mesma. E bem, se não fosse ser ele, que ao menos fosse alguém. - Aye, nem me olhe assim, loira! Eu não fiz absolutamente nada, ele que foi tirando conclusões precipitadas! - respondeu indignado, rindo com a revolta da amiga e revirando os olhos para o limão recebido em sua cara. Com um suspiro, tomou mais um gole de sua bebida e fez uma careta para Aurora. - Nem venha, o cara pinta o cabelo certeza! E como eu disse, eu não fiz nada além de ficar sentado, se ele interpretou de outra forma eu só posso lamentar. - dando de ombros, Phillip revirou os olhos ao ver sua melhor amiga secando descaradamente o menino, dando um leve beliscão no braço dela e voltando sua atenção para as outras pessoas no bar. De fato, haviam muitas garotas bonitas por ali, mas o menino não sentia vontade nenhuma de ir até elas, fora que queria ter certeza que Aurora chegaria bem em seu quarto mais tarde. Tudo bem, seria realmente incômodo ouvir sua melhor amiga fazendo coisas nada decentes no outro quarto com o projeto de barman modelo, mas o que ele podia fazer? Acabaria dormindo mesmo de uma forma ou de outra, e o importante era que Aurora não pensasse em Korey nem por um segundo, e se aquilo significava ter que aturar os prováveis barulhos estranhos que o moreno falo faria, ele poderia viver com isso. - O que quer dizer que ele provavelmente tem um fetiche estranho, cuidado. - riu, e deixou que sua melhor amiga se divertisse ali.
O senhor que apareceu para expulsá-los dali não era nem de longe tão agradável para a vista da loira quanto o anterior, o que gerou comentários sinceros, bêbados e nada gentis a respeito do pobre homem. Com uma boa risada, Phillip revirou os olhos e puxou Aurora pela mão, pedindo desculpas ao homem e rindo de novo ao ouvir o comentário do mesmo sobre ele ser namorado dela. Quem dera. - C’mon, princess. - com cuidado, o sonserino colocou uma mão nas costas de Aurora e a guiou até as escadas, por vezes rindo baixo ao vê-la se enrolando. “Você teria sorte se eu fosse sua namorada, Finn.” com um sorriso, Phillip beijou a bochecha dela e seguiu na frente, metendo as mãos no bolso. - Eu sei, loira. - a subida foi mais fácil do que ele havia previsto, pelo jeito, Aurora ainda conseguia andar de forma normal e enxergar o que havia a sua volta, mesmo que ainda falasse mais do que o de costume e risse de qualquer besteira que alguém dissesse, principalmente se esse alguém fosse ele. Phillip agradeceu a Merlin várias vezes por ter conseguido trazer a amiga de volta para o quarto em segurança, mesmo que tenha pensado diversas vezes que não o conseguiria fazer.
Fazia tanto tempo desde que Aurora não segurava sua mão daquele jeito, que por alguns momentos o sonserino se sentiu perdido e surpreso, como se de alguma fomra tivesse conseguido fazer aquilo dar certo, pelo menos uma vez. Quando ela o puxou, passando os braços por seu pescoço, Phillip sentiu sua respiração sair de forma mais rápida e seus batimentos darem uma bela de uma acelerada. Damn it, he was so in love with her. - Hey. - ele sussurrou de volta, engolindo em seco e piscando rapidamente ao sentir a boca de Aurora sob a sua. Como se despertasse, o menino puxou a loira para si e correspondeu o beijo de forma enfática, dobrando a pressão que seus lábios faziam sob os dela. Fazia tanto tempo que não a beijava que tinha quase esquecido do gosto dela. Quase. Quando a loira se apoiou contra a porta, ele se aproximou ainda mais dela, colando os dois corpos e quase caindo ao ter a porta aberta por Aurora. Arfando, Phillip olhou pra ela com relutância e fechou os olhos para se manter estável. Ele queria tanto beijá-la que chegava a doer, mas ele precisava ter certeza de que era o que ela queria. Mas Aurora nunca havia facilitado para ele, o provocando da forma que fosse possível e arrancando gemidos baixos do sonserino que começava a perder o controle - que já era quase inexistente -. Com o pingo de força que ainda tinha, o moreno a afastou, a mantendo em seus braços, sua testa na dela. - Aurora. - suspirou, como se fosse a primeira vez que dizia o nome dela, o saboreando na ponta de sua língua. - Eu realmente quero isso. Muito. - acariciou o rosto dela e encarou os olhos verdes que o faziam perder o fôlego. - Mas eu preciso saber se não está fazendo isso somente para se distrair, ou se é porque está bêbada demais para ter noção de seus atos. - olhou pra ela e respirou fundo, fechando os olhos para conseguir dizer a frase seguinte. - I need to know if want me as much as I want you -