“Jesus percebe você. Então você está liberto da necessidade de ser notado.”
Josemar Bessa
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“Jesus percebe você. Então você está liberto da necessidade de ser notado.”
Josemar Bessa
Zhenya Katava & Neus Bermejo V #119 (2019) ph. Gus & Lo
Plate VII. The common moths of England. 1870.
Internet Archive
nas primeiras horas de um novo dia o mundo pesa sobre os ombros.
é sempre um ir e vir que nunca se torna lar.
hoje é um, amanhã outro, depois outro e outro e outro e outro...
e outro...
repetição de algo que nunca tem fim. que nunca encontra o que quer. que nunca encontra seu lugar.
a espera pelo desconhecido que leva ao inevitável fim
[de uma vida que nunca aconteceu].
Viver não é só sentir possível todas as incógnitas, todas as emoções, todos os pensamentos. Como esse Oriente a que agora aspiro sem saber muito bem porquê. Esse Oriente sonolento, ignorado, paciente e perdido dentro de mim. Sim, esse Oriente ancestral que procuro como a minha própria ancestralidade. Vago, e, no entanto, tão examinado, real no que já vivi e recordo, ou quero revistar, ou, então, tornar impossivelmente verdadeiro e presente. Devaneio entre a cozinha e o quarto onde os meus livros se apinham desatentos, onde os objectos de tão desarrumados não são nítidos, onde o frio é uma vacuidade sobre tudo, onde vive aquela fronteira que me permitiu partir para Oriente. Sinto dentro dele um sopro de vento e dentro de mim um rápido movimento. É tão majestoso sonhar, sentir-me vagamente, olhar a abstracção.
Eduardo White
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa, como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Mario Quintana.
"Chega uma época em que todos os seus canais de expressão ficam bloqueados, como se entupissem de cera. Você se senta no quarto, sentindo uma dor pungente no corpo, que trava a garganta e se contrai perigosamente no canal lacrimal atrás do olho. Uma palavra, um gesto, e tudo que está retido dentro de você - ressentimentos remoídos, inveja gangregonosa, desejos supérfluos - frustrados - tudo isso explode para fora de você em lágrimas de uma fúria impotente - soluços constrangedores, um choro que não é endereçado a ninguém em particular. Nenhum ombro a amparará, nenhuma voz dirá: "Calma, calma. Durma que vai passar". Não, em sua nova e horrível independência você sente a perigosa dor premonitória a crescer na insônia e nervos à flor da pele, sente que as apostas contra você são altas nesta mão e continuam a aumentar. Você precisa de uma válvula de escape, mas as saídas estão bloqueadas. Passa dia e noite numa prisão escura entorpecente que você criou para si. E, neste dia, parece que vai explodir, arrebentar, se não der um jeito de abrir o imenso reservatório de mágoas que a sufoca e se livrar delas. Então desce e se senta ao piano. As crianças saíram, a casa está quieta. Um som agudo quando aciona o teclado, e você começa a sentir o alívio de pôr para fora parte do peso enorme que leva nos ombros."
Sylvia Plath, diários.
“Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu?”
- Clarice Lispector, Aprendendo a viver
Acima de tudo, tenham amor. Pois o amor une perfeitamente todas as coisas.
Colossenses 3.14.
eu choro
por sentir
que nada cabe
ou encaixa
em mim
Pointe de la Torche - France (by www.gilpivert.fr)
“Não é o tédio a doença do aborrecimento de nada ter que fazer, mas a doença maior de se sentir que não vale a pena fazer nada. E, sendo assim, quanto mais há que fazer, mais tédio há que sentir.”
Fernando Pessoa, Trecho 445 do Livro do Desassossego.
Saint Vincent, 2010 Christine Callahan
Toda dor é por enquanto A tua alegria Daqui até o fim E eternamente
Marcos Almeida
eu queria correr.
e correr.
e correr.
e correr.
até meus pés sangrarem.
até não ter como voltar para onde estive antes.