Eu não quero ser amado...
Eu não quero ser amado...
Antes que a primeira impressão que eu passe seja de uma pedra com um editor de texto, em minha defesa, falo que há vários tipos de amor: amor de mãe, amor de amigo, amor dado aos objetos. E do amor que aqui discurso é daquele que primeiro vem a cabeça quando a palavra é dita, o amor de duas pessoas se beijando ao pôr-do-sol, do ato de se ajoelhar e revelar o anel em uma pequena caixinha, o amor de compartilhar dois milkshakes e bolarem mil e um planos. Desse amor, eu não quero. Confesso que parte é pelo medo de machucados cicatrizados lá atrás. Mas mesmo que não fosse e eu ainda fosse quem fosse, não iria querer amor. Não quero, não quero que se dediquem a mim, ou que vejam como a pessoa mais bonita do mundo. Não quero receber presentes em caixinhas de formato de coração ou longos textos que dizem sobre cada detalhe dos meus medos. Não quero, ainda mais que tudo, que digam “eu te amo”. Julgue-me por um louco e você estará certo, pois que escritor eu seria se a sociedade já não tivesse me enlouquecido? Entretanto se ainda acredita que no meio desses parágrafos haja um pouco de sanidade travestida de auto-crítica, continue a ler que farei minha defesa. Não quero ser amado por liberdade, pura e simples liberdade, a tal liberdade que apenas encontrarei na total exploração de meu ser. Não me sinto livre agarrado a alguém, não me sinto livre tendo de agadar, não me sinto livre tendo poder e não me sinto livre de ter que olhar pro futuro. São amarras a minha mente que se sentiria como um pássaro numa gaiola caso alguma aliança viesse repousar em meu dedo. Estranho, radical e depressivo, porém não é isso que quero dizer, mas apenas que ser amado não condiz com aquilo que quero ser. E não é por não querer ser amado que não amo, como já disse, o amor se manifesta em várias formas. Amo fazer meus amigos sorriem, amo poder ter a capacidade de ajudar, amo estender a mão, amo me superar, amo me sentir bem, amo um cafuné, amo um caldo de cana, amo que olhem para mim em meus momentos de glória e amo, amo e amo, nunca parei de amar, porém há tipos de amor que não quero mais experimentar. E por favor, não sinta pena ou culpa por essas palavras, elas são o resultado de uma reflexão de madrugada, filha de anos inteiros experiências. Ao fim, vou amar e serei amado, mas não desse jeito, não é preciso, e assim como as coisas são, livres, sou feliz comigo.














