Estava tão perto. Finalmente Kitana poderia dizer que sucederia em algo; que provava de uma vez que ela era boa em alguma coisa. Boa não! Excepcional, isso sim. Todo o processo havia sido exaustivo, muitos dos colegas desistiram ainda no meio do caminho, mas Kit? Oh não, ela sabia o que queria. Além do mais, morreria antes de permitir que alguém dissesse que ela tinha falhado. Com notas acima da média, brigando por um dos primeiros lugares para aquele que se formaria com a melhor honra, se sentia ainda mais energizada ao ver tão próxima a linha de chegada. Se precisasse treinar por horas, faria. Se precisasse correr por quilômetros, acampar por dias, fazer centenas de flexões — ela faria. E ainda mais: se tivesse que lidar com um dos imbecis mais nojentos que já tivera o desprazer de conhecer para finalmente receber a medalha daquela conquista, então também perduraria. ‘Está lutando como uma garotinha, Vega’ As provocações do superior ressoavam no ouvido, tornando especialmente difícil que ela respeitasse a hierarquia quando a personalidade terrível do rapaz apenas incitava o instinto combatente da garota. ‘Que mira péssima, uma criança faz isso melhor’, um dia Wakefield ainda se atrevera a dizer, simplesmente porque a morena tinha errado dois únicos tiros após acertar outros oito. Não sabia bem o que ele tinha contra si. Embora o seu jeito mal educado não fosse unicamente reservado à moça, ele parecia de fato ser especialmente grosseiro e impiedoso ao se tratar dela. Algumas colegas até tentaram ver o lado positivo, dizendo que ele apenas fazia aquilo por pensar que ela era boa, na intenção de instiga-la. Mas não — Kitana já havia lidado com rejeição anos o suficiente para reconhecer quando alguém simplesmente a odiava. E tudo bem! Porque ela também odiava aquele maldito. Mas tão logo tudo acabaria, afinal aquele era o último dia antes da prova final que a colocaria dentro da polícia oficialmente. Só tinha de segurar a língua uma última vez! O universo, no entanto, parecia ter planos de colocar aquele seu auto controle a prova. No único dia em que a grosseria desenfreada de Travis Wakefield tinha outra pessoa como alvo, fora impossível para Kitana se calar. Se por um lado Vega lutava para ficar em primeiro lugar, uma das amigas que fizera por ali, Drika, esforçava-se para não ficar entre as piores. E Travis, naquele dia, parecia empenhado em fazê-la ter um maldito ataque nervoso. Vociferando no ouvido da pobre coitada e a atrapalhando, os tiros eram disparados sem qualquer previsão, e houve até um momento em que a loira deixou sua arma cair ao chão. Kit observava a cena, tensa e incomodada, enquanto Wakefield mandava todos pararem o que faziam. ‘Lá fora, vocês não terão um ambiente calmo para mirar e focar. Quando for a hora, é gritaria, tensão, medo, suor. Se vocês não conseguem atirar comigo falando alto, então como que porra acham que vão atirar numa missão?’ Não era um argumento exatamente incorreto, mas os métodos do instrutor eram questionáveis até demais; o que se provava com a ordem que se seguiu. ‘Vá para frente do alvo’ Ele ordenou, para o que os olhos de Drika se arregalaram. A hesitação apenas o deixou mais irritado, e logo a ameaça da reprovação veio caso a garota não fizesse o que havia ordenado. A loira caminhou para o alvo devagar, ao passo em que Wakefield ordenava que Burke - o outro instrutor, mas um que não parecia o próprio diabo encarnado -, se posicionasse para atirar. A instrução era simples: não se mover, não fechar os olhos, e principalmente, não pedir para desistir. Se ela conseguisse passar por aquele teste, então o instrutor desistiria da reprovação. Não era como se Kitana achasse que aquilo tinha grandes chances de um péssimo fim; já tinha visto Viktor em ação, e seu talento e habilidade eram inegáveis. Mesmo assim não resistiu ao tentar fazer algo, especialmente ao ver como a outra garota estava com medo. “Isso é estúpido. Qualquer um pode fazer isso”