Re-Fish-xões.
Acho que a Maria Fifish aqui abriu um portal e não o fechou e nem deu mais explicações sobre, então lá vai: interpretação e desenvolvimento, o que são? Do que se alimentam? Hoje, no Re-Fish-xões.
As pessoas confundem muito ambos os termos em comunidades e recentemente me dei conta de que ambas as coisas são diferentes e fazem parte de um todo. E o todo é seu personagem. Alguns personagens meus foram ricos em interpretação e pobres em desenvolvimento.
Fiz uma busca na internet e na literatura (amém Scielo e Scholar) e deixarei os links de referência abaixo. Ressaltando que a Fifish não é nenhuma PhD no assunto, sou só alguém curiosa e com acesso à internet. Caso eu tiver falado uma abobrinha grande e você possui conhecimento no rol sobre isso, faço questão que me corrija.
Mas antes de entender essa saladinha de atum, precisamos dar nomes aos bois. Primeiro o conceito mais fácil: desenvolvimento.
Desenvolvimento de personagem podem ser duas coisas:
a sua criação: escolher nome, faceclaim, gostos, desgostos, personalidade, passado, elencar seus desejos e objetivos;
e a trajetória que seu personagem vai seguir para alcançar seus objetivos ou como ele vai lidar com problemas que vierem no meio do plot.
Exemplos de linhas de desenvolvimento de personagens: superação de um trauma, luto, mudança de opinião sobre um assunto, descoberta de um segredo familiar.
As coisas que podem virar um desenvolvimento são infinitas. Não existe um juízo de valor entre a ideia para um desenvolvimento ser boa ou ruim, mas a forma que ela é executada, sim.
Exemplificando de novo, a ideia de fazer uma protagonista se tornar alguém forte é ótima. Mas esse desenvolvimento acontecer como resultado de uma experiência traumática e criminosa, é uma péssima forma de execução, na minha opinião. A jornada da Sansa Stark exemplifica isso bem e eu pessoalmente achei que errou feio, errou rude e foi no mínimo insensível.
Interpretação já é diferente, é você ser a voz do personagem dentro do jogo. Não, não é misturar IC com OOC ou fazer self-insert. Na verdade, é você narrar o que seu personagem falaria e agiria por meio dos seus textos, tendo em vista seu desenvolvimento (seu passado, seu presente e aonde quer que o char chegue), fazendo uso de seus tweets ou turnos. Não necessariamente você agiria ou falaria igual seus personagens. São personalidades e vivências diferentes. O que acontece nesse jogo, fica no jogo.
Lembre-se do cinema, minhas interpretações favoritas são a Rosamund Pike em Garota Exemplar, Toni Colette em Hereditário e o Edward Norton em A Outra História Americana. Todos eles estão interpretando seus personagens, não necessariamente são como eles. Também, todos esses personagens seguem uma linha de desenvolvimento.
Depois dessa explicaçãozinha, vamos para o roleplay. Dentro do nosso contexto, ambos são conceitos diferentes, mas que deveriam andar juntos. Seu personagem tende a agir conforme seu desenvolvimento, e uma linha de desenvolvimento pode existir para mudar a forma de agir do seu personagem.
Mas isso aí é tudo na teoria... vamos à prática. Personagens altamente interpretativos podem ter um desenvolvimento pobre e vice-versa. Falo por mim, já tive char que agiam muito bem dentro do contexto da comunidade, dentro da personalidade que criei para elus, escrevi vários selfparas de task, mas não tinham grandes desenvolvimentos, estavam ali para aproveitar a vida. Não possuíam arcos determinados ou algo assim.
Desenvolvimentos não estão relacionados apenas a POV e selfpara. Um personagem pode mudar de opinião com base na discussão com alguém na DM e isso é um tipo de desenvolvimento. Você pode postar um POV do seu personagem indo beber com os amigos e não necessariamente ele desenvolveu algo daquilo, ele apenas aproveitou uma noite e tá tudo bem. Nem todo personagem é criado para sofrer, alguns só vivem e não tem nada de errado com isso. Eu acho sim o desenvolvimento importante, mas a interpretação ainda está acima porque todo mundo lê tweets, mas conta-se nos dedos quem lê selfparas.
Interpretação é agir o seu personagem dentro do contexto que ele foi inserido com base em suas vivências, personalidade e opiniões, ou seja, tem tudo a ver com aquele desenvolvimento de personagem que citei lá no comecinho, no sentido de criação. E lidar com as consequências de seus atos, também.
Vou dar um exemplo: Fish Kim nasceu nos Estados Unidos, passou a vida toda sofrendo bullying, xenofobia e racismo. Esses fatos a levaram a negar um pouco das próprias raízes para tentar se misturar mais na multidão. Um belo dia, ela se muda para a Coreia, mas despreza os honoríficos e a hierarquia em um primeiro momento, mas com o passar dos dias ela vê que ou dança conforme a música, ou a vida vai ficar difícil para ela. Então, mesmo a contragosto, ela passa a aceitar os costumes do lugar onde está inserida. Depois de dois anos, Fish Kim já se acostumou. Seria estranho depois de sete ou oito anos, Fish Kim ainda ser mal educada por pura teimosia. Nesse exemplo, vemos a interpretação e o desenvolvimento andando juntos.
Quando uma comunidade tem a premissa interpretativa, ao meu ver, isso tem muito mais relação com os personagens agirem conforme o contexto do que desenvolver suas próprias histórias paralelas ao que acontece na comunidade.
O desenvolvimento é o seu pano de fundo, é a linha que você quer seguir com seu personagem. Esses desenvolvimentos pessoais independem da temática da comunidade, pois algumas vivências são universais dentro de um slice of life. Por exemplo, tanto em uma cidade, quanto em uma universidade, você pode trabalhar os conflitos familiares do personagem.
E ficamos aqui com o nosso Re-Fish-xões, espero que tenham me entendido.







