Meu destino é carregar dores vastas?
Vejo o jovem ao seu lado,
seu semblante radiante à sua presença.
Espero que ele compreenda,
que nunca o perdoarei,
se um dia ele ferir o que me foi legado.
Digo que a sua felicidade é o que importa,
mesmo com meu coração sangrando,
o carmesim traçando meu rosto,
revelando o esforço de acreditar,
mesmo entre lágrimas,
seguirei te amando.
Pago o preço por esse amor persistente,
não demonstrado,
mas presente.
Tomando remédios,
sofrendo,
sangrando as dores do sentimento.
Pergunto-me: por que amar dói tanto?
As vozes respondem: amou, sabendo do pranto.
Os sentimentos,
misteriosos e profundos,
acordar no quarto branco,
ausência do mundo.
"Meu cérebro desligou por sentir demais,"
diz a mente,
escapando de seus ais.
Cada mensagem tua,
solavanco no peito,
ansiedade cresce,
coração acelerado,
estômago embrulhado,
sem borboletas,
apenas meu ser expulsando as sombras passadas.
Te amo.
Por que essa dor persiste?
Te amo.
Tornou-se raro dizer normalmente.
Te amo.
Por que ainda ecoa em meu corpo?
Sigo os conselhos para ser autossuficiente,
mas como crer,
após você me abandonar nas nascentes?
As águas preencheram o vazio que deixou,
meu corpo submergiu,
o mar me acolheu.
O dilúvio se ergueu,
revolta da inocência que amou,
uma flor,
outrora em pleno esplendor,
foi brutalmente pisoteada,
marcada pela dor,
como um lamento da natureza que se desdobrou.
Os médicos falam em febre emocional,
posso sofrer por algo tão passional?
Não importa se foi há 10, 30, 40 anos atrás.
meu corpo ainda sofre,
meu sistema vacila,
nadei por mares para não me afogar,
mas a água sempre entra,
dizendo "olá, estou aqui."
uma figura ao meu lado,
vestes pretas,
não desconhecida,
diz que está sempre presente,
pede que não tema,
simbolizando destinos que seguiram o mesmo caminho.
Não importa os remédios que eu tome,
a terapia que eu faça,
a fachada que eu mantenha,
sempre doerá,
e a morte acena para me acolher.
Vejo meus familiares felinos do além,
suas sombras choram,
lágrimas de alegria por me reunir,
ou de tristeza por eu ser a estrela mais radiante na penumbra?
Me pergunto se meu propósito de vida foi suportar todas as dores do mundo,
todos os espinhos,
todos os venenos,
todos aqueles que molestaram minha dignidade,
todas as feridas profundas.
Eu peço perdão a Deus por ter se decepcionado com a minha alma cujo propósito não foi realizado e minha essência se misturar ao lodo a putrefação do meu ser.
Indago se meu destino é carregar dores vastas,
espinhos e venenos,
agruras contrastas,
molestias à dignidade,
feridas profundas,
um propósito que parece selar minhas fundas.
Rogo perdão a Deus por decepcionar minha alma,
propósito não cumprido,
essência que se embalsama,
misturando-se ao lodo,
à putrefação do ser,
uma tristeza profunda que se deixa perceber.
Kalliope.












