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Não foi preciso bater na porta e muito menos alertar a pequena Jisun que já estava quase na hora de ir. Em poucos segundos, a bolsa vazia sobre cama ficara repleta de bloquinhos, canetas, acessórios totalmente aleatórios -inclusive um mouse sem fio, e o item que nunca podia faltar: suas histórias em quadrinhos. Basicamente, esse fora o tempo total que Min gastou se aprontando para voltar ao colégio, já que as roupas eram as mesmas e o que mudava era apenas a blusa. Uma mania que fazia com que sua mãe tivesse vontade de lhe dar uns puxões de orelha às vezes, pois a prática de trocar de roupa do colégio depois de chegar em casa sempre era feita horas mais tarde. O motivo era simples: o vício em desenhos e qualquer coisa englobada no mundo dos personagens animados, que fazia com que a jovem não quisesse mais pensar em nada a não ser se esparramar na cama e virar o dia assistindo. Contudo, havia dias que suas obrigações entravam em primeiro plano e seus passatempos precisavam esperar.
Era o primeiro dia de aula no clube de xadrez do colégio e Jisun não sabia se o tanto de pessoas que estavam presentes, seria o mesmo número que participaria das atividades. Mas por via das dúvidas, encontrou o primeiro banco que viu pela frente e continuou com os fones de ouvido, esperando que algum tipo de monitor se pronunciasse. Por mais que aparentasse estar por dentro, ela não tinha ideia do que estava por vir e principalmente, o quê estava fazendo ali. O pouco que sabia sobre xadrez, era o suficiente para brincar em uma roda de amigos, sem muita cobrança, mas não o suficiente para se candidatar a passar tarde com outros alunos que aparentavam saber muito bem o quê fazer. No entanto, ela até gostava de jogar e por isso decidiu arriscar ao fazer sua inscrição, além de contar como atividades extracurriculares obrigatórias no seu histórico escolar. O monitor seguiu com às ordens e assim cada um juntou-se com seu adversário, deixando dois ou três alunos de fora, incluindo a garota. Eram rostos familiares, mas que certamente nunca tinha feito contato com nenhum deles, e acabou que os outros dois se juntaram e ela foi parar no banco de espera. Enquanto observava o jogo correndo e os jogadores concentrados, Min notou que não era a única que ficara sozinha. Um garoto de cabelos escuros também parecia aguardar do outro lado da sala, mas que não teve o semblante identificado pela jovem.
Quando menos esperou, seu nome foi chamado e a vez de iniciar a partida era sua. Um, dois e quase o terceiro parceiro sentara na sua frente, e mal conseguia acreditar o quanto estava se saindo tão bem até agora! O pensamento era tão forte, que quando o jogo começava, as peças pareciam ganhar vida. Era a vez de trocar de mesa e assim fazer uma rotação com os outros participantes de acordo com a pontuação. Assim que se aproximava, só conseguiu olhar diretamente para o tabuleiro, pronta para começar a esquematizar os processos que faria. E no momento em que se pôs de frente da cadeira, deu de cara com o dono dos cabelos pretos que havia visto no início, rapidamente tendo uma lembrança vaga daquele rosto nos corredores do colégio. ‘’Annyeong, está pronto para perder?’’ Cumprimentou assim, sem preocupações com a formalidade do vocabulário, sendo extremamente objetiva no assunto.
Iogurte e moletom preto. Duas coisas que resumiam os primeiros minutos após Jinseok levantar do colchão, sem sequer dar o trabalho de calçar os chinelos e evitar de sujar as meias. Os raios de sol ultrapassando a vidraça na parede anunciavam que o dia seria extremamente quente e por isso mesmo passaria dentro de casa, trancado e fielmente casado com a procrastinação. Os cotovelos desapoiaram da bancada quando o som da campainha cortou o silêncio, automaticamente limpando o resto do danone que caíra no canto da boca. Não, não eram cobranças, nem o porteiro e mui… Espera, como podia ter esquecido? Grunhiu em homenagem a sua memória falha. Hoje era o dia em que, tudo que havia prometido há semanas para Jinhyuk, finalmente sairia dos planos e pularia à pratica. Sentia que estava decepcionando o amigo a partir dali. Mais pelo fato de se esquecer sobre a ligação que tiveram ontem e que travava exatamente desse assunto, do que pela irmã dele, que agora aguardava na porta e mal imaginava que sua chegada não era tão aguardada assim. Passou a mão livre sobre o fios castanhos e virou a maçaneta. Tudo bem, Seok não esperava uma criança de um metro e trinta de altura com a mochilha do pikachu nas costas acenando amistosamente. Mas também, não a imaginava daquele jeito. Sua expressão era neutra de sempre transformou-se numa espécie de sorriso que dizia ‘’seja bem-vinda.’’
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