And if you're homesick, give me your hand and I'll hold it | Ambrose & Agnes
Para Ambrose, poucas coisas haviam mudado desde a saída de Hogwarts. Mas esse mesmo ritmo não parecia acompanhar a vida de seus amigos. Enquanto ele estava estagnado, sem nenhuma perspectiva de futuro, todo dia era uma nova aventura para as poucas pessoas que havia carregado desde a formatura. As promessas de união e de companheirismo, pareciam ter se dissolvido e ele sentia-se perdido, ficando para trás, e acima de tudo isso, solitário num mundo muito maior que ele. A publicação do Obliviate Act, alguns meses depois de se formar, foi um grande furor para o mundo bruxo. Ele mesmo achou algo completamente bizarro. Mas se havia algo importante sobre Ambrose, era sua falta de ação diante de qualquer coisa, inclusive as que o incomodavam profundamente. Preferia se sentar confortavelmente em algum lugar e esperar que o incômodo desaparecesse, como sempre acontecia. Mas as coisas não funcionavam assim para todo mundo. Quando sua mãe lhe disse que Agnes estava na porta, a primeira sensação a tomá-lo fora surpresa. Já fazia algum tempo que os dois não se falavam. Agnes era uma daquelas pessoas que estava se aventurando no mundo enquanto ele ficava preso ali, em seu minúsculo quarto no andar de cima do café de sua mãe. Não podia negar que estava feliz em vê-la, preocupações relacionadas à ela haviam passado em sua mente nos últimos dias. Como ela estaria se sentindo, sabendo que teria que cortar laços com toda sua família? Mas se por um minuto, um lampejo de felicidade lhe atravessou, no minuto seguinte a raiva o cegou. Agnes havia ido se despedir. Havia tomado a decisão de cortar laços com o mundo bruxo, não com o mundo trouxa.
Ambrose sempre fora ótimo em se colocar no lugar das outras pessoas. De uma sensibilidade sem igual, a dor dos outros lhe causava profundo sofrimento. Mas naquele momento, tudo que ele soube sentir foi rancor. Agnes havia passado sete anos em Hogwarts o importunando para deixá-la participar de sua vida, e quando isso finalmente aconteceu, ela ia abandoná-lo? Ela o fez prometer que quando as coisas voltassem ao normal, iria procurá-la para reverter o feitiço, para trazê-la de volta, mas Ambrose não queria saber de nada disso. Queria sua melhor amiga. E no instante que Agnes partiu, Ambrose arrependeu de tudo que disse, de toda raiva que sentiu. Queria poder correr atrás dela e dizer que entendia, que faria a mesma coisa se estivesse em seu lugar, que iria sentir falta dela, que ela era especial e que ele nunca encontraria outra pessoa tão brilhante quanto ela. Aquele mesmo sentimento perdurou por dias à fio, até que amanhecesse o mais triste dia na história do mundo bruxo, pelo menos para Ambrose. O céu estava cinza, uma chuva torrencial caía e não havia uma única alma nas ruas. Desde a publicação do Obliviate Act, aquela data havia sido esperada e ao mesmo tempo temida: era o fim do prazo para que os bruxos cortassem laços com o mundo trouxa.
Sua supervisora na Floreios e Borrões havia lhe avisado que o movimento estava tão fraco que ele poderia ter uma folga naquele dia. Logo, ele tinha um dia inteiro para ficar enfiado no quarto amargando seus próprios pensamentos. Ambrose havia aprendido que sempre que ficava tempo demais fazendo nada, acabava mais infeliz do que já era, pois mente vazia era realmente uma oficina do diabo. Passou grande parte da manhã cuidando do café para sua mãe, que tinha que resolver algumas coisas no Gringotts, mas o fluxo de clientes estava tão baixo que perto das dez da manhã ele mesmo decidira fechar. Devagar e de má vontade, Ambrose começou a guardar as mesas e cadeiras, e estava lavando uma pequena pilha de louças, quando alguém bateu na porta -- Estamos fechados! -- Ambrose gritou, mal humorado, do fundo da cozinha. As pessoas eram cegas ou o que? Uma enorme placa com os dizeres "we're closed" estava pendurada na maçaneta, não era tão difícil assim. As batidas continuaram, cada vez mais fortes. Ambrose bufou, largando o prato que lavava na pia e correndo na direção da porta, pronto para resmungar com o cliente insistente. Foi quando viu Agnes pelo vidro. Arregalou os olhos e apressou-se para abrir a porta, tamanho o susto que até se enrolara para conseguir girar a chave na fechadura -- Anda logo... -- Murmurou para si mesmo, tentando girar a chave emperrada, até finalmente conseguir abrir a porta -- O que está fazendo aqui, Agnes?! Geez, entra logo, está chovendo -- Ambrose nem se esforçou para disfarçar a preocupação na voz, como costumava fazer para tentar parecer um pouco menos emocional. Colocou o braço em torno do ombro dela e a puxou para dentro do café, sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo.











