MadCity presents: Smythe-Hamada family
Hiro and Aimée, and the love-song-precious-little-girl, Aika Hamada.
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MadCity presents: Smythe-Hamada family
Hiro and Aimée, and the love-song-precious-little-girl, Aika Hamada.
Neo Labs: Nossa família existe e persiste.
Através de três divisores de águas da família Smythe: o diagnóstico, o divórcio e o pós tudo isso. Eu não vou colocar em anos porque preguiça, mas as meninas tem só dois anos de diferença, e terminam as duas na faculdade, e o Sebastian já, muito provavelmente, com a Santana.
Eu só queria debutar todo mundo de uma vez e chegar no ponto atual da linha temporal. Espero que vocês gostem.
Sebastian.
O que você faz quando o amor acaba?
Na terceira vez que Manon reclama de uma dor forte nas costas e que não tem vontade nem de sair da cama, achamos que devíamos ir atrás de um pediatra pra adolescentes.
— Ela só tem quinze anos, o senhor acha que ela já pode estar tão estressada assim? — Hannah é a primeira a perguntar, porque naquele dia, ainda, a gente não achava que fosse muito sério. — Ela faz um monte de coisas, mas é assim desde que ela nasceu.
— E ela não consegue ficar parada, então se o senhor pedir pra gente intervir cada vez que ela encontra um esporte novo pra fazer, acho que ela não vai obedecer. — Comento ao abrir um sorriso pro doutor, e outro pra minha esposa, que solta uma risadinha enquanto aperta minhas mãos. — Ela é muito agitada.
— É, esse deve ser o problema. A Manon sempre foi tão agitada.
Mas ele não ri, e nem concorda com a cabeça, e não confirma as teorias que a gente tinha ali. Depois de olhar todos aqueles exames e protocolos e raio x, a única coisa que ele faz é entregar um cartão pra nós dois, e dizer as palavras de conforto que nem um pai quer ouvir.
— Eu não posso mais ajudar a Manon, mas meu colega, em Nova York, é um especialista em casos como o dela. — Ele diz, observando o ar sumir de nós dois, e o chão debaixo dos nossos pés também. — Eu sinto muito, Sr. e Sra. Smythe. Mas vocês precisam de um especialista em Oncologia infantil.
E o mais difícil não tinha sido nos convencer de que aquilo estava mesmo acontecendo, e nem marcar todas aquelas consultas, e nem avisar a família e a escola e os amigos dela. A parte mais difícil era ela, e tudo o que envolvia ela.
— Eu fiz alguma coisa de errado?
Como você diz pra pessoa, que você tinha jurado amar e proteger e não deixar nada de ruim acontecer, que você não podia fazer nada naquele momento?
— Não, não é culpa sua, e você não fez nada de errado. — Tento tranquilizar minha filha caçula quando ela começa a soluçar na maca do hospital, vendo todas aquelas enfermeiras ali só por ela. — Mas agora a gente precisa que você seja o mais otimista e corajosa e forte possível, porque depende muito mais de você, do que de qualquer outra pessoa no mundo.
Mas eu queria lutar aquela luta por ela, queria passar toda a dor e o cansaço pra mim, porque eu era o pai dela e era doloroso ver ela passar por aquilo tudo sozinha. Então eu estava lá quando ela não conseguia comer e nem dormir, quando os remédios eram tão fortes que ela apagava por dias, quando o cabelo dela começou a cair, e quando ela não tinha mais controle do próprio corpo.
Muito antes de achar que estava pagando todos os meus pecados da adolescência, achava que ela não merecia. Que nem uma das outras crianças na ala de oncologia, merecia passar por aquilo, porque eram crianças, e elas deviam estar fazendo outras coisas que crianças faziam. Minha filha não merecia morrer aos quinze anos, e eu não ia deixar, e nem que ninguém me dissesse o contrário.
E por mais que fosse meu dever como pai estar sempre lá e ser disponível e pró-ativo, era difícil fazer tudo sozinho.
— Eu só acho que você está sendo dramático. Deixar ela no hospital e pagar pra profissionais cuidarem dela não é tão ruim.
— Somos pais dela, somos responsáveis por ela! Terceirizar a criação delas nunca foi uma opção, e agora, mais do que nunca, a resposta é não!
Eu nem acreditava que estávamos mesmo tendo aquela discussão, depois do jantar, com ela terminando a reunião com nossas famílias deixando bem claro sobre como ela queria que o tratamento seguisse.
— A Manon não é uma boneca que você pode desistir de brincar, não é um brinquedo que você deixa de lado se não parece mais tão divertido pra você. — Volto a argumentar, enfurecido, gesticulando tanto com as mãos que devo parecer desesperado. — Ela é só…
— Uma menina, doente, e eu não aguento mais lidar com ela. — Minha esposa me interrompe, direta e contida, antes de continuar. — Não quero mais correr pro pronto socorro quando o nariz dela vira um chafariz, quando tudo o que ela faz é vomitar e delirar, e muito menos quando ela surta e quer entrar na frente de um ônibus. Passo a maior parte do tempo sem saber o que fazer, e a outra cansada e tudo parece sem o menor propósito e que nunca mais vai acabar. Tudo o que nós fazemos agora é viver em prol dela, e mesmo assim não parece suficiente e essa não é a vida que eu quero viver.
E era ainda mais difícil ouvir aquelas coisas, mas eu aprendi com o tempo que era melhor deixar ir. Eu só não sabia na época.
— Se não pode ficar por mim, fique pelo menos por elas. — Tento argumentar, olhando Hannah e suas malas. — Não pode se separar delas, são nossas filhas.
— Isso não tem nada a ver com as meninas. — Ela também tenta, abanando uma das mãos no ar como se fosse mais simples do que parecia. — Isso tem a ver com…
— Mas elas vão pensar que sim. Um dia elas tem uma família, e no outro a mãe delas vai embora porque… Porque não suporta mais ter uma família. — E eu sabia que não era justo apontar as coisas assim também, mas me sentia magoado, e assustado e de coração partido, e o fato dela nem ter negado, me fazia sentir tudo com ainda mais força. — São só meninas, e elas precisam da mãe, de um lar. Eu preciso da minha esposa e não posso manter essa casa sozinho.
Mas o amor não é suficiente, e o cuidado também não, e quando eles acabam, a coisa toda morre e apodrece. Eu sempre soube que o felizes para sempre não era uma regra, mas não esperava que fosse passar por aquilo, e que fosse tão difícil, e que eu tivesse que ser o único segurando todas as pontas depois.
— Eu fiz alguma coisa de errado? — Manon pergunta, se encolhendo em seu moletom, enquanto Aimée a segura mais perto. — A mamãe não quer mais ficar com a gente por minha causa? É por que eu estou doente?
Aimée mal consegue se segurar quando a caçula começa a chorar desesperadamente, soltando:
— Ela foi embora porque é uma irresponsável egoísta, e não porque você está doente.
— Aimée… — Tento intervir, ao que ela me interrompe, tão brava que parece que vai explodir.
— Ninguém que abandona a própria família merece respeito. — Ela diz, em um tom firme e baixo, me olhando nos olhos enquanto abraça Manon no sofá. — Ninguém que abandona a própria família, merece amor.
E enquanto a sala ficou em silêncio e a única coisa ali emitindo algum som era minha filha caçula, chorando por se sentir traída pela mãe, eu sabia que aquilo não era um pedido, mas sim uma ordem.
— Ninguém que abandona a própria família, merece paz.
Aimée.
O que você faz com o vazio que fica?
O divórcio foi… Bem longo. Meus pais não pareciam ter feito planos de divisão de bens quando se casaram, apaixonados demais pra sequer imaginar um fim pra relação, mas quando Hannah Smythe descobriu que ia sair sem um centavo, imóvel ou carro naquela briga, ela tentou apelar de todas as formas; todas mesmo, pra tentar sobreviver.
— Eu só quero que você fale com seu pai. — A mais velha dizia, tentando forçar um sorriso, mais uma vez, do outro lado da mesa. — Pra rever os papéis, e, quem sabe, repensar as decisões dele e do advogado dele.
— Você também tá interessada na guarda compartilhada? — Pergunto pra ela, mordendo o canudo do meu milk-shake quase vazio, e mesmo com todo aquele barulho na lanchonete, sabia que ela tinha ouvido, pela cara de quem tinha acabado de ser pega na curva.
— É claro… É claro que sim! Eu quero vocês duas mais do que tudo, mas…
— Tem outras prioridades, e uma delas é salvar qualquer uma das suas ações.
Em quase dois anos naquele processo todo, eu tinha lido todas as atas, todos os resumos e todos os documentos, e em nem um deles, Hannah Smythe queria ser mãe de alguém.
— Eu espero mesmo que você fique falida e nem um lugar em Nova York queira empregar uma pessoa horrível como você. — Deixo ela saber, enquanto abro um sorriso e ajeito minha bolsa no ombro, observando o olhar atento e muito cuidadoso de Hiro para nossa mesa, quando ele passa pela porta. — Você devia ter vergonha de fazer essas coisas. Melhore.
E eu sabia que pra alguém como ela, aquela não era mais uma opção.
— Quem era aquela? — Hamada me pergunta, deslizando uma das mãos pelas minhas enquanto nos guiamos pra fora daquele lugar.
— Uma estranha que não tinha onde sentar e pediu o lugar vago da minha mesa. — Respondo sem sentir a mentira de verdade, encostando a cabeça em seu ombro, decidida que aquilo nunca mais ia me afetar.
Mas nem eu acreditava nisso, e sabia que um dia ou outro, aquele corpo ia boiar. Fosse nas sessões de terapia, em uma aula aleatória na faculdade, ou bêbada e vulnerável com meus amigos. Eu só queria beber com todo mundo, encher o saco de Dylan e sua sugar mommy enquanto dizia palavras aleatórias pra June compor músicas e gritava alto quando Kevin e Isabelle saiam do karaokê pra se beijar, mas três shots depois, e estava deitada no colo do meu namorado, me lembrando do fatídico dia que minha mãe tinha quebrado meu coração.
— Não era só por causa da Manon… Era por tudo. — Suspirava enquanto sentia as mãos dele apoiadas nos meus ombros tentando fazer sentido em voz alta. — Eu também estava assustada, eu também estava cansada e me sentia inútil e magoada com a situação, então ela não estava sozinha. Éramos uma família e tínhamos um ao outro, precisávamos passar por aquilo juntos e ela simplesmente pulou do barco e se mudou. Ela fingiu que não era mais um problema dela, e deixou tudo pra trás como se fosse fácil. Como se fosse simples. Como se não fosse nada. — E aquela altura, estava chorando, muito e inconsolável, com meu namorado sem saber o que dizer e muito menos fazer além de me segurar. — Você não abandona as pessoas que você ama, então, se ela abandonou… Talvez ela nunca tenha amado qualquer um de nós.
E se ela não amava mesmo, não fazia mais diferença, porque eu sabia que a odiava, e que isso nunca ia mudar.
Manon.
O que você faz quando acaba?
Me lembro de ter acordado naquele dia, listando mentalmente todas as últimas coisas que faria depois de três anos vivendo uma rotina médica rígida e cruel.
Última vez escolhendo uma roupa confortável pro hospital.
Última vez descendo as escadas pra ir ao hospital.
Última vez tomando um remédio com um copo com água.
Última vez combatendo aquela doença.
Última vez vivendo na pele de uma pessoa doente.
Meu pai comprou um bolo e disse que ia pendurar um monte de balões em casa, meus amigos estavam vindo de toda parte só pra comemorar comigo, e a única outra certeza que eu tinha, era que eu nunca mais queria ouvir falar daquilo na minha vida.
— Bem-vinda ao próximo estágio, agora você é uma paciente pós tratamento!
Mas não estava preparada pra isso.
— Achei que eu não fosse mais paciente. — Comento com o médico que tinha acabado de fazer o anúncio, ouvindo meu pai e Aimee suspirando nas cadeiras ao lado da minha. — Hoje era pra ser o último dia… De tudo isso.
— É nosso dever te monitorar e continuar com exames periódicos. — O homem mais velho começa, com calma e cuidado, como se eu tivesse cinco anos e não quase dezenove. — A gente nunca falou sobre cura.
E eu fiquei arrasada. Toda aquela alegria e sentimento de liberdade que senti naquela manhã, foram tirados de mim de uma vez só, quando entregaram todo o meu histórico, por segurança. Caso um dia precisem, caso um dia você precise, caso um dia sua vida dependa disso. Eu não queria viver com uma dúvida, queria acreditar que tinha passado por aquilo, e nunca mais ia enfrentar aquele pesadelo.
— Você está triste, e eu entendo que pareça injusto. — Dra.Cravalho comenta no meio da nossa sessão, usando aquele seu tom materno que sempre usa quando descobre que os pacientes sentem falta da mãe. — Porque é injusto, mas você devia se dar algum crédito. Você chegou muito longe.
— Mas será que eu cheguei longe suficiente? Quando será que vai ter outro obstáculo no meu caminho capaz de atrasar a minha vida toda de novo? — Começo a argumentar com ela, encolhendo os ombros no processo, desesperada por uma resposta melhor do que a que eu não deveria sofrer com antecedência — Perdi meu ensino médio indo pra consultas médicas, sendo aberta e costurada e dopada. Nunca fui pra um baile, ninguém nunca me convidou pra sair e todo mundo dizia que eu ia ser lembrada como a garota que superou. Eu só quero ter uma vida normal… É pedir muito esse ser o final?
Se eu pudesse falar pra Manon no começo do diagnóstico, ia dizer que ela era tão boa quanto qualquer pessoa, por ter aguentado aquela merda toda, e ter conseguido trazer a mim até onde eu estou hoje. Ela foi paciente, otimista, forte e corajosa. Ela merecia ter ido naquelas festas, merecia ter sido a rainha do baile, merecia ter ido pros campeonatos esportivos que ela queria. Ela merecia bastante coisa, e merecia ainda mais saber que todos os sacrifícios valeram a pena e agora, ela era só uma outra menina qualquer.
— Você nunca mais falou daquele garoto que você conheceu no hospital naquele dia. O que aconteceu?
Ver ele doente, aconteceu. Me sentir desconfortável e ansiosa na sala de quimioterapia, aconteceu. Lembrar das minhas experiências, comparar com as dele, e temer pelo bem estar dele, aconteceu.
— Eu acho que prefiro ter um namorado saudável. — Digo para Aimee, sem nem ligar pra como aquilo tinha soado, porque a única ali que tinha uma régua pra medir aquilo, era eu. — Vai ser melhor pra todo mundo.
Sebastian.
Você se cura, você se levanta, você preenche e você se basta. E, depois, começa tudo de novo.
Eu disse pra Santana que já éramos muito velhos pra implicar um com o outro e ficar apontando um monte de coisas, e que se a gente se gostava mesmo, e acreditava mesmo que aquilo ia dar certo naquela altura do campeonato, eu queria fazer as coisas do jeito certo.
Colocar um anel no dedo dela, comprar uma casa nova e grande pra minha família e a sua, e deixar as crianças sendo crianças, juntas, porque agora éramos todos uma coisa só.
Por isso coloquei um porta-retrato por vez, das minhas meninas quando eram crianças, então da sua própria menina pequena, e depois as fotos que tínhamos obrigado as três a tirarem juntas pra acompanhar o conceito. Eu sabia que aquilo não ia deixar as coisas perfeitas, e que não tinha nem uma garantia de que ia ser pra sempre, mas eu me sentia bem, e amado, e necessário e feliz.
Era bom, muito bom.
What happens now?
Porque se você sente uma ameaça, cuida para continuar no topo sem nem um problema.
Aimée Smythe tinha se tornado uma dessas alunas modelo que aparece em jornais e tabloides de vez em quando, e que vez ou outra era lembrada como uma boa ex aluna e um exemplo a ser seguido.
As pessoas quase não falavam mais sobre o passado dela nos corais, e ninguém sabia como ela tinha trabalhado a imagem dela ate ser amada e bem quista de novo; tudo o que eu sabia era que, então, queria ser como ela.
Eu queria ser feito da mesma coisa que ela.
— De todos os ex alunos, eu fui sua melhor opção pra pedir conselhos sobre como amadurecer um coral? — Smythe me questiona, aceitando o braço que lhe ofereci, enquanto me guiava pelos corredores do prédio de artes da NYU, que já pareciam pertencer a ela. — O Kevin foi um líder muito bom, bem, pelo menos ele tinha métodos mais... Aceitáveis.
— Coleciona mais vitorias do que qualquer um de nós pode contar, e por mais que as pessoas julguem as maneiras que você usou, eu ainda acho todo o seu caminho justo e a considero uma trabalhadora árdua. — Interrompi a garota mais velha, lhe oferecendo o sorriso que minha irmã dizia ser o do Chris que não valia nada. — E se eu quisesse formar uma mini ONU e fazer amizade com rivais, procuraria Nixon, mas nós dois sabemos que não é assim que se ganha, e muito menos que se pisa em alguém.
Aimée para no meio do caminho para me analisar, então abre um sorriso espelhado no meu, e eu sabia que não tinha só o apoio dela, como uma espécie de bênção também.
— E em quem você quer descontar toda essa frustração, Christian Seo? — Aimée me pergunta, enquanto parados no meio de um encontro de vários corredores como se fosse uma encruzilhada.
— Todos eles. Quero tomar tudo o que eles querem ter, antes de sequer chegar perto de conquistar. — Revelo pra ela, as mãos juntas atrás do corpo, antes de continuar. — Coral, futebol, cheerleading. Tudo o que puder, e tudo o que quiser.
— Vai ser da Hackley, eu posso garantir. — Smythe ergue a mão na minha direção, como se fosse um pacto.
— E eu vou me esforçar pra isso. — Que eu selei de uma só vez, sem pensar onde isso ia me levar, e muito menos como eu ia terminar.
Missão Não Madrinha de Casamento
Isabelle Qian feat. Aimée Smythe. Narrado pela Aimée.
Quando meu ensino médio terminou e vi meus amigos e passadores de pano verdadeiras almas gêmeas indo cada um pro seu canto e caminho, saí da Hackley jurando que nunca ia deixar eles na mão e permaneci sendo a alma penada que surgia de tempos em tempos, montando um grupo no WhatsApp cobrando encontrinhos e rolês com todo mundo.
Amava muito mesmo os meus amigos, era diariamente e tinha certeza que seria eternamente grata por todo o apoio e cuidado que eles me deram desde que nos conhecemos e me abri pra eles, mas pra tudo tinha um limite. Tudo. Tinha. Um. Fucking. Limite.
Por isso estava ignorando e fugindo de Isabelle desde o dia que ela fez uma enorme call pra anunciar que ela e Kevin estavam noivos. Assim, eu amava e defendia muito Nian, desde o dia que choraram comigo enquanto eu contava minha love story que terminou em desgraça, e apoiava absurdamente o começo de carreira dos dois e considerava ambos minhas maiores influências maduras — porém dependia muito mesmo —, mas não queria receber o convite que sabia, sentia e previa que ia receber.
Inventei até um boato no Twitter que eu tinha saído do país e meu avião tinha caído, antes de sair nas ruas de novo igual a uma sub celebridade — que eu de fato quase era — de óculos escuros e boné, mas não tinha sido suficiente, quando trombei com Qian num Starbucks.
— Aimée, oi…
— Meu nome não é Aimée, meu nome é Rita.
E pensei mesmo em correr pela minha vida, mas Isabelle deu um jeito de me cercar, depois de ter visto aquela história se repetir umas três vezes só aquele mês.
— Por que você ta fugindo de mim? — Qian me perguntou, naquele seu tom amuado de criança que não sabia porque não tinha ganhado tal presente no Natal. Eu já tinha ouvido ela falar assim porque não tinha ganhado tal presente de Natal.
— Eu não to fugindo de você, eu só to evitando todo mundo… — Tentei me justificar, puxando meu café no canudinho como se não estivesse mesmo.
— Então por que você falou pra todo mundo que tava com sintomas de ebola e se auto isolou? Eu só quero te dar uma notícia boa! — A outra jogou uma das minhas desculpas na roda enquanto cruzava os braços, antes de bater palminhas e entrar no mood full feliz no final. — Eu quero que você seja uma das…
— Madrinha! Eu não quero, eu não vou! — Completei a fala dela com um grito, antes de negar logo de uma vez. — Ser madrinha de casamento é tão difícil! Eu vou ter que arranjar um vestido que te atenda, porque não quero que se pareça menos com o seu maior sonho, ai vou ter que fazer o meu cabelo e maquiagem e contratar um acompanhante pra poder responder todas as perguntas de namoradinho por mim, e… e… Meu Deus! Eu vou ter que ajudar a organizar uma despedida pra você, contratar um Magic Mike, ir atrás de cup cakes pornograficos e tradicionalmente segurar o seu cabelo enquanto você vomita tudo o que você bebeu, e te fazer parecer viva no dia seguinte! Te dar um castelo antigo de presente... Meu Deus, meu… Deus… — Desatei a falar, jogando as mãos pra cima, exasperada, imaginando todos aqueles cenários de uma só vez, perdendo as expressões de choque e surpresa de Izzy, antes de colocar uma mão no meu coração, sentindo que ia infartar e morrer. — Não vai rolar.
— Mas eu amo você, amo as outras meninas, e é por isso que convidei todas pra serem minhas madrinhas.
— Se você me amasse, ia me levar pra fazer compras em Milão!
— Mas eu já fiz isso!
— Eu sei!
Me dei por vencida, quando a outra projetou um beicinho nos lábios, e fui obrigada a apoiar as mãos na cintura e suspirar, num silencioso really? Antes de desistir.
— Se vocês não ficarem juntos por pelos 250 anos, juro por Deus que corto os freios dos carros dos dois. — Ameacei, apontando um dedo na cara dela, que nem se bateu, antes de sacar o celular dando pulinhos de alegria.
— Ai, que ótimo! Vou te colocar no grupo de madrinhas, e encontrar alguém decente pra sentar do seu lado, e eu…
Não ouvi o resto, estava ocupada correndo em zigue zague no meio do trânsito, gritando pra alguém me atropelar, arrependida.