Vi que has reaccionado solo ve a tu alrededor O será que te he fallado y el temor nos domino.
Alicia - Enjambre
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Vi que has reaccionado solo ve a tu alrededor O será que te he fallado y el temor nos domino.
Alicia - Enjambre
Ailén
All in vain - The Vaccines
Instrospection - MGMT
Last of summer wine - Palma Violets
Evil - Interpol
No cars go - Arcade Fire
Gracias!! :)
Send me your name and i’ll make a mini playlist with the letters…
Alice ainda se sentia relutante e até mesmo divida com a sua escolha. Sabia o quão difícil seria deixar Lucas ir, esquecer ele, e quem sabe começar algo novo. Aí está algo sobre esquecer as pessoas, você sempre pode mandá-las embora, mas tirá-las de seu sistema é algo completamente diferente, e Lucas havia sido parte de sua vida durante muio tempo, fosse como melhor amigo, ou algo até mesmo indefinido pelos dois. Porém as brigas a destruíam, a faziam desconfiada, fria. Ela se olhava no espelho e não reconhecia a garota que um dia fora, ávida por conhecimento, por ver o mundo. Alguém que não se importava com o que os outros diriam dela, ou até mesmo com a sua aparência. Via uma menininha fraca, cabelo desgrenhado e muito mais ossos aparecendo do que deveriam. Lucas havia sugado tudo de bom que havia nela, era isso que ele fazia com absolutamente todos a sua volta, apesar de ser apenas um menininho inseguro. Ele era manipulador e vil, ela havia sido apenas uma peça em seu jogo de xadrez. Cada pensamento aumentava sua raiva, tanto que ela resolveu se levantar de sua cama no hospital e ir atrás dele. Passou por enfermeiras desesperadas atrás dela, pacientes sem leito, médicos preguiçosos tomando café, até que o achou na recepção: — Eu queria lhe dizer Lucas... — Cala a boca, Alice, tô tentando te tirar daqui. Estás beirando a loucura. Falando coisas ridículas e toda essa atitude pró ativa, não é nada como você, querida. Ela lhe deu um tapa na cara que fez a secretária se retirar aos risos. Alice estava incrédula com a atitude de Lucas, sendo que ela havia sido bem clara que não queria mais vê-lo. — Lucas, eu lhe mandei embora. Eu fui bem clara. Ou você não sabe ouvir a porra de um não? — Não. — Não lhe culpo também, até porque quem nunca lhe disse um não que realmente significasse não, nunca poderia ser levada a sério. — Querida, você não está pensando bem, — disse ele com a mão no rosto de Alice — vamos para casa, eu vou cuidar de você. — Aí que está. Eu não quero que você me cuide, eu não quero mais nada com você. Já chega. Quando foi que você me cuidou? Quando eu chorava de noite por todas as suas burrices que não foi. Quando eu adoeci e não pude sair de casa, ou quando eu quebrei o pé também não. A verdade é que eu sempre estive lá por você, em toda a queda, em todo pequeno problema. Estive lá até mesmo quando você não precisava, ou pra limpar tua barra que estava constante suja. Quando que você esteve lá por mim? — Quem botou essas coisas na sua cabeça? Foi aquele Guilherme? — Ninguém precisou me dizer nada, por mais que você não ache, eu sou bem esperta. E apesar de ter buscado toda essa confusão, de ter continuado atrás de você, eu não quero mais. E suspirou profundamente antes de se dirigir a secretária e informar que aquele moço estava proibido de lhe fazer qualquer visita enquanto ela residisse ali. Lucas não lutou desta vez, ele estava dando às costas, quando Alice disse: — Eu não te amo mais. Não houve resposta e Alice soube que havia terminado. Não haveriam mais ligações, visitas surpresas. Que neste momento ele estaria tentando ligar para a única pessoa que o poderia aguentar do jeito que ele era, e que esta pessoa não existia mais. O karma, pensou, é uma coisa engraçada. Você pode maltratar uma pessoa o quanto quiser, e até mesmo se aproximar dela tão sutilmente que ela nem saberia que você confia nela, quase com todo o seu coração. Porém assim que esta pessoa souber o perigo que lhe representa, e se cansar de seus jogos, ela vai usar tudo o que sabe contra você. Ela passa de caça para o caçador em instantes e não há mais o que fazer. Você está ferrado.
Karma came back like he knew it would, Camila Reis
— Nem me procure, é sério desta vez. — falou convicta e lhe deu as costas.
"Alicas", Capítulo 25 - Camila Reis
— Lucas você não pode esperar que eu te perdoe. Olha toda essa loucura.... Eu cansei de me machucar. Eu cansei de correr atrás e aguentar o peso que é te amar. Eu cansei dos jogos, das outras mulheres na tua cama. Tu diz agora que eu sou a única, mas e depois? Como eu sei que tu não tá mentindo... de novo. Como eu sei que é sério dessa vez? — Eu não posso te dar a certeza que tu quer. Eu não posso te pedir pra confiar em mim, porque até isso eu fudi, mas... — Mas o quê? Se não confio em ti, como tu espera que a gente possa ter algo? — A gente já teve antes. — Antes era antes, tudo mudou, Lucas. — Tu sabe que tá mentindo pra si mesma. Tu sabe que ainda me ama. — Eu te amo, mas não vale a pena sofrer por você. — Não acha que eu mereço uma segunda chance, Alice? Pelo amor de Deus! — Acho. O problema é que já dei ela, e a terceira e a quarta...... É sempre a mesma coisa, Lucas. No fim do dia é sempre a gente brigando. Isso não é saudável, eu não quero isso pra mim. — O que você quer para si mesma? Me diz, eu não sei. — Deveria. — Deveria? Tá, mas Alice, eu não sei. E isso me deixa puto. Eu quero consertar as coisas mas tu só complica. Tu já notou isso? Tu tá sempre complicando a tua vida porque tu pensa demais. Para de pensar um pouco, para de ser tão fechada pra tudo. Arrisca, uma vez na vida. — Eu tô arriscando... — Isso quer dizer que você me perdoa? — Lucas, eu te perdoo. Por tudo. Tu sabe que eu sempre, sempre vou te amar. Antes de qualquer coisa tu era meu melhor amigo. Tu era a única pessoa que eu sentia que podia confiar, mas até isso tu estragou. A culpa não é tua, fui eu que acreditei. Eu inocentemente me deixei levar nas tuas brincadeirinhas e provocações, porque do fundo do meu coração, eu jurei que tu era diferente. Hoje eu vejo que era tudo somente um desejo meu. Talvez tu seja diferente com outra pessoa, mas comigo não. Comigo tu sempre vai ser egoísta, grosso. Tu nunca vai me tratar como eu mereço porque eu deixei tu te acostumar com a ideia de que eu não me importo. Mas eu me importo sim. Eu não gosto de alguém gritando comigo, dizendo que eu complico tudo e nunca sei fazer nada. Eu não mereço isso. Eu mereço alguém que me ame acima de todas as minhas inseguranças e defeitos... — Alice, eu te amo por essas coisas. Tu não consegue entender isso? — Falar é extremamente fácil. Palavras são palavras Lucas, e eu quero atitudes. Tu sabia, tu sabia quando resolveu se meter comigo que eu era diferente. Que eu era complicada e que eu ia te deixar louco e ainda assim tu foi em frente. Por quê? Por que tu foi em frente se sabia que não ia ficar? Se sabia que ia me decepcionar? — Mas eu te amo.... — Quem ama não machuca do jeito que tu me machucou, porra. — Não chora... — Me deixa chorar, que saco. — Não fica magoada comigo... Eu tô falando sério dessa vez. Alice, — ele botou a mãos nos pulsos dela e começou a enxugar suas lágrimas — eu quero o melhor pra ti dessa vez. — Quer dizer que das outras não queria? — ela o empurrou. Ela queria bater nele. Bater até sangrar. Derrubá-lo no chão, mesmo não tendo nem estatura para isso e agredi-lo. Ela queria machucá-lo de alguma forma, só para mostrar a ele o jeito que ele a tinha machucado. Ela queria mostrar sua raiva por não conseguir odiá-lo. E por odiar a si mesma, pois quando ele entrou naquele quarto, todo desarrumado, bêbado e com seu livro na mão, ela quis beijá-lo. Ela quis pular no seu colo e se sentir em casa. Mas a 'casa' já estava em ruínas. Ele havia conseguido destruir absolutamente tudo que ela amava nele. Ele conseguira até mesmo perder o encanto em seu sorriso perfeitamente branco e alinhado que dava raiva. Agora, no provável momento mais ridículo de toda a sua vida, ele era só um garotinho assustado. Ele, que costumava ser bom demais pra ela, era só... nada. Absolutamente nada. Mesmo que ela quisesse voltar atrás, era só por costume. O velho costume de perdoá-lo por ser ele, e ela ser masoquista. Mas dessa vez não. Ela havia criado uma espécie de coragem. Ela sabia que era forte o suficiente para encarar aquilo tudo e sair viva. — Óbvio que queria... eu só não consegui. — Lucas, vai embora... — Alice... — Vai, não volta. É sério. Muito obrigada por tudo, e por ter lembrado do meu livro, mas não dá mais. — Alice.. não... porra... não faz isso. — Eu te amo Lucas, não esquece disso. Tu é uma pessoa boa, só anda fazendo coisas muito ruins ultimamente. — Se me ama, volta pra mim. Nós somos nós porquinha, — ela tremeu ao ouvir o apelido — nós não acabamos nunca. Lembra? — Nada dura pra sempre Lucas, você já deveria saber. Agora vai, eu tô cansada e quero dormir. — Eu volto amanhã. — Eu não vou estar mais aqui. — Eu te acho. — Nem me procure, é sério desta vez. — falou convicta e lhe deu as costas. Ouviu o barulho dos passos de Lucas se dissipando e concluiu. Acabou. ''A-c-a-b-o-u'', repetiu para si mesma...
Vigésimo Quinto, Camila Reis
— Olha Alice, eu não sou o melhor pra ti, eu to bêbado, mas eu te amo e eu me arrependo. Eu tive essa ideia virada de vir aqui porque na minha mente, e em um universo bom, tu me perdoaria. Eu passei no meu apartamento e peguei isso, — ele mostrou o livro e ela o arrancou de suas mãos como se fosse a coisa mais preciosa do mundo — e eu até li um pouquinho. Viu? Eu te amo a ponto de ler…. eu nunca leio, eu nunca faço nada por ninguém. Mas eu faria por ti. Eu mataria um cara num helicóptero e te salvaria no meio do nada. Eu acharia uma cabana e te faria me querer na pia da cozinha mesmo, mas eu não posso. Eu não sou um cara de livro, ou de filme, ou desses que tu tanto gosta, e tu tanto te deixa iludir por, mas eu queria ser alguém melhor por ti. Eu queria poder consertar todas as merdas que eu já fiz, e retirar tudo que te magoou também, mas de novo eu não posso. E eu nem sei por que to dizendo tudo isso, e até mesmo me desculpa por te incomodar no hospital, lugar que eu mesmo te mandei e eu espero que tu estejas bem e que não tenha sido nada demais, mas eu precisava tentar. Eu precisava pegar um última loira gostosa, pra perceber que ninguém se compara a minha ruiva baixinha, que ninguém tem essa maldita mania de franzir o nariz quando tá brava, ou rir fazendo o barulho mais estranho do mundo, e ainda assim me fazer achar isso engraçadinho. Eu sei que eu demorei pra perceber tudo isso, mas eu to aqui agora e como eu disse, eu precisava tentar. Eu precisava te ver uma última vez e dizer tudo isso, mesmo que tu não quisesse ouvir. Porque eu… eu te amo, e eu realmente quero as coisas certas contigo. Eu não me vejo no caminho certo sem a tua presença lá. Eu não vejo meu futuro sem uma coisinha irritante dizendo que eu desacredito no amor demais, e que eu leio de menos. E que eu tenho um problema com a bebida, e que eu deveria ser mais gentil com o meu pai mesmo ele sendo um idiota comigo. E sabe o que é o pior? — ele já havia começado a chorar — Você viveria muito bem sem mim. Você encontraria um cara certo, e esse te faria feliz. Você teria tudo que sempre quis e mais. Ou talvez ficasse feliz sozinha, porque tu nunca precisou de ninguém pra te completar. Qualquer um é melhor que eu, qualquer um poderia te fazer mil vezes mais feliz que eu, e ainda assim eu to aqui, sendo egoísta e te pedindo pra me preferir, porque eles podem ser melhores que eu…. mas eles nunca, nunca vão te amar tanto quanto eu. […]
Camila Reis
Guilherme saiu do hospital receoso. Notou a cara de Alice quando ele saía do quarto e a deixava com a enfermeira que ainda o encara de cara feia. Ele disse tchau somente movendo os lábios, e Alice mordeu os seus. Ele havia notado que ela possuía essa pequena mania cada vez que ficava nervosa, apreensiva. Porém ele realmente precisava ir. Sabia que não haveria ninguém para pertubá-la, e que ela realmente precisava descansar, já ele precisava arrumar sua vida, porque havia largado de muitas responsabilidades para ficar com ela naquele hospital até altas horas da madrugada. Porém, quando o gato sai, o rato faz a festa...
Lucas, depois de sair daquele bar com as pernas mais bambas que um veado que ainda não sabe caminhar, foi atrás de Alice no único hospital da cidade. Precisava lhe contar que havia encontrado sua irmã... ou que havia bebido demais e tido fantasias com a própria Alice. Talvez ela não o deixasse entrar no quarto. Talvez sorrisse ao vê-lo. Talvez... talvez.. Talvez quisesse seu livro favorito que ainda estava no quarto dele porque ela insistirá que ele o desse uma chance.
Pegou o primeiro táxi que passou e o mandou levá-lo ao seu apartamento. Não iria aparecer de mãos vazias, não depois de suas mãos... bem... terem enchido a cara dela. Será que ela estava muito roxa? O nariz estava inchado? Já havia se esquecido de como era vê-la sorrindo de manhã, com a cara de sono mais fofa do mundo. Pegou o livro correndo, derrubando a luminária e batendo os dedos no pé da cama. Não teve tempo de reclamar, pois o táxi já o esperava, buzinando freneticamente.
— Pô cara, eu já tava descendo. — ele disse, embaralhando um pouco as palavras.
— E eu já to perdendo outras corridas, e aí? — o taxista disse irritado.
— Eu te pago o dobro se esse é o problema.
— É? E daonde vai tirar esse dinheiro todo moleque?
Lucas apenas revelou o nome de seu pai e imediatamente o taxista se tornou alguém gentil e bondoso. ‘Velho presunçoso, idiota, que manda nessa cidade’ pensou Lucas. Odiava a influência do seu pai e o quanto a servia nestas horas. Como o hospital era distante de seu apartamento, resolveu relaxar e ver, finalmente diga-se de passagem, sobre o que era o livro. A capa, o nome, tudo lhe parecia muito feminino. Alice sempre gostara de romances açucarados, cheios de reviravoltas. Um pouco como os dois eram, ou são. Ele por outro lado, nunca apreciou a leitura, gostava mesmo era de interrompê-la, ver seus lindos olhos se encherem de raiva porque ele havia desmarcado a sua página, ou a interrompido no meio de algo importante, algum acontecimento fantástico. Apesar de odiar leitura, sempre fora mais inteligente que ela. Ou apenas se achava assim. Leu o resumo do livro. Algo sobre uma escritora de filmes ficar presa com um ator que ela odiava, e eles acabarem transando numa cabana. Se ainda tivesse a velha intimidade, zombaria muito da cara dela por ler aquele tipo de coisa. Saiu do transe com o motorista do táxi avisando que haviam chegado. Beirava às 5 da manhã e ele realmente não iria acordá-la se ela estivesse dormindo, o que para a sorte dele, não estava.
Subornou a recepcionista para dizer-lhe em que quarto Alice se encontrara. Subornou a enfemeira para deixá-lo entrar no quarto, mesmo ela tendo dito que não queria visitas além do tal Guilherme. Abriu a porta delicadamente, e a encontrou olhando para a janela, pensativa. O nariz levemente inchado, altamente roxo. Levou algum tempo para percebê-lo a observando e quando o viu, seus olhos eram uma mistura de raiva com tristeza.
— O que você está fazendo aqui? — ela disse, soando surpresa.
— Eu vim lhe ver. — ele falou cabisbaixo.
— Não deveria ter se incomodado. Sabe que eu não te quero aqui. Aliás, eu não deixei isso bem claro? — ela soou exatamente como a Mariana, e ele se viu arregalando os olhos.
— Olha Alice, eu não sou o melhor pra ti, eu to bêbado, mas eu te amo e eu me arrependo. Eu tive essa ideia virada de vir aqui porque na minha mente, e em um universo bom, tu me perdoaria. Eu passei no meu apartamento e peguei isso, — ele mostrou o livro e ela o arrancou de suas mãos como se fosse a coisa mais preciosa do mundo — e eu até li um pouquinho. Viu? Eu te amo a ponto de ler.... eu nunca leio, eu nunca faço nada por ninguém. Mas eu faria por ti. Eu mataria um cara num helicóptero e te salvaria no meio do nada. Eu acharia uma cabana e te faria me querer na pia da cozinha mesmo, mas eu não posso. Eu não sou um cara de livro, ou de filme, ou desses que tu tanto gosta, e tu tanto te deixa iludir por, mas eu queria ser alguém melhor por ti. Eu queria poder consertar todas as merdas que eu já fiz, e retirar tudo que te magoou também, mas de novo eu não posso. E eu nem sei por que to dizendo tudo isso, e até mesmo me desculpa por te incomodar no hospital, lugar que eu mesmo te mandei e eu espero que tu estejas bem e que não tenha sido nada demais, mas eu precisava tentar. Eu precisava pegar um última loira gostosa, pra perceber que ninguém se compara a minha ruiva baixinha, que ninguém tem essa maldita mania de franzir o nariz quando tá brava, ou rir fazendo o barulho mais estranho do mundo, e ainda assim me fazer achar isso engraçadinho. Eu sei que eu demorei pra perceber tudo isso, mas eu to aqui agora e como eu disse, eu precisava tentar. Eu precisava te ver uma última vez e dizer tudo isso, mesmo que tu não quisesse ouvir. Porque eu... eu te amo, e eu realmente quero as coisas certas contigo. Eu não me vejo no caminho certo sem a tua presença lá. Eu não vejo meu futuro sem uma coisinha irritante dizendo que eu desacredito no amor demais, e que eu leio de menos. E que eu tenho um problema com a bebida, e que eu deveria ser mais gentil com o meu pai mesmo ele sendo um idiota comigo. E sabe o que é o pior? — ele já havia começado a chorar — Você viveria muito bem sem mim. Você encontraria um cara certo, e esse te faria feliz. Você teria tudo que sempre quis e mais. Ou talvez ficasse feliz sozinha, porque tu nunca precisou de ninguém pra te completar. Qualquer um é melhor que eu, qualquer um poderia te fazer mil vezes mais feliz que eu, e ainda assim eu to aqui, sendo egoísta e te pedindo pra me preferir, porque eles podem ser melhores que eu.... mas eles nunca, nunca vão te amar tanto quanto eu. [...] Camila Reis
Ele se afastou lentamente, ainda de olhos fechados, mas sabendo exatamente como o rosto dela estaria desenhado. Sentiu o sorriso se formar nos lábios dela antes de terminarem com o beijo. Abriu os olhos e encontrou a ruivinha tocando os lábios de um lado para o outro com os dedos. Franziu o cenho e a olhou com curiosidade. Será que ele havia a mordido forte demais? Não, não poderia ser, não havia sangue em sua boca. Será que ele havia babado demais? Também não. De repente ela abriu os olhos, e sorriu mais abertamente ainda para ele. Os olhos o encaravam fundo, como se fizessem uma pesquisa nos seus. Ele foi obrigado a perguntar:
— Alice, tem algo errado? — deu uma risadinha torta para disfarçar o nervosismo.
— Nada, nada errado. — ela sorriu novamente. — Na verdade eu não poderia estar melhor.
Encarou o lençol da cama e sorriu novamente. Ela não conseguia evitar, suas bochechas chegavam a doer, mas era uma dor boa. Dor de que está tão feliz que pode sentir o ambiente ficar mais claro, mais vívido, mais… bonito. Ela retornou a olhar para o rosto dele, ainda curioso, e se encontrou encarando a boca dele, querendo mais.
— Alice, eu preciso ir… — diz-se levantando da cama, e se inclinando para beijar sua testa.
— Mesmo, tem certeza? — ela fez beicinho, e sua melhor cara de cachorrinho carente, mesmo que seu nariz doesse.
— Mesmo que você, e essa carinha adorável queiram me convencer do contrário, eu realmente não posso. Tenho que arrumar as coisas, ir no bar, explicar porque faltei. Esqueceu? — ele a encarou.
— Tudo bem, — ela desistiu e começou a acariciar os lençóis. — vai lá.
— Não faz essa voz de magoada, Alice. — seu tom foi de quem estava ligeiramente chateado.
— É só que eu queria que você ficasse. Mas você já fez muito mais do que eu esperava que fizesse, então pode ir. Mas... — ela não terminou a frase. Sentiu seu corpo se contrair em negação, e sua garganta fechar para aquelas palavras.
— Mas o quê? — ele ergueu as sobrancelhas e a esperou pacientemente.
— Eu vou sentir a sua falta. — falou por fim, depois de quase cinco minutos se encarando, engolindo tudo a seco, e obviamente repetindo a palavra eu muitas vezes. Muitas. Mesmo.
— Eu também vou sentir a sua, bobinha. Mas eu tenho responsabilidades, e eu larguei bastante por alguém que eu não conheço. Ou conheço. Não sei. — ele não demorou nenhum segundo sequer. Sorriu ternamente ao ver o sorriso de volta no rosto dela.
Ela não sabia o que dizer, era tudo muito estranho. Muito. Parecia aqueles filmes de comédia romântico, que um babaca larga a mocinha, e de repente ela encontra o amor de sua vida em um bar. Mas era um filme, uma fantasia, e a vida dela nunca fora assim. Nenhuma vida era assim. Seja lá quem vivesse esse tipo de vida, provavelmente era muito sortudo, ou então morava dentro de sua própria cabeça. Mas do jeito que Guilherme a tratava, sem mesmo se conhecerem, o que não poderiam mais dizer agora, ela realmente parecia ser muito sortuda. Por isso era tão difícil deixá-lo ir. Como ela teria certeza de que ele voltaria? Como ela teria certeza de que tudo não havia sido um sonho?
— Guilherme? — ela arrastou a voz, e quando ele chegou perto, ela se inclinou e o beijou novamente. Sentiu as mesmas formiguinhas subirem pelo seu corpo, como sua mãe costumava dizer. A dor no nariz já não era mais tão dolorida, e a tontura havia passado e sido substituída pela leveza. Se desgrudaram, e sorriram juntos novamente.
— Está tentando me prender aqui deste jeito? — ele riu da própria piada.
— Não... Só queria, sie lá, ter alguma lembrança de ti. — ela soou melancólica.
— Ei, ei... — ele segurou o rosto dela com as duas mãos, deixando os cabelos de lado. — Eu volto, eu tô te prometendo ok? Eu cumpro minhas promessas. — ele a olho fundo nos olhos procurando por aprovação.
— Ok, eu acredito. — ela riu.
— Tais muito engraçadinha. — ele falou com uma voz mais grossa que o normal, botando as mãos na cintura.
— Shiu, fica quieto. — ela riu mais alto. — Vai logo.
— Tudo bem se você vai me expulsar né... — falou baixo, soando machucado.
— Ei eu tava... — ela perdeu o ar de brincalhona.
— Te peguei! — ele começou a rir.
— Somos dois idiotas. — ele concordou com a cabeça, enquanto ela ria da cara da enfermeira que os encarava. [...] Camila Reis