Quando a internet era tudo mato
Segue mais velharia esoterica do final dos anos 90, comeco dos 2000. Se bem me lembro foram textos recebidos pelos grupos do Yahoo - vovo das redes sociais - Meu Deus, to ficando velha.
Mais coisa legal no terra, secao 'cranios e colunas'. :)
por Monica Buonfiglio
A palavra inglesa witch (bruxa, feiticeira) é derivada da palavra anglo-saxônica wicce, da alemã wissen (saber, conhecer) e wikken (adivinhar). O termo em português vem da expressão latina plus sciat (que sabe mais).
Antigamente, as bruxas eram chamadas de mulheres sábias, até a Igreja colocá-las como uma degradação, uma mulher dominada pelos instintos
inferiores.
As bruxas nada mais eram do que mulheres que conheciam as ervas medicinais para a cura das enfermidades do vilarejo onde residiam. Também eram aptas para realizar partos e preparar os ungüentos medicinais.
Com o advento do cristianismo, as mulheres foram colocadas em segundo. A
elas, coube o silêncio e acatar todas as ordens do seu amo ou marido. Claro que algumas mulheres se rebelaram. Essas eram dotadas de um poder espiritual, inclusive passados de mãe para filha, e isso passou a incomodar o poder religioso.
Para as bruxas do mundo inteiro, o dia dois de fevereiro e 31 de outubro têm um significado muito especial. Nesses dias, o deus que representava a natureza (dotado de chifres em sinal de poder) saía da infância para ingressar na adolescência, tornando-se jovem e aventureiro (símbolo do alce nas pinturas alquimistas).
Essas mulheres, então, homenageavam a deusa Gaia (terra) em sintonia com esse deus (fecundo) para obter cada vez mais conhecimento, gerar filhos saudáveis e criar entendimentos entre os familiares.
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Lilith é vista, inicialmente (e freqüentemente) como uma criação direta de Deus, não nasceu da costela de Adão. Porém, não admitiu ser submissa e inferior, preferindo ir para o inferno, tornando-se sua Rainha e o lado escuro da Lua, a serpente do pecado. Isto é o que diz a Torah e outros textos apócrifos assírios-babilônicos e hebraicos.
Resgatar a verdadeira imagem de Lilith e enxergar o que realmente há por trás deste mito é uma tarefa, não só para bruxas, mas para todas as mulheres (e homens, é claro): é o resgate do feminino, não como apresentado nas escrituras ou pelas culturas de alta dominação masculina, mas o feminino independente, forte, corajoso, sensual.
Entretanto, a complexidade que permeia o mito é enorme e, praticamente, inesgotável. Este mito está presente na Torah, na mitologia suméria ligada à Inanna, nos panteões assírio-babilônico, egípcio e grego-romano.
A mitologia é composta (entre outras coisas) pelas analogias às fases lunares. Praticamente, todos os panteões indicam isto. A Lua Nova e a Lua Negra foram, aproximadamente, desde 3000 a.C, associada ao lado escuro dos Deuses e do ser humano, onde brotam as paixões, o desejo e o sexo. Todas essas emoções são contrárias à vontade de Deus, portanto demoníacas. As escrituras judaico-cristãs são bastante claras neste sentido. E é óbvio que há uma relação direta com a fase escura da Lua aos demônios. Lilith está ligada aos desejos, à sensualidade, à mulher que não esconde suas vontades nem as subjulga, exige igualdade, logo Lilith é o "supra-sumo" de tudo isto. Lilith é o próprio tabu. Numa representação suméria, Ela é retratada com serpentes saindo de sua nuca: é a própria Kundalini.
Mas, não só as escrituras depõem contra Lilith e as mulheres que expressam este arquétipo, mas tb oradores e filósofos famosos da História contribuem para isto. Vejamos, por exemplo, Sêneca que diz: "Quando uma mulher pensa, pensa somente coisas malvadas" e Catão: "Quando chora, uma mulher trama
ardis com suas lágrimas. Quando chora, uma mulher está tramando um modo de enganar o homem.".
Na Era Medieval, esta posição ganhará mais força. O cristianismo coloca a alma e o corpo em posições opostas, os apelos do corpo tornam-se domínio de Satã e a mulher é a principal vítima deste processo. Isto todos conhecemos.
Tudo isto representa a visão patriarcal da sociedade e, especificamente, da mulher.
Lilith é uma Deusa Lunar, patrona das bruxas, princípio feminino do Universo, está relacionada com a sabedoria, a regeneração, a feitiçaria, a sedução feminina e aos sonhos eróticos.
Quando trabalhamos com Lilith, o fazemos com nossa própria Sombra, aquele
lado que escondemos, sufocamos e negamos. Todas temos Lilith dentro de nós, escondida em maior ou menor grau, mas Ela está lá.
Minha intenção inicial era falar de forma simples, direta e objetiva, mas percebi que não me considero capaz o suficiente para discorrer sobre Lilith (principalmente, sem fazer uma análise deste arquétipo) com profundidade que
merece.Reproduzo, abaixo, uma antiga msg da Márcia Bianchi que, de forma brilhante, fala sobre esta Deusa.
Antes, porém, gostaria de dar um conselho: não é fácil trabalhar com Lilith, pois Ela desperta sentimentos profundos, acorda nossa Sombra de forma
implacável que, por vezes, é um processo muito dolorido. Gostaria que a Márcia B. me corrigisse se eu estiver errada, mas rituais com Lilith devem ser celebrados por quem já tenha alguma prática e já esteja familiarizado com as energias da Lua Negra.
Segue, portanto, a reprodução do texto da Márcia:
"Na verdade, Lilith é uma Deusa, ou um dos aspectos da Deusa. Ela é a Dark
Maiden - ou seja, o lado negro da face Donzela da Deusa. Para os que não estão familiarizados com o panteão cultuado por nós, bruxas, faço um parênteses para explicar que veneramos a Deusa tríplice - Donzela, Mãe e Anciã - e o seu filho e consorte, o Deus Cornífero. Lilith correspondendo, como todos sabemos, à Lua Negra ou Minguante/Nova, seria identificada com o aspecto de Anciã, ou seja, a Senhora da Morte e do Renascimento...Mas, pelas características de apelo sexual, não a identificamos com a velha sábia, mas sim com a donzela sedutora, embora seu reino, indiscutivelmente, seja das sombras. Por isso a chamarmos A Donzela Escura. Porém, muito antes da mitologia hebraica, Lilith já era cultuada na Suméria como o aspecto donzela da Deusa Innana. Era uma imanência da Deusa Pássaro, com suas grandes e acolhedoras asas de proteção. Ela era um benfazejo Espírito dos ventos, também conhecida como a Deusa sumeriana dos grãos, Ninlil, Senhora do Ar, que pariu a Lua no escuro e adquiriu o direito divino de possui-la.
A história que podemos lembrar de Lilith começa com Innana, a neta da Deusa Ninlil, conhecida como a "Rainha dos Céus". A história de Innana e Enki nos fala dos costumes sexuais sagrados, que são a dádiva de Innana para a humanidade. Em seus templos se praticava a prostituição sagrada e suas sacerdotisas eram conhecidas como Nu-gig. Os homens da comunidade buscavam a Deusa nessas sacerdotisas e o ato sexual era sagrado, proporcionando a cura física e espiritual. Nessa época, o nome de Lilith era o da Donzela, "mão de Innana", que pegava os homens nas ruas e os trazia ao templo de Erech para os ritos sagrados.
Entre 3.000 e 2.500 antes de cristo, os sumerianos passaram a ter contatos
com culturas patriarcais. Estas, para dominar aquele povo, sabiam que deveriam atacar seu maior centro de poder: o templo do sexo sagrado. Para que a conquista dos sumérios pudesse ter lugar, as culturas patriarcais interessadas começaram a disseminar as idéias de repressão sexual, combatendo como malignas as práticas sexuais milenares dedicadas à Deusa. As práticas sexuais se tornaram então parte da sombra, o poder da mulher foi identificado com o mal e o demoníaco. Daí, através dos séculos, a Donzela Lilith, que buscava os homens para o Templo de Innana, se tornou no patriarcado símbolo do mal supremo. Ela encarna de todas as formas e por milênios o medo atávico do homem do poder sexual da mulher. Mais ou menos em 2.400 ac Lilith, o Espírito do Ar, foi distorcida como um demônio, provocadora dos desastres naturais como tempestades e furacões.
A flor de Lilith é o lótus, que representa a genitália feminina e a magia do sexo feminino, que é antigo arquétipo da forma virgem da Deusa Tríplice. Uma placa sumeriana de 2.300 ac mostra Lilith como Senhora dos Animais e Mulher Pássaro. Ela é linda, com um belo corpo nu, asas abertas como um véu protetor e acolhedor, e poderosa com os pés da Coruja da sabedoria. Sua cabeça é adornada com uma coroa de múltiplos chifres, que representam os cornos da Lua crescente, usados por todas as grandes divindades, e ela segura um anel e um bastão - os símbolos do poder. Cercada de leões que são seus protetores e corujas que encarnam sua natural sabedoria noturna, ela é a Alma do Mundo, que participa da essência de todas as criaturas vivas, associada com todas as coisas selvagens e pagãs.
Lilith, na tradição matriarcal, é uma imagem de tudo o que há de melhor na sexualidade feminina - a natureza da mulher, o poder do sangue menstrual, que é o poder da Lua Escura. Isto se afirma porque, em estado de natureza, as mulheres acertam seus ciclos menstruais com a Lua e menstruam quando a Lua está entre minguante e nova... assim, o poder da Lua escura é o poder do
sangue, é o poder do ventre e Lilith sua mais legítima representação... Ela hoje é encarada como a mulher positiva e rebelde, a que não aceita os padrões patriarcais que marcam a menstruação com dores e vergonha. Conhecer a figura de Lilith é lembrar de um tempo no passado antigo da humanidade em que as mulheres eram honradas pela iniciação sexual, onde expressavam sua liberdade e paixão natural.
O que significa reivindicar os poderes de Lilith para a mulher de hoje? Na literatura mítica antiga haviam 3 Liliths - que refletiam as fases de lua crescente, cheia e escura. A Lilith crescente era Naamah, a donzela sedutora; a Lilith Mãe era a consorte do Deus e nutridora; e havia a Lilith anciã, a Destruidora, portadora de catástrofes. Esses aspectos influenciaram a astrologia onde também há 3 Liliths: um asteróide, a controversa lua escura (dark moon) (que seria outro satélite da Terra) e a lua negra (black moon) que é definida como um ponto focal na órbita da Lua em torno da Terra. Imagens de humilhação, diminuição, perda e desolação são comumente associadas a esses corpos astronômicos, porque abundam na mitologia de Lilith. Porém nos cabe buscar a redenção desse arquétipo como parte de nossa redenção interna. E isto é um processo em 3 partes: na primeira, devemos confrontar as maneiras pelas quais nós somos reprimidos, buscando recuperar nossa dignidade. Na segunda, devemos integrar o desespero que vem de nossa rejeição, angústia, medo, desolação, e, na terceira, descobrimos o poder da transmutação e da cura dela decorrente, uma vez que ela corta nossas falsas pretensões, desilusões e nos ajuda a encontrar nossa essência livre e selvagem."
Por Mavesper Ceridwen, em 11/08/99
É isto. Espero que todas nós reflitamos sobre Lilith e o que Ela tem a nos
dizer. Que Ela desperte em cada uma de nós.
"... E certamente, as bruxas eram bem descritas pela autoridade; nos "Catálogos sobre harpias e feiticeiras", pode-se encontrar a perfeita caracterização das bruxas: "Aquela que faz mal a outra; a que tem iniciativa daninha; a que olha de esguelha; a que olha de frente com descaro; a que sai à noite; a que cabeceia de dia; a que anda com ânimo triste; a que rí em excesso; a dissipada; a devota; a espantadiça; a valente e grave; a que se confessa com frequencia; a que jamais se confessa; a que se defende; a que acusa com o dedo em riste; as que têm conhecimento de fatos longínquos, as que conhecem os seguedos da ciência e das artes; as que falam diversidade de idiomas."
Federico Andahazi - O Anatomista
OU seja, todas as mulheres podem merecer a fogueira, é facil encontrar uma forma que se adapte a qualquer uma. Grande livro.
De Mago e Bruxa todo mundo tem um pouco.
Por Tettê Schmidt
"Não creio em bruxas, mas que elas existem, existem...."
Ditado popular