Foi numa noite de primavera que nós conhecemos, o frescor da noite acariciava nossos rostos e você usava um pesado casaco de couro, era a primeira vez que eu estava naquele bar, você já havia perdido as contas de quantas vezes estivera ali, tocava um jazz baixinho o tinha um teor bucólico em todo o ambiente mas mesmo assim você ergueu as mãos e me chamou pra dançar, era apenas eu e você naquele salão, nossos corpos juntos e sem ritmos tentando seguir uma inaudível música, horas depois você caiu bêbado e foi eu quem te ajudou e em meio a frases desconexas e o hálito forte do álcool a gente se beijou.
Depois disso houve sucessivos encontros que formou nosso relacionamento, você com seu teor de rebeldia sempre com seus jeans rasgado e um baseado no bolso,despreocupado, me levava aos lugares desconhecidos, saímos juntos pela noite e nos sentíamos infinitos, até nos apaixonarmos, éramos dois inconsequentes, corríamos na rua descalços após uma confusão, sorriamos, nossos beijos tinham um gostinho de pecado, éramos um erro que construiria um paraíso.
Não éramos adolescente, fato, mas sua companhia me deixava jovem,eu me sentia no ápice da juventude sempre que recebia seus olhares luxuriosos e escutava suas risadas(causada pelas minhas piadas).
E eu sabia no meu canto mais íntimo que isso não iria durar.
Você falava que o mundo havia de ser explorado, não só o mundo como as pessoas.Que não devíamos ter apego ao presente porque tudo era passageiro. Eu então me esforçava ao máximo pra me adaptar a esse teu conceito e conseguir ter a mínima confiança sobre nós.Esforço inútil.
E então nosso amor (se é que me amou um dia) foi mais uma das suas explorações,e agora que teu presente é outro, sou só uma parte do seu passado.
_Araruna














