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Malfeito feito
Andrews Cohen II realmente nunca foi com a minha cara e eu realmente nunca fui com a cara dele. Desde o prézinho, ele pegava as pontas dos meus cabelos e enfiava nos potes de tinta guache, ou cuspia no encosto da cadeira para que eu me sujasse quando encostasse nela, ou chutava o pé de minha mesa, me fazendo borrar meus trabalhinhos. Não sei como, não sei porque, mas ele me escolheu como o alvo de seus ataques desde a nossa alfabetização e nunca mais parou. E a princípio, eu era a garota que chegava para a professora chorando, com um bico enorme e falando o quanto ele me queria mal. Porém depois de várias palestras sobre mal comportamento que nunca deram em nada, entendi que se alguém ia mostrar que Andrews era um bostinha e que deveria se manter em seu lugar deveria ser eu mesma. E assim começou o nosso eterno embate.
Ele foi responsável pela minha neura por popularidade. Queria ser parte de um grupinho, ser aceita, porque conforme ele me ridicularizava, as pessoas olhavam para mim como se fosse a piada da escola e ninguém quer andar com uma piada ambulante. Logo, me dediquei a ter atenção das meninas perfeitas e frequentar seus mesmos espaços, me inserindo nada sutilmente e na força do ódio, como se a minha presença obrigatória ali forçasse elas a conviverem comigo. E então lá vinha Andrews dizendo que me camuflar no meio de todas as líderes de torcida e das meninas populares não iria me fazer menos esquisita e maluca e que eu deveria me conformar e andar com os perdedores do colégio.
Era uma briga longa, declarada, e sem previsão de fim.
A cada ano, a situação ficava cada vez mais extrema. No Homecoming do sophomore year, Cohen me insultou tanto que eu bebi horrores daquele ponche batizado, a ponto de vomitar no sapato de uma colega que até hoje não sei quem foi e terminar a noite jogada no chão do banheiro feminino me sentindo minúscula. Porque ele me zombou do vestido que usava ao modo como estava dançando com as meninas do cheerleading, em voz alta, arrancando de toda a sua rodinha risadas escandalosas.
Todas essas ações tinham um payback. Ameaças com meu taco da Harley Quinn eram recorrentes, assim como arremessos de objetos em sua direção, sempre mirando sua cabeça porque meu sonho de princesa era arrancar ela do lugar, o que não faria diferença alguma tendo em vista que aquilo ali era um espaço vazio e contendo apenas maldade.
Então, naquela véspera de sairmos de férias de meio de ano, ele fez de novo. Entrei em meu alojamento e não tinha absolutamente nada dos meus objetos pessoais. Meus funkos da Batgirl, Batman, Wonderwoman e Harley Quinn não estavam sobre a mesinha do meu lado do quarto. Meu pôster da Liga da Justiça tinha sido arrancado sem gentileza de seu lugar de honra em cima do espelho da cama. E meu taco da Harley Quinn não estava em meu armário. Quem olhava de fora, podia pensar que eram apenas objetos soltos, apenas decoração comum e nerd, mas eram meus mimos mais preciosos. Eu arrastei minha mãe e Bruce por toda uma fila gigantesca na Comic Con para conseguir os autógrafos do Henry Cavill e Gal Gadot naquele pôster. Cada funko daquele representava alguém de minha família. E o meu taco foi o presente de aniversário que eu mais surtei, até mesmo por ser original e eu chorei de emoção quando mamãe me entregou. Aqueles detalhes faziam parte de mim, da minha base, de momentos felizes, eram as coisas minhas coisas mais queridas e que eu gostava de ostentar na Windward. E aquele maldito sumiu com elas para pregar uma peça.
Marchei em direção ao seu alojamento, os coturnos batendo contra o piso liso a cada passo. As pessoas percebiam que alguma coisa estava errada demais pela minha fúria, e então começaram a me seguir. Não precisava olhar para trás para saber que tinham um certo número de colegas me acompanhando para ver qual seria o meu ataque da vez. E mesmo com todo mundo cochichando que lá eu iria parar na coordenação de novo, simplesmente não conseguia parar. Andrews não sairia ileso.
Não bati na porta, apenas a empurrei com um solavanco, a deixando bater contra a parede. Cohen apenas girou na sua cadeira, em frente a própria escrivaninha, com um sorriso cínico. E meu taco em seu colo.
— Sabia que iria fazer as contas direito, Duval. Não é tão burra quanto aparenta. — Ele me respondeu, ainda com aquele sorriso cínico.
— Me devolve as minhas coisas. — Falei a ele, os punhos fechados, o encarando com raiva.
— O que será que acontece se eu usar essa coisinha aqui para arremessar seus bonequinhos, Duval? — Andrews disse, girando meu bastão em suas mãos, como se medisse a força dele contra o objeto. — O que será que irá se despedaçar primeiro?
— Você não se atreva a quebrar as minhas coisas, Cohen, ou eu... — Comecei a falar, apontando em sua direção, mas ele riu na minha cara, dando de ombros em seguida.
— Ou o quê, Ariel? Vai me ameaçar com o seu taco? — E então ele balançou Rotten na minha cara.
Minha respiração ficou curta, meu rosto quente e minha circulação mais rápida. A fúria, então, tomou conta de mim e como se eu fosse o fucking Superman, passei a minha vista em raio-x, até encontrar algo que eu precisasse. E assim que encontrei, um sorriso rasgou meu rosto, enquanto passos me colocavam para dentro daquele quarto, como se fosse uma fera pronta para o ataque.
— Não. Porque eu não preciso de um taco para isso. — E então passei a mão em um notebook em cima da cama, abrindo o mesmo e usando como uma pá para varrer tudo que estava ao meu alcance na cômoda de Cohen, o fazendo pular de sua cadeira.
— Sua maluca do caralho! — Ele falou, segurando o taco a sua frente, como um escudo de proteção, me fazendo rir com desdém.
— Você nem sabe usar isso. E a burra sou eu! — Exclamei, antes de dar mais um passo em sua direção, e começarmos a girar ao redor do quarto como se estivéssemos em um duelo das antigas. — Eu vou te mostrar como é que se usa um bastão, mesmo não tendo de fato um na minha mão.
E em seguida arremessei a tela do notebook contra o espelho do seu armário, fazendo o vidro se estilhaçar e cair sobre mim e ele. Por mim, tanto fazia, por estar de jaqueta de brim, mas para ele foi desesperador por estar com a camiseta leve com o símbolo dos Lakers. Eu via o pânico em seus olhos e era isso que ele queria. Se era loucura que o garoto esperou todos aqueles anos para ver, então ali estava. Eu não era fã da Harley Quinn a toa e ficaria marcado em sua memória isso para sempre.
— DEVOLVE MINHAS COISAS, COHEN, OU O PRÓXIMO ARREMESSO É NA TUA CARA! — Gritei, com o que sobrou do notebook em minha mão me aproximando dele e o acuando.
— SUA DOIDA, EU NÃO VOU DEVOLVER NADA! — Ele teve a coragem de me responder, se encolhendo e pulando sobre a cama, achando que por estar em uma posição maior do que eu iria me intimidar.
O fuzilei com os olhos antes de atacar. Uma última pausa antes de fazer algo de fato. Um aviso de “colabora ou vai ser pior”. Mas ele não ligou. E então eu o fiz.
— VAI DEVOLVER SIM! — Gritei, ao mesmo tempo que acertava a parte do teclado do notebook no meio de sua pernas, esmagando suas bolas com uma espécie de raquetada segura.
O grito de dor de Cohen preencheu o quarto inteiro; as vozes do lado de fora do corredor indicavam que eu tinha passado dos limites, mas estava num clima de o que é um peido para quem tá cagado e assim que Andrews largou meu taco, arremessei para trás minha antiga arma e me agarrei ao Rotten. Apontei a ponta do mesmo bem em sua cara, respirando ruidosamente.
— Aonde estão meus Funkos e meu pôster, Cohen? — Perguntei, em uma voz tão feroz que eu nem sabia que possuía.
Com um dedo trêmulo, o babacão apontou para o armário com a porta agora destruída. O abri com um puxão, passando os olhos pelas prateleiras e não vendo nada.
— AONDE NESSE ARMÁRIO? — Gritei para ele, mas aparentemente o filho da mãe tinha se recuperado o suficiente para responder.
— Na gaveta, idiota.
O olhei por cima do ombro, puta da cara. E meu próximo movimento foi quebrar a luminária sobre sua cama com uma tacada só, ouvindo o nítido som da madeira do taco espatifando o vidro da lâmpada e na sequência o choramingo do verdadeiro idiota.
— Dobra a língua, Andrews, ou a próxima coisa quebrada vai ser em você. — Avisei, abrindo a gaveta com estrondo em seguida e pegando as minhas coisas, uma por uma, as aninhando em meu braço.
Infelizmente, nesse meu momento de recompensa pelo estouro, ouvi o limpar de garganta alto e claro na porta.
— Senhorita Duval. — Eu nem precisava olhar para trás para saber de quem se tratava. Com toda a calma possível, abracei meus itens contra o peito, Rotten acidentado em minha mão, e me virei para encarar a diretora Pieterse. — O que a senhorita pensa que está fazendo?
— Recuperando o que é meu. — Respondi de bate e pronto, sem nem piscar. Só então me dei conta de como as coisas estavam ali naquele quarto. Folhas de caderno espalhadas no chão, cerâmica do que deveria ser um porta-treco espatifada pelo chão, cacos de vidro sendo pisoteados por minhas botas pesadas, peças do notebook dispersas aleatoriamente por todo canto. Ergui o queixo e olhei nos olhos da diretora ao dizer: — Isso tudo não aconteceria se Andrews não tivesse roubado meus itens pessoais, senhora.
— Isso não é desculpa para o seu comportamento, senhorita Duval. Me acompanhe para a minha sala. A senhora e o senhor Cohen. — Ela me disse, duramente e séria, antes de dar um passo atrás, abrindo o mar de alunos que ela deve ter atravessado e o que deve ter a atraído até ali.
Respirei fundo, acenando com a cabeça e aceitando que iria ter que pagar pelos meus atos. Porém Andrews estava a poucos passos de mim e me lançou um sorriso debochado, como se me dissesse que não adiantou nada a minha destruição, ele ainda iria vencer. E podia até ser verdade. Eu podia até estar vendo o começo da minha expulsão acontecer ali diante dos meus olhos. Mas eu nunca abaixaria a minha cabeça para ele ou qualquer outro idiota que me enfrentasse ou tentasse me destruir. Eu cairia atirando.
E foi assim que repousei minhas coisas sobre a cama do colega de quarto de Cohen, peguei impulso e assim que ele começava a se colocar de pé, pulei em sua direção com um pé estendido para o alto, usando de toda a flexibilidade adquirida com as cheerleaders. Queria ter acertado seu peito, mas minhas botas só o atingiram na altura do estômago mesmo, o fazendo cair de volta na cama, soltando um alto som de quem perdia o ar.
Os alunos da plateia soltaram um grito alto, enquanto eu ouvia a diretora Pieterse gritar comigo e no minuto seguinte fechar as mãos atrás de meu corpo e me arrastar de lá, enquanto eu ria em desespero e ódio da cara de Andrews.
— Você NUNCA MAIS vai me diminuir, Cohen. NUNCA MAIS! — Gritava para ele enquanto era rebocada dali. Olhei ao redor, procurando por rostos conhecidos, quando avistei a presença infalível de Phoebe Williams parada ali. — Avise Bruce ou Mario para recolher minhas coisas daquele muquifo. Obrigada. — Falei a encarando, e talvez fosse pela minha atitude completamente transtornada que pela primeira vez vi a garota acenar com a cabeça, concordando.
Então ajeitei a minha postura e tentei seguir o mais dignamente rumo a sala da diretora, Andrews Cohen II sendo amparado e levado no mesmo caminho atrás de mim. Poderia estar completamente encurralada, mas não me arrependia realmente de meus atos. Malfeito feito.
FEUD: Ariel Duval Torres tweets deleted after Madeline Motta interview.
Bruce sendo trouxa por querer ser um bom irmão após a briga entre Ariel e Madeline.
Nossa mãe estava conversando com a diretora Pieterse dentro da sala enquanto Ariel esperava sentada e emburrada do lado de fora. Eu sabia que era fraco por estar ali e que deveria deixar minha irmã lidar com as consequências do temperamento nada fácil dela, mas eu amava minha família e queria ver todos bem. Ariel era minha irmã caçula e eu queria protegê-la.
Sentei ao lado dela com um sorriso sem jeito e empurrei levemente seus ombros com os meus.
Hey, não fica chateada. - Falei de maneira amena ao encarar meu all star, pensando no que poderia confortar Ariel. - Você pode não ter ganhado o solo, mas ao menos a Madeline também não ganhou. - Eu não sabia se Ariel iria chorar de raiva ou se iria me matar, mas resolvi prosseguir mesmo assim. - E sei que não entendo de musicais e artes performaticas como você, mas se a minha opinião vale de alguma coisa… Bom, eu não acho que você tenha perdido o duelo. Muito pelo contrário. - Comentei com sinceridade e todo o afeto que sentia pela minha irmã, mesmo que nossa relação se resumisse à brigas e provocações o tempo todo. - Em momento algum você recuou e permitiu que a técnica de Madeline te deixasse com medo. Você foi lá e mostrou pra ela que era merecedora daquele solo porque também tem um talento excepcional e se garante sem ter que apelar para passar alguma falsa imagem agradável aos olhos. - Ainda mantinha um sorriso encorajador no rosto enquanto tentava consolar Ariel. - Não é porque você não é filha de uma estrela de Hollywood que não seja talentosa e merecedora de aplausos. Você é magnífica e tem um futuro brilhante pela frente. E eu vou ser seu fã. E te acho a Wonder Woman do mundo da música, sis. - Finalizei o meu discurso com orgulho ao apertar com carinho a mão de Ariel.
Logo nossa mãe saiu da sala da diretora com uma expressão cansada e meio perdida sobre como prosseguir com a situação.
Balancei os ombros como quem queria dizer que eu também não tinha ideia do que poderia ser feito. - Vejo vocês em casa, está bem? Vou pedir para o Mario levar os seus deveres, Ariel. Agora preciso ir para a minha aula. - Me despedi das duas rapidamente antes de sair da diretoria para ir até a próxima aula. Agora Ariel era problema da minha mãe.
Duval Family
Ariel Duval mood: Trying win an argument.