A fábula das fábulas _ Gustavo Pozzatti
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A fábula das fábulas _ Gustavo Pozzatti
Vagando na rua
Vagando na rua
olhei para o céu,
me vi como a noite,
tão escura
como nos olhos escuros,
de escuras pessoas,
quando olhei para o lado
Pessoas vagando na rua,
em busca da conquista,
do primeiro que pisou na lua,
e de forma tão crua,
não enxergam que mesmo vestidas,
estão sempre nuas,
pois, da forma como atuam
elas mereciam um oscar
-Um bloco de notas qualquer
Faz tempo que não vejo um redemoinho real no quintal. Hoje, os meus torvelinhos são outros: são imaginários, cheios de memórias, e servem para dar vida às minhas histórias.
Saudade, amor…
Eu me pergunto se você vive bem com a saudade. Se controla seus impulsos de me mandar mensagem, se chora pensando no quanto queria ter o meu abraço. Será que devo me perguntar se não sou eu que sinto demais? Queria que as palavras que não consigo te dizer pudessem chegar até você de algum jeito, pois mesmo sabendo que o caminho é livre até você, existem tantos medos que me impedem… e então eu permaneço aqui pensando e repensando se seu peito aperta quando qualquer coisa no teu dia te lembra de mim. Hoje eu durmo pedindo aos ventos que soprem no teu ouvido sobre o quanto sofro a tua ausência e como todos os dias, em pensamento, te peço de volta. Eu te amo o suficiente pra te deixar ir, mas nunca deixarei de manifestar o quanto eu te quero aqui. Comigo.
Sem egocentrismo à ponto de ser inflexível. Diversas palavras precisam ser ditas à flor da pele para o sentimento fluir e a clareza se fazer presente. E convenhamos que é melhor jogar um desabafo qualquer, como uma espécie de Brainstorming, num espaço seguro, do que perder o controle.
Dito isso, que bom que ficou o dia todo, dormiu do meu lado. Foi bom pensar com você ali. Eu tocando a sua pele e sentindo o seu cheiro.
De início, irredutível:
— Tenha certeza. Dessa vez, não vou voltar. Eu disse.
E foram passando-se as horas.
O som dos pássaros cantando, as crianças brincando, carros passando e os pensamentos indo, voltando…
Já não somos mais os mesmos.
Eu te disse, sou um cara diferente. Diferente até demais, diferente de quem eu fui e quem eu ainda serei. Eu me orgulho que esteja buscando o mesmo para si e ainda sejamos iguais nos detalhes. Ter consciência da mudança necessária nos faz mais sábios.
Fomos, somos e ainda seremos, muito felizes.
Mesmo que isso signifique trilhar um caminho só… (à sós).
Sem nós, ou com! Dentro do que nos for possível oferecer, mas que seja por inteiro, certeiro e verdadeiro como quem se conduz, é por livre e espontânea vontade.
Se um dia eu for a água da tua sede, que você me beba com muita vontade, amor…
É tudo o que eu sabia querer, no fim do dia, após horas pensando em nós, com você ali descansando em meu peito.
Que estranho é o sentimento que permeia a possibilidade de você ir embora.
No momento em que a fala sai da sua boca e encontra os meus ouvidos, parece que o percurso até o fim vem carregado de amor, mas também de uma incerteza que há tanto tempo eu não temia sentir de novo…
— Eu preciso pensar.
Você sussurra com a voz embargada entre os sentimentos que não deixa transbordar pelos olhos.
E a pergunta vem a mente como um alerta: isso quer dizer que posso te perder? Gritam meus pensamentos. E além de gritar por dentro, nada posso fazer. Então me deixo cair no vazio da espera, na angústia da dúvida, mas com a esperança do seu querer ser genuíno, carregando na malinha do meu coração o anseio de ainda poder fazer teus olhos brilharem.
Ah, minha estrela… Como eu te quero brilhando pra mim outra vez…
Ao menos antes você escrevia alguma coisa… Quase um ano se passou e as rachaduras aumentaram com o tempo. As mudanças dão muito medo sim, mas eu acho que nos perdemos quando nos perder deixou de ser uma preocupação.
Não te culpo, estejamos livres de julgamento, o silêncio foi mútuo. Também não colaborei. Se eu fosse capaz de traduzir os meus suspiros, talvez eu tivesse te dito tantas coisas… enfim, não adianta dizer mais.
Eu te amei, meu primeiro verdadeiro amor, como eu te amei! E como amo!
Somos apenas… diferentes.
Saudade de quando éramos ’nós’.