Artrópodes
Todos os artrópodes possuem o corpo dotado de vários segmentos e apêndices articulados, como patas e antenas, que possibilita movimentos. Essa é a sua característica diagnóstica (identifica e diferencia os artrópodes dos outros) e que dá o nome ao grupo, do grego arthros: articulação e podos: pés. Possuem o exoesqueleto que lhes confere rigidez (permite sustentar o corpo e o protege contra predadores) e impermeabilidade (tem uma camada de cera em sua superfície, o que lhe permite viver em locais secos, por reduzir sua perda de água), além de servir de base para inserção de musculatura e asas e serve como barreira para prevenir infecção. O exoesqueleto é constituído de quitina, um polissacarídeo nitrogenado, e nos crustáceos recebe deposições de carbonato de cálcio, tornando-se ainda mais resistente.
O exoesqueleto, apesar de toda a sua importância, limita o crescimento dos artrópodes. Para garantir seu crescimento, o artrópode deve trocar seu exoesqueleto e produzir um maior; esse processo de troca do exoesqueleto é chamado de muda ou ecdise. Esse processo leva a um grande gasto de energia e deixa o animal vulnerável até o endurecimento completo do novo esqueleto externo. Esse processo é controlado pela produção de hormônios, como a ecdisona.
Por intermédio da ação de enzimas, o exoesqueleto desprende-se da epiderme em locais específicos, e um novo exoesqueleto passa a ser secretado. O animal abandona o exoesqueleto antigo e expande seu corpo por meio da pressão sanguínea, com o auxílio do bombeamento de água e ar. Quando o novo exoesqueleto endurece, ocorre o real crescimento de tecidos do animal, o qual é um processo contínuo.
Os artrópodes são animais invertebrados, não apresentando, portanto, crânio e coluna vertebral. Possuem corpo dividido em cefalotórax e abdome (crustáceos e quelicerados) ou em cabeça, tórax e abdome (insetos e miriápodes), de acordo com o grupo. Apresentam simetria bilateral.
O sistema digestório é completo (boca e ânus), com peças bucais (mandíbulas, quelíceras, entre outras) adaptadas à alimentação, tubo digestório com regiões diferenciadas e glândulas acessórias. São animais protostômios. A digestão é extracelular.
O sistema circulatório é aberto (lacunar), com um coração dorsal que bombeia a hemolinfa (líquido sanguíneo) por espaços dentro do corpo; sendo observado, portanto, que a hemolinfa não corre exclusivamente no interior de vasos, sendo lançado em lacunas que circundam os tecidos e órgãos do animal. A hemolinfa não transporta oxigênio e gases, mas apenas nutrientes, e portanto, não há presença de hemoglobina.
O sistema nervoso observa-se um alto grau de cefalização, sendo seu sistema nervoso constituído por um cérebro anterior dorsal, seguido de um cordão nervoso ventral, que apresenta inchaços ganglionares em cada segmento. O sistema sensorial dos artrópodes é bem desenvolvido, todos possuem pelos quimiorreceptores no corpo com função táctil, as antenas também tem função táctil e os insetos e crustáceos possuem olhos compostos.
No que diz respeito ao sistema respiratório, observam-se variações dentro do grupo. Algumas espécies apresentam respiração branquial (maioria das espécies aquáticas); algumas, pulmões foliáceos (aracnídeos); e há também sistemas traqueais, sendo esse último observado na maioria dos insetos.
O sistema excretor também varia entre os grupos. Insetos e alguns aracnídeos, por exemplo, possuem túbulos de Malpighi, tubos finos que partem do trato digestório. Além do túbulo de Malpighi, outros órgãos de excreção observados são as glândulas antenais nos crustáceos, também chamados de nefrídeos ou glândulas verdes, que transportam os substratos até a cabeça do animal, na base das antenas. E as glândulas coxais, presentes em outros aracnídeos, que apresentam os poros excretores abrindo-se nas coxas.
A reprodução é, em sua maioria, sexuada, mas também ocorre reprodução assexuada. As abelhas, por exemplo, produzem zangões por partenogênese. A fecundação interna é a mais comum, e o desenvolvimento pode ser direto (não sofre metamorfose) ou indireto (sofre metamorfose).
Classificação dos artrópodes:
De acordo com evidências morfológicas e moleculares, podemos classificar os artrópodes em três linhagens diferentes: quelicerados, miriápodes e pancrustáceos. No grupo dos quelicerados, destacam-se os aracnídeos, que formam a maior parte dos quelicerados modernos. Nos miriápodes, temos os quilópodes e diplópodes. Por fim, no grupo dos pancrustáceos, temos os insetos e os crustáceos.
Aracnídeos
Esses animais apresentam corpo dividido em cefalotórax e abdome e não apresentam antenas. Possuem: quatro pares de patas; um par de quelíceras (apresentam, geralmente, um formato de gancho e são bastante afiadas); um par de pedipalpos. As quelíceras, característica que nomeia o grupo dos quelicerados, funcionam como pinças ou garras; são o primeiro par de apêndices especializados do animal e também funcionam para manipular seus alimentos. Nas aranhas, as quelíceras apresentam glândulas de veneno, que ajudam o animal a capturar suas presas.
Os pedipalpos, por sua vez, ajudam o animal na alimentação, defesa e reprodução. São o segundo par de apêndices, mais longos que as quelíceras e são órgãos quimiorreceptores; também são utilizados na cópula pelos machos.
As teias das aranhas são compostas por fios de proteínas, produzidas por glândulas localizadas no abdome, no órgão chamado de fiandeira. Apresentam função de armadilha, segurança, refúgio e cópula.
Os escorpiões, membros da subclasse arachnida, apresentam um ferrão no fim de seu rabo, denominado télson com aguilhão. Esta porção terminal modificada é utilizada para injetar veneno em sua presa.
Seu sistema respiratório é formado por pulmões foliáceos, formados por várias dobras de tecidos nos quais ocorrem as trocas gasosas.
Seu sistema excretor varia entre as espécies, alternando entre os Tubos de Malpighi e as glândulas coxais.
Geralmente seu desenvolvimento é direto.
Podemos citar como exemplos de aracnídeos os carrapatos, ácaros, escorpiões e aranhas.
Insetos
Insetos possuem corpo dividido em cabeça, tórax e abdome, três pares de patas, um par de antenas e, muitas espécies, um ou dois pares de asas. É o grupo mais diversificado de artrópodes, sendo encontrados em vários lugares distintos, inclusive no ambiente aquático.
Nesses animais, observam-se aparelhos bucais que variam entre as espécies e que estão adaptados ao tipo de alimentação, existindo, por exemplo, aparelhos mastigadores, lambedores e sugadores.
Mastigador ou Triturador - Cortar e manipular os alimentos. Exemplos: gafanhotos, baratas, louva-a-deus, tesourinhas e besouros;
Lambedor - Estrutura que empurra o alimento para dentro da boca. Exemplos: Abelhas e moscas domésticas;
Sugador - Tubo pelo qual o inseto suga. Exemplos: borboletas e mariposas;
Picador - Modificado em estiletes diversos que cortam o tecido e permite a sucção de líquidos. Exemplos: percevejo, barbeiro, pernilongos, mosquitos e pulgas.
Sistema respiratório: traqueias e espiráculos. O ar penetra nas traqueias por meio dos espiráculos , atingindo cada célula do corpo onde ocorre trocas gasosas; desta forma, não depende do sistema circulatório.
Os insetos possuem reprodução sexuada, geralmente, com indivíduos de sexos separados (dioicos). A fecundação é interna na maioria dos casos. No que diz respeito ao desenvolvimento embrionário, existem espécies que não apresentam metamorfose e aquelas que sofrem transformações (metamorfoses) durante seu desenvolvimento; são ovíparos.
Direto sem metamorfose (AMETÁBOLO)
Indireto com metamorfose incompleta (HEMIMETÁBOLO)
Indireto com metamorfose completa (HOLOMETÁBOLO)
Muitos insetos apresentam metamorfose durante o seu desenvolvimento, possuindo, portanto, desenvolvimento indireto. A metamorfose pode ser completa ou incompleta.
Na metamorfose incompleta, o indivíduo jovem (ninfa) possui aparência que lembra o adulto, porém é menor e imaturo sexualmente. Um exemplo seriam os gafanhotos.
Já os que apresentam metamorfose completa possuem estágios larvais bem diferentes do estágio adulto.
Como exemplos de insetos, podemos citar a barata, abelha, borboleta, gafanhoto e mosca.
Crustáceos
Possuem apêndices altamente especializados. Os crustáceos apresentam o corpo dividido em cefalotórax e abdome, dois pares de antenas (são o único grupo que possuem dois pares de antenas) e número de patas variável. Possuem três ou mais pares de apêndices modificados como peças bucais. O exoesqueleto é enriquecido com carbonato de cálcio, formando uma carapaça.
A respiração é branquial ou ocorre diretamente pela superfície do corpo. A maioria habita ambientes aquáticos, sejam de água doce, sejam de água salgada.
Eles costumam dominar o ambiente marinho, entretanto; microcrustáceos (krill) possuem papel fundamental nas teias alimentares. Existem também crustáceos terrestres úmidos como tatuzinhos de quintal e caranguejos, e um crustáceo que habita as águas dulcícolas seriam as pulgas d'água. Existem também crustáceos sésseis, que sobrevivem em substratos, rochas e cascos de embarcações.
Grande parte dos crustáceos são dioicos e possuem fecundação interna, com desenvolvimento indireto. Seus filhotes se desenvolvem em ovos, portanto são ovíparos.
Como exemplos de crustáceos, podemos citar lagostas, caranguejos, camarões e lagostins.
Quilópodes
Os quilópodes ou centípedes apresentam o corpo dividido em cabeça e tronco, bem como um par de antenas e um par de patas por segmento, mandíbulas e dois pares de maxilas como peças bucais. Vivem no ambiente terrestre, são carnívoros e possuem apêndices que injetam veneno e que auxiliam na captura da presa. Como exemplos, podemos citar as lacraias.
São animais dioicos que apresentam desenvolvimento direto. São animais que se locomovem muito rapidamente, por serem caçadores.
A respiração é traqueal. O desenvolvimento pode ser direto ou indireto, com fecundação interna e representantes dioicos.
Diplópodes
Os diplópodes ou milípedes apresentam corpo alongado e um par de antenas. Alguns autores dividem seu corpo em cabeça e tronco, enquanto outros dividem em cabeça, tórax e abdome. São animais terrestres e são animais detritívoros, ou seja se alimentam de restos orgânicos. Diferentemente dos quilópodes, apresentam dois pares de patas por segmento. Apesar disso, são animais lentos.
Possuem também um par de antenas, mandíbulas e um par de maxilas como peças bucais. A respiração é traqueal, e o desenvolvimento pode ser direto ou indireto, com representantes dioicos e fecundação interna. Como exemplo, podemos citar os embuás.
Referências:
Artrópodes ( filo Arthropoda ) são animais dotados de patas articuladas e que possuem esqueleto externo (exoesqueleto) nitidamente segmentad
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