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“Não me preocupo como meus dançarinos se movimentam, mas com o que move meus dançarinos” - A própria.
Nasceu na Alemanha, em 1940, na cidade de Solingen. Estudou balé desde criança, e admirava o ir e vir dos clientes que frequentavam o restaurante de seus pais. Deixou se afetar por pinturas, teatro, artes plásticas, e aos 18 anos foi estudar nos Estados Unidos. Volta a Alemanha, e dirige a “Escola Dança-teatro Pina Bausch”, e se livra das amarras e rigores do balé, que tanto criticava.
“A sagração da primavera” foi uma das primeiras referências em Pina e me prendeu desde o primeiro contato. Assisti no segundo dia de aula de cenografia, e me apaixonei pela dança leve e solta, mas ao mesmo tempo potente e intensa, coisa que já sabia que gostaria de trabalhar na cena que eu faria.
Outra coisa que me chamou muita atenção foi o figurino das bailarinas, que são vestidos middi (médios), provavelmente feitos de um tecido leve, que se movimenta junto com o movimento, e traz textura à imagem. Uma coisa muito interessante a se notar neles, é o fato de começarem totalmente “limpos”, em tom claro, e ao desenrolar da trama, vai se manchando, “sujando” com o próprio cenário, coisa que além de ser proposital, tem a ver com a história.
“Café Muller” tem um lugar especial no meu coração também. Em um cenário totalmente diferente de “a sagração da primavera”, “café muller” lembra um tom mais sóbrio em sua cenografia, mais “realista”, tanto em suas cores, onde a dança se passa em um café/restaurante com tons acinzentados e cadeiras pretas, quanto no vestuário, em que um dos figurinos de um dos dançarinos é de “garçom”, preto e branco, e os vestidos brancos, longos e leves das mulheres - lembrando uma camisola, afirmam mais a ideia desse espaço mais “real”, “cru”.
A movimentação com as cadeiras ficou esteticamente curiosa e interessante, porque diferente de “a sagração da primavera”, ela está ali servindo de “objeto capturador”*, que captura o olhar, que prende. Algo curioso a se pensar é que a cadeira, que foi criada para se sentar, para se ter um certo conforto, está aí como um desconforto, como um incômodo mesmo.
Há muitas cadeiras espalhadas pelo cenário, e percebemos que no decorrer da dança, o homem - vestido de terno, precisa urgentemente tirá-las do alcance, como se fossem obstáculos que atrapalham as mulheres a dançarem, e é necessário que ele abra o caminho. Quando consegue, recoloca algumas de pé. Achei esta movimentação dele muito interessante, o que me remeteu a um movimento de desconstrução e construção, de interferência, de móvel, de fluidez. Não sei explicar bem, mas achei incrível, e acabei insistindo e investindo na cadeira, mas de um outro modo.
Agora, escrevendo enquanto releio meu diário, pude perceber que Pina influenciou a construção da cena muito mais do que eu imaginava, principalmente no ato 2, que foi mais performativo, e teve suas influencias marcadas tanto no figurino, quanto na cenografia.