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Mesmo de longe, a visão do homem que amava era muito nítida para o mago vermelho. Mesmo separados pelo rio, pela floresta, pelo destino. Amá-lo sempre sempre seria a mais fácil das tarefas, o mais gostoso dos desafios, a melhor coisa que aconteceu na vida dele.
“Eu sinto sua falta”, disse o mago rubro em um sussurro, contando para o nada ao redor o segredo deles. O mago branco, enfeitiçado, do outro lado do rio olhava estupidamente para frente, os olhos focados em coisas que não estavam ali. Como um sonho, o mago vermelho garantiu que parecesse como um sonho bom - ele não saberia que estava ajoelhado em lama e lodo no meio da noite só para que o outro pudesse vê-lo uma vez mais pois já não aguentava a distância. “Diga que me ama.” E ele disse, naquela voz morna e cadenciada, monótona que nada tinha a ver com o verdadeiro tom do homem que amava, mas ainda era um expecto bem vindo. “Diga novamente”. Ele disse.
Embora sob o controle da mente, seu corpo ainda era fiel a realidade. Na madrugada fria e com toda a umidade ao redor, o mago branco tremeu de frio, visível mesmo do outro lado do rio. Os olhos completamente escuros pela magia encheram de lágrimas. Ele queria tanto ir até o outro, toca-lo só mais uma vez. Ao invés, os dedos longos só tocaram as águas escuras que o mantinham longe.
“Vá embora. Quando acordar, não vai se lembrar de nada mesmo.” O mago vermelho abaixou a cabeça, tentando não ceder completamente. “Vai.” Com o manejo correto da magia, o mago em roupas brancas imundas levantou cambaleante e com os membros incertos para voltar-se para dentro da floresta e então para sua própria academia.
O outro fez o mesmo na direção oposta, seguindo o penhasco e preparando-se para pular - era onde sua própria academia ficava, debaixo das águas violentas, desafiadoras. Sem querer pensar na saudade por um tempo, na vontade quase insana de abraçá-lo e beija-lo. Sem pensar que só conseguia manipula-ló daquele jeito porque ele, mesmo depois de tanto tempo separados, nunca ergueu barreiras entre os dois. Tão arriscado e tão perigoso.
A queda do penhasco durou só um momento antes de ser engolfado pela águas frias. Antes que evocasse um pouco mais de magia e então estava no pátio escuro e silencioso da academia- uma cópia exata daquela onde o mago branco vivia- onde todos os outros dormiam e ninguém poderia testemunhar um dos magos chorando, ajoelhado na grama, inconsolável.
Bueno, lo debía de subir el 25, pero por razones de la vida me atrasé xD
Y como dice el dicho, mejor tarde que nunca ':3
Espero que hayan pasado una bonita navidad y aguanten que falta el año nuevo y todo el recalentado de aquí hasta febrero xD
Desculpe o atraso... é que eu não queria vir
Despertador toca. Silencio por mais dez minutinhos. “É a última vez, na próxima levanto, senão vou me atrasar de novo”, penso, como um alerta. Mentira. Silencio por mais duas vezes antes de levantar. Atrasada. Culpo a festa do dia anterior – meia verdade. Prometi pra mim mesma que iria tomar só uma ou duas cervejas, mas acordei com uma dor de cabeça que me denunciava pulsando: mentirosa, mentirosa. Aos tropeços e atordoada, procuro na bagunça uma roupa para vestir. Meu quarto está bem bagunçado, tão bagunçado que preciso defender mentalmente, como se estivesse num tribunal, que talvez ele não esteja tão bagunçado assim. Com essa constatação duvidosa, puxando do cabide o primeiro vestido que encontro pela frente, respiro aliviada me sentindo confortável na minha própria desorganização. Me olhando no espelho, percebo que estou péssima. Dormi menos de quatro horas essa noite. “Tudo bem! Não preciso de mais do que isso, preciso?”, indago sabendo a resposta, mas finjo que na minha realidade ela é “não”. Prendo os cabelos num coque e, tentando fugir da realidade desastrosa que será meu dia, digo em voz alta triunfante: – Tá tudo sob controle. Vai dar tudo certo! – Rio nervosa. Parece que tirei essa ideia daquele livro de autoajuda O Segredo que afirma que se você mentalizar com convicção que vai dar certo, vai realmente dar certo (mesmo que seja uma grande de uma mentira). Saio de casa muito tarde e desvio da rota tradicional para passar na farmácia. Com pressa, paro o carro bem embaixo de uma placa de proibido estacionar. “É só por cinco minutos, vou rapidinho comprar uma aspirina. Não tem problema”, minto, tentando aliviar o peso da irresponsabilidade. Retorno para carro, depois de quinze vezes o tempo estipulado, com o remédio, uma bota nova irresistivelmente barata (talvez não tão barata, nem tão irresistível) e torcendo para não ter levado nenhuma multa. Continuo meu caminho com pressa prometendo que vou estudar para a próxima prova, que vou parar de beber, que não vou mais mandar mensagem para aquela pessoa, que vou cumprir a dieta. Prometo que é a última vez que cometo os erros que venho cometendo. Prometo que vou mudar. Ensaio um discurso para me convencer que dessa vez é verdade. “É pra valer mesmo, senão…”, invento punições. Mais mentiras. Uma atrás da outra. Me tranquilizando. Me confortando. Amenizando a situação. Parada no trânsito, ligo o rádio para esquecer a culpa e justo Renato Russo vem me lembrar que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira. Dou um sorriso amargo. “Não tenho tempo para pensar nisso agora, mas quando as coisas se acalmarem, eu vou tomar jeito”. Tenho tempo. As coisas estão calmas. Não vou. Mais uma nota mental. Mais três mentiras.
Ana Aires
❝ F E A R THE 🆀🆄🅴🅴🆁 PARTY
𝓕𝓵𝓮𝓾𝓻 𝓜𝓪𝓻𝔃𝓸𝓾𝓴 Outfit
Somewhere beyond the sea... Somewhere waiting for me, my lover stands on golden sands
xx Ômega Cröy Oufits: Florence’s Luau xx