Aula 4 - A unidade estilística de um filme
Unidade estilística do filme: Forma como o diretor amarra todos os elementos em apenas uma visão.
Nenhum elemento é colocado de forma aleatória. A unidade estilística (ou mise-en-scène - "colocar em cena"; a forma como um diretor encena o filme/como ele articula os elementos na encenação) define o olhar do diretor sobre a história que conta.
Em "Persona" (1966) o conceito abordado se refere à personalidade que o indivíduo cria de si para o mundo externo, uma “máscara” que não corresponde a quem ele é de fato. A forma como a atriz se manifesta inexpressivamente é uma característica que envolve o efeito que o diretor quer passar: o mistério sobre quem na realidade é essa personagem. Mesmo quando as personagens se expressam, há uma distância estabelecida pelos elementos estilísticos que demonstra a visão de Bergman sobre as personagens. Os cenários são crus, e nunca revelam quem as personagens são. Experimentações audiovisuais tais como "trucagens", isto é, "artifício (como fotomontagem, distorções etc.) usados para criar efeitos inesperados, divertidos ou dramáticos em filmes” exploram o mundo inconsciente.
"Amor à flor da pele" (2000) apresentam elementos isolados muito belos e dramáticos, mas dentro da unidade estilística eles "oprimem"/"engolem" os personagens, refletindo a visão sobre o tema do amor não-concretizado. Tudo é aparentemente muito bonito, prazeroso, porém analisando o sistema do filme como um todo (a unidade estilística), tais elementos não refletem os sentimentos dos personagens. O trabalho de decupagem é importante, já que muitas vezes os personagens estão desfocados/em uma pequena parte do plano/algo está na frente/roupas se confundem com as cores da cena/etc.
Podem existir alguns casos em que o roteiro propõe algo, mas o filme, na prática, outra coisa. Em "Tropa de Elite" (2007) o diretor José Padilha retratou o Capitão Nascimento de modo que sua truculência sociopática cativou a maior parte do público, quando na verdade a intenção era de problematizar essa figura. É claro a existência de ambiguidade no roteiro, porém não é trabalhado de forma sútil, caminhando com o personagem e unidade estilística em apenas uma direção;
A “mensagem” ou a “moral” do filme não estão necessariamente no roteiro, mas sim na unidade estilística, nas escolhas estilísticas que o diretor articula ao contar aquela história. Analisar um filme a partir da unidade estilística permite não focar em apenas um elemento, e sim na articulação dos elementos. Um bom filme faz um bom uso da linguagem para trabalhar com um tema e propor uma sensibilidade específica sobre aquele roteiro.














