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Um ano: passagens compradas. Depois de um ano de muita mudança (interna e externa) me sinto pronto para alçar voo. Vamos em fevereiro morar na Bélgica. Estes meses trabalhando como consultor em paralelo com o doutorado foram puxados, mas muito gratificante. Aprendi que mesmo achando que não, eu sei sim muito do que eu trabalho/estudo. Meu medo de passar a ponte pro mercado foi um fantasma do passado, mas hoje me sinto muito mais completo profissionalmente. Isso me ajudou também em fechar o meu doutorado com mais confiança no trabalho, mesmo não atingindo os três ciclos previstos. Dois foram suficientes e embarco em fevereiro com o trabalho defendido, indo para um novo capítulo em uma nova cultura, mas não afoito como quando decidi sair do Brasil: consciente de que é uma etapa que desejo muito e que com certeza me trará muitas novas experiências. Cinco anos: finalmente consegui o visto permanente. Estou há quatro anos aqui e ganhei muita experiência como consultor desde que cheguei. Estou ganhando um certo nome e espero num futuro próximo ganhar mais protagonismo na minha área. A empresa que trabalho está querendo crescer nessa vertente. Foi difícil no começo, pois senti que tinha muito a provar por ter pouca experiência, mas no fim era coisa da minha cabeça. Cresci muito e me considero feliz em poder casar o trabalho com viajens sozinho e com meu marido. Casamos há 5 meses e foi muito bom ter todos os parentes e amigos próximos aqui conosco. Dez anos: voltei ao Brasil, depois de anos trabalhando como consultor. Fui convidado para trabalhar numa empresa aqui mesmo em Floripa, onde posso ter mais liberdade e voltar à minha raiz. Mês que vem fui convidado a falar em uma conferência de inovação, participando de uma mesa redonda sobre inovação e sociedade. Nosso filho completará 2 aninhos logo, e faremos uma festa com as famílias e amigos (que também são nossa família depois de todos esses anos). Tenho ido e vindo muito em viagem desde que voltei para o Brasil, mas o trabalho me permite flexibilidade para estar com a família e desacelera. Talvez eu finalmente volte à música agora que tenho este tempo...
Três intentos internos: - me colocar em primeiro lugar - voltar à arte - me expor a mim e aos outros, principalmente meus sentimentos
Um pensamento: nós somos muito mais do que a sociedade gostaria que fossemos. Viver a vida numa caverna psicológica, trabalho-casa-cama-trabalho, não é viver, é esperar. Viver é sentar no parque sem música, é ler um livro embaixo da árvore. É esperar o acaso. É conversa de bar e janta com os amigos. É desacelerar, sair da tela preta e olhar ao redor; só olhar. Ser espectador faz parte da vida, inclusive de nós mesmos. Só observando conseguimos perceber as coisas, e correndo não dá tempo de olhar para outro lugar que não pra frente. Olhar para dentro, olhar para os lados, olhar para cima, para baixo, para daí sim olhar para trás e para frente; nesta ordem. Viver é muito mais do que nós mesmos somos capazes de perceber, e somos muito maiores do que temos capacidade de entender.
Uma barreira: A minha própria barreia emocional, que racionaliza e positiva o que eu deveria estar sentido e impede o sentimento verdadeiro de se comunicar com meu consciente.
Uma frase: “ Contudo, livros sobre história são eles mesmos objetos históricos e, como todos os livros de história, este também pertence a determinado momento” - A. Forty [Objetos de Desejo]
Uma música: ”Movimiento” - Jorge Drexler
Livro atual: “A Caverna” - José Saramago
















