O livro Psicopolítica, de Byung-Chul Han, apresenta diversas técnicas de poder atuantes em nosso tempo, que se direcionam para a mente e as emoções, utilizando psicotecnologias com o foco no aumento de eficiência e desempenho, fazendo com que as pessoas se sintam livres e alegres se autoexplorando constantemente. Aqueles que não conseguem alcançar as expectativas sofrem se deprimem, apesar disso não questionam o sistema ou esse modo de vida, mas se sentem inadequados, entendendo seu sofrimento como resultante de uma falha pessoal. A "cura" é apresentada por "autoajudas" motivacionais que estimulam um maior ajuste da pessoa a este modelo de vida. Fragmentos: O sujeito do desempenho, que se julga livre, é na realidade um servo: é um servo absoluto, na medida em que, sem um senhor, explora voluntariamente a si mesmo. O neoliberalismo é um sistema muito eficiente – diria até inteligente – na exploração da liberdade: tudo aquilo que pertence às práticas às e formas de expressão da liberdade (como a emoção, o jogo e a comunicação) é explorado. Quem fracassa na sociedade neoliberal de desempenho, em vez de questionar a sociedade ou o sistema, considera a si mesmo como responsável e se envergonha por isso. Aí está a inteligência peculiar do regime neoliberal: não permite que emerja qualquer resistência ao sistema. Já no regime neoliberal de autoexploração, a agressão é dirigida contra nós mesmos. Ela não transforma os explorados em revolucionários, mas sim em depressivos. A técnica de poder do regime neoliberal assume uma forma sutil, flexível e inteligente, escapando a qualquer visibilidade. O sujeito submisso não é nunca consciente de sua submissão. O contexto de dominação permanece inacessível a ele. É assim que ele se sente em liberdade. O sujeito do regime neoliberal perece com o imperativo da otimização de si, ou seja, ele morre da obrigação de produzir cada vez mais desempenho. A cura se torna assassinato. Referência: HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Tradução: Maurício Liesen. Belo Horizonte: Âyné, 2020. Veja mais em: https://www.ex-isto.com/2021/10/psicopolitica-bchan.html







