iii.
Meu devaneio — momento em que a mente escapa das amarras do cotidiano e vagueia por cenários, ideias ou lembranças que não precisam de permissão para existir — advém do teu aroma, aroma esse que é proveniente das flores; minha doce, bela e delicada peônia.
Teu cheiro é como uma droga, e eu, em abstinência, torno-me viciada em pressionar o rosto contra teu pescoço, apenas para sentir a vida desacelerar — suave, lentamente, pouco a pouco. ﹙gradativamente﹚
Perfuma minha pele, impregna meu lençol, toma para si tudo o que é meu e, de certo modo, já é teu. Quero mergulhar nessa fragrância que me faz perder o juízo. Quero teu cheiro se entrelaçando ao meu, encaixando-se até que se tornem um só.
Meu devaneio floral
advém do teu aroma floral.










