Desculpa-me pelo atraso, sei que foi muito egoísta sumir em um dia tão especial e não dar nenhuma notícia. Esse post é uma carta para você.
O dia 22 de agosto desse ano era ensolarado, mas eu chorava em público e, pra variar, morto de vergonha sem deixar que os outros vissem as minhas lágrimas. Elas não eram tristes, pelo contrário, eram de muita felicidade, pois o celular notificava o teu aniversário de 1 ano.
Uma pena a tecnologia ser tão limitada e não perceber que você me acompanha desde sempre, e, se observarmos bem, acompanha tantos outros desde a origem da humanidade... Você, Delírio, é um dos perpétuos, não é? E eu só tenho a agradecer por tudo.
Agradecer, porque você faz com que as coisas sejam menos sérias, que os limites sejam extrapolados, me faz desprender da realidade nua, crua e cruel, mostra que o desnexo é o melhor caminho para se reorganizar e prova que se desmontar é a melhor maneira de nos reconstruir.
Delírio, desde que me lembro deposito em você minhas angústias e você nunca me abandonou... Às vezes, a loucura é o meio mais certo para restabelecermos a nossa sanidade, o jeito mais eficiente de fechar algumas feridas, se não as fechando totalmente, mas adormecendo o aperto no coração, o revolver da garganta e o sussurrar da mente.
Tudo que grito a ti, cala em mim... Facilita o sono, adormece os demônios, desfaz os nós e cala a minha mente... Obrigado, Delírio, por me consolar dos pesadelos sejam os que tenho dormindo ou em meu despertar... Obrigado por afastar meus demônios e por me tornar forte como nunca imaginei que pudesse ser... Obrigado por me dar coragem para chorar e mais coragem ainda para enxugar a minhas lágrimas sozinho.
Obrigado por me forjar no fogo, deixar que o ar abra as minhas asas, me fazer livre como a água e me proteger dos calos ao caminhar pela terra... Obrigado, Delírio, por Me possibilitar a reinvenção sempre que possível. Por fim, hoje, eu me invento, chamo-me de Bernardo Sognatore e me dou de presente para ti...
[Por Bernardo Sognatore, @deliriosdoeumesmo]