"Life becomes difficult : Being ignored and ignoring."
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"Life becomes difficult : Being ignored and ignoring."
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Dúvidas? Parte II
A conversa chega ao fim inesperadamente, ela tinha que ir, eu também. Peço para ela esperar eu ir no banheiro, tinha bebido muita cerveja. Quando volto, outro acontecimento extraordinário, em um guardanapo, um bilhete de adeus me esperava, nunca tinha recebido bilhetes, guardo, por um momento me sinto especial. Pensei muito sobre aquele bilhete, amigos não deixam bilhete, eles simplesmente vão. O detalhe continuava lá, despercebido. Conversas, sorrisos e olhares continuavam, sentia uma alegria me consumindo, como um choque prazeroso que sai da espinha e preenche cada parte do corpo. Entre nós eu tinha certeza de uma coisa, havia um sentimento recíproco, o da incógnita, eu e ela compreendíamos as sensações mas não os sentimentos, tocamos nesse assunto, fiquei ansioso, não sabia o que esperar. A primeira música citada agora é explicitada na conversa, Ela insistiu, precisei me abrir, falar que só pensava nela ouvindo aquela letra, não precisou de mais, todas as supostas perguntas que ela tinha sobre mim foram resolvidas. Que catarse, confusa, emocionante, aliviante, agoniante. Lembra do detalhe? Ele é cruel e vem à tona: ela é noiva, disse que o amava imensamente. pois é, quanto mais perigoso mais prazeroso. Como diabos eu consegui ignorar isso? A realidade cai sobre meu semblante, agora eu conseguia ver mas não conseguia aceitar. Faço o que deveria ter feito muito antes, corto aquela conversa que me fazia tão bem, mas não por muito tempo. Sentimentos não podem ser resolvidos por mensagem, precisava esclarecer, como vou lidar com isso cara a cara? Crio coragem, acontece, outra catarse, talvez pior talvez melhor, até agora não consegui realmente sentir. Ela fala, deixa claro, eu pergunto novamente, continua claro. Não tem como isso ir pra frente mas a dúvida ainda permanece, tenho um problema: expectativas irreais. Estou entorpecido, agora de uma maneira diferente. Sempre me considerei um cara racional, nessa hora percebi que estava enganado. O assunto continua, ela está omitindo alguma coisa? Não sei como serão os próximos episódios dessa série, melhor, desse filme, filmes têm um fim claro e veloz, séries não. Será que estou no clímax dessa obra dramática? Hoje descobrirei.
Dúvidas? Parte I
Acordei, escovei os dentes, pensava comigo mesmo: “como vai ser meu dia?”. Nada muda, faculdade, trabalho, festa, vida normal de um jovem adulto. Algo extraordinário iria me acontecer novamente? Corto o fluxo: “Provavelmente não”. Empolgação para a cervejada universitária, prazeres momentâneos, vou ficar com alguém? Não sei se quero. Difícil essa liquidez jovial. Amigos, curtição padrão, nada fora da curva, nem mesmo imaginei que algo estava pra me acontecer, alguém me chama, queria conversar comigo, me elogia, raras as ocasiões, não? 15 minutos de papo, o que ela queria dizer com aquilo? Estranho, intrigante, álcool sobe, esqueço disso. Dia seguinte acordei, pensei, o que infernos aquilo significava? “Provavelmente nada demais”, continuo curioso, será que pergunto? Dia passa, semana começa novamente, lembro do fato, por que não chamar? Pergunta respondida, dúvidas continuavam, pensava que havia um acordo de silêncio sobre o assunto. Continuo intrigado, insisto, começava aí uma mudança na rotina, como aconteceu exatamente? Não consigo explicar. No começo as trocas de mensagens eram normais, aparentemente nada demais. Personalidades, assunto incrível. Eu: ENTP, dito como advogado do diabo. Ela ENFP, espírito livre. E se? Sim, para minha surpresa as duas se encaixam perfeitamente de maneira romântica, excitante. Os sentimentos começavam a entrar num terreno obscuro: a dúvida. A rotina muda, tenho um motivo a mais pra acordar, sim, estou ansioso pelo momento que vou começar sorrir novamente pra tela de um celular. Como pode as horas passarem como se fossem minutos quando conversava com ela? Era como uma droga, tão viciante, no momento impossível de parar, estava entorpecido. Um detalhe sempre passava despercebido. Chegou o momento de encontrar-se pessoalmente, no meu bar de rock preferido, o Bola 7. Um frio na barriga começa me consumir, agora era diferente mas não era um encontro, os amigos estavam juntos. Quando a vi fiquei intimidado, havia um prometido: fotografá-la, nunca fiquei tão perdido em algo que sei fazer tão bem, o que estava acontecendo? Eu fugi, posteriormente ela fugiu, corri atrás, não poderia ficar por aquilo. Ela volta. Que lugar bom, me sinto à vontade, som tocando, queria conversar, olhava e não conseguia, o que representa esse olhar? Tão incisivo, será que estou enlouquecendo? Nunca tinha experienciado uma troca de olhares tão sincera e intensa. Cantávamos juntos. Continuo esquecendo do principal detalhe. Chegou a hora dela ir, insisti pra ficar mas sei que não tinha como, pela primeira vez fico triste pensando nela. Sua companhia era tão incrível. A rotina, agora extraordinária, continua. Lembro de uma música, conheci por outra garota, garota estranha mas de bom gosto. Começo ouvi-la novamente, aos poucos ela vai adquirindo significado, tem uma frase, a primeira da canção, “Ela gosta muito de brincar na minha mente”, longos e prazerosos arrepios surgiam quando eu a ouvia. Por que isso começou a fazer tanto sentido? O detalhe permanecia esquecido. Em cima da hora combinamos de ir no lugar que sentiremos falta, e que dá faltas, o bar da universidade, esse eu frequentei mais do que deveria. Ela desce o morro sozinha, estranho, eu esperava que mais pessoas viessem juntos. A conversa começou de forma natural, pago uma cerveja, afinal eu que convidei. Álcool, tão bom, pensei, “essa é boa”. Nada anormal acontecendo exceto aquele maldito olhar, dessa vez tenho certeza do que estava acontecendo. Na mesma hora outra música me vem na cabeça, maldito Pethit quando parafraseou “O teu olhar é um caminho sem saída”, sorrio sozinho, ela não entendia, acreditava que eu estava vivendo a música. Ironicamente o assunto sobre olhos começou, ela reparou em algo que ninguém nunca sequer citou para mim: meus olhos. “Na parte de baixo da pra ver o branco dos seus olhos”, olhos Sanpaku, a lenda diz que olhos assim são amaldiçoados, a pessoa terá uma morte trágica, já passei muito perto de uma morte assim, miserável e catastrófica porém achei bobagem na hora, não acredito em lendas, são falhas. Continua…
E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traía sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer , um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
- Charles Bukowiski | A garota mais linda da cidade.
We look at each other. I had the feeling that I could fall into those eyes.
você precisava de amor, mas não o tipo de amor que a maioria das pessoas costumava dar e no qual se consumiam. queria encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. mas não havia lugar para ir. suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam. a bebida era a única coisa que impedia um homem de se sentir pra sempre atordoado e inútil.
enquanto seguiamos eu continuava falando — pra mim mesmo, é claro — vai passar, babaca, tudo passa, é tudo uma piada rindo da sua cara.
"O amor de um solitário é o mais autêntico que pode existir. Ele te ama por escolha, não por companhia. "
Charles Bukowski