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Eu tô aqui. Por você e pra você. E você sabe muito bem que eu gosto de você, e que eu quero você. Mas isso não significa que eu vá ficar me rastejando até você, que eu vá te convencer a me querer também. Eu tô aqui. E por hora, vou permanecer aqui. Esperando você me querer também, esperando você ficar também, esperando você gostar de mim também, esperando você me pegar pra você. Porque eu sou sua. Só tenta não demorar muito, tá? Porque eu tô aqui agora, mas não sei se estarei aqui amanhã.
Cadê seu Romeu, Julieta?
Você acha que eu quero me matar? Ou qualquer outra pessoa? É claro que não! As pessoas não nascem suicidas, ninguém quer morrer no fim das contas. Mas nós nos tornamos, devido a vida pesar tanto. E por favor, não pense que esse texto é sobre isso, ou um apelo em busca de ajuda. Se você reparar, eu não sou um suicida de verdade, já que nunca cheguei às vias de fato. Confesso que tentativas foram várias, mas a conclusão em nenhuma. Entre corridas ao hospital, dias totalmente apagados da memória, um problema no estômago que nunca vai melhorar, e o olhar hostilizado de pessoas que não conhecem a minha dor... Eu ainda estou aqui. Se você me perguntar por quanto tempo eu não vou saber te dizer. Lutando cada dia comigo mesmo e com o mundo. Como se tudo e todos realmente estivessem contra mim, como se nada nunca desse certo. Você já deve ter sentido isso vez ou outra também. É quando a vida pesa e as coisas vão acumulando a ponto de transbordar. Só que a gente sempre acha um espacinho, não é? Uma alegria aqui, um conforto ali... Mesmo sabendo que um dia não haverá mais nada para nós. E quando isso acontecer eu não sei qual será minha decisão. Não sei se vou decidir continuar ou terminar tudo de vez. A única certeza é que eu serei uma pessoa diferente da que eu sou hoje, da que eu sou agora que escrevo essas palavras. Só espero que as coisas dêem certo pra mim algum dia, de preferência enquanto ainda me resta espaço.
Eijulieta & Desonestos.
Tenho medo do que minha insegurança pode fazer comigo, João. Eu passei tanto tempo da minha vida deixando os outros me tratarem como lixo, que acabei acreditando que sou um, e daqueles que não dá nem pra reciclar. E agora ele tá aqui, mostrando que gosta de mim e que me quer. Mas eu não consigo acreditar. Não dá. Sou insegura demais pra isso. O problema tá quando começo a pensar sobre, e percebo o tanto de situações que evitei por causa da minha insegurança. E se hoje eu só estou na merda porque fui insegura demais pra sair quando podia, João? Insegura demais pra aceitar um emprego, ou começar algo novo, ou deixar alguém se aproximar, ou pintar o cabelo. Insegura demais pra viver, João. Tenho medo da minha insegurança me levar para o fundo do poço, e eu ser insegura demais pra conseguir sair de lá.
Eu me acostumei a ser só, João.
Você acha que minha vontade é de ir embora? Não, não é! Eu quero ficar. Só que pela primeira vez eu não vou deixar meus sentimentos falar mais alto do que a razão, dessa vez meu cérebro vai comandar e não meu coração: eu amo você, mas você só me machuca, e eu já tô cansada de insistir em algo que eu sei que não vai me levar a lugar nenhum. Isso aqui não é um jogo de futebol pra você me deixar na reserva e só me usar quando não tiver mais ninguém. E mesmo se fosse, eu nasci pra ser o camisa 10.
A Julieta morreu por amor e eu estou indo embora antes que meu amor por você me mate também.