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Estaba lloviendo y nosotros en el wifi! #RORO #ROA #CA9
Capitulo 9 - Confusão no Amor
Fui para casa, me deitar na minha cama gelada, sem ninguém do meu lado, já que agora Chay dorme com Manuela, cheguei, fui tomar um banho, Chay não estava, nem Manu, deveriam ter saído, mas isso não importa, me tranquei no quarto, coloquei meu roupão, e comecei a passar hidratante nas minhas pernas, me deitei, cama gelada, como eu imaginava, mas não consegui dormir, levantei-me e fui na cozinha, vi que tinha umas latinhas de cerveja, não agüentei, e peguei duas, e subi novamente. Cheguei, me tranquei novamente e comecei a beber, liguei a TV e fiquei assistindo, até que tocou a campainha, quem será essa hora? Desci e fui atender, estava muito frio , mas no meu quarto tinha aquecedor, então não tinha sentido antes
-Oi melzinha! – Sophia? Essa hora aqui? Com Laura nos braços?
-Sophia?? - perguntei super surpresa
-Sim, algum problema? Ai, aqui fora ta frio! – não poderia deixa-las ali, tava mesmo muito frio, e como amanha era final de semana , poderia deixar elas ficarem
-Claro! Entra! – elas foram entrando e já subindo, como ela sabia meu quarto? Pelo barulho da TV lá em cima
Acho que Sophia ficou bem surpresa a ver as latinhas de cerveja lá em cima, porque fez uma cara de tipo, hã?
-Tem mais cerveja? – ela me perguntou
-Claro, lá em baixo – fui buscar, e soph estava com uma mala, acho que ela iria ficar um tempinho lá
Subi novamente, e ela estava tomando cerveja, fechei a porta e fiz uma pergunta muito idiota
-Porque está aqui? – ela fez uma cara desanimada
-Briguei com Mika – o que?
-Fala sério? – passamos a noite conversando, e as vezes, tivemos que cuidar de Laura, mas estava preocupada por que chay não chegava.....
~NO DIA SEGUINTE~
Quando os primeiros raios de sol entravam pela janela e me aqueciam, vi que não era um belo sonho de que Sophia tinha me desculpado, e sim realidade! Chay não estava em casa também! Mas, estava com uma fome, de que fui descendo as escadas com meu pé sentindo o chão, abri o armário e fiz um pão, e tomei um café. Sophia tinha acordado, porque Laura começou a chorar com aquela voz afinada, até que a porta abriu , e chay e manu estavam somente com roupas intimas, e se beijando , caíram no sofá..
-Acho que vocês não me viram! – disse e os dois se levantaram
-O que é isso?? – Sophia desceu os degraus dizendo, ela parecia tão surpresa quanto eu!
Continua...
Capitulo 09 - I temporada (Fame)
– Bom dia, tia. – falei passando a mão nos cabelos molhados do meu banho e a vi sentada no sofá com uma folha de papel nas mãos, e olhando a mesma estática.
– Tia? – a chamei e ela pareceu se despertar de um transe e levantou rapidamente, escondendo a folha e sorrindo nervosamente. – Aconteceu alguma coisa?
– O quê? Não, não aconteceu nada não, querido. – riu e o nervosismo era evidente em sua voz – Seu café está na mesa.
– É claro que não está tudo bem, tia. Olhe só para você. – falei apontando – Está nervosa, está estampado em seu rosto.
– Não é nada com que deva se preocupar. – falou.
– É alguma coisa com aquela folha que estava em sua mão e que você está tentando esconder de mim?
Ela não respondeu e eu me aproximei, minha tia apenas estendeu a folha em minha mão e eu a peguei, abrindo-a e lendo atentamente o que continha.
– O nosso patrocinador, que sempre nos ajudou financeiramente, vai nos abandonar, Niall. – disse desesperada – O Instituto irá falir com isso. Pois eram eles que nos davamdinheiro para cuidar de tudo e pagar os médicos, os medicamentos caros.
– Mas e a estadia das pessoas? Os familiares não pagam para aquelas pessoas ficarem lá?
– Não será o suficiente, Niall. – falou e as lágrimas já escorriam por sua face – Muitas pessoas não têm dinheiro para pagar para ficar lá e eu permiti a estadia de graça. Sem o patrocínio de algo grande, iremos falir. Aliás, já estamos falindo.
– Como é? – perguntei olhando-a, eu agora estava entrando em desespero. Pode parecer um pouco “egoísta”, porém eu só pensava em Lisa.
– Ele parou de nos patrocinar já faz umas semanas e estávamos nos virando bem com o dinheiro que recebemos das estadias, porém os remédios aumentaram de valor e os médicos têm que receber também, assim como todos os funcionários.
Eu fiquei em silêncio olhando para a folha em minha mão sem reação alguma. O que seriam daquelas pessoas sem um local para serem tratadas? Sem pessoas profissionais ciente de sua doença e voluntários para ajudá-las quando precisarem e animá-las, ajudando-as a encontrar uma luz no fim quando eles pensam que não há mais esperança?
Minha tia me abraçou e começou a chorar, eu afaguei seus cabelos e apoiei meu queixo em sua cabeça, pelo fato dela ser mais baixa que eu.
– O que será daquelas pessoas, Niall?
Não respondi nada e pude ouvir o telefone da sala tocar estrondosamente. Dona Miriam se soltou de meus braços e foi atender, ficando em silêncio por alguns minutos e apenas concordou, desligando em seguida.
– Estão precisando de mim lá. – falou.
– Não quer que eu vá com você? – peguei em sua mão e ela me olhou negando.
– Você tem outras coisas para resolver aqui. – arqueou uma sobrancelha e eu entendi o que queria dizer com “coisas para resolver aqui”. Apenas assenti e logo a porta da frente bateu e o barulho de seu carro foi se afastando.
Suspirei e me sentei no sofá, deitando minha cabeça e fechei os olhos. Eu precisava fazer alguma coisa, não podia deixar o Instituto falir assim, e já sabia exatamente o que fazer. Peguei o telefone antigo em cima da mesinha ao lado do sofá e disquei números conhecidos e após alguns toques, foi atendido:
– Sam? Eu preciso de sua ajuda.
E após eu passar quase uma hora no telefone com o Sam, já estava tudo resolvido. Coloquei o telefone no lugar e permaneci onde estava e meus olhos pesaram de sono, eu estava cansado, não havia dormido nada na noite anterior.
Uma batida na porta me fez abrir os olhos rapidamente e eu me inclinei para ver quem era, meu coração começou a bater mais forte ao ver aquele sorriso. Demi acenou e eu me levantei, indo até a porta e abrindo-a, dando passagem para que ela passasse e assim fez.
– Bom dia. – falou e deu um sorriso.
– Bom dia. – falei sério e fechei a porta, voltando a me sentar no sofá.
– Érr... – ela sentou-se ao meu lado e parecia nervosa – Eu queria me desculpar por ontem... O Charlie foi um...
– Idiota? – completei e ela assentiu, concordando. – Sim, ele foi um idiota completo e eu ainda estou me perguntando o que está fazendo com ele.
– Parece que tenho uma atração por caras idiotas, não? – seu olhar mudou um pouco e eu pude sentir um pouco de malícia ou era coisa da minha cabeça?
– Deve ser. – fingi não perceber e permaneci com minha expressão séria.
O silêncio reinou e eu fiquei olhando-a de verdade pela primeira vez desde que entrou ali, ela vestia seus shorts de sempre que deixavam a mostra suas grandes coxas que além de seu corpo me deixavam louco! Fui subindo meus olhares e vi uma grande marca em sua perna e foi ai que eu reparei que ela tinha marcas roxas pelo corpo que não tinha ontem quando eu a analisei, como faço todos os dias. E só duas coisas passaram pela minha cabeça.
– O que é isso na sua testa? – perguntei ao ver um machucado recente na altura de sua testa. Me aproximei e tentei tocá-la, porém ela recuou – Deixe-me ver, Demi. Isso está feio.
Ela pareceu ficar nervosa e então vi seu rosto coberto por maquiagem, ela não costumava usar maquiagem, a não ser que ela estava esteja querendo esconder alguma coisa... Vi um machucado no canto de lábio inferior
– Ele te bateu, Demi? – perguntei me levantando.
– O quê? – riu nervosa – Claro que não. Está louco?
– Eu louco? – ri debochadamente – Demi, se ele estiver fazendo alguma coisa que não queira e te agredindo, você tem que denunciar esse cara!
– Ele não está fazendo nada, ta? – gritou já chorando – Me deixa em paz!
– Demi, espera! – a puxei pelo braço quando vi que ela estava saindo - Por favor, se ele estiver te agredindo, me fale que eu acabo com a raça dele. Eu tenho esse poder!
– Me deixa que eu tenho que ir trabalhar. – falou ainda chorando e eu a soltei, suspirando e a vendo sair pela porta da frente quase correndo.
Não acredito que aquele idiota está espancando-a e que foi pelo jantar da noite passada. Mas não ficará assim, não mesmo, eu iria colocá-lo no lugar dele, aquele covarde! Agora está tudo explicado, é por isso que Demi tem medo dele, aposto que ele a ameaça também, não duvido nada.
O telefone tocou e eu o atendi grossamente e era Sam, disse que tudo estava feito e eu apenas concordei e desliguei, saindo e indo até a cidade em passos largos sem me importar com nada. Minha cabeça estava quente e eu só pensava em arrancar cada órgão daquele covarde e ainda vê-lo sofrer do jeito que merece.
Entrei no Instituto e rapidamente uma paz me invadiu, eu simplesmente não conseguia ficar com raiva naquele lugar, não diante daquelas pessoas na situação que estavam. Caminhei até Luna, que conversava com uma mulher.
– Niall! – quando me viu, me abraçou animada. – Muito obrigada. Estamos muito agradecidos pela doação generosa e por estar nos patrocinando.
Sim, a conversa que tive com Sam fora que eu estaria disposto a doar trinta por cento do que ganho e ainda ajudar em tudo que precisarem medicamento, aparelhos, absolutamente tudo. Eu tinha bastante dinheiro e estava ciente que não faria falta, e me sentia muito bem fazendo isso para ajudar minha tia e todas essas pessoas, principalmente Lisa.
– Não há de quê, Luna. – sorri – Fico muito feliz em ajudar, fico feliz em saber que não estou gastando meu dinheiro com coisas inúteis.
– Niall, querido. – minha tia me abraçou forte e já chorando pegou meu rosto com as duas mãos – Muito obrigado, meu amor. Deus te recompensará por tudo que está nos fazendo, tenho certeza disso.
Assenti e ela me abraçou e eu retribui, sorrindo. Olhei para o lado de fora e vi uma loja que me chamara atenção por me fazer lembrar de uma pessoa muito especial, falei com minha tia e sai, indo até a mesma e comprei o que queria, voltando ao Instituto.
– Toc toc. – falei entrando no quarto de Lisa, que estava deitada assistindo desenhos animados. Ela me olhou e pulou da cama para meus braços, a apertei levemente em um abraço e lhe dei um beijo no rosto, colocando-a no chão.
– Trouxe um presente. – falei lhe entregando um embrulho e animada, Lisa abriu rasgando tudo e eu não consegui não rir daquela cena.
– Nini, que linda! – abraçou a boneca de pano que desembrulhara.
– Ela se parece com você, sabia? – sorri – Por isso que comprei, para você olhá-la e ver o quanto é linda.
Ela corou e me abraçou forte, ouvi sua risadinha gostosa em meu ouvido.
– Obrigada, Nini. – disse dando um sorriso lindo – Ela vai se chamar Nina.
– Nina? – assentiu – É um nome bonito.
– Não deixarei ninguém tocá-la. – se agarrou forte a boneca e encostou seu rostinho no da boneca e sorriu, fazendo com que um enorme sorriso surgisse em meus lábios. – Vem, vamos assistir desenho comigo!
Lisa me puxou e deitou na cama, me chamando. Deitei também e ela se agarrou a boneca, se encolhendo e assistindo ao desenho que não me dei trabalho para prestar atenção, minha cabeça estava em outro lugar, na verdade, em uma pessoa. Charlie.
Capitulo 08 - I temporada (Fame)
Casada? Como assim casada? Demi não poderia ser casada, não pode ser. Fiquei a noite acordado pensando nisso e era inevitável não pensar em nossos beijos, o jeito que ela havia retribuído, eu sentia que ela queria tanto quanto eu e nada fora forçado, e pelo que eu sei a gente só casa quando gosta realmente da pessoa, certo? E se gostamos realmente da pessoa não a traímos... E por favor, Demi só tem dezessete anos! Quem se casaria aos dezessete anos? O despertador tocou e eu levantei mau-humorado, hoje eu descobriria se é verdade ou não que minha tia havia falado. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa, hoje eu iria visitar a pequena Lisa de novo, aliás, eu a visitava todos os dias e me sentia muito bem quando via aquele sorriso único brotando em seus lábios quando ela me via, não existia coisa melhor que vê-la sorrindo diante de tudo que estava passando e saber que EU era o motivo desses sorrisos, realmente não tinha dinheiro que pagasse essa sensação, nada no mundo.
Comi pouco no café e fui a cidade com minha tia, ignorando Demi quando passei ao seu lado e novamente vi aquele tal de Charlie conversando com ela e como não sou idiota nem nada, não duvido nada de que ele é que seja o marido dela. Eu tentava sentir raiva dela para assim ser tudo mais fácil e eu matar logo esse sentimento que crescia dentro de mim, antes que ele crescesse mais e não tivesse jeito. Sai de meus devaneios quando paramos em frente ao Instituto e eu sai entrando enquanto minha tia resolvia algumas coisas com Luna, que me entregou o crachá de “voluntário” e eu fui até a ala onde Lisa estava. Dessa vez ela estava sozinha na sala enquanto desenhava, como sempre, me aproximei dela e me abaixei a sua altura, fazendo-a se assustar levemente.
– Bom dia, princesa. – ela me olhou e um enorme sorriso surgiu em seu lindo rosto. Seus pequenos bracinhos envolveram meu pescoço e eu a abracei, apertando-a em meu corpo.
– Nini! – falou animada e me olhou – Sabe, eu pensei que não viria hoje.
– E você acha que eu deixaria de te ver? – lhe fiz umas cócegas e ela gargalhou – Mas é claro que não, estarei aqui sempre que eu puder.
Lisa deitou sua cabeça em meu ombro e suspirou.
– O que foi, pequena? – passei a mão em sua cabeça.
– Nada. – disse – Só estou cansada, meu corpo dói um pouco.
– Então vamos para o quarto para você descansar. – falei e fui caminhando até seu quarto, que era no corredor seguinte. A deitei na cama e logo seus olhinhos foram se fechando e alguns minutos depois sua respiração ficou pesada e eu sabia que ela havia dormido.
Levantei e deixei a porta encostada e sai, minha tia parecia super ocupada enquanto discutia algo que envolvia dinheiro com Luna, mas elas pararam quando eu me aproximei.
– Lisa está dormindo. – falei e Luna assentiu sorrindo.
O silêncio reinou e eu senti que estava sendo incômodo ali, tossi e olhei para as duas.
– Estou indo. – sorri.
– Não quer levar o carro? – minha tia me olhou – Está um sol lá fora para você ir andando.
– Não se preocupe tia. – sorri – Vou andando mesmo, preciso organizar meus pensamentos mesmo.
Ela assentiu entendendo e eu sai com as mãos no bolso da calça enquanto caminhava a caminho da casa de dona Miriam pouco me importando com o calor. Minha mente novamente foi para Demi e aquele lance de ela ser casada, ainda não conseguia acreditar naquilo. Por Deus, ela só tinha dezessete anos, isso é um castigo, só pode. Quando começo a me interessar de verdade por alguém, eu descubro que essa pessoa é casada! Sou um puto de um sortudo, para ao dizer o contrário.
A caminhada foi mais rápido que da primeira vez, e eu pude ver Demi sentada no celeiro enquanto tocava violão... Espera ai, ela toca também? Fui me aproximando de uma maneira que ela não me visse meu coração se acelerou ao ouvir aquela magnífica voz invadir meus ouvidos, a música parecia estar no refrão.
But what you don't know
Mas o que você não sabe
You lift me off of the ground
Você me tira do chão
You're inspiration
Você é inspiração
You helped me find my sound
Me ajudou a encontrar o meu som
Just like a baseline in half-time
Apenas como uma linha de base, no meio-tempo
You hold down the groove
Você mantém o ritmo
That's why I'm counting on you
É por isso que eu estou contando com você
And if I heard you on the radio
E se eu te escutar no rádio
I'd never want to change a single note
Eu nunca vou querer mudar uma única nota
It's what I'm trying say all along
É o que estou tentando dizer todo esse tempo
You're my favorite song
Você é minha canção favorita
Me encostei no grande portão de Madeira e fiquei olhando-a, Demi cantava suavemente com os olhos fechados e um sorriso surgiu em meus lábios. Sua voz era extremamente perfeita, assim como ela. Ela abriu os olhos e a música parou e Demi me viu, um sorriso surgiu em seu rosto e eu caminhei até a mesma, sentando ao seu lado.
– Você tem uma voz incrível, sabia disso?
– Obrigada. – disse meio tímida, tão linda.
Sorri e dei uma mordida no meu lábio inferior, sem malícia e me aproximei de seu rosto afim de beijá-la, porém fui impedido por sua mão em meu peito.
– Por favor, Niall... – ela disse e negou. Suspirei e me afastei olhando para o nada.
– É o seu marido, não é?
– Marido? – riu – De onde tirou isso?
– Minha tia me contou que é casada. – falei e abaixei a cabeça sem vontade de esconder minha decepção.
– Niall... – disse e soltou uma risada sem humor – Eu não sou casada, por Deus. Tenho apenas dezessete anos.
A olhei e franzi a testa sem entender nada. Ela suspirou e deixou o violão de lado.
– Quando meus pais morreram eu fiquei simplesmente arrasada e sem chão... E o Charlie fora tão gentil comigo e eu me vi apaixonada por ele, começamos a namorar e viemos morar aqui, juntos.
– Não deixa de ser um casamento não-oficial. – falei mau-humorado.
Minhas suspeitas foram confirmadas, ela era realmente “casada” com aquele tal de Charlie, o entregador.
– Mas não o acha muito velho para você? Quer dizer... Ele tem cara de velho. – falei me embolando um pouco e tentando não transparecer meus ciúmes só de imaginar alguém a tocando e beijando aqueles lábios maravilhosos.
– Ele era amigo do meu pai...
– Você o ama? – ela me olhou rapidamente.
– O quê?
– Você o ama? – repeti e Demi abriu a boca para falar alguma coisa e logo a fechou, se encolhendo. – Por que está com ele, então?
– Por favor, Niall. – falou num sussurro – Pare de fazer perguntas, ta legal? Chega!
Suspirei e acabei me rendendo e me calei.
– Me desculpe. – falou passando a mão nos cabelos, ela tem a mesma mania que a minha. – Eu... Eu não deveria falar assim com você. Só não... Não faça mais perguntas.
– Você que sabe. – falei dando de ombros e caminhei saindo dali, porém parei ao ouvi-la chamar meu nome. Me virei e a olhei.
– Quer jantar lá em casa hoje à noite?
•••
Enquanto Demi terminava de cozinhar eu ficava observando-a e já comentei o quanto ela é perfeita? Seu jeito meigo, inocente e ela cantarolava uma música que eu reconheci muito bem:
– Vejo que gostou da minha música. – ela me olhou rapidamente e sorriu, mordendo os lábios e assentindo.
– Ela é realmente linda e é um chiclete.
– Chiclete? – perguntei rindo.
– É, aquela que gruda na sua cabeça e não sai mais. – gargalhei e Demi começou a rir junto. – Mas é um chiclete bom, não se preocupe.
– Menos mal. – falei me recompondo. – Fico feliz que tenha gostado, eu fiz pensando em você.
Saiu tão naturalmente que eu nem havia percebido, eu queria simplesmente me enfiar em algum buraco e não sair jamais. Eu deveria estar com um cara sem graça e Demi não ficou atrás, seu rosto se ruborizou automaticamente e eu pigarreei numa tentativa idiota de melhorar a situação tensa que havia se formado ali.
A boca de Demi abriu e pareceu que ela ia falar alguma coisa, porém foi interrompida com a porta da frente se abrindo e a imagem horrível do Charlie adentrando a casa.
– Gata, a janta está pronta? Estou varado de fome! – falou e pareceu nem me notar ali.
Gata? Sério mesmo? Que ridículo. E então ele foi até a cozinha e me olhou, depois para a Demi, que parecia nervosa. Ela tinha me dito que Charlie não iria voltar para casa tão cedo pelo fato de ser sexta-feira e que ele sempre bebe com os amigos.
– O que esse pirralho faz na minha casa? – me olhou com desprezo e depois encarou Demi.
– Eu o chamei para jantar, Charlie. Seja simpático. – falou um pouco nervosa e o que parecia, com medo. Ela estava com medo do “marido”? Não estava entendendo nada. – Eu achei que fosse chegar mais tarde...
– Por quê? Queria foder com ele, é isso? – perguntou e seu rosto ficou um pouco vermelho e raivoso. Só tinha vontade de rir daquele cara sem escrúpulos na minha frente. – Já ia meter o chifre em mim, sua piranha?
Minha mão se fechou e eu me controlei para não avançar nele ali mesmo pelo modo como ele a tratou. Não sou de brigar, porém nunca fico por baixo quando isso acontece e não teria nem um pouco de medo de bater nesse ogro. Demi parecia mais nervosa ainda e se encolheu um pouco e a faca em sua mão tremeu um pouco.
– Claro que não, querido. – sorriu nervosa. – Niall é sobrinho da dona Miriam, e eu só estava sendo gentil por ele estar me ajudando na fazenda esses dias.
Charlie me encarou novamente e franziu o cenho, rindo.
– O que eu tinha na cabeça, não? – riu e nos olhou – Você não me trairia por um pirralho que nem deve ter saído das fraldas ainda.
Comecei a rir debochadamente e revidei:
– Mas é claro, já não basta ela ter que cuidar de um velho babão, não é?
Ele estava provocando, porém não ia cair assim tão fácil. Ele me fuzilou com os olhos e não falou nada.
– Vou tomar banho e quero jantar, Demi. – ele disse num tom de ordem e antes que ela pudesse responder, a puxou para um beijo que parecia que iria devorá-la e comê-la ali mesmo. Mais uma vez, era só querendo me provocar. Demi abriu os olhos e me olhou e eu não falei nada, apenas desviei o olhar daquela cena e ela o afastou, desconfortável.
– Está vendo isso aqui? – Charlie perguntou e eu o encarei. Ele bateu na bunda da Demi forte e mordeu os lábios maliciosamente – Você nunca terá, pirralho.
Isso não é o que pareceu quando ela estava me beijando ontem, idiota.
Ele então deu um breve beijo em Demi novamente e saiu da cozinha rindo de uma forma debochada e o clima ficou tenso novamente. Ela terminou de cozinhar e logo tudo estava pronto, e nem preciso dizer que o jantar foi terrível, pelo fato do Charlie ficar jogando na minha cara beijando Demi e passando as mãos nela por baixo da mesa, que dava para ver perfeitamente por causa da mesa ser de vidro. Demi tentava puxar algum assunto, porém Charlie sempre me perguntava algo idiota, aliás, só saia merda mesmo daquela boca, porque ele não falava nada que prestasse.
Eu não agüentava mais ficar no mesmo cômodo que aquele idiota, terminei minha jantar e agradeci Demi pela comida e nem me dei o trabalho de falar com Charlie, que para provocar não conseguiu ficar sem falar nada. Sai daquela casa e fui caminhando até a de minha tia, olhando para trás de vez em quando e abaixei a cabeça. Ver Charlie beijando-a daquele jeito, tocando-a, realmente me doeu... Ele não a trata como ela merece, o jeito que eu percebi é que ele a trata com uma que faz sua comida e um objeto sexual, porém, ela é mais que isso, muito mais.
Entrei e minha tia estava sentada no sofá fazendo tricô e sorriu ao me ver chegar.
– Como foi o jantar?
– Péssimo! – respondi e sentei na poltrona a sua frente e ela me encarou.
– O que houve, querido?
– Aquele idiota do namorado dela ficava se atracando com Demi o tempo todo, como se tivesse esfregando na minha cara que ele a tem. Aliás, ele estava fazendo isso. – respondi já tendo um ataque de raiva ao lembrar aquela cena patética dele dando um tapa na bunda dela.
– Oh querido. – ela me abraçou e eu retribui, abraçando-a forte. – Não fique assim.
– Você tinha razão tia. – suspirei e ela se desfez do abraço – Eu estou realmente e perdidamente apaixonado por aquela garota e dói saber que nesse momento eles podem estar fazendo sabe-se lá o que! Eu só queria...
– Tê-la para você? – dona Miriam arrancou as palavras de minha boca e eu assenti, abaixando os olhos.
– É assim o amor, Niall. – disse sentando ao meu lado e passando a mão em meus cabelos e descendo para meu rosto – Ás vezes nada é como imaginamos ser, pode ser melhor ou pode ser pior. Mas não se preocupe, a vida se encarrega de fazer o correto.
Assenti e dei um sorriso fraco, me levantando.
– Obrigado, tia. – lhe dei um beijo na bochecha – Vou dormir. Boa noite.
– Boa noite.
Me arrastei até o banheiro e tomei um banho, saindo apenas de cueca Box sem me importar, só tinha eu e minha tia ali mesmo. Fui para o quarto, e me joguei na cama e o sono não vinha mesmo eu querendo e tentando, me levantei e peguei um caderno junto de um lápis e comecei a escrever uma música, colocando todos os meus sentimentos naquela folha.
E então, novamente meus pensamentos se voltavam a uma única coisa, a uma única pessoa: Axl. O dono de meu coração, e até mesmo de minha vida. Tudo se tratava sobre ele. Desde o simples abrir de meus olhos pela manhã até o fechar urgente deles ao anoitecer; sempre pensando naquele filho da puta de lindos olhos azuis e voz extremamente atraente. Em tão pouco tempo, ele se tornara a razão de tudo; eu não passava um dia sem pensar ou falar sobre ele, nem mesmo uma hora. Sua presença era extremamente necessária, seus toques eram mais do que importante e seus beijos funcionavam como remédio; sempre me livrando de todas as dores, de todos os problemas. Exatamente como uma droga. E como uma droga, Axl era meu vício. Eu era refém de seus gestos, como uma escrava. Eu precisava vê-lo com urgência para me livrar de todos aqueles pensamentos idiotas. Louise Brooks não havia nascido para perder seus dias pensando em homens, para se sentir escrava de um pobre indivíduo do sexo oposto. Eu havia nascido para importunar os pensamentos dos homens, para fazê-los de escravos, e de mim sua rainha. Mas Axl não era um homem que se encaixava nesses quesitos. Assim como eu era uma rainha, ele era um rei; definitivamente não tinha o perfil de um pobre homem, de um insignificante escravo. Ele era meu rei. — Louise?! — a voz de Sue me assustou, desligando-me de meus pensamentos. — Onde está Izzy?
— Foi procurar alguma prostituta. Ei, aquele uísque é dos bons. — mudei de assunto ao ver uma pequena estante com várias bebidas, levantando-me do sofá. — Primeiro me explique o que levou Izzy a procurar uma prostituta e por que você está apenas de calcinha. — ela me empurrou de volta para o sofá. — Bem, eu não consegui ficar excitada com Izzy, então ele desistiu. Já meu sutiã, eu sei lá, talvez tenha criado pernas e esteja andando por aí. — Mas que diabos deu em você? Izzy é tão... — eu não a deixei terminar. — Eu estou com uma sede... — falei, tentando me levantar novamente. — Eu acho que já sei. — outra vez ela me empurrou de volta ao sofá, com a expressão pensativa. — Você não sente prazer com mais nenhum outro homem que não seja Axl. — disse, fazendo-me soltar um forte suspiro. — Acertei na mosca, não foi? — Para quê eu vou admitir? Isso já não é óbvio? Eu sou uma idiota, de qualquer forma. — revirei os olhos. — Louise... — Sue me olhou de forma compreensiva, enquanto se sentou ao meu lado. — Como você mesma disse uma vez: não deixe sua vida se tratar de Axl Rose. — E você acha que eu gosto disso? Aquele filho da puta simplesmente invadiu meus sentimentos, minha cabeça, minha vida! — meu tom de voz saiu um pouco alto. — Eu só quero lhe dizer uma coisa. E eu gostaria muito que você se lembrasse pro resto de sua vida. — ela olhou em meus olhos, com seriedade. Eu assenti, então a ruiva continuou: — Jamais trate com prioridade, quem te trata como opção.