Quando inícios nessa nova função levei meus pensamentos apenas nos novos desafios e nas batalhas que iria enfrentar. Quando me deu conta, estava rodeado de pessoas prontas a me ajudar a matar meus “leões diários”, pessoas que acreditam e me motivam a ser um gestor melhor a cada dia, pessoas a quem posso me espelhar. Se hoje eu perder tudo isso, já sei qual foi o propósito de Deus pra minha vida: conhecer pessoas tão maravilhosas, as quais levarei pra vida! ♥️ #cap52 #saudepresente #encontrodegestores2019 #thebest #myfriends #riodejaneiro #rj40graus #estadium (em Estadium) https://www.instagram.com/p/B6AaJeKD1vD/?igshid=1izqem3wwxo6s
Estamos na semana final da campanha, se faz partes dos grupos de risco e ainda não se vacinou. Procure a unidade de Saúde mais próxima de sua casa. Não fique de fora desta!!! #vacinação #saude #imunização #h1n1 #influenza #vacinadagripe #eutovacinado #cap52 #minsaude (em Rio de Janeiro, Brazil)
Hoje a reunião do Conselho Distrital de Saúde foi realizada na area de guaratiba, contaamos com os representantes da Secretaria de Saúde Sr. DAVI, CAP 5.2 com Enf Katia Ramos e Enf Monica Torres, ONU e Unesco o Mauro biólogo, mesa de comissão do Conselho Distrital da Cap 5.2 com Cândida, Neide, Preta e Carmen. Temas: Saúde da Mulher, adolescência, saúde reprodutiva, retirada de dúvidas dos poucos usuários que participaram, e apresentação das clínicas da saúde pelos profissionais que aki estiveram. #juntossomosmais #fazendoadiferença #cap52 #cap52💕 #coordenaçãodesaúde #ajudandoamudarasaude #saudebucal #odontologia #blogueiradasaude # blogueiraandressa (em Atletico Clube Guaratiba.)
Acordei e, bem, como de costume, falei bom dia . . . Infelizmente pro nada.
Era pra ter um Ken ali pra me dar bom dia, mas não teve . . .
Estranho, mas acostumei com a presença dele, e eu sinceramente até gosto do fato de ele me perseguir hoje em dia. Nunca me sinto só.
Mas ultimamente isso tem mudado, né . . .
Eu pensei bastante no que aconteceu no shopping ontem . . . Foi muito estranha a reação do Castiel.
Eu já vi ele irritado outras vezes, mas ele estava mais do que irritado ontem.
Ele parece ter um ódio muito intenso pelo Nathaniel, e parecia apreensivo com o que o Nathaniel pretendia falar . . .
Sabe, às vezes me pergunto o que ainda tô fazendo nessa escola . . .
Minha mãe não me permite sair dizendo que sou fresca . . . Será que se eu provasse pra ela que coisas estranhas DEMAIS acontecem comigo. . . Eu faria ela tomar alguma atitude ?
Pior que essa curiosidade está me matando . . . Eu estou mais curiosa do que assustada no momento . . .
Minha mente tem estado dividida entre 2 pensamentos: Ir embora da Terra, afinal, se o que a Debrah falou é verdade, só me acontece essas coisas por causa da minha origem. Eu sirvo de ímã pra essas coisas.
Ou me manter o mais forte possível pra entender tudo que se passa por trás desse povo que me rodeia . . .
Eu tenho pensado seriamente se é uma boa ideia publicar esse meu diário um dia . . . Sabe, isso aqui parece mais um livro de ficção doido do que um diário de uma adolescente . . . Fora que acho que não escrevo bem . . .
Eu ultimamente tenho pensado em desistir de tantas coisas . . .
De qualquer forma, me aprontei e fui logo pro colégio.
Ao chegar lá eu encontrei logo de cara com os meninos, Castiel, Lysandre, Nathaniel, Ken . . . Estava um clima de enterro.
Eles não estavam interagindo entre si, mas estavam próximos.
Assim que cheguei olhei triste pro Ken, pois eu realmente estava decepcionada com ele . . . Sei lá, cadê as milhares de promessas que ele me fez ?
Eu pretendia falar com ele, se não fosse pelo puxão que recebi no braço.
"Desculpa se foi do nada, mas acho que eu tinha que te informar umas coisas . . . " Armin falou.
Eu estava realmente surpresa.
Armin ? Interagindo comigo ?
Ele me chamou pra falar em particular . . . Eu não tenho mais medo de ficar sozinha com ele. Pelo menos não por enquanto . . . Claro que sou cautelosa, mas ele demonstrou certo respeito comigo que muita gente nesse colégio não demonstra . . .
Armin e eu caminhamos pro jardim que estava praticamente vazio.
"O que houve, Armin ? Foi uma surpresa pra mim você me puxar do nada. É sobre os equipamentos que te prometi ? Te levo hoje mesmo lá em casa se quiser pra pegar eles e te---" ele me cortou bruscamente.
"Eu sei que é repentino . . . Mas durante aquela confusão que teve semana passada eu acabei ficando atiçado e bem . . . Eu odeio ficar curioso com as coisas e decidi descobrir tudo sozinho . . . Eu não tive muita informação . . . Pelo menos não ainda, mas . . . Eu precisava te mostrar isso." Nesse momento o Armin puxou algo de sua mochila.
Parecia nada de mais, o PSP dele.
Ele mexeu um pouco no PSP, colocou fones e colocou em mim os fones enquanto me entregava o PSP.
Ao olhar pro PSP dele . . . Rodava um vídeo . . .
Na imagem eu pude ver o Nathaniel, Castiel e Lysandre.
Prestando atenção pude identificar o momento . . . Foi quando eu tinha corrido com o Bimbo sexta-feira pro parque após beijar o Lysandre !
"LYSANSDRE, SEU FILHO DE UMA PUTA !!" Castiel chegava gritando enquanto puxava o Lysandre.
"Se acalme, Castiel, temos prioridades agora . . . Temos que recuperar aquele coelho rápido !" Nathaniel falava enquanto afastava calmamente o Castiel do Lysandre.
"V-Vocês não podem matar o pobre coelho. Até você está envolvido nisso, Nathaniel ?" Lysandre parecia triste.
"Lysandre, você sabe que eu tento fazer sempre o que é certo, e nesse momento o certo é matar aquele coelho." Nathaniel falava.
"Me dê uma boa justificativa do porquê. Pois pelo que eu soube o senhor tem um péssimo hábito de comer gatos. Isso não é algo que um homem que se diz tão santo faria. A menos que esteja passando necessidades e ninguém saiba . . ." Lysandre perguntou enquanto olhava pro Nathaniel de forma fixa.
"Quem te con-- Lysandre, eu sei que é complicado e que pode parecer sem explicação, mas é um péssimo habito que adquiri em um péssimo momento . . . Agora temos que nos concentrar no coelho e não nos meus hábitos alimentares. Pra onde a Celeste foi ?" Nathaniel parecia ter engasgado com algo que ele mesmo ia falar.
"Mas ainda não estou convencido . . . Desculpe."
Castiel parecia irritado, ele pegou Lysandre de uma vez pela gola soltando um "seu", Nathaniel pegou a mão de Castiel e calmamente tirou do Lysandre.
"O coelho é obra da minha irmã . . . Ela sabia quais eram as intenções de vocês com a Celeste. E bem, vocês sabem, ela não iria nunca permitir isso."
Nesse momento eu me assustei.
"E como ela pretendia impedir o ritual com o coelho ?" Lysandre Questionou.
"Forçando ela a perder a virgindade, claro. Sendo que não sei até onde ela seria capaz de destruir alguém, vocês sabem como ela é." eles saíram correndo nesse instante.
Eu tremia de raiva.
Eles me escondem mais do que eu esperava . . . E pior: Nathaniel sabe de tudo !
Minhas dúvidas estavam concretizadas . . . Se eu já duvidava da "santidade" do Nathaniel, a essa altura eu duvidava ainda mais . . .
"Armin, como você conseguiu esse vídeo . . . ?" eu perguntei enquanto devolvia o PSP pra ele, muito irritada . . .
"Depois da confusão de sexta-feira eu decidi invadir o banco de dados das câmeras do colégio. Eu nunca vi necessidade, pois sempre achei tudo por aqui tedioso demais. E bem, eu queria saber o que estava acontecendo. Foi quando vi essa gravação, e bem, eles claramente falavam de você, eu não podia deixar de te mostrar . . . Até porque não entendi bem do que é que eles estavam falando. E bem, pelo menos eu não entendi AINDA o que está acontecendo . . . "
Hmm . . . Isso me lembra as palavras da Debrah sobre ele ser útil . . .
Ela realmente sabia de tudo . . . Mas . . . Ela errou sobre o Nathaniel, não errou ?
Que se dane, não pretendo ficar nem mais um dia na Terra . . . To cansada.
Porém, uma coisa eu tinha que descobrir . . .
"Armin . . . Você consegue acesso a vídeos de períodos antes de sexta-feira ? Digo, vídeos do ano todo se possível . . . ? Sei que é um pedido grande mas . . . Preciso descobrir algumas coisas . . ."
Armin deu uma leve virada de cabeça e logo respondeu "sem problemas, é fácil ter acesso aos arquivos. Mas vou querer algo em troca . . . " quando ele falou eu fiquei com receio de perguntar o que seria, mas perguntei.
"Me explicar tudo EM DETALHES do que está se passando." Oh, foi um pedido mais simples do que eu esperava.
Eu logo concordei.
"Então assim que tiver os arquivos, fale comigo. Vamos pra minha casa pra eu procurar o que eu preciso . . . Eu aproveito e te dou os equipamentos que prometi e te conto tudo."
"Fechado" ele falava enquanto apertávamos as mãos.
Acho que agora muitas perguntas minhas serão respondidas.
Se Jade me violentou, por onde anda o Ken, talvez eu até descubra mais sobre Nathaniel e a irmã dele que do nada começou a ganhar destaque na minha vida.
Além do mais, acho que terei provas o suficiente pra convencer minha mãe de que a Terra não é o melhor lugar pra nós duas.
Armin se afastou falando que talvez até o fim do dia ele já tivesse tudo em mãos.
Nossa ! Como ele faz essas coisas ?
Eu fui em direção a sala de aula, todos na sala pareciam agitados, algo parecia estar acontecendo . . . Sinceramente ? Caguei.
Não quero me envolver em mais bizarrices.
Foi quando Nathaniel veio tocando no meu ombro falando que precisava falar comigo.
Eu estava irritada com o que eu havia visto mais cedo, não contive minha raiva.
Levantei e saí com o Nathaniel sem falar um piu.
Ele me levou até o grêmio, assim que ele fechou a porta eu já saí falando sem deixar ele começar:
"Então você sabia do plano do Castiel de do Lysandre desde o começo ?! Sobre eles me sacrificarem ? Lembro bem de você falando que se preocupava comigo, que queria o meu bem . . . Porque não tentou impedir eles ?"
"Se eu não tivesse intervido você teria sido usada há meses atrás !" ele falou desesperado.
"Me chamou pra me fazer perder mais tempo ou vai falar a verdade logo ?"
Ele me segurou enquanto eu tentava me retirar do local.
"Eu . . . Eu quero falar algumas coisas pra você a respeito de suas dúvidas." eu já estava tão irritada que não pude evitar de soltar um "algumas ?" demonstrando total insatisfação com o Nathaniel.
"Minha irmã queria impedir o ritual do Castiel, e ela sabia que ele ia usar você. Ela tentou tirar sua virgindade pra que não fosse útil pra ele . . . "
"Isso eu já sabia, se veio pra repetir o que já sei eu vou embora."
Nathaniel mais uma vez me segurou pedindo pra eu confiar nele.
"Nathaniel, você leu o meu diário sem minha permissão, apagou minha memória a respeito, escondeu coisas de mim e a pior parte de todas: Você faz um monte de merda e vem pagar de santo, tô de saco cheio de você, de Castiel, de Lysandre, de Ken, dessa escola toda, DESSE PLANETA. Querem controlar o destino das pessoas, se meter na vida dos outros, mas não tem a capacidade sequer de contar as mudanças que quer fazer pra própria pessoa. E se eu não quiser a vida que você quer me dar ?"
Nathaniel tremia.
"Você tem razão. Eu e os outros tentamos moldar sua vida como nós queremos que ela seja . . . "
Nesse momento ficamos em silêncio.
"Me responda algumas coisas . . . Você quer morrer ?" Nathaniel perguntou bruscamente.
Eu fiquei assustada e só consegui responder um "oi ?"
"Sim, responda. Agora vou te deixar a par das mudanças que queremos fazer na sua vida."
Com receio decidi entrar no joguinho do Nathaniel.
"Obvio que não quero morrer. Que droga de pergunta foi essa ?"
"Bem, se não quer morrer eu estou me saindo bem em tentar mudar sua vida. Eu estou conseguindo impedir que você morra. 1 ponto pra mim e 0 pro Castiel." eu estava ficando cada vez mais irritada com a atitude do Nathaniel. Ele acha que minha vida é um joguinho pra ele ?
"QUAL O SEU PROBLEMA ?? AQUELA IMAGEM DE SANTO É FALSA, EU SABIA DISSO. MAS CHEGAR AO EXTREMO DE FAZER MINHA VIDA SEU JOGO DE TABULEIRO COM O CASTIEL É DEMAIS PRA MI--" ele me interrompeu já fazendo outra pergunta.
"Você quer uma vida normal de terráquea ?"
Eu admito que hesitei na hora de responder . . .
"E-Eu . . . Não. Não mais. Eu agora só quero ir pra casa."
"Não estou falando de agora, estou falando de modo geral. Você vai pra casa quando a aula acabar. Mas sua vida na Terra, voc--" eu cortei ele falando friamente.
"Não, você quem não me entendeu. Eu quero ir pra CASA. Minha casa de verdade. Me afastar desse bando de monstro que me rodeia no colégio. Se inclua na lista de monstros." Nathaniel pareceu triste.
"Entendi . . . Quer que eu fale com sua família . . . Sobre sua decisão ? Posso te ajudar a convencer eles --"
"Não, Nathaniel. Não preciso da sua ajuda, eu sei me virar sozinha, se não tiver mais nada pra falar eu vou voltar pra sala." eu falei encarando ele. E bem, eu estava muito segura com as provas que o Armin estava conseguindo pra mim.
". . . Não. Não tenho mais nada pra falar. Acho que você já está decidida, nada mais importa. Mas só pra encerrar o que eu havia começado a falar, o coelho foi obra da minha irmã."
"OK, mas você não vai me falar porque, como e quando ela começou com isso então dane-se." eu olhei pra ele por uns segundos de forma ameaçadora na esperança de ele começar a falar.
Mas ele ficou em silêncio, e bem, pra mim, isso era uma resposta de que ele não me contaria nada . . .
Me virei e caminhei até a porta, foi quando a voz dele me prendeu na sala.
"Eu . . . Se eu falar a verdade sobre a minha irmã você desiste de ir embora ?" Admito que aquilo foi uma surpresa pra mim.
Nathaniel ? Tentando fazer esse tipo de acordo comigo ?
Ele estava com um olhar MUITO melancólico.
". . . Porque você gosta tanto da minha presença ? Cara, nós nem nos falamos direito, por que faz questão que eu fique na Terra ? "
"Só me responda se vai ficar ou não . . . Nâo tem sentido eu responder suas perguntas se você for embora" Nathaniel tem estado tão estranho . . .
"Ou seja: Você não é tão nobre assim. Quer fazer uma troca ao invés de falar o que se passa na MINHA VIDA."
"A questão é que não envolve só a sua vida . . . Envolve a de outras pessoas, e se for pra eu me arriscar contando, quero algo que venha a valer a pena pra mim também . . . "
Nesse momento me senti um objeto pra ele . . .
"Vem cá, você acha o que ? Que se eu ficar na Terra você vai poder brincar do jeito que quiser comigo como tem feito ? Cada minuto que passo do seu lado vejo que você é o menos santo do pessoal desse colégio, quem diria."
"Não posso só gostar da sua companhia e por isso querer que você fique ?"
"Claro, gostar da companhia de alguém que você mal conhece ou sequer fala." eu estava com vontade de bater nele sinceramente.
". . . Você só não lembra . . . " quando ele sussurrou isso eu me irritei, aquilo foi o cúmulo pra mim.
"Claro que não me lembro ! Você apagou minha memória ! Você é muito pior que o Castiel. . . Ele pelo menos não paga de santo."
"EU JÁ FALEI QUE NÃO APAGUEI SUA MEMÓRIA !!" ele já estava se alterando à essa altura.
"AH NÃO ? ! ENTÃO QUEM APAGOU ?! O KEN ? UM DOS SEUS AMIGUINHOS DESSA ORGANIZAÇÃO IDIOTA ?! QUER SABER, POUCO IMPORTA !" eu já estava saindo quando o Nathaniel me segurou de novo pelos ombros "POR FAVOR ! ACREDITA EM MIM, EU NÃO APAGUEI SUA MEMÓRIA ! Eu . . . Ainda estou confuso sobre o que aconteceu, mas eu nunca usei neuralyzer nenhum em você. Principalmente porque eu nunca iria querer que você esquecesse sobre . . . Mim."
Eu fiquei bem tonta com as informações. Eu sinceramente não acredito em uma só palavra dele.
Nesse momento a Melody entrou desesperada .
"Er . . . Eu interrompi algo ?" ela parecia incomodada.
Eu empurrei o Nathaniel pra longe.
"Não, eu já estava de saída . . . "
Ela me segurou e falou "Acho melhor não sair, tem um monte de gente aí fora querendo te bater"
Eu fiquei tonta por uns instantes, até que o Nathaniel perguntou o que se passava, Melody explicou que havia um instagram que estava postando varias imagens constrangedoras dos estudantes em anônimo.
"Maior parte das fotos é sua, Boreal." Ela falou pra mim.
Como assim ?
"Fique aqui dentro com a Melody, eu vou ver o que está acontecendo . . . "
Eu estava assustada e com medo do que estava acontecendo lá fora . . .
Eu e Melody não temos muito assunto, ela é da mesma igreja que o Nathaniel, os dois devem ter assunto, apesar de ela ter aquela fama de falsa beata.
"Então, tá sabendo que vai ter uma peça esse mês aqui no colégio ?" ela pareceu tentar puxar assunto.
"Ah, não . . . Não sabia . . ."
"É, vamos resolver isso hoje lá no auditório . . . História, figurino, essas coisas . . . "
Tentei mostrar interesse, mas estava bem difícil.
"Sabe, Boreal . . . eu já não te suportava por andar com aquele satanista do Castiel, agora te suporto menos ainda . . . " eu sinceramente fiquei muito confusa quando a Melody começou a falar isso do nada.
"É, eu vi foto sua se jogando em cima do Nathaniel. Ele é um rapaz de família, direito. Por que você fez essas coisas ?"
Eu já estava tão irritada com TUDO que não consegui responder sério.
"Ah, foi o diabo quem me mandou dar em cima do Nathaniel. Eu e o Castiel participamos da mesma seita."
Nessa hora a Melody veio pra cima de mim.
"Escuta aqui, se você encostar no MEU Nathaniel de novo eu vou te bater tanto que vou dividir seu olho no meio e você vai deixar de ser ciclope."
Pra que ela começou com isso ? Ela tem doença ?
"Vai, me bate. Bem que falaram que você era beata falsa. Satã vai me proteger" eu não estava me aguentando de debochar dela. Eu queria rir, mesmo ela me ameaçando eu estava achando tudo muito engraçado.
"VAI ! BRINCA COM O PERIGO, QUERIDA. Sabe, eu tenho a chave do grêmio . . . E bem . . . Eu não preciso sujar minhas mãos quando tem quem faça por mim. Por enquanto fique trancadinha aqui até que eu volte com algumas pessoas pra te fazer uma visita" Ela me empurrou e saiu.
Pude ouvir a porta sendo trancada por fora.
Eu não sabia mais o que fazer.
Cheguei a me arrepender de ter provocado a Melody, mas . . . Aquele não era o melhor momento pra ficar arrependida.
Eu precisava sair de lá.
Eu ouvia gritos, parecia estar tendo uma briga do lado de fora. Me lembrava muito quando teve aquele show que deu errado no colégio . . .
Eu estava com medo de sair, ao olhar pela janela tinha gente por lá também . . .Será que era verdade que queriam me bater ?
Mas por que, meu Deus . . .
Se fosse verdade, eu iria sair e apanhar, mas se eu ficar, vão entrar aqui e me bater . . .
Foi quando ouvi alguém na porta, pensei de ser a Melody voltando, ou o Nathaniel voltando, ou até mesmo o pessoal tentando invadir . . . Fiquei em silêncio.
"Eu sei que você está aí, eu tô sozinho, fica tranquila. Eu monitorei as câmeras e vi que estava tendo uma confusão e vim até aqui." Era a voz do Armin.
"Me tira daqui, por favor ! A Melody me trancou e--"
"Eu sei. Eu vi tudo. O problema é que eu não sou bom em arrombamento sabe, eu sou bom com tecnologia, não em bancar o bandido . . . Eu teria que chamar alguém que saiba fazer isso . . . Castiel ?"
Quando ele falou isso me lembrei que o Lysandre sabia abrir portas, ele no dia do show falou sobre isso e provou.
"Se for pra arrombar, chame o Lysandre, caso contrário, o Nathaniel tem a chave !" ele falou um OK e já ia sair.
"ESPERA ! Pode ficar aqui ? . . . Sei que não vai ajudar em nada mas . . . Eu tenho medo dos alunos voltarem e entrarem aqui enquanto você estiver fora . . . "
Nesse momento não tive resposta nenhuma . . . Só silêncio . . . Pensei de ele ter ido embora.
Alguns segundos depois ouvi algo na porta, mas tive medo de perguntar quem era.
"Você tá afastada da porta ?" Ele perguntou. Respondi que não.
"Se afaste, montei uma bomba na maçaneta."
MAS O QUE ??! QUANDO ELE FALOU ISSO EU FIQUEI DESESPERADA, ESPANTADA E . . . UMA BOMBA ??!
GENTE . . . ESTAMOS EM UM COLÉGIO !
Um sabe invadir locais sem quebrar fechos, o outro se regenera e tem uma força absurda, o outro consegue invadir tudo quanto é maquina e SABE ARMAR UMA BOMBA e o outro . . . deve fazer tudo isso.
Debrah poderia montar uma equipe de mutantes com esses meninos . . . Ela seria a líder, afinal, ela lê mentes.
Eu me afastei, pude ouvir claramente o pavio pegando fogo, e por fim, explodiu a porta.
Armin empurrou os restos queimados e me puxou de lá.
Saímos correndo desesperados, ao olhar pra trás, tinha um monte de aluno atrás de nós gritando que queriam me bater.
Meu Deus, o que eu fiz ??!
Corremos e corremos mais um pouco.
Até que chegamos na quadra.
Lá estava a diretora, o professor Boris e Faraize.
Atrás de nós estava aquela legião de alunos.
Ela olhou pra nós dois irritada.
"POSSO SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO ??!"
Todos os alunos pararam e começaram a aos poucos apontar pra mim . . . E agora ?
Ela lembrava como se fosse ontem do dia que assinara os papeis do divórcio... Lily naquele dia honestamente acreditou que era o fim do mundo, o fim dos tempos e também o fim dela.
Ela se lembrava de ter os recebido através dos advogados de seu marido, com uma carta, que ele dizia que ‘por mais que a amasse, aquilo não era o bastante’ e que ‘ele queria outras coisas, coisas que com um casamento, seria mais difícil para serem conquistadas’ e era por causa daqueles motivos e outros que ‘estava a libertando, que ela tinha o direito de ser feliz e conhecer outros homens, não precisava esperar por ele, mas que não se preocupasse, porque financeiramente eles nunca estariam desfalcados’.
Assinou onde devia assinar, tentando não demonstrar-se surpresa para os advogados, tentando fingir que eles haviam chegado aquele consenso e que era mera burocracia. Porém ela estava destruída...
Ela o odiou. Chamou-o de covarde, gritou sozinha, chorou sozinha e se enroscou nas cobertas, apenas se levantando para atender a porta porque seu filho mais velho pedira para ligarem à tia querida, a tia Babi, e ela havia os buscado na escola.
Lily lembrava-se de Babi preparar o lanche para eles e dizer que ‘a mãe estava indisposta’ e que ‘eles deviam ir brincar de alguma coisa’. Quando ela chegou ao quarto, Lily não respondeu aos seus chamados, não olhou-a, apenas permaneceu deitada e enroscada na cama. Até que ela encontrou os papeis sobre a cômoda...
‘Eu sinto muito Lily’.
É, ela também sentia muito. Sentia muito por ter se privado de uma vida, para viver em favor de James. Para ter Nate. Antes tivesse escutado Poppy, tivesse feito o aborto e se livrado daquilo.
Não era apenas Nate agora... Era Nate e Daisy. Ela tinha que cuidar de, duas crianças, sozinha e ele iria atrás do próprio sonho, iria fazer suas coisas, iria ser livre e feliz. Ela que se lascasse, com duas crianças e esperasse um homem louco o bastante para assumir os filhos de outro...
- Você vai congelar aqui fora.
Revirou os olhos. Ela não estava realmente ansiosa por aquele momento, mas sabia que uma hora ou outra ele chegaria. O momento que James fosse até ela, numa tentativa de conversa.
Erguendo os olhos ela o viu fazer o nó de sua gravata preta. Ele estava trajando um terno preto em sinal de luto – Lily igualmente trajava um vestido e meia calça preta.
- Lá dentro está cheio demais. Eu não aguento os Perón gritando e tagarelando em espanhol, minha cabeça dói. – Disse em tom seco.
Ela na verdade também estava esperando por Carl, que ligara dizendo que chegaria dentro de instantes. Por essa e dentre outras razões óbvias, que Lily gostaria que James tivesse o bom senso de deixa-la sozinha – ela não queria imaginar que tipo de reação seu atual marido, teria quando a visse, sozinha, com seu ex.
- Eu preciso conversar com você... – James suspirou.
Lily acenou com a cabeça e o viu tomar um lugar nas cadeiras namoradeiras que haviam na varanda da frente. Suspirando, tentou mandar para longe as lembranças daquelas cadeiras – elas não se chamavam namoradeiras, apenas por chamar.
- Eu não sei como lidar com Nate e Daisy. – Disse James com honestidade. – Eu quero ter uma conversa que dure mais do que dez segundos com meus filhos, mas eles...
- Bem, você nunca quis ter uma conversa que durasse mais que dez segundos com eles. Por que isso agora?
- Lily... Você não está em posição de fazer críticas.
- Não estou mesmo, mas também não estou tentando fazer o papel de mamãe coruja, que nem você. – Deu de ombros.
James bufou irritado, para a satisfação de Lily. Ela não estava muito inclinada a cooperar porque honestamente, achava que ele merecia. Merecia a brusquidão de Nate e merecia o pouco caso de Daisy – talvez assim soubesse como havia sido todos aqueles anos, porque eles em comparação a James estavam sendo uns santos com Lily, mas nem sempre havia sido daquela forma.
- Eu só quero ser útil...
- Está meio tarde. – Lily revirou os olhos. – Deixe-os em paz, pare de se rastejar.
- Não estou. – Garantiu. – Só é o que disse... Quero conversar, quero criar uma proximidade.
- Eles também quiseram criar uma proximidade, mas eles são adultos agora. – Disse Lily sabiamente. – Eu me lembro que Daisy comentou com o irmão de ter tentado vê-lo quando esteve na Índia...
James ficou calado e baixou os olhos engolindo em seco. Retorcendo os dedos, Lily assistiu-o castigar a si mesmo mentalmente – foi satisfatório, deveras satisfatório.
- Isso não faz muito tempo. – Lily disse. – E ela já tinha tentado uma vez antes...
- A primeira vez realmente houve um imprevisto. Eu estava com tudo organizado para vê-la e...
- Mandou um buquê de flores. – Lily acenou com a cabeça. – Eu me lembro que quando ela chegou em casa, da primeira viagem, falou de tudo, menos de você. Eu nem falei nada... Eu já esperava que você fosse fazê-la criar expectativas e então desaparecer... Fez isso comigo, fez isso no baile de debutantes da garota, fez isso todas as vezes que ela foi atrás de você.
- Isso não se trata apenas de Daisy... Trata-se de...
- Nate? – Lily arqueou as sobrancelhas. – O rapaz que você muito claramente sempre demonstrou pouco interesse? Eu lembro que Daisy realmente sempre te cativou muito e está tudo bem, é normal um pai tratar sua garotinha com um pouco mais de delicadeza... Mas você sempre deixou muito óbvio que Nate pouco fazia diferença – nem acrescentava, nem diminuía em nada em sua vida.
O Jaguar estacionou em frente a casa que nos últimos dois dias, ela gastara todo seu tempo e Lily ficou em pé imediatamente ao ver seu marido descer do carro, batendo a porta atrás dele. Carl havia chegado no momento certo, porque honestamente, Lily não queria mais perder tempo com James.
Ela não queria escutar o que ele tinha para dizer, não queria ajuda-lo com seus filhos, não queria perder tempo tentando trabalhar numa convivência saudável entre eles. Então, ao invés de se submeter àquela tortura mais um pouco, foi se juntar ao marido, que com os olhos desconfiados, encarou James, antes de voltar a atenção a ela.
- Espero que tenha feito boa viagem. Obrigada por estar aqui. – Foi o que o disse, antes de selar seus lábios.
-x-
Nate nunca havia estado num funeral antes e honestamente, ele esperava que demorasse um longo para seu próximo. Aquela não era uma experiência nem um pouco agradável e muito embora seu avô e ele não tivessem qualquer tipo de proximidade, era uma sensação estranha, saber que estava enterrando alguém, saber que seu avô estava morto e não voltaria mais.
Tipo, se um dia o desse na telha de visitar seus avós, ele agora teria que se contentar apenas com a presença ranzinza de Blanca porque Romeo estava morto!
Era um exagero dizer que ele estava triste. Estava na verdade atordoado com todo o trabalho e desgaste que as pessoas ao redor estavam passando – eles tinham que lidar com Blanca se contorcendo em lágrimas na cama, tinham que lidar com o funeral, tinham que lidar com James, lidar com os Perón, lidar com o testamento.
E como se não fosse o bastante, a recepção! Nate jurou nunca ter visto tanta gente desconhecida num lugar só, prestando suas condolências.
Havia uma diversidade enorme de pessoas ali. Pessoas de lugares diferentes, com línguas diferentes. Gente importante, gente suja como seu avô, gente que não tinha ideia de que ele era a versão menos glamorosa dos gângster e chefe de máfia – não que seu avô fosse mafioso, ele apenas cedia dinheiro para eles.
- Ele foi um grande homem! Na verdade, era um dos patronos da minha instituição de caridade. – Compartilhou uma mulher. – Meus pêsames meu jovem... É uma pena que estejamos perdendo uma joia rara como Romeo Cooper.
- Obrigado. – Nate limitou-se a dizer e quando ela se afastou, virou o resto do uísque que estava em seu copo.
O líquido desceu amargando por sua boca, mas não incomodou. Ele na verdade ia se servir de mais, quando sentiu uma mão sobre seu ombro.
- Vai com calma hein? – Escutou sua irmã.
Revirou os olhos e a encarou, mas ela estava séria. Também tinha uma taça na mão com um líquido que imaginou ser cidra – porque todo mundo havia decidido beber naquele dia, então alguém tinha que se manter sóbrio.
- Eu sinto como se estivesse no funeral do Papai Noel cara... O vô era um santo pra essa gente.
- Nate... – Sussurrou Daisy com o cenho franzido. – Apenas não estrague tudo. E chega de uísque pra você.
Ele sabia o que ela queria dizer com ‘não estrague tudo’. Provavelmente a lembrança do jantar de família que eles tentaram ter algumas semanas atrás, ainda era bem nítida na memória de Daisy.
- Não se preocupe, eu não vou. – Prometeu.
- Ótimo. – Daisy acenou com a cabeça e então saiu, resmungando algo sobre ‘fondue ficar frio’.
Ele estava na verdade considerando seriamente seguir sua irmã e talvez grudar nela, porque ela estava cuidando de tudo e não estava sendo atazanada por ninguém. Até que então seu tio avô, Javier, havia se aproximado.
- E então rapaz? Onde está sua namorada?
Com uma careta, Nate se desculpou, dizendo que iria se servir de mais uísque.
-x-
Quando a última pessoa foi embora, Daisy sentiu que enfim ela poderia respirar aliviada. Depois do enterro naquela manhã, ela sentiu que enfim eles poderiam se concentrar com mais clareza no que viria dali em diante.
Blanca parecia mais disposta a colaborar desde que seus parentes haviam aterrissado em terras britânicas e Daisy percebeu logo a razão... Eles eram complacentes com sua posição, eles sabiam como fazê-la se sentir melhor e enquanto via a forma que ela era ligada a irmã Carmen e ao irmão Javier, até se comoveu.
Eles estavam a milhas e milhas de distância e ainda assim pareciam saber muito mais sobre sua avó do que qualquer um deles – eles sabiam como fazê-la se sentir melhor, haviam a convencido a comer e convencido a tomar os remédios.
Carmen a tirara da cama e Javier a preparou um prato típico da Espanha – seus respectivos marido e esposa, filhos e netos também estavam ali, mas todos eles pareciam igualmente complacentes com a situação e respeitavam a dor da perda de sua avó.
Daisy ficou surpresa ao se dar conta de que ela tinha primos e nem os conhecia. Bem, eles eram primos de segundo grau, mas ainda assim.
Sua tia Carmen tinha um casal – Roberto e Eleonor – e eles eram pouco mais velhos que seus pais, mas tinham filhos da idade de Daisy e Nate – Catarina e Hector; Laura e Mariane.
Seu tio Javier tinha um filho apenas – Frederico, que todos chamavam por Fred. E ele tinha seus trinta e poucos anos ainda, não era muito mais velho que Harry, mas já tinha uma filha, de oito anos, que se chamava Valentina.
Eles estavam reunidos numa mesa de piquenique no jardim de trás, onde o chá da tarde estava sendo servido. Daisy observou com prazer que ela nunca estivera numa mesa em família tão barulhenta. Obviamente, Nate, Lily, Carl e mesmo James sentiam-se deslocados, mas ela se sentiu até que a vontade, porque ela conseguia entender o que eles murmuravam em espanhol com o outro.
Foi alívio ver que sua avó havia se levantado, ver que ela parecia novamente a mesma Blanca de sempre – elegante, controlada e com uma língua afiada. Contudo, aquilo não durou pelo resto da noite, porque enquanto Daisy prestava atenção no que Mariane com seu inglês desajeitado e cheio de sotaque, tentava dizer, uma das serviçais dos Cooper, aparecera trazendo consigo o advogado.
- Senhor Harrison... Boa tarde. – Cumprimentou sua avó sem realmente encará-lo, enquanto servia-se de uma fatia de bolo de frutas.
Daisy sabia sobre o que ele viera tratar, ela escutara-o dizer a James durante o funeral que apareceria mais tarde, quando Blanca estivesse se sentindo melhor para conversar, porque precisavam tratar de assuntos importantes...
O testamento.
- Boa tarde senhora Cooper... A senhora me parece melhor. – Comentou o senhor Harrison, enquanto se aproximava, mantendo o cuidado para não invadir o espaço da família.
Era como se em sintonia, todos estivessem encarando Blanca e esperando que ela surtasse novamente, que ela se debulhasse em lágrimas, que ela saísse correndo e se trancasse em seu quarto novamente, mas Daisy soube que a dignidade dela e o orgulho já estavam feridos demais e não importa o quanto aquilo a doesse, iria com aquilo em frente.
- É... Uma casa cheia. – Disse Blanca dando de ombros. – Meus irmãos, meus sobrinhos... Eu tenho motivos de sobra para estar contente.
Daisy notou como ela indiscretamente excluiu-os – a família direta dela – mas não disse nada. Até porque não podia se sentir no direito de exigir qualquer coisa de Blanca, sendo que Roberto e Eleonor a chamavam de ‘titia’ e faziam briga com o outro, por na casa de quem Blanca iria se hospedar naquele verão, durante a Copa do Mundo.
- É um prazer. – Disse o senhor Harrison, ganhando um aceno de cabeça discreto de todos.
Ninguém estava muito feliz. Estavam todos esperando Blanca surtar, ainda.
- Será que nós poderíamos conversar senhora Cooper? – Indagou Harrison após um breve momento de silêncio. – Eu gostaria de conversar a sós com a senhora, o senhor James Cooper e Nathaniel Cooper e a senhorita Daisy Cooper.
Seus olhos buscaram os de Nate e ele parecia tão surpreso quanto ela. Ambos encolheram os ombros, mas se ergueram quando viram Blanca – apesar de que de má vontade – erguer-se, sem dizer uma palavra.
- Titia, não tem que fazer isso. – Roberto disse segurando a mão dela e se voltando para Javier. – Titio, isso é adiável não é? Ela não devia esperar um pouco até que se sinta melhor?
- Verdade Blanca. – Concordou Javier com o cenho franzido. – Fred é advogado, caso queira a companhia. Ele será completamente discreto e não dirá uma palavra sobre isso com ninguém.
- Com certeza titia. Terei o prazer de ajuda-la. – Disse Fred, que mantinha sua filha, Valentina, no colo e sua esposa, Nara, ao lado. Ele era o único que viera acompanhado.
- Eu posso resolver isso sozinha. – Garantiu Blanca e lançou um olhar para James que ainda permanecia sentado, com o semblante sério e um pouco receoso. – Jimmy? Você não vem?
- É Jimmy! – Repetiu Eleonor com uma ponta de deboche. – Você não vai acompanha-los?
James pendeu os olhos sobre a prima que o olhava com frieza, enquanto tomava seu chá e comia seus biscoitos. Daisy observou que ninguém ali parecia muito amigável com seu pai e por um instante sentiu-se mal, porque suas primas e mesmo seus tios vinham sendo gentis com Nate e ela – e até com sua mãe e o marido dela, que não dissera mais que duas palavras até aquele momento – mas nem um pouco com seu pai.
A coisa é que não havia diferença nenhuma entre os quatro ali... Todos eles haviam pecado com Blanca e Romeo. Ninguém ali era santo...
Daisy percebeu então que cada um dos Cooper tinha esqueleto escondido no armário, poeira embaixo do tapete e assuntos mal resolvidos – principalmente assuntos em família.
Se eles iriam um dia resolver – ou se é que resolver esses assuntos é realmente importante para o percurso dessa história – apenas o futuro diria...
-x-
- Essas são as últimas vontades de Romeo Bartolomeu Cooper... – Disse o advogado, senhor Harrison, com uma voz entonada e pomposa, dando uma pausa para pigarrear.
James revirou os olhos. Ele conhecia Caleb Harrison desde muito novo e nunca entendeu o motivo pelo qual seu pai confiava tão cegamente nos Harrison – o pai de Caleb costumava ser o advogado da família, até que então, morrera num acidente de carro e o serviço passara para seu filho mais velho, o mauricinho, Caleb.
- Para a mulher da minha vida, a mulher que tenho certeza que cuidou de mim até o meu último suspiro, Blanca Francesca Perón-Cooper... – James observou de soslaio como sua mãe parecia tensa. – Eu deixo 60% de meus bens e também a pensão que receberá do governo, pelos meus serviços prestados como cidadão e trabalhador britânico.
James observou Caleb remexer em sua pasta e tirou envelopes de lá. Ele direcionou um a sua mãe, com um brilho nos olhos.
- Deixou pra você... Ele me ligou há alguns meses. Disse que tinha mudanças para fazer no testamento. – Disse Caleb com delicadeza.
- Eu nem sabia... – Sua mãe murmurou pegando o envelope.
- Ele não queria que você soubesse. Ele sabia que você tinha esperanças de que... Bem, que ele pudesse se livrar dessa. Acho que Romeo sabia que infelizmente, seria fatal, uma vez que o tratamento não fazia mais efeito.
Sua mãe acenou com a cabeça e James manteve os olhos sobre ela, vendo-a colocar a carta no colo e murmurar para Harrison que ele deveria prosseguir.
- Pois bem... – Pigarreou, para continuar. – Aos meus netos, Nathaniel James Cooper e Daisy Olympia Cooper eu deixo 10% para cada, ressaltando que eles podem usar o dinheiro como bem forem de sua vontade, contudo só os receberão aos vinte e um anos.
- Eu já tenho vinte e três. – Comentou Nate.
- Eu faço vinte e um esse ano... Em novembro. – Murmurou Daisy.
- Bem, você já pode receber seu dinheiro. – Harrison apontou para seu primogênito. – Mas a mocinha, terá que esperar completar os vinte e um.
- Não há pressa. – Ela disse com pouco caso e dando de ombros.
- Prossiga, Harrison, vamos com isso. – Pediu sua mãe que parecia ansiosa para se ver livre deles e poder se refugiar em algum cômodo vazio e ler sua carta.
- Ao meu único filho, James Francesco Cooper, deixo os últimos 10% e também o encabeço nos negócios da família e que ele tome livre e espontânea decisão de prosseguir ou finalizá-los. – Suspirou Caleb e então entregou-o um envelope. – Pra você James.
Ele estava surpreso. Não esperava receber nada mais do que aquilo – na verdade, ele não esperava sequer receber parte da herança ou a posição de líder nos negócios contábeis dos Cooper, mas como era ele que mandava agora, ao menos poderia dar um fim naquele maldito jogo sujo que seu pai encabeçava há anos.
- Nada mais doutor? – Replicou sua mãe, ansiosa.
- Há sim. – Disse Caleb. – Ele deixou um presente para os netos... E também aos irmãos.
- Aos irmãos?! – Sua mãe repetiu com irritação. – Por Dios!
James apurou os ouvidos, porque queria saber o que seu pai poderia ter deixado para seus filhos.
- Você já falou com eles? Augustus e Frank?
- Já. Para Augustus foram os vinis e Frank ficou com as abotoadeiras.
- Felizmente não foi nada de valor. Dois safados aqueles irmãos do meu marido...
- Mamãe, por que não deixa o senhor Harrison dar continuidade a leitura do testamento, para que possamos nos ver livres disso? – Indagou James, que ainda estava ansioso para saber o que seu pai daria a Nate e Daisy.
Seus dois filhos, porém, se comunicavam por olhares. Eles se mexiam desconfortáveis no sofá, aguardando pacientemente e sem dizer qualquer palavra.
- Para Nate, meu velho Cadillac. – Caleb entregou as escrituras do Cadillac para o rapaz, junto com a chave. – ‘Você vai encontrar a garota dos seus sonhos com ele’.
James teve vontade de rir. Com aquela lata velha que nem sequer andava? Clássico ou não, aquilo era apenas um banheirão de ferro.
- Eu não acredito. – Nate repetiu com um sorriso bobo. – Ele amava aquele carro.
- Amava mesmo. – Ressaltou Blanca e James notou que ela parecia meio magoada. – Ele estava quase acabando de consertá-lo quando... Bem, quando descobrimos o câncer.
Um silêncio profundo e tenso concentrou-se entre eles, até que então sua mãe pediu num murmuro quase inaudível para que Caleb continuasse.
- Para Daisy, os direitos autorais de suas fotos e a aliança de noivado de minha mãe. – Disse Caleb. – ‘O anel é para dar boa sorte nessa sua nova jornada, sei que você vai longe’.
Os olhos de sua filha estavam arregalados, assim como os de Nate e bem, assim como os seus próprios. Ele não podia acreditar que seu pai, em leito de morte, havia se preocupado com algo assim – aquele homem não parecia seu pai de fato.
Daisy pegou as folhas e a aliança, mas seus olhos foram direto para a assinatura de Romeo Cooper, como dono das fotos que em dezembro de 2013 haviam sido publicadas pela mídia.
- Você não notou? – Indagou Blanca. – Elas haviam saído de circulação...
- Vovó... Honestamente? Eu evito ao máximo pesquisar qualquer coisa sobre mim na internet.
- É justo. – Blanca acenou com a cabeça – Sobre isso eu estava ciente... Ele estava melhor de saúde na época, a memória não estava tão afetada também. Ele ficou louco quando viu as fotos, estava pronto para mandarem ir atrás do menino...
- Ele mandou pessoas atrás do menino. – Corrigiu Harrison.
Os olhos de Nate se arregalaram ao máximo e assim como os de Daisy que levou uma mão a boca. James mesmo estava um pouco hesitante, porque se ele havia aprendido algo naqueles anos de vida era que ninguém mexia com Romeo Cooper e saía simplesmente ileso.
E se ele se irritara com as fotos de Daisy é porque surtira algum efeito nele...
- Mas o garoto já havia ganhado uma lição... Porém o computador dele foi confiscado e ele assinou um acordo. – Disse Harrisson enquanto remexia a pasta e a entregava mais papéis. – Cheque se quiser, senhorita, fique a vontade.
- Sim... É a assinatura do Sebastian. E como assim ele ganhou uma lição? – Replicou Daisy franzindo o cenho.
- O pessoal que fez o serviço para seu avô, informou que o garoto estava arrebentado. – Disse Harrison. – Nariz quebrado, olho roxo... Ele jurou por Deus que havia se metido numa briga numa festa, mas não temos tanta certeza. De qualquer forma, não há nada para você se preocupar, como pode ver... O garoto teve o que merecia, seu avô comprou os direitos das fotos e ele tem um acordo de silêncio, que se for quebrado... Bem, daí as pessoas certas irão encontra-lo.
James até estremeceu e viu que Daisy também parecia um pouco injuriada com aqueles papéis em mãos. Nate, ao notar, apertou o ombro dela e tirou de seus dedos trêmulos os direitos autorais das fotos, o acordo com o ex-namorado de sua filha e também o anel.
- Meu Deus... Se isso... Se isso vier à tona um dia, eu acho que o Harry vai surtar. – Disse Daisy passando as mãos pelo rosto.
- Isso não virá à tona. – Garantiu sua mãe. – Acredite em mim... Não é a primeira vez que seu avô faz esse tipo de coisa.
- É diferente vovó...
- Não, não é. Apenas confie. – Blanca foi firme e então se levantou. – É tudo doutor?
- Sim, madame.
- Bem, então eu vou acompanha-lo a porta...
-x-
Incerta se aquilo cabia a ela ou não, Blanca observou sua neta do batente da porta. Ela estava no telefone com o namorado e estava provavelmente o deixando a par de toda a situação atual – até porque eles se falavam o tempo todo.
Sentada no balanço, viu Daisy rir de alguma coisa que o rapaz dissera e aquilo a deu um aperto no peito. Ver Daisy daquele jeito, tão empolgada com seu namoro, com sua vida, com seus vinte anos, a fazia se lembrar de quando tinha a idade dela...
Foi uma época fantástica. Ela era feliz, ela tinha Romeo, estava vivendo uma grande experiência! O amor deixava as pessoas daquele jeito, o amor era capaz de mover montanhas – ou ao menos Blanca sentia que era capaz de mover montanhas por Romeo.
Olhando para Daisy, viu que ela não parecia muito diferente dela, aos vinte anos. Blanca imaginou que apesar de os tempos mudarem o amor era imutável. As pessoas amavam hoje, da mesma forma que as pessoas de cinquenta anos atrás amavam. Ainda existia o fogo da paixão, o frio na barriga, o arrepio na nuca e o desejo de estar perto.
Ela estava apaixonada, ela amava aquele homem, Blanca via. A forma como se falavam pelo telefone, a forma como ela pronunciava o nome dele e também, Blanca observou, a forma como a vida dela já era em favor a dele – e vice-versa ao que notara – deixava bem claro o que sua neta sentia por aquele rapaz... Príncipe Harry.
Quando soube, quase nem acreditou. Ela estava no mercado e a fila estava grande como já era costume, para matar tempo Blanca gostava de xeretar as revistas e seus olhos não acreditaram quando captaram aquela moça, bem vestida, tão adulta e mulher, acompanhando o Príncipe.
Primeiro pensou que fosse alguém muito parecido com Daisy e pronto, porque não era possível, ela era uma menina algumas semanas atrás, daí, ao prestar bem atenção, percebeu que o corpo, o cabelo, os olhos, eram todos a mesma coisa. Ninguém era tão parecido assim – nem um gêmeo.
Ela pediu em suas orações todos os dias por sua neta – Deus lá sabia o que ela estava passando. E todas as noites, por uma semana, seu marido e ela conversaram sobre aquilo. Ele também não acreditara e pediu para ver as fotos.
‘Isso parece até coisa de filme’ foi o que Romeo disse no dia e Blanca concordava. Ela sempre torceu para que sua neta encontrasse um homem bom, porque ela era uma garota interessante e bonita, mas ela jamais imaginou que Daisy despertaria a atenção de um Príncipe.
‘Ela é sua neta mesmo. Ele é nove anos mais velho que ela mi amor’ Disse seu Romeo certa noite, antes de cair no sono.
Um homem mais velho passa segurança, Blanca tinha que admitir. Segurança, conforto, estabilidade e eles já eram muito mais vividos e tinham um monte de experiências para compartilhar!
Para uma garota aquilo era um sonho. Principalmente as jovens, porque afinal, maior parte dos rapazes de suas idades estavam mais interessados em ir a festas da fraternidade e transar sem compromisso. Um homem mais velho visava casamento, filhos, estabilidade, conforto e amizade. Um relacionamento mais saudável, sem dúvidas, porém exigente e consumidor.
E se havia sido consumidor para Blanca, quem dirá para Daisy que tinha os holofotes em cima dela.
Blanca pessoalmente não se arrependia, ela faria tudo de novo, mas reconhecia que muita coisa em sua vida foi acelerada e perdida. Ela não foi à faculdade, ela perdeu o contato com as amigas e passou a conviver com as esposas dos amigos de seu marido, ela teve filho bastante jovem. Houve momentos que aquilo realmente a incomodou, mas não mais. Ela adaptou-se ao cotidiano, ela gostou de ser a esposa de Romeo, ela gostou de ser mãe.
Obviamente os tempos eram outros e sua neta poderia ainda fazer faculdade, ainda trabalhar e deixar para ser mãe mais tarde, mas Blanca sabia o que era inadiável... O casamento.
Eles iam se casar. Podia sentir na forma como conversavam com o outro.
Uma mulher sabe reconhecer quando a outra estava preparada, quando a outra estava apaixonada, quando a outra estava hesitante, quando a outra estava insatisfeita... E aquela era sua neta. Sangue do seu sangue, querendo ou não. Seria uma vergonha Blanca não saber.
-... Eu também amo você. Muito, muito. – Escutou-a dizer baixo. – E eu sinto muito por não poder ir ok? Você é doce... Ok, nos vemos em breve. Conte-me tudo depois. – Disse e então desligou.
Blanca sorriu de lado, ela ainda não havia reparado em sua presença. Decidiu então caminhar até o balanço, levando consigo uma caneca fumegante de leite com achocolatado e o prato de biscoitos.
- Sabe, eu pensei em chamar a polícia...
Daisy riu, porém Blanca viu que havia levado a mão ao peito de uma vez, por conta do susto. Ela não pretendia ser tão sorrateira, mas bem, não pudera evitar.
- Desculpe. – Disse com delicadeza, colocando o prato e o copo de leite nas mãos de sua neta que a olhou de forma incompreensiva. – Pensei que ainda comesse de madrugada quando fica acordada...
- Não, não é isso. – Daisy disse balançando a cabeça em negação. – Pelo o quê está se desculpando?
- Oh! – Acenou com a cabeça enfiando as mãos nos bolsos de seu roupão. – Por ter escutado sua conversa. Eu não pude evitar... Sou da Espanha. Sou romântica por natureza e você e o rapaz são romantismo puro...
Daisy corou e acenou com a cabeça, colocando um biscoito na boca. Blanca suspirando, sentou-se no banco próximo ao balanço que estava. Embaixo da castanheira, ela havia perdido muitas horas de seus dias lendo, bordando, enquanto James balançava feito louco naquilo.
- Ele... Ele é uma pessoa muito boa. – Comentou Daisy, baixinho, tomando um pouco de leite. – A senhora iria gostar dele. Ele é gentil, romântico, infinitamente maravilhoso comigo. Não mede esforços para minha felicidade...
- Ugh, soa enjoativo... – Comentou Blanca com uma careta e a viu encolher os ombros. Sorrindo, acrescentou. – São os melhores não é? Os melosos.
Daisy riu de novo e concordou suavemente, mexendo as pernas curtas com delicadeza, para balançar-se um pouco enquanto montava um malabarismo para manter-se na gangorra, tomar seu leite e comer seus biscoitos.
Estava muito frio, muito mesmo e o ideal era que essa conversa fosse feita no calor de casa, contudo, Blanca não teve coragem de pedi-la para entrarem, porque o silêncio da madrugada era bom.
Havia uma coisa que queria dizê-la...
- Eu acho que devo desculpas a você. – Disse sem encará-la, então acrescentando. – A todos vocês na verdade... Você, seu irmão e sua mãe foram muito gentis e pacientes comigo. Eu fui uma... Hija da puta.
- Não, a senhora não foi... – Daisy encolheu os ombros. – Eu não lido com a dor muito melhor do que você, eu acho que cada um sente o que sente, fim da história. Foi difícil? Foi. Eu queria te socar? Queria. Mas não é o fim do mundo... Todo mundo tem o direito de... Sei lá, surtar!
Blanca encolheu os ombros. Agora que ela não estava com Xanax tomando sua cabeça, agora que as coisas ao redor estavam menos turvas e a aceitação aos poucos parecia a forma mais fácil de seguir em frente, ela era capaz de reconhecer que não havia sido fácil para eles... Eles poderiam ter ido embora, mas não foram.
Ainda que não mudasse o passado, eles ainda estavam ali.
- Eu lamento assim. Eu fui um pé no saco, eu sei que fui. Me conheço. – Blanca disse convictamente.
- Sabe... A senhora não tem que se desculpar porque ninguém aqui é perfeito. Eu pequei com nossa família, Nate pecou, James pecou e Lily pecou. – Daisy disse baixando os olhos. – Sabe... Eu sei lá, sempre achei isso aqui o maior hospício. Talvez o hospício estivesse dentro da minha própria casa...
Blanca escutou-a atentamente, suspirando, mantendo suas mãos no colo. Ela sempre gostou de escutar o que seus netos tinham a dizer, eles podiam ser surpreendentes.
Nate apesar de muito objetivo, racional, prático, sempre foi uma pessoa que ressentia-se com facilidade. E também sempre foi uma pessoa de cativo fácil! Você era simpático e pronto, já ganhava a amizade de seu neto.
Daisy sempre muito carinhosa, fala mansa, sonhadora, reflexões sobre o mundo e a vida que ninguém fazia que não fosse ela. Estava sempre fazendo-se de durona, porque era sua forma de enfrentar a vida, mas ela era coração mole.
- Eu não aprovava e ressalto que ainda não aprovo a forma como o vovô cresceu... – Murmurou Daisy. – Sei que ele não cometeu crimes, mas ele ajudou gente mafiosa, gente realmente ruim. Eu não gosto nem de pensar de onde veio o dinheiro que ele usou para cobrir minhas fotos... Eu sou grata, não pense que não sou, porque eu sei que foi o ‘dinheiro sujo’ que bancou tudo o que tenho hoje.
Blanca acenou com a cabeça, sinalizando que entendia seu ponto e pôde ver como para ela era constrangedor falar sobre aquilo – talvez porque nunca falasse, porque Daisy não era de se constranger fácil.
- Eu também não quero que a senhora perdoe o fato de eu ter sido tão hostil quanto James, todos esses anos. – Disse Daisy com seriedade. – Eu jamais pediria isso, porque eu jamais perdoarei James. A verdade é que... Eu não fiz questão vovó. Eu não fiz questão alguma sabe? A vida estava mais ou menos normal. Lily não enchia a porra do saco, eu tinha o Nate, eu tinha meus amigos, eu tinha um fim de semana ocupado. Eu não queria saber de porra nenhuma.
- Você não tem que falar disso Daisy...
- Eu quero falar disso, porque eu nunca falo disso. – Murmurou Daisy. – Harry me fez perceber que é importante esse tipo de coisa. Eu conheci a família dele e percebi como é bom sabe? Como é bom ter laços, como é bom ter pai, como é bom ter primos, como é bom ter tios, histórias para contar! Percebi também que não tenho nada disso. Percebi hoje também, fazendo-me de intrometida na mesa da sua família o quanto é bom ter essa união que eu me privei, fugi literalmente.
Daisy estava com a cabeça abaixada, Blanca sabia que ela estava envergonhada. Por qual razão, não tinha ideia porque honestamente, apesar de não esquecer o que aconteceu, ela entendia... Entendia que aquilo para ela era uma verdadeira loucura, um desperdício e ouvindo coisas de Lily e James a vida inteira... Como não poderia?
- Sinto muito pela senhora ter passado por isso sozinha. Eu sinto mesmo. – Disse ela. – Eu sei que a senhora precisa de espaço no momento, sei que o que eu fiz é injustificável, sei que eu devia ter sido mais matura, sei que... Sei que eu devia ter tomado decisões e ter tido um comportamento mais adequado, ter sido mais grata, aparecido na ceia de natal e toda essa coisa... Devia ter sido mais aberta e engolido meu orgulho.
Erguendo-se foi até ela e apesar de querer abraça-la e dizer que tudo ficaria bem, não o fez. Porque daí estaria mentindo, porque daí se faria de boba, porque daí se permitiria iludir igualmente que as coisas ficariam bem.
Ela limitou-se a tocar os fios cor de chocolate, carinhosamente e sorrir.
- Você é uma boa menina Daisy. – Suspirou. – Obrigada.
Acenando com a cabeça, sua neta agradeceu baixinho e então tomou o resto do leite com achocolatado.
- Uma hora a gente entra em sintonia. – Disse numa tentativa de apaziguar as coisas. – Agora, volte para o quarto e durma, está frio.
- É, está mesmo. – Sorriu ela. – Eu já subo. Obrigada por me escutar.
Potter P.O.V.
A água da banheira já começava a esfriar, mas nós permanecíamos parados ali, tentando prolongar aquele momento.
Minhas costas estavam apoiadas sobre o peito de Draco, que olhava fixamente para o teto e acariciava as meus cabelos em uma espécie de transe.
Com certeza havia muito o que pensar. Mas eu preferia não fazer isso, queria apenas continuar exatamente como estava, sentindo a sua respiração compassada e o calor do seu corpo. Ele estava finalmente aqui. Eu mal podia acreditar que isso estava realmente acontecendo.
- Então… - Eu disse, fazendo com que olhasse pra mim - O que achou dos meus amigos?
- Ah, eles são… Bem legais. Quero dizer, eles reagiram melhor do que eu esperava e… Bem, Luna é… - Ele pareceu pensar um pouco, fazendo uma careta
- Ok, eu entendi! - Ele riu - Você vai aprender a gostar dela também, não é qualquer pessoa que reage tão bem quando vê dois homens… Bem…
- Ok, eu entendi! - Ele disse, e foi a minha vez de rir.
Malfoy P.O.V
- E Hermione? Eu vi vocês conversando, como foi?
- Bem…
Flashback
- Olá, Draco. - Hermione disse, sentando-se a minha frente enquanto eu me servia com uma dose de Whisky de Fogo.
- Olá. - Disse, tentando sorrir cordialmente, o que parecia uma tarefa bastante complexa devido ao acontecido de minutos atrás.
- Como você vai? E sua mãe? - Ela perguntou, parecendo realmente interessada - Ainda mora na mesma casa? Eu me lembro de lá…
- Não. – Interrompi – Não moro. – Disse, tentando fugir do assunto que eu sabia que surgiria.
- Ah... – Ela respondeu sem tom de surpresa – Você e o Harry estão juntos então?
- Sim… Eu acho que sim. - Respondi.
- E você o ama?
Quase me engasguei com a pergunta. As pessoas não costumavam ser tão diretas.
- Sim - Disse, respirando fundo - Eu o amo, Hermione.
- Harry te ama. Você sabe disso, não?
-Sim.
- Que bom. - ela disse, apoiando os cotovelos sobre os joelhos - Porque se você o magoar… Se o fizer sofrer… Eu vou atrás de você, e eu não vou parar até te encontrar. E você não vai querer saber o que acontece depois. – Ela disse com simplicidade e um sorriso radiante.
- Hermione, pode vir aqui por um minuto? – Disse Luna, fazendo com que ela se levantasse.
Antes de sair ela se abaixou sobre as costas da poltrona onde eu estava.
- E lembre-se: eu já te bati uma vez... – Ela sussurrou em meu ouvido, me dando dois tapinhas nas costas antes de ir embora.
"Ok, isso foi estranho" - Pensei, virando a minha dose de Whisky.
Fim do flashback
- Ah… Hermione foi bem… interessante.
- Eu sabia que você gostaria dela, vocês vão se dar muito bem! – Ele disse, beijando meu rosto. Harry passou um bom tempo me observando antes de completar – Então... Nada de namorada, não é?
- É – Eu disse rindo.
Ele sorriu e se deitou sobre o meu peito. Permanecemos ali por muito tempo.
Potter P.O.V.
Draco finalmente quebrou o silêncio, sussurrando no meu ouvido:
- Melhor sairmos daqui antes que você pegue um resfriado – Ele disse depositando um beijo em minha nuca antes de nos levantarmos.
Draco secou meus cabelos, rindo enquanto fazia comentários sobre o fato de ele estar sempre revolto. Ele agia com naturalidade, como se nunca tivéssemos estado separados um do outro por mais do que um dia.
Eu ainda não conseguia entender o que estava acontecendo ali.
Estávamos na cama há horas, Draco mantinha um de seus braços ao meu redor, me segurando contra o seu peito da maneira tipicamente possessiva, enquanto acariciava meus cabelos delicadamente, nós não falamos nada desde o banho e eu mal podia suportar todas as palavras que, queria dizer.
Queria falar sobre o julgamento, pedir desculpas, chorar em seus braços e pedir desculpas novamente, queria dizer que nunca estive realmente afastado, que acompanhava a sua vida por meio das notícias que Helena me enviava, queria dizer que visitava a sua janela. Apesar de tudo isso, permanecia calado.
- Durma, Potter. Podemos conversar pela manhã, eu vou estar aqui. – Draco disse, como se lesse meus pensamentos.
- Não, eu não quero deixar isso pra depois, eu tenho que dizer, Draco… - Eu disse, me virando pra ele.
Draco me olhou com atenção, esperando que eu continuasse e tudo o que eu pude fazer foi olhar profundamente em seus olhos e mergulhar em todos os sentimentos que estavam ali. Havia amor em seus olhos, eu podia ver, mas havia também outros sentimentos que eu não conseguia identificar, que eu sabia que Draco não me deixaria ver.
As lembranças do dia do seu julgamento surgiram em minha mente. Ele havia feito tudo aquilo por mim, e eu não o agradeci, eu não o procurei e... Céus! Ele, obviamente, soube que eu não estava com a Gina.
Eu não conseguia entender como ele pôde ter sofrido tanto apenas para atender a um capricho meu e não conseguia sequer imaginar qual foi a sensação de perceber que não era apenas um capricho, era também uma mentira. Eu havia mentido sobre estar com ela e que ele havia passado por tudo aquilo por causa de uma mentira e ainda assim eu não o procurei depois.
Esse julgamento nem teria acontecido se não fosse por minha causa. Se não fosse por mim Draco não teria se aliado à Voldemort…
Eu sentia o ar ao meu redor ficar mais pesado a cada segundo.
Eu o causei tantos problemas…
E depois daquele dia no tribunal eu nem ao menos olhei em seus olhos novamente. Não até hoje.
Eu definitivamente era a pior pessoa do mundo.
E, no entanto, ele estava aqui.
Eu transformei a vida dele em um inferno, uma vez após a outra… E ele, ainda assim, veio me procurar.
Eu não merecia estar com ele, e mesmo assim ele estava aqui, parado ao meu lado, olhando-me profunda e atentamente.
Eu mal podia respirar.
Segundos depois eu também não podia vê-lo por causa da água que se acumulava em meus olhos. Senti as lágrimas descerem meu rosto e Draco me abraçou imediatamente, afagando e beijando os meus cabelos quando deitei a cabeça em seu peito.
- Por que você está aqui? – Eu disse após me acalmar.
- Como assim? Do que você está falando, Harry? Foi você que me pediu pra ficar. – Ele disse, soando confuso.
-Não, não hoje. Por que você voltou depois de tudo o que eu fiz? Por que você continua voltando pra mim quando eu não mereço você comigo?
Draco riu. Eu não podia acreditar que ele estava rindo!
- Você ainda não entendeu, não é? - Ele disse, me encarando intensamente - Eu volto porque você é meu.
- Mas você poderi... - Eu tentei dizer, mas fui interrompido.
- E eu sou seu. - Ele disse, dando de ombros. - Não há como fugir do que é seu.
*Narração Daniel* - Acho que quem tem mais novidades são vocês né? - Bruno disse. - Porque diz isso? - Elidio perguntou. - Olha como seu pescoço está roxo, Lico. - Bruno dizia apontando pra ele. - Eu que fiz, pode me dar parabéns. - eu disse sorrindo. - Está tão roxo assim, Bruno? - Lico perguntou tentando ver seu próprio pescoço. - Pior que está, Lico. Isso porque você não o viu pelado, Bruno. - brinquei. - Nem quero ver, obrigado. - Bruno riu. - Depois de mais umas semanas você também vai estar assim, Rafa. - Bruno disse. - Está mais fácil ser o contrário né, Bruninho. - Rafa disse. Eu e Daniel pedimos um sundae do maior tamanho que tinha, pois estava muito calor. O atendente nos entregou e então voltamos para a mesa. E o Rafinha estava beijando o Bruno. - Procurem o motel, gente. - brinquei. - Se você soubesse como ele é viciante, você também iria beijá-lo. - Bruno disse rindo. - Eu já tenho meu vício já. - sorri piscando para Elidio. - Mas e esse programa que você vai ter, Rafa? Conte sobre ele. - perguntei. - Ainda não sei muito não, mas o Bruno será o primeiro convidado. - Rafa disse passando a mão na perna do Motta. - Você vai declarar o que, pra chamá-lo? - Lico perguntou. - Tesão. - Rafa disse rindo. Elidio pegou uma colher do seu sorvete e passou em meu rosto. - Lico!! - reclamei. - Eu limpo, vem cá. - Lico disse se aproximando e me beijando. - Então gente, eu e o Rafa já vamos, depois nos falamos. - Bruno disse nos comprimentando e indo embora. - Você e essa cisma de sorvete, Lico. - eu disse fitando seus olhos. Elidio sorriu e beijou meu nariz e então, quando acabamos o sorvete fomos embora. Fomos o resto a pé e em pouco tempo chegamos na minha casa. - Que casa suja, Lico. Você não arruma aqui não? - comentei. - Eu... Arrumo minha cama. - Lico respondeu. - Estou me sentindo a mulher da relação, me incomodando com coisas desse tipo. - eu disse. - É bom ter uma parte feminina em casa. - Lico disse brincando. Meu celular tocou e então vi que era o Anderson. - Oi? Andy? - perguntei. - Onde vocês estão? - Andy perguntou. - Vim pra casa do Lico. Porque? - questionei. - Em 10 minutos tô ai. - ele disse desligando. - Aconteceu alguma coisa, Dani? - Lico me perguntou. - Não sei, ele estava alegre. Enfim, daqui a pouco ele está ai. - respondi. - Só porque agora eu queria... estrear a casa. - Elidio disse me puxando pela cintura. - Eu também queria, mas... - eu disse fazendo cara de vítima. E então, bateram na porta, corri para ver quem era e era o Anderson. Lico então, veio em direção à porta também. Quando abri Anderson estava com um braço pra trás. - Adivinhem! - Andy disse puxando uma garota pra frente. - Ela veio pra mim. - ele sorria ao olhar Giovana. - Giooooo - Elidio saiu correndo e abraçou-a. - Que bom que veio! Se o Anderson te fizer mal, bato nele. - Elidio disse animado. - Eu também estou feliz em te ver, Elidio. - ela disse abraçando-o. Fiquei apenas encarando a cena de braços cruzados. - Oi, Dani. - ela disse sem graça. - Oi. - disse friamente. - Agora vou levá-la até minha casa de novo, depois marcamos de jantar em casais. - Andy disse selando os lábios de Gio. Andy foi embora, e Elidio me abraçou por trás. E então me disse: "DanDan..." - Oi, Lico. - disse desanimado. - Não precisa ter ciúmes, eu te amo. - Lico disse beijando minhas costas. - Não estou com ciúmes. - eu disse sem mudar o tom. - Dani... - Lico dizia implorando. Então, me virou pra perto dele. - Não precisa ter ciúmes. Ninguém pode sequer, ameaçar o seu lugar. - ele continuou. - Ah, Elidio... Eu tento acreditar, porém, tenho medo. Hoje eu não saberia seguir minha vida sem você. - eu disse olhando-o em seus olhos. - E não precisa. Se depender de mim, nunca vai precisar. Giovana é uma grande amiga... Só. - Lico se explicava. Sorri de lado pra ele e o abracei forte. - São 19:00, você quer jantar alguma coisa ou a gente pode... - ele dizia descendo sua mão até minha bunda. - Prefiro comer depois. - eu sorri. Lico foi recuando seu corpo até a escada, e me guiou até sentar na mesma. E então, Lico subiu em cima de mim, de modo que deixasse as pernas do lado de meu corpo. Com isso, roubei um beijo dele, rápido e proveitoso. Lico desceu suas mãos por minha cintura e então tirou a minha camisa. Desceu sua boca pelo meu pescoço, dando alguns beijos pelo mesmo seguidos de mordidinhas. Estiquei minhas pernas e virei Elidio de costas pra mim, dei uma fungada em sua nuca, e em seguida beijei o mesmo. Desci minha bermuda até tirá-la completamente, e em seguida fiz o mesmo com a dele. Lico roçava sua bunda em meu membro e eu mordia a ponta da sua orelha. Tirei minha cueca imediatamente e fiz o mesmo com a de Elidio. Puxei o corpo de Elidio pra baixo fazendo-o sentar de uma vez em meu membro. Lico segurou no corrimão com ambas as mãos enquanto subia e descia em cima de mim. Deixei minhas mãos em sua cintura e apertava a mesma. Me impulsionei de modo que comecei a aumentar a velocidade das penetradas. À medida que os movimentos ficavam mais rápidos, Lico soltava gemidos ainda mais altos. Apertei sua cintura ainda mais pra baixo, quando gozei nele e soltei um gemido de alívio. Elidio então virou-se de frente pra mim e puxou meu corpo de leve para frente e coloquei minha boca em seu membro totalmente ereto. Corri minha lingua pelo mesmo, umedecendo-o, e voltei a chupá-lo com vontade. Elidio se segurava no corrimão, seus olhos reviravam de prazer e ele gemia baixinho. Coloquei minhas mãos em suas coxas, apertando-as enquanto chupava-o numa velocidade ainda maior. Suas coxas travavam duramente de prazer, e eu as apertava aumentando a velocidade das chupadas. Lico colocou a mão atrás de minha nuca pressionando minha boca contra seu membro. Até que, ele não conseguiu segurar e gozou em minha boca. Sorri pra ele e o guiei até seu quarto, indo até o banheiro. Lico trancou a porta do banheiro, ligou o chuveiro com a água numa temperatura super quente e me pressionou contra a parede. A água quente caia sobre nosso corpo e Elidio deslizava sua boca pelo meu pescoço, enquanto passava a mão em meu membro. Então, ele subiu sua boca até a minha e me roubou um beijo. Sua lingua passava por toda minha boca, e eu deslizava minhas mãos por suas costas colando nossos corpos mais ainda. Peguei o sabonete e deslizei por seu corpo, da sua bunda subindo até seu pescoço. Em seguida, soltei-o, e deslizei minhas mãos molhadas por seu corpo enxaguando-o, em seguida, Lico subiu suas mãos pelo meu corpo molhado apertando o mesmo. Depois de algum tempo saimos do banho, vestimos só a bermuda e descemos pra sala. - Vai querer comer o que, Dani? - Lico disse indo até a cozinha. - Vamos pedir pizza, Lili. Enquanto isso você me dá um beijo. - eu disse sorrindo. Lico encheu meus lábios de selinhos, e fomos fazer o pedido. *Narração Elidio* Enquanto Dani fazia o pedido, mandei uma mensagem pra Giovana. "Gio, amanhã eu e o Dani faremos 1 mês de namoro, e vou comprar uma guitarra pra ele, você vai comigo comprar?". Quando Dani desligou o telefone, disfarcei e guardei o celular. *Narração Anderson* Chegamos em casa e minha mãe havia saido, e então ficamos a sós. - Estou muito feliz que tenha vindo comigo. - eu disse passando a mão em seu rosto. - Confesso que estou com medo. Terei que recomeçar minha vida toda. - Gio dizia. - Se você aceitar, te darei um emprego na nossa produção. Eu converso com minha mãe, e iremos morar sozinhos. Veremos uma casa. Tudo vai dar certo. - eu disse abraçando-a. - Obrigada por tudo, Andy. Eu amo você. - eu disse beijando seu queixo. - Vou fazer um jantar romântico, e ficamos no nosso quarto, o que acha? - eu disse enquanto carregava-a no colo. - Anderson, ai! Não me deixa cair. - Gio dizia rindo. Subimos até meu quarto, e então, Gio pôs uma roupa mais confortável e eu também. Peguei sua mão e descemos para eu ir fazer nosso jantar. Como minha mãe estava na casa de minha tia liguei para ela e pedi que ela dormisse lá e ela aceitou.
Ficamos em silêncio por pouquíssimo tempo e ele já vem com ideia de festa. Na verdade, eu não devia ficar surpresa vindo de Luck. Até se ele comprar um celular novo vai querer uma festa pra dar “boas vindas” ou o que for. A cabeça do Luck não funciona muito bem, eu acho.
Luck: ...então, tu não acha que merecemos uma festa?
Eu: Quem? – voltei pra Terra.
Luck: A GENTE, CARALHO. Tu não tava prestando atenção em mim de novo. Desse jeito desisto de falar contigo. Tu anda muito dispersa e...
Eu: TÁ BOM, LUCK. FAZ TUA FESTA.
Luck: OK – ele assentiu e ficou me observando pelo canto dos olhos, como se tivesse medo.
Eu: Que foi, caralho?
Luck: Nada não. Acho que podemos adiar a festa pra amanhã.
Eu: Amanhã não chega a mobília?
Luck: Sim, mas e daí?
Eu: Para e pensa. O que mais atrapalha em festa dentro de casa?
Luck: Os móveis, é verdade...
Eu: Pois então...
Luck: TU TEM RAZÃO. Se a festa for hoje, pode entrar muito mais gente com a casa vazia desse jeito. – ele me interrompeu.
Eu: Quer casa cheia? E quem tu vai chamar?
Luck: TU é quem vai chamar. – ele respondeu sem perceber sarcasmo. – eu não conheço ninguém nessa cidade. Até tinha um amigo que mudou pra capital, mas nem lembro o nome dele. Pff. Tu que vai chamar teus amigos. Chama geral.
“Chama geral” coitado. Tá falando com a pior pessoa no universo pra depender de amigos. Se eu chamar as pessoas que conheci nesse tempo morando aqui, não enche nem meu quarto, imagina a casa inteira como ele quer.
Eu conheci um pessoal com o Cabeça, é verdade. E Luck nem sabia da existência desse pessoal, os conheci depois de ter conversado com ele sobre tudo por aqui pelo celular. E eu volto aqui nessa mesma rua, só que agora como moradora. Puta que pariu. Cabeça vai achar hilário. Seria legal chamar ele e o pessoal, ia ser uma festa e tanto.
Eu: Tenho um pessoal pra chamar, mas não sei se virá muita gente.
Luck: Isso não interessa. Chama guria gata que eu já volto. – ele saiu correndo e quando abriu a porta, deu de cara com Lipe de olhos arregalados.
Lipe: Eu ia bater agora.
Luck: Próxima vez seja mais rápido. Fui.
Eu: Entra. – ele sorriu e fechou a porta.
Lipe: Tudo bem?
Eu: Ahã. E contigo?
Lipe: Tudo beleza. – ele sentou ao meu lado no sofá empoeirado.
Eu: Luck vai dar uma festa.
Lipe: Sério?
Eu: Sim, ele adora dar fes... – ele me abraçou forte antes mesmo de eu terminar a pergunta. Não entendi até ouvir a palavra “hospital” no meio de vários cochichos que ele dizia. Quase me esqueci que pouco tempo atrás estava “dormindo” em uma cama. Ele devia estar realmente preocupado comigo. Não consegui deixar de sorrir e abraça-lo de volta.
Lipe: Se acontecesse alguma coisa contigo, eu iria me sentir tão culpado que nem sei. Enquanto estávamos lá, tu estava bem aí saímos por causa do AP e tu ficou mal. Não devia ter saído. – ele disse meio atrapalhado quando me largou.
Eu: Não viaja. Não tem nada do que se culpar, eu andava estressada faz muito tempo. Acho que as barbaridades do meu pai que fiquei sabendo aquele dia, foi a gota d'água de um copo que já estava transbordando, se é que tu me entende. – ele assentiu.
Tá aí uma pessoa de poucas palavras. Só abre a boca quando tem algo bom pra dizer, isso é raro. Principalmente se for comparar com uma pessoa tipo o Luck, que só cala a boca quando é extremamente necessário. Ou seja, quando tá comendo, dormindo ou em casos raros de compaixão.
Eu: Quer beber alguma coisa? – levantei e rezei pra que tivesse algum líquido dentro da geladeira velha.
Lipe: Não, valeu. – a geladeira estava vazia, havia apenas uma sacola com três cervejas. Eu esperava que fosse do Luck e não do último dono. Abri duas.
Eu: Toma. – coloquei uma garrafa na mão dele, sem ligar pra resposta.
Ele me viu bebendo e acabou cedendo.
Lipe: Tem certeza que pode beber?
Eu: Por que não poderia?
Lipe: Misturar álcool com remédio, não sei se é uma boa.
Eu: A médica não disse que eu não poderia e não é nada demais. – ele deu de ombros – como tu sabia que me receitaram remédios?
Lipe: Eles não te liberariam sem receitar nada, acredite.
Eu: Isso quer dizer que o remédio pode não servir pra nada? Ou que possam ser comprimidos de mentira? Tipo efeito placebo?
Lipe: Acho que não, mas depende do remédio. – ele ficou pensativo e eu mais ainda. – deixa eu ver a caixinha?
Entreguei a ele rapidamente, o remédio continuava no meu bolso. Ele ficou ainda mais intrigado. Resolvi pegar meu notebook e tive sorte que a internet do prédio não tinha senha.
Pesquisamos e dizia que era uma espécie de antidepressivo.
Eu: O médico disse que eu tinha transtorno de personalidade e não depressão. – me assustei.
Mas essa porra tá ficando cada vez mais séria.
Lipe: Remédios antidepressivos não servem só pra depressão, Madu. – ele respondeu enquanto olhava pra tela.
Eu: Ah.
Como que eu ia saber? Não sei nem como ELE sabia tanto.
Ficamos um bom tempo pesquisando e a coisa só ficava mais complicada. Eu estava ficando cada vez mais preocupada e assustada, quando Luck entrou do lado de dois moleques. Os três carregavam várias sacolas e caixas. Não precisava ser nenhum gênio pra saber que era tudo bebida.
Luck: Vocês estão mexendo no computador? Sério? Achei que fossem aproveitar que eu saí e...
Eu: Fica na tua, Luck.
Os moleques foram embora prometendo que voltariam pra curtir a festa. Acho que gostaram do jeito do Luck.
Eu: Tu sabe que eles devem ter no máximo uns 13 anos, né?
Luck: Não fode, Maduzinha. Eu comecei a beber nessa época também e não me arrependo. Os moleques são legais. – ele falou enquanto enchia a geladeira. – não sei se vai caber tudo aqui. Caralho. Pelo menos amanhã chega a geladeira nova e bonitona. Sabe o que eu tava pensando? Pra não deixar ela tão branca e sem graça, a gente podia contratar alguém pra pintar umas coisas legais nela. Tipo um desenho grande pra preencher todinha. Ia ficar animal. E...
Até curti a ideia, mas ficar ouvindo Luck sem ele me deixar falar é quase o inferno. Decidi dar um pulo no meu quarto e deixar o remédio e o notebook por lá. Quando voltei para a sala, ele continuava falando e Lipe mexia no celular. Sentei ao seu lado.
Eu: Chama uns amigos teus pra festa que se não vier muita gente, ele vai ficar arrasado.
Lipe: Posso convidar uns amigos que acompanham a nossa banda.
Eu: Legal. Mas são tipo fãs? Lipe, tu tem fã? Hahaha.
Lipe: Não são fãs... ah, não enche. – ele riu e decidiu mandar algumas sms, enquanto eu fazia o mesmo chamando Cabeça e Nick.
Lipe: Não tem problema se o Kurt vier?
Eu: Não, tudo bem.
Lipe: Legal.
Luck:... CARALHO. Me esqueci! Como vamos fazer uma festa sem somzera? Precisamos de um puta som pra ONTEM.
Lipe: Kurt tem, mas não sei se ele traz. Acho que depende de seu humor.
Luck: Manda ele trazer e foda-se. Se tiver que pagar, eu pago. – ele deu de ombros. – esses teus amigos, vou te contar, Madu. Tudo interesseiro. Menos o Lipe, mas vocês não são exatamente amigos, né? Hahahaha.
Eu: Somos sim, Luck, para de aloprar.
Luck: OK então “amigos”. – ele fez o sinal de aspas com as mãos e continuou rindo. Enquanto Lipe fingia não ouvir. – vou tomar meu banho e ficar cheiroso porque sim.
Ele saiu em direção ao banheiro.
Eu: Ele gostou mesmo de ti.
Lipe: Isso foi sarcasmo, certo? – ele disse guardando o celular e olhando pra mim.
Eu: Não. Se ele não tivesse gostado, nunca que faria tantas brincadeiras contigo ou nos deixaria sozinhos sem encher o saco. – pensei em como ele era chato quando eu namorava o Fabrizio. Os dois não se gostavam muito e era quase impossível ficar de boa com eles no mesmo lugar.
Lipe: Também gosto dele. É meio doido, mas é legal. – ele riu.
Continuou me olhando como se não se cansasse. Puxei outros assuntos, mas não duraram muito e ele continuava a me observar. Estava ficando constrangida e dei um jeito dele parar de me olhar. Tapei seus olhos com as minhas mãos.
Eu: Para de me olhar, puta que pariu. – ele riu e se escorou no sofá. Deu um tempo em ficar me olhando, mas começou a brincando com meus dedos.
Eu: Caralho, tu é chato.
Lipe: Eu sei. Hahahaha. – virou o rosto e me beijou de surpresa. Nunca consigo prever o que esse menino quer. Que porra.
A gente ficou ali por um tempo e quando fui perceber, já estava quase inteiramente no colo dele.
Luck: Oin. Que romântico. – Lipe levou um susto.
Luck: Querem alguma coisa pra beber? – aceitamos e eu saí de cima dele.
Peguei da mão de Luck a garrafa que ele me oferecia e fui para o meu quarto, me trocar e me preparar decentemente pra festa. Resolvi tomar um banho e me peguei pensando em como era bom ter um banheiro só pra mim na minha antiga casa, provavelmente essa vai ser a única coisa que eu vá sentir falta de lá, tirando Dudu. Mas Dudu não é exatamente uma coisa, então...
Não demorei muito e logo saí correndo pro meu quarto, enrolada na toalha. Sorte que o corredor é estreito e não precisou de muito tempo. Me arrumei rápido e quando estava quase acabando de secar os cabelos, ouvi gritos na frente do prédio. Coloquei a cabeça pra fora da janela e avistei Kurt. Ele tava junto de um pessoal (eu não os reconheci) que carregavam umas caixas enormes. Acho que Luck ficaria satisfeito.
Fiz sinal pra que eles esperassem e desci rápido para abrir o portão. Infelizmente nem todo mundo sabe o truque.
Kurt: Tá cheirosa. – ele cochichou quando passou por mim.
Fingi que não ouvi e fechei o portão.
Caber todo mundo no mini elevador do prédio é que foi difícil. No final, foram dois caras com as caixas de som e o resto foi de escada mesmo. Não era nenhum sacrifício já que havia apenas dois andares, mas o sedentarismo fode com a gente às vezes.
Luck ficou feliz pra caramba quando viu aquele equipamento de show no nosso apartamento pequeno. Pagou o Kurt, que fez questão de lembrar o quanto sofreu pra trazer tudo pra cá.
Quase toda a galera que entrou com nós, já conhecia Lipe e foi ele quem nos apresentou. Kurt não moveu um dedo pra socializar com ninguém e me identifiquei um pouco com ele nesse momento. Não que eu seja tão emburrada e chata quanto ele, mas dá pra entender.
Sentei no sofá meio perdida com tanta gente falando alto a minha volta, bebi os últimos goles da garrafa que Luck havia me dado e Lipe me trouxe outra. Fiquei observando a conversa das pessoas. Só esse grupo que Kurt trouxe, devia ter umas 15 pessoas. Luck já tava fazendo amizade com eles e fazendo todo mundo rir. Imagino esse garoto daqui dez anos em um programa de TV, é muita facilidade com as pessoas, não é possível. Se bem que um programa de TV do Luck seria proibido para menores de 18 anos.
Sacudi a cabeça para parar de pensar nisso e cumprimentei Lola, que havia acabado de chegar. Ela sentou do meu lado e começou a falar algumas coisas que eu não compreendia direito, mas não seria mal educada de dizer “puta que pariu, fala mais devagar.”. Luck e os garotos ligaram o som e ficava cada vez mais impossível de ouvir os próprios pensamentos.
Lola: Madu?
Eu: OI! – voltei a prestar atenção nela.
Lola: To sabendo do quarto vago de vocês.
Eu: Pois é.
Lola: O que pretendem fazer com ele?
Eu: Luck quer que more mais alguém aqui, mas não conhecemos ninguém que queira. – dei de ombros e continuei bebendo.
Lola: Eu conheço.
Eu: Quem?
Lola: Eu.
Eu: Quem?
Lola: Eu mesma. Lola. – ela riu.
Eu: Jura? Quer se mudar pra cá?
Lola: Sim, pergunta com calma pro Luck e depois a gente resolve isso, não tem pressa.
Eu: OK.
Morar com Luck e Lola? Seria saudável isso?
Continuei prestando atenção em volta e esperando que Nick aparecesse com Dudu, mas não os via em lugar nenhum. Eu continuava bebendo e, olhar pras pessoas estranhas que entravam na minha nova casa, havia cada vez mais graça. O AP já não estava tão vazio, afinal as sms de Lipe fizeram efeito.
Falando em Lipe...
Eu: LIPE? LIPE? CADE LIPE? – levantei e fui à procura dele.
Ele era mais difícil de ser achado do que parece. As pessoas me jogavam de lá pra cá e eu tava ficando tonta.
Eu: Caralho. – de longe vi Kurt me observando sem ao menos disfarçar. Fui até lá.
Eu: Viu Lipe?
Kurt: Nopes.
Ele respondeu enquanto fumava e me olhava.
Eu: Tá tudo bem?
Kurt: Yeap.
Silêncio.
Dei de ombros e saí de lá o mais rápido que consegui. Esse ar misterioso de Kurt assusta às vezes. Quando estava quase desistindo de procura-lo, um cara puxou assunto. Nunca tinha visto ele na minha vida, mas respondi de boa. O cara parecia ser simpático e ria bastante. Tinha um estilo meio hipster, ou sei lá. O nome dele eu não consegui ouvir por causa da música, mas não fiz questão de perguntar mais de uma vez.
Quando notei que não era só papo furado, tentei escapar, mas não consegui. O cara tava tentando me “xavecar” e eu não tava muito a fim. “Xavecar” é um termo realmente estranho, me senti escrota em pensar nessa palavra enquanto o cara se aproximava de mim com cheiro de cachaça barata. E se fosse só o cheiro, eu não me incomodaria, mas não conseguia ver graça nesse cara sabendo que Lipe estava nesse mesmo cômodo em algum lugar.
Pensar em Lipe foi a gota d’água. Dei uma desculpa qualquer e tentei fugir novamente, mas ele me segurou.
Eu: Cara, sério, me solta. – eu tava ficando puta e meu pulso estava doendo.
Minha paciência com moleque bêbado e sem noção já acabou faz muito tempo.
Cara: E se eu quiser um beijo antes?
Eu: Se tu chegar mais perto, dou um chute nas tuas bolas tão bem dado que tu nunca vai ter filhos. – ele ergueu as sobrancelhas.
Cara: Mas por que tanta violência? – ele chegou mais perto e conseguiu roubar um selinho.
Cumpri o que eu disse. Dei uma joelhada bem dada e ele gemeu de dor.
Eu: Babaca.
Saí de lá xingando Kurt mentalmente, por ser tão idiota e ter amigos tão idiotas quanto ele. No meio de tanta gente, achei Lipe escorado em uma parede falando com outra guria. Ela ria tanto que tive a certeza de que tava dando em cima dele. Afinal, Lipe nem é tão engraçado assim. É inteligente, mas não chega a ser hilário.
Decidi ir até lá. Cochichava pra mim mesma “seja feminina pela primeira vez na vida, seja feminina”.
Eu: OI. – sorri e cumprimentei mais alto do que pretendia.
Lipe: Tava perdida? – ele perguntou sem olhar pra mim.
Eu: Estava te procurando.
Lipe: Tem certeza? – olhei pra ele estranhando o tom irônico. – Essa é a Júlia. Ela tava me contando como chegou aqui no AP.
A tal de Júlia não sorria tanto quanto antes. Coitada, acho que sentiu o clima. O papo com ela não durou muito e logo foi pra longe da gente.
Eu: Tá tudo bem? – perguntei quando percebi que ele ainda não olhava pra mim.
Ele deu de ombros, displicente. Haja paciência com pessoas fechadas desse jeito. Revirei os olhos e deu para ver de longe o olhar que Kurt nos lançava. Esse garoto é realmente estranho. Nos observava sem piscar, sem hesitar e me assustando pra caralho.
Eu: Lipe... – ele puxou minha cintura e me beijou.
Não um beijo sem sal, não. Um daqueles de tirar o fôlego. Eu já não entendia porra nenhuma, mas retribuí sem questionar.
Quando ele me soltou e olhou em direção a Kurt já não estava mais lá, eu finalmente entendi. Dei um tapa em seu braço. Mesmo depois disso o garoto não olhava pra mim. Peguei a mão dele e o arrastei até o quarto mais perto (o de Luck).
Foi fácil espantar as pessoas que havia lá e conseguimos ficar sozinhos.
Eu: Qual é, Lipe?
Lipe: Quê? – ele respondeu sentando na cama e olhando pra porta.
Eu: Não te faz, caralho.
Ele deu de ombros e levantou. Foi até uma cômoda e tirou um “cigarro especial” já bolado do Luck, obviamente.
Eu: Como que tu sabia que tinha um...
Lipe: Luck me contou mais cedo. – achei estranho, mas esse não era o ponto principal da conversa.
Eu: Quer que eu faça todas as perguntas que estão na minha cabeça ou tu vai falar alguma coisa?
Lipe: Eu conheço Kurt, tá legal? Conheço muito bem. A ponto de saber que ele não vai te deixar em paz enquanto tu não tiver aos pés dele ou ao lado de outra pessoa. Te beijei pra mostrar que tu não tá sozinha. Mesmo que só por essa noite.
Eu: O que tu quer dizer com isso?
Lipe: Não sei.
Suspirei.
Se eu começasse a gritar, acho que não ajudaria ele a falar, então sentei ao lado dele.
Eu: Não sabia que tu fumava maconha.
Lipe: Não é um hábito. Só fumo quando to nervoso ou ansioso.
Eu: E tu tá nervoso ou ansioso agora?
Lipe: Os dois. – ele tragava como se fosse a coisa mais interessante naquele quarto e como se aquilo o deixasse mais aliviado. Minha vontade era de tacar essa porra no chão e pisar vinte vezes.
Eu: Eu tenho alguma coisa a ver com esse nervosismo e essa ansiedade? Porque tu tá bem seco e eu não me lembro de ter feito n...
Lipe: Eu fui levantar pra buscar mais uma coisa pra beber enquanto tu conversava com a Lola, sabe? E quando voltei, tu não tava mais lá. Fui atrás de ti, mas tu já tava grudada em outro cara.
Eu: Grudada? – ri.
Lipe: É. Ele te alisava e tu não fazia nada.
Eu não sabia se achava engraçado ou desastroso. Que mal entendido do caralho.
Eu: Não vou ficar me explicando, Lipe. Só te digo uma coisa: ele se arrependeu de ter me beijado.
Lipe: Te beijado? – ele se esqueceu que não estava olhando pra minha cara e me olhou rápido, mas logo depois voltou a olhar pros próprios pés.
Eu: Eu podia te explicar tudo o que aconteceu, mas não vou. Minha vida já tá bem complicada sem ter DR com ninguém, fala sério. Tu que passou tanto tempo comigo, devia saber. Eu gosto pra caralho de ficar contigo. Tua companhia me faz bem, mas isso não é o suficiente pra eu ter que te dar satisfações como se fôssemos comprometidos.
Lipe: Eu sei da tua situação de bosta e eu queria poder ajudar nisso, mas tu não pode simplesmente deixar todo o resto de lado... não pode ME deixar de lado.
Silêncio.
Ele me deixou sem palavras. Eu queria responder alguma coisa fofa a altura, mas não consegui pensar em nada. Não sou mesmo uma pessoa muito romântica. Eu só queria abraçar ele ali, mas parecia tão seco e deprimido ao mesmo tempo, que não tive coragem de tocá-lo.
Ninguém falou por alguns minutos. Tudo o que se ouvia era a música tocando, as risadas e a falação do pessoal aparentemente feliz lá fora. Tão longe e perto desse silêncio mórbido do quarto. Eu não sei o que estávamos esperando exatamente. Eu não sabia o que falar, e não acreditava que ele iria dizer mais alguma coisa. Lipe é quietão assim mesmo até onde eu percebi, e já é uma grande coisa ele ter admitido que está puto comigo.
Mas eu não queria só uma confissão. Queria fazer as pazes, gosto dele e não quero parar de falar com ele simplesmente por um mal entendido. Eu percebia que ele estava com ciúmes. Isso é uma bosta. Não quero que ele fique com ciúmes. Não quero ficar com mais ninguém nesse momento, mas isso não quer dizer que eu seja só dele ou que eu o tenha traído em ter dado papo praquele idiota.
Eu realmente queria dizer aquilo tudo. Minha vida já tá demais complicada pra ficar tendo DR. Ele é a coisa menos complicada da minha vida no momento...
Eu: ...Por que não podia ficar do jeito que está? – acabei pensando alto.
Tava tendo uma pequena crise interna e não queria demonstrar. Ele olhou diretamente nos meus olhos pela primeira desde que o achei perdido com uma menina escorado numa parede, e desejei mais que tudo que ele não o tivesse feito.
Em seu olhar eu só conseguia enxergar desapontamento e raiva.
Ele não disse nada. Só ficou ali me olhando e deixando o cigarro queimar. E então sorriu, mas eu sentia a ironia e o nervosismo dele de longe. Tragou fundo, suspirou e disse olhando pra porta:
Lipe: Tu é uma pessoa realmente confusa, Madu. Quer que tudo fique bem, diz que gosta de ficar comigo, mas foge quando te dou uma chance de fazer com que uma coisa dê certo pra ti. Pra mim também, é claro. Mas tudo bem. Foda-se tu. Foda-se. Faz o que tu quiser. – se levantou e abriu a porta – Quando tu crescer, me procura. Boa sorte aí com tua vida fodida.
Ele saiu e eu fiquei petrificada.
Não sabia o que pensar nem o que fazer. E como eu odeio quando isso acontece!
Gosto de estar sempre preparada pra ouvir a merda que for, mas isso nem sempre acontece. Às vezes a gente fica parecendo um babaca assim mesmo, sem saber se defender. Talvez ele tivesse certo, mas foda-se ele não tinha o direito de me deixar ali. Foi como se tivesse me abandonado e ainda foi irônico com a situação, como se apenas eu estivesse sem ação.
Ironia só é legal quando é você quem pratica, ser vítima disso faz a gente se sentir um idiota.
E é exatamente o que eu to sendo sentada aqui olhando pro vulto dele, como se tivesse esperando ele voltar. Sou ridícula em ficar aqui. Vai, Madu. Levante, esquece, segue teu dia, não pensa em nada, tu tá certa, o ciúme dele só te atrapalharia.
Tu tá certa.
Tu tá certa.
Tu tá certa.
Tu tá certa.
Tu tá certa.
Fiquei repetindo isso por muito tempo, mas por alguma razão eu não conseguia acreditar em mim mesma. Resolvi sair daquele quarto antes que meus pensamentos fodessem ainda mais comigo, se é que era possível isso acontecer.
Sair do vazio do quarto e chegar até a sala cheia de gente feliz, não foi muito agradável, mas logo vi Nick ali perto e fui até ele. Ganhei um abraço de urso. Ele falou várias coisas sobre ter tentado me ajudar, mas que não teve outro jeito senão me levar pro hospital e o caralho. A guria que tava com ele ficou me encarando depois que Nick me soltou, mas isso era a coisa mais insignificante da noite, eu não tava ligando.
Conversei um pouco com Nick e depois perguntei sobre Dudu. Ele me levou até meu irmão sorridente, sentado no sofá que eu estava conversando com Lola antes. Sentei ao lado dele. Ou era paranoia minha ou ele realmente ficou meio esquisito quando apareci.
Dudu: Tudo bem? – eu assenti e sorri.
Eu: E tu?
Dudu: De boa.
Dei de ombros.
Luck, muito louco, sentou do meu lado e começou a falar desenfreado sobre como as pessoas daqui eram legais e que eu tava de parabéns por conseguir amigos tão legais. Sendo que eu não conhecia nem metade daquele pessoal, fiquei na minha.
Olhei em volta.
Se bem que eu conhecia aquele cara de casaco gigante e a menina que tava com ele também. Aquele cabelo, eu já tinha visto antes. Espremi os olhos pra tentar lembrar de onde os conhecia e acabei lembrando. Eram os amigos de Cabeça que eu havia conhecido na mesa do bar daqui da rua mesmo. Não sei como consegui reconhece-los, mas presumi que Cabeça também estava por ali.
Eu iria procura-lo e agradecer por vir, mas acho que minha animação continuava sentada no quarto de Luck.
Demorou menos do que eu esperava pra Cabeça aparecer. Luck tava conversando com uma menina do outro lado dele então apresentei apenas Dudu como meu irmão. Cabeça foi, como sempre, muito simpático e ficou falando várias vezes que eu era foda por morar em um lugar desses.
Cabeça: Meu sonho morar nessa rua, porra. E tu consegue logo de cara. – ele riu. – quero sentar. HEY, deixa eu sentar aí.
Ele apontou para Luck, que o encarou como se fosse um pacote de lixo.
Luck: Tu tá falando comigo?
Cabeça: Sim, quero sentar do lado da DONA da casa que é minha amiga.
Luck me olhou, rindo. Ele tava RINDO de um babaca desses? Isso não vai acabar bem. Resolvi me meter.
Eu: Cara, esse aqui é meu amigo Luck, é também o dono da casa.
O sorriso de desdém sumiu da cara dele e Luck gargalhou.
Cabeça: Tu mora com ESSE cara? Sério?
Luck: Algum problema? – ele levantou puto da cara.
Eu: Eita porra. – peguei o braço de Luck e o levei pra longe da possível briga. Reparei que Dudu veio atrás de mim.
Eu: Luck, tua primeira festa nessa cidade. Não fode tudo, por favor.
Luck: Tu fez amizade com esse cara, Maduzinha? O que tu tinha na cabeça? Não lembro de tu ter me falado dele quando nos falamos pelo celular. Tava me escondendo? É isso? Que bom que eu vim pra essa cidade, tu tava se metendo com gente muito estranha, isso sim.
Ele não me deixou responder nenhuma das perguntas e continuou falando que eu tava ficando doida. O que era estranho porque achei Cabeça parecido com ele desde a primeira vez que o vi.
Eu: Vocês só precisam se conhecer, vocês são bem parecidos.
Luck ficou me olhando como se eu tivesse mandado ele fazer amizade com Hitler. Eu dei de ombros tentando me explicar, mas ele virou as costas e foi embora antes que eu conseguisse pensar em uma resposta.
Eu: Pronto. Mais uma pessoa puta comigo, só falta tu agora Dudu.
Dudu: Eu sou teu irmão, a gente pode brigar, mas eu nunca vou ficar puto contigo. – tentei fingir que não achei esse comentário muito estranho e assenti. – por falar em família... o pai ligou hoje.
Eu: Quê?
Dudu: O pai ligou hoje e disse que tá voltando. – ele falou mais alto dessa vez só pra confirmar e completar o inferno dessa noite.