Capitulo 37 – Esteja comigo nos momentos difíceis.
Eu acordei no dia seguinte primeiro que Justin. Ele dormia serenamente, e eu podia ver com clareza que ele estava feliz. Olhei pra aliança de noivado em meu dedo, e sorri sozinha. Ontem havia sido definitivamente o melhor dia de minha vida. Justin havia sido tão amável, que foi como se eu sentisse que estava me apaixonando por ele mais ainda.
Eu me aproximei dele e lhe dei um selinho, mas decidi não acordá-lo. Em comemoração pela nossa noite ele havia bebido uma grande quantidade de champanhe, mas infelizmente eu não pude fazer o mesmo. Apesar de eu estar ciente de minha gravidez, Justin também estava ali para me lembrar disso e me repreender de beber demais. Mesmo por não ter bebido muito, me surpreendi por ter acordado com dor de cabeça e tontura. Na verdade essa não era a primeira vez que isso acontecia... Desde que descobri que estava gravida, eu ando tendo algumas dores de cabeça, contrações e dores no corpo. Não imaginava que ficar gravida traria tantas preocupações. Mas eu estava segura de que estava tudo bem.
Me levantei da cama, e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido, e depois desci para a cozinha. Estava com vontade de comer, mas não sabia exatamente o que. Abri todos os armários e não vi nada que de fato me agradou. Bufei irritada, e então quando olhei pra cima vi algo que poderia me satisfazer.
Um pote de picles em conserva. Nunca havia comido, mas pra tudo tem uma primeira vez. E sem falar que depois que eu vi, minha vontade de experimentar absurdamente aumentou.
Mas estava bem alto... Então eu peguei uma cadeira e subi nela. Quando enfim consegui pegar aquele pote, ouço uma voz já conhecida soar:
– Eu sinceramente acho que você está querendo matar nossa filha. - Seu tom de voz havia saído com rumor. Eu desci da cadeira, e olhei feio pra ele. – Você pode imaginar o histórico que existe de gravidas que caíram de um lugar alto e perderam o bebê?
– Amor, eu estou gravida, não incapacitada. - Fui até ele e lhe dei um selinho. – E como você pode dizer que acha que eu estou querendo matar nossa filha?
– Bom, por causa do histórico todo e... - Eu o cortei.
– Não. Eu quero dizer, como você tem tanta certeza de que é uma menina?
– Eu não tenho. - Ele riu, e colocou uma de suas mãos em minha barriga. – Mas é o que eu quero que seja. Uma menininha, que quando crescer seja tão linda quanto você é. - Eu sorri, e senti um rubor crescer em minhas bochechas.
– E o que aconteceu com a nossa história de termos um casal?
– Ainda esta de pé, claro. Só a menina, está de segunda opção.
– Ah, bom saber que eu tenho opções. - Eu ri enquanto me separava dele, e colocava o pote de picles em cima da pia.
– Mas e você? O que quer que seja? - Ouvi ele perguntar.
– Ah... O que vier esta bom. - Me virei, e o vi tirar uma caixa de suco da geladeira.
– Então não pensa nisso? Pensei que você iria querer um garotinho... Sabe, pra ser tão sexy quanto o pai quando crescer. - Eu ri, e revirei os olhos.
– Se não tivermos um casal, eu prefiro aderir a ideia de termos só uma menina. Assim eu posso ensinar pra ela que caras que assumem que a amam só quando estão bêbados não é bem uma ótima opção de escolha. - Justin me olhou achando graça, e sorriu.
– Não diga que você não adorou aquele momento? Eu lembro muito bem que você estava sorrindo de orelha a orelha, desde quando me viu entrando no quarto bêbado ate o final quando eu me declarei pra você. - Ele colocou o suco na pia, e se aproximou de mim.
– Não disse que não havia gostado. O momento até que foi bonitinho. Mas se tivermos um casal, com certeza o nosso Nathaniel vai querer proteger a nossa Violet de homens como você.
– Nem vai ser preciso. A Violet vai ser tão chata e arrogante quanto você já foi. Os garotos vão passar longe dela. - Ele zoou rindo, e eu sorri sarcástica.
– Ah é, mesmo? Tenho certeza de que o Nate também vai ser super egocêntrico e metido. Nenhuma menina vai gostar desse jeito dele.
– Bom, você gostou desse meu jeito. - Ele mudou o rumo da conversa, e eu também ri.
– Nunca disse isso. - Ele se aproximou mais de mim, e colou nossos corpos.
– Hmm... Talvez sim. - Mordi o lábio inferior, e ele riu sacana.
– Talvez? Então me deixe tirar essa sua dúvida. - Em seguida ele me beijou. Eu sorri entre o beijo, pensando no quão idiotas nós dois éramos por estarmos tendo uma conversa cheia de indiretas e irônicos pensamentos. Mas isso tudo era engraçado, e era o que também fazia nós estarmos tão unidos e apaixonados. Só podia esperar que nossos filhos pegassem isso da gente.
Eu já estava gravida a 5 meses...
E ainda não havia sentido nada de diferente.
Não sentia o meu bebe se mexer, e nem nada parecido. Já havia ido ao médico, e ele disse que isso era normal, mas eu sentia que algo estava errado. Minhas dores, e contrações ainda estavam presentes, e agora isso me preocupava um pouco. Na frente de Justin eu tentava agir normalmente, pois não queria preocupá-lo, mas no fundo eu estava com um pressentimento muito ruim sobre tudo isso.
– Chegamos. - Ouvi ele dizer quando parou o carro em frente a casa de Demi. Foi só então que eu pude me desviar de meus pensamentos. – Amor, está tudo bem? - Eu o olhei e assenti.
– Você anda meio dispersa por esses dias. Tem certeza de que esta tudo bem mesmo?
– Eu só fico um pouco assim por causa da gravidez, isso é uma coisa normal. Esta tudo bem. - Sorri de lado, e ele fez o mesmo.
– Então tá. Venho te buscar quando sair do trabalho. Se cuida, amor. - Ele me deu um selinho, e depois se abaixou e depositou um beijo em minha barriga -que aproposito, já estava grandinha-. Eu sorri, e sai do carro.
Entrei na casa de Demi, enquanto ouvia ele já dar partida e tomar seu rumo.
Me sentei na sala, e a primeira pessoa que veio até mim foi Julie. Ela estava toda sorridente e feliz, e se sentou ao meu lado. Não perdeu tempo, e me perguntou:
– Tia! E então, você já sentiu o bebezinho? - Eu neguei com a cabeça meio chateada.
– Ahh... - Ela também fez uma carinha triste.
– Mas te prometo que quando eu sentir você será uma das primeiras a saber. - Julie sorriu, e então Demi apareceu na sala.
– Vai ficar tudo bem Sel, nem tudo aparece tão rapidamente quanto a gente quer.
– Você diz isso porque na sua gravidez não teve nada de estranho. Você conseguiu sentir a Julie ainda no terceiro mês, e a única coisa que eu queria é poder sentir ele logo, nem que fosse só uma vez... - Ela se sentou ao meu lado.
– E você vai, ok? Tenha paciência, Sel. - Ela me mandou um reconfortante sorriso, o qual eu devolvi.
– Obrigada. Não sei o que faria sem você aqui. - A abracei, e pude ouvi-la suspirar. – E, hm... Demi?
– Eu queria um sorvete de chocolate. - Ela se soltou do abraço e me olhou feio.
– Ah Gomez, não acredito que você vai me fazer sair de casa.
– Por favor? Por mim? - Sorri culpada, e ela revirou os olhos.
– Vou fazer isso pelo meu sobrinho, e não por você. - Eu ri, e assenti.
Demi se levantou, e Julie se ofereceu para ir comprar com ela. E então as duas saíram de casa.
Eu liguei a TV, e coloquei num canal de clips qualquer. E foi preciso apenas alguns minutos se passarem para eu me entediar.
Coloquei uma de minhas mãos em minha barriga quando senti uma dor me invadir naquele local. Por causa dessas dores que eu me preocupava duas vezes mais com o meu bebe. Imaginava se as dores que eu sentia eram um bom ou um mal sinal. E então aquela tontura também voltou, e eu me repreendi mentalmente por ter pedido a Demi pra sair de casa. Me levantei do sofá, decidida a ir a cozinha pegar um copo de água e foi isso que eu fiz. Depois de beber, respirei fundo umas três vezes mas a dor não ia embora, e tontura estava ficando cada vez pior. Decidi que seria melhor eu voltar a me sentar no sofá e ficar ali até Demi voltar.
Mas quando me virei para retomar meu caminho, algo me surpreendeu.
O chão estava marcado com rastros de sangue... Meu sangue.
Eu olhei pra baixo, e todo o meu vestido estava manchado.
Eu comecei a entrar em desespero. As dores que eu sentia fizeram que eu me curvasse instantaneamente, e então caísse de joelhos no chão, e eu coloquei meus braços ao redor de minha barriga. A tontura fez com que minha visão começasse a ficar embaçada, e então eu apaguei.
Saí do hospital cabisbaixa, e completamente arrasada. Apenas ergui minha cabeça quando percebi que já estava no estacionamento, e senti Demi me segurar pelo pulso.
– Você quer que eu te acompanhe até sua casa?
– Não... Obrigada por tudo, Demi. - Falei a olhando, e ela assentiu com amargura no olhar. Podia imaginar como ela se sentia por ver na situação que eu me encontrava.
– Eu sinto muito. - Dei um fraquíssimo sorriso, e então me dirigi ao carro de Justin.
Entrei, e me sentei no banco do passageiro.
Ele ficou no estacionamento conversando com Demi.
Depois que eu apaguei, só havia acordado quando já estava no hospital. Minha amiga estava presente já com meu noivo, e ambos estavam conversando com um médico. A expressão no rosto deles era de total decepção e pânico. E quando eu pedi para que eles me explicassem o que estava acontecendo, tive a pior resposta que eu poderia imaginar. E em resposta a aquilo tudo, eu apenas chorei.
Justin entrou no carro, e então me olhou com preocupação.
– Selena... - Ele ia dizer algo a mais, porem eu o cortei.
– Só dirija. Eu quero ir pra casa.
Nada mais foi dito. E então ele deu a partida.
O caminho todo eu fiquei olhando pra janela, deixando que todos aqueles inúmeros pensamentos invadissem minha mente. Tentava descobrir o motivo de num momento as coisas estarem boas pra mim, e no outro tudo desmoronar. Por que as coisas tinham que ser tão difíceis? Tão complicadas?
Só dei por mim que havíamos chego quando vi Justin abrir a porta do carro pra mim. Eu sai, e entrei dentro de casa sem dizer nada. Andei até o nosso quarto, e me sentei na cama ainda em silencio. Justin apareceu, e se sentou ao meu lado.
– Fale comigo? - Ouvi ele me pedir, mas eu não consegui emitir nenhum som. Por mais que eu quisesse, a única coisa que eu sentia vontade de fazer era chorar.
Ele me abraçou, e eu devolvi o abraço enquanto deixava que minhas lágrimas caíssem e molhassem toda sua camiseta. Meu choro era silencioso, e eu podia sentir o quanto Justin também estava triste com tudo isso.
– Nós vamos passar por isso. - Ouvi ele dizer com a voz baixa, depois de alguns minutos que eu já havia parado de chorar. Ele continuou: – Nós podemos tentar de novo.
Me separei dele, e olhei em seus olhos. Estavam avermelhados e sua expressão era triste. Eu neguei com a cabeça.
– Não, Justin... Eu não vou abortar.
– Como não? - Ele estava indignado e arregalou os olhos. – Selena, eu entendo que você ama esse bebe, mas sua gravidez é de alto risco. Você ouviu tudo o que o médico te disse?
– Eu ouvi. E estou disposta a arcar com toda a consequência disso. - Afirmei segura. Correndo o risco que tivesse que correr, eu nunca iria abortar.
– Se você continuar com isso, você sabe que existem poucas chances de você sobreviver. A única opção é você abortar e tentarmos de novo.
– Eu não posso matá-los! - Já sentia novamente as lágrimas virem aos meus olhos. – Você também ouviu que o médico disse que eu estou grávida de gêmeos, não ouviu? E esses bebês estão marcando um grande momento da minha vida. Eu te contei deles no dia do meu aniversário, e no dia em que você me pediu em casamento. Eu não vou simplesmente apagar tudo isso e jogar fora. Eu não irei abortar.
– E eu não vou aceitar te perder. - Ele se levantou da cama exaltado. Eu me levantei também, e respirei fundo enquanto pegava em uma de suas mãos.
– Você não vai me perder, ok? Eu irei ficar bem. Nós vamos casar e ter a família e o futuro que merecemos. - Sorri fraco, e com a minha mão livre eu limpei as lágrimas que já estavam caindo. Eu estava tentando pensar positivo, pois a minha vida toda eu só tive pensamentos ruins com tudo que eu fosse fazer. Já estava na hora de tentar algo novo. – Nós iremos ter a nossa Violet, e o nosso Nathaniel. E eu vou sobreviver pra ver tudo isso. Vou viver por eles, e por você. Eu te prometo. - Justin que até então estava me olhando, desviou o olhar e negou com a cabeça. Eu podia imaginar que ele estava temendo tudo isso, e apesar de eu estar ciente de que as probabilidades de eu sobreviver eram mais que mínimas, eu queria arriscar. Eu poderia morrer, mas o que me dava forças para continuar com esse sacrifício era de saber que meus filhos iriam viver. E era só isso que eu queria. Mas nunca que eu poderia compartilhar esse pensamento com Justin... Ele não aceitaria uma coisa dessas, então eu precisava “mentir”. – Por favor... Faça isso por mim. - Tentei mais uma vez mudar sua cabeça.
E quando eu percebi que novamente ele iria me dar uma resposta negativa, eu sentei de imediato de volta a cama, e fiquei com uma expressão perplexa. Logo depois coloquei minhas mãos em minha barriga, .
– Selena? - Justin se agachou em minha frente, visivelmente preocupado. – Por favor me diga que você está bem?!
– Justin... Eu senti. - Ainda continuava com a mesma expressão, e olhei em seus olhos que estavam confusos. – Eu senti eles se mexerem. - Eu sorri grande. Eles ainda estavam se mexendo, e eu queria que Justin também sentisse isso. Peguei uma de suas mãos e coloquei também em minha barriga. Os bebes chutaram mais uma vez, e eu pude ver a expressão de surpresa se fazer no rosto dele.
Havia sido a sensação mais verdadeira e pura que eu havia sentido. Meu sorriso continuava estável, e eu podia ter certeza de que estava mais feliz do que algum dia poderia imaginar.
– São os meus filhos. - Falei emocionada, enquanto ainda olhava nos olhos de Justin. Ele passou sua mãos livre pelo meu rosto, e também sorriu.
– São os nossos filhos. - Me corrigiu, dando a entender que agora ele aceitava a ideia de eu continuar com essa gravidez. Eu senti meu sorriso se aumentar. E então sem aviso prévio eu o abracei.
Pensarão que a Selena tinha perdido o bebe em alguma parte? sjhsdshjdhsdh pensei que deveria dar um mini-susto em vocês, hehe
Mas enfim... ai, não sei o que dizer deste capitulo. :c O final foi tipo "êêê", mas no próximo talvez as coisas estejam mais tensas, então vão se preparando. )):
E antes que eu me esqueça, tenho uma boa noticia - que pode não ser tão boa assim pra alguns- eu já comecei a escrever o primeiro capitulo da minha próxima fic. yaaay <333 não darei spoilers ainda, mas tenho certeza de que vai cativar muita gente, hohoho . Mas se quiserem spoilers sobre ela, avisem-me que eu colocarei nas notas finais do próximo capitulo.
Amo vocês, xoxo <33